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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Sistema vai melhorar troca de informações entre fundos

Uma característica peculiar do setor de fundos no Brasil é a divulgação do valor da cota diariamente. Informação que o investidor faz questão de ter, mas não imagina o trabalho que administradores têm para levantá-la - afinal, são mais de 10 mil fundos em atividade. A troca de mensagem entre gestor, administrador e custodiante, além de não seguir um padrão de mercado, é feita via e-mail, fax e até por telefone, quando ela demora a chegar. É um "caos organizado", porque funciona, mas ele está com os dias contados, afirma o vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Pedro Guerra.
Na última semana, um grupo formado por 15 sócios, sendo 12 bancos, a BM&FBovespa e a Anbima, colocou em operação a primeira fase de um sistema de transferência de informações padronizadas para o mercado de capitais brasileiro, batizado de Galgo, em alusão ao famoso cão de caça conhecido pela habilidade em detectar movimentos rapidamente. Até agora, foram investidos R$ 40 milhões pelo grupo, sendo R$ 20 milhões só no sistema. A previsão é gastar mais R$ 15 milhões, conta Guerra, também diretor-executivo de serviços financeiros da América Latina do Citibank.
Nessa primeira fase, que levou três anos para ser concluída, a padronização da forma e conteúdo das mensagens deve incluir valor da cota, patrimônio líquido, registro do fundo e composição da carteira. Essa última informação, contudo, só deve estar disponível em setembro. "O sistema aumenta a eficiência, o controle e a segurança do setor", diz Guerra. Isso porque, além da padronização, altera a forma de trabalhar, do manual para um processo automatizado, preciso e com mais informações disponíveis em único ambiente.
Para se ter ideia, um administrador que tem de fechar a cota de um fundo de fundos precisa levantar os dados de todas as carteiras em que o veículo principal aplica. Só que cada uma dessas carteiras segue um método próprio para informar os dados. O Bradesco, para fechar os dados dos fundos que administra, precisa obter 700 cotas externas, conta o gerente responsável pela área comercial e de produtos locais do banco, Fabiano Kosaka. E isso não é "privilégio" do Bradesco, mas de todos os administradores de carteiras.
O grande problema é que esse processo, do jeito que vinha sendo feito, gerava muito retrabalho e, consequentemente, mais custos e riscos operacionais. Com a iniciativa, o provedor da informação alimentará o mercado uma única vez via sistema. Vale ressaltar que os dados terão acesso controlado, apenas para os que receberam uma licença. E toda a transação será cobrada.
Por enquanto, apenas os sócios do Galgo devem adotar o sistema. Mas a expectativa é que até o fim de julho toda a base de fundos já tenha migrado para o novo ambiente. O retorno do investimento para os sócios poderá vir com a transformação do sistema em uma empresa e sua posterior abertura de capital, conta o superintendente do Galgo, Aloísio Corrêa.
Na segunda fase do projeto, que deve ficar pronta em um ano e meio, o sistema também será usado para a liquidação das operações realizadas pelos fundos, como compra de ações e títulos públicos. Nesse processo, o custodiante, após confirmar as transações realizadas pelo gestor, usará o sistema para o pagamento.
"O projeto surgiu para resolver um problema do mercado local, preenchendo uma lacuna que havia na troca de mensagens entre os participantes, mas já nasce conectado com o mundo", diz Guerra. Tudo que foi desenvolvido até aqui segue um padrão internacional para serviços financeiros, cujo debate para atualização foi liderado pelo próprio Brasil, conta.
Tendo o sexto maior mercado de fundos do mundo, com patrimônio de R$ 1,7 trilhão, Guerra afirma que não fazia sentido para o país adotar um sistema apenas local, sem ligação com os outros mercados, nem seguir o atual padrão internacional, conhecido como ISO 15.022, que já está defasado e deve ser atualizado em poucos anos. "Decidimos montar um grupo brasileiro e conseguimos uma cadeira no Comitê de Padronização Internacional para Produtos e Serviços Financeiros para liderar as discussões", diz.
Com isso, o sistema que entra em operação no Brasil já nasce adaptado a vários idiomas e de acordo com a norma mais atual, batizada de ISO 20.022, afirma Corrêa. Os demais países que participam do comitê têm até 2012 para fazer a migração para o novo padrão. "A ISO 15.022 trazia uma padronização, mas era ruim, uma vez que não levava em conta as peculiaridades dos países", acrescenta Guerra. No debate para definir o novo padrão, o Brasil conseguiu emplacar algumas das regras adotadas por aqui, como o registro do fundo acompanhado de informações detalhadas como as que vão no prospecto.
Todo esse investimento tem um propósito, afirma Guerra: alcançar preços competitivos em nível internacional para transformar o Brasil em um importante centro de processamento de fundos e carteiras, como Luxemburgo. Para o investidor final, o ganho será de qualidade e segurança e, no longo prazo, espera-se que isso se transforme em economia de custos.
Fonte: Valor

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Lucro 40% maior

Na temporada dos balanços fechados de 2010, que começa na segunda-feira com a divulgação dos números do banco Bradesco e da fabricante de softwares Totvs, as companhias abertas brasileiras devem apresentar crescimento médio próximo de 40% no lucro líquido anual na comparação com 2009, segundo estimativas dos bancos de investimento Credit Suisse e BTG Pactual.
O primeiro, que acompanha um grupo de 100 empresas, aposta em alta um pouco abaixo desse índice, enquanto o segundo, que cobre um universo de 112 companhias, acredita que esse patamar de 40% será superado.
Se a expectativa média for confirmada, significará que o quarto trimestre teve o mesmo ritmo de crescimento de lucro visto até setembro, que também registrava expansão de 40%. E o crescimento do quarto trimestre se deu sobre uma base maior de comparação, pois, nos últimos três meses de 2009, as companhias já tinham se recuperado dos efeitos da crise mundial.
Prévias operacionais divulgadas pelo grupo Pão de Açúcar, por incorporadoras imobiliárias como PDG, Cyrela e MRV, pelas administradoras de shopping centers Multiplan e BRMalls e pelas empresas de logística ALL e Log-In sugerem que o quarto trimestre foi mesmo forte, com alta relevante no faturamento.
No Pão de Açúcar, o quarto trimestre registrou alta de 11,3% nas vendas líquidas no conceito mesmas lojas ante os últimos três meses de 2009, sendo que, no ramo de alimentos, o avanço foi de 7,3%, e na Globex (Ponto Frio), de 26,1%.
Embora o mercado estivesse descrente sobre o ritmo de lançamentos e vendas de imóveis no quarto trimestre, as incorporadoras atingiram as projeções divulgadas no início de 2010 e reportaram 43% de alta nos lançamentos ante o mesmo período de 2009, com avanço de 33% nas vendas contratadas. No ano passado inteiro, os lançamentos subiram 55%, enquanto as vendas cresceram 47% (veja mais detalhes abaixo).
Nos shoppings administrados pela BRMalls, a alta nas vendas foi de 11,8% no conceito mesmas lojas no quarto trimestre, com o índice de ocupação seguindo acima de 98%. Nos empreendimentos da Multiplan, o crescimento nas vendas foi de 13,8%.
No caso da ALL, houve salto de 97% no Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no quarto trimestre, enquanto, no ano, o crescimento foi de 21%.
Segundo a Log-In, o volume de contêineres transportados nos navios próprios e afretados avançou 34% no quarto trimestre e 44% no ano. Segundo o presidente da companhia, Vital Lopes, o desempenho espelha bem o que se viu em termos macroeconômicos no Brasil, que foi o forte crescimento da economia, puxado pela expansão nas regiões Norte e Nordeste. O foco principal de atuação da empresa é o transporte de mercadorias produzidas no Sul e no Sudeste para essas regiões. "Mesmo diante das dificuldades de infraestrutura, com algumas restrições de portos, tivemos crescimento bem maior que o do PIB", diz Lopes.
Para este ano, acompanhando as projeções dos economistas para o Produto Interno Bruto (PIB), os analistas preveem desaceleração no ritmo de alta do lucro das companhias, mas que ainda assim será significativo. O BTG espera aumento de 18% na última linha do balanço das empresas brasileiras, enquanto o Credit Suisse estima avanço de 27%. Para a receita, o banco suíço projeta alta de 14%, ante 18% em 2010.
No caso das incorporadoras, Cyrela e CCDI, que já divulgaram a projeção oficial de lançamentos para este ano, a aposta é de crescimento de 10% a 20% sobre o volume de 2010, o que representa uma desaceleração frente ao observado na comparação do ano passado com 2009.
Já Vital Lopes, da Log-In, diz não esperar que o crescimento médio anual de 27% registrado desde 2007 seja reduzido.
De acordo com Carlos Sequeira, estrategista de Brasil do BTG Pactual, o resultado registrado no ano passado foi "impressionante" e superou a estimativa de crescimento de 30% projetada pelo banco no início de 2010.
Sequeira diz que devem puxar a fila de crescimento dos lucros as companhias que atuam nos setores de varejo, consumo, construção, além da mineradora Vale. Entre os segmentos que ficarão abaixo da média em termos de melhora de lucro em 2010, ele menciona as empresas que atuam com serviços públicos, como saneamento, energia e telefonia, que nunca crescem muito, além de Petrobras e das siderúrgicas, essas últimas afetadas pelo aumento do preço do minério de ferro e pela concorrência com importados.
Olhando para os resultados de 2011, o desempenho dos setores não deve mudar muito. As atividades ligadas mais ao consumo, especialmente de bens não essenciais e os setores de educação, saúde e infraestrutura, seguirão como destaque, enquanto as empresas de serviços públicos e também aquelas de alimentos e bebidas devem apresentar crescimento mais moderado.
Com cenário de preços favorável e oferta ainda apertada neste ano, a Vale também deve ter resultados financeiros positivos.
Do lado dos riscos, a inflação e a alta na taxa de juros são apontados como os principais desafios para as empresas em 2011. Setores mais competitivos, que têm dificuldades para repassar reajustes, ou mais dependentes do crédito, como a área de veículos e eletroeletrônicos, podem ser mais afetados.
Na área de construção de imóveis residenciais, as empresas dizem que o impacto da alta da Selic será limitado, uma vez que os financiamentos são atrelados à Taxa Referencial, que sobe menos. Segundo o diretor financeiro da Cyrela, Luis Largman, embora haja algum efeito sobre o mercado imobiliário, ele é limitado, já que, para uma alta de 1 ponto percentual ao ano no custo do crédito imobiliário, a Selic precisa subir 4 pontos. "Alguma influência sempre tem, mas é um número pequeno. Nesse exemplo de 4 pontos na Selic, em um financiamento de 30 anos, há um aumento de 10% na prestação mensal, o que pode pesar para quem está no limite", diz.
Quem se beneficiará com esse cenário de aperto monetário, segundo BTG Pactual e Credit Suisse, devem ser os bancos. "Eles podem não ganhar muito porque os juros mais altos podem elevar a inadimplência, por exemplo, mas também não perdem", diz Sequeira.
Fonte: Valor

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Fundos de R$ 2 bi para óleo e gás

A movimentação em torno da indústria de petróleo e gás no Brasil não para. O Banco Santander se uniu à gestora de recursos Mare Investimentos, de Rodolfo Landim, ex-presidente da OGX e da BR Distribuidora para criar dois fundos de "private equity", num total de R$ 2 bilhões, para o setor de óleo e gás. A Mare reúne, ainda, Demian Fiocca, ex-presidente do BNDES e da Nossa Caixa, Nelson Guitti (ex- MMX e ex-BR) e Claudio Coutinho (ex-BBM e controlador do Banco CR2).
Esse grupo de sócios acredita que a experiência no setor de óleo e gás é um diferencial para atrair não só investidores mas convencer empresas interessadas em suporte e financiamento.
Marcus Matioli Vieira, diretor executivo de planejamento do Santander, adianta que o projeto é ter R$ 2 bilhões sob gestão no primeiro momento, divididos nos dois fundos de "private equity" que ainda estão em fase de estruturação. O que será voltado para investidores nacionais deverá captar entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões, enquanto o fundo para estrangeiros terá US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão.
Os dois fundos devem investir nos mesmos projetos (co-investimento), já que a maior diferença é que investidores brasileiros preferem participar mais das decisões, enquanto alguns estrangeiros não querem, explica Demian Fiocca.
"É uma área com excelentes oportunidades no Brasil, onde existem empresas muito boas mas falta capital e as empresas ou não cresceram ou foram vendidas. Nossa visão é que, com apoio, virá uma grata surpresa com a qualidade do setor", diz Vieira, do Santander.
O banco espanhol já administra dois fundos voltados para a área de energia no Brasil: o Fundo InfraBrasil, que tem R$ 1 bilhão sob gestão, com investimentos principalmente em empresas do setor elétrico (pequenas centrais hidrelétricas e energias renováveis) através da Renova Energia; e um outro chamado FIP Caixa Ambiental. Esse último está em fase de investimento, tem atualmente cerca de R$ 140 milhões e deve chegar a R$ 400 milhões, segundo informa o Santander.
Fiocca admite que o prazo é curto, mas diz que existe a possibilidade de fechar o fundo nacional no primeiro trimestre desse ano. Já existem conversas com várias empresas e negociações sobre cláusulas de saída, assim com investidores potenciais, mas isso é tudo que eles adiantam.
Rodolfo Landim explica que o grupo está analisando empresas não só de equipamentos, mas também serviços, logística e infraestrutura. Podem ainda começar do zero colocando projetos de pé. "Só não vamos investir no risco da exploração e produção de petróleo", diz o idealizador da OGX do empresário Eike Batista.
O momento que o Brasil vive e o gigantesco programa de investimentos da Petrobras evidenciam a imensa necessidade de acesso a capital que o setor terá que enfrentar nas próximas décadas. Em recente entrevista ao Valor o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, calculou que serão investidos entre US$ 624 bilhões a US$ 824 bilhões na cadeia de petróleo até 2014, considerando os US$ 224 bilhões da Petrobras previstos no atual plano estratégico e que deve aumentar no período 2011-2015, ainda não divulgado.
Isso significa que a cadeia de fornecedores terá que investir entre US$ 400 bilhões e US$ 600 bilhões para atender somente à demanda da estatal, o que equivale a algo entre US$ 80 bilhões e US$ 120 bilhões por ano. Demian Fiocca cita esses números e o contexto favorável, sem similar no mundo, para mostrar que existem poucas oportunidades de se encontrar uma demanda desse tamanho em qualquer lugar do planeta hoje.
Também por isso vê espaço para concorrência de outros fundos de "private equity" no setor de óleo e gás, já que o desafio de suprir as necessidades da indústria por capital é enorme e dá espaço para todo mundo.
Fonte: Valor

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

De olho no crescimento brasileiro, JP Morgan amplia sua presença no país

O mercado brasileiro de capitais deverá passar por grandes mudanças nos próximos anos, tornando-se cada vez mais alvo de investidores e companhias internacionais. Ao adquirir participação majoritária na gestora de recursos Gávea Investimentos, fundada pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, o banco norte-americano JP Morgan dá um passo para se consolidar no Brasil, num tipo de operação que deve ser repetido em breve por outros agentes do mercado. Com a economia mundial nos países desenvolvidos em situação ainda delicada, o país, com crescimento pujante, torna-se uma das grandes opções disponíveis para expansão. 

“O mercado de capitais brasileiro está em ascensão e é muito promissor neste momento. O país oferece um bom retorno, enquanto as economias desenvolvidas ainda não estão bem”, afirma Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios. “Iniciativas como a compra da Gávea pelo JP Morgan são uma tendência. Deveremos ver mais operações como essa ocorrerem nos próximos meses e anos”. 

Mesmo sendo um setor que tem crescido muito, o mercado de capitais nacional continua tendo grande potencial. “Ainda há bastante espaço para consolidação. Muitas empresas independentes de instituições financeiras [como era o caso da Gávea] poderão ser alvo de aquisições, assim como várias companhias nacionais poderão se juntar”, diz Paulo Di Blasi, professor de finanças do Ibmec (RJ). Outro aspecto que impulsiona o segmento é a redução da Selic. “Com a queda da rentabilidade dos títulos do governo, os investidores buscarão outro tipo de ativos, o que favorecerá gestores de recursos”, afirma Di Blasi. 

A operação
Ao escolher ampliar sua presença no Brasil por meio de uma aquisição, o JP Morgan acelerou o processo de expansão no país e, ao mesmo tempo, garantiu a conquista de capital intelectual especializado e habituado às regras e costumes brasileiros. “A compra foi a maneira mais fácil de o banco investir no setor”, diz Leite, da Trevisan. 


Se o JP Morgan ganha ao aumentar sua presença no Brasil, a Gávea Investimentos, hoje com patrimônio sob gestão estimado em R$ 10,1 bilhões e 119 funcionários divididos entre o Rio de Janeiro e São Paulo, também terá vantagens com a compra. “Com a operação, a Gávea amplia suas oportunidades, ganhando uma marca internacionalmente reconhecida, aumenta sua capacidade de elaborar e oferecer novos produtos, e os mercados aos quais tem acesso”, diz Di Blasi, do Ibmec-Rio. 

Se num primeiro momento a transação parece agradar às duas partes, há sempre um risco embutido em aquisições. “As empresas terão que ter cuidado com o modelo de governança. Associações do mesmo tipo neste setor já fracassaram pelos sócios terem objetivos distintos. A integração dos executivos terá que ser bem pensada”, afirma Di Blasi. Será preciso aguardar por esses desdobramentos e pelos demais, mas a cara do mercado de capitais no Brasil definitivamente está mudando. 
Fonte: Época Negócios

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Vários governos engatam movimento para brecar queda do dólar

Governos de várias partes do mundo se mobilizam para tentar brecar a queda do dólar. A desvalorização da moeda norte-americana está se tornando um problema para diversas economias, especialmente as emergentes. A tendência, que dá o tom aos mercados internacionais hoje, é mundial e atinge em cheio o Brasil.
Tanto que o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), de 2% para 4% sobre o fluxo externo para a renda fixa, veio antes do esperado. Os investidores estrangeiros já estavam cientes de que a medida chegaria, mas imaginavam que o governo esperaria o segundo turno da eleição presidencial.
Não é apenas o Brasil que se depara com o desafio da apreciação cambial. O Banco do Japão decidiu cortar o que ainda era possível do juro, reduzindo a taxa de 0,1% para uma faixa entre zero de 0,1%. Mais do que isso, adotou mais afrouxamento ao criar um fundo de 5 trilhões de ienes (US$ 60 bilhões) para comprar títulos e outros ativos. Enquanto isso, a Austrália surpreendeu ao manter os juros em 4,75%, ao contrário da alta esperada.
“Esses acontecimentos são mais evidência de que poucos países querem uma moeda forte neste momento”, avalia Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank, em Londres.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Especialistas em periferia


O grupo financeiro coreano Mirae cresceu de maneira fulminante ao concentrar seus esforços longe dos grandes centros financeiros mundiais. Mas tudo indica que conquistar os investidores brasileiros será mais difícil que o habitual.

Está na moda desdenhar de Wall Street. A crise de 2008, como se sabe, desidratou os grandes centros financeiros mundiais e aumentou a força relativa de países emergentes como China, Brasil e Índia. Nada mais natural que surgissem instituições cujo objetivo declarado é crescer com dedicação total à periferia. É o caso do BTG Pactual, o banco do carioca André Esteves. Desde que o BTG recomprou dos suíços do UBS a operação do Pactual, em abril do ano passado, Esteves empunhou a bandeira de criar o maior banco de investimento com base em mercados emergentes do mundo. Com essa filosofia, o BTG avança não apenas pela clássica rota financeira, como Londres e Nova York, mas também em locais menos óbvios - o banco já possui um escritório em Hong Kong e manifestou o interesse de estar presente no México. Se quiser seguir com essa estratégia, Esteves tem muito a ganhar estudando a carreira de um coreano completamente desconhecido no Brasil: o financista Hyeon-Joo Park, uma espécie de especialista em periferia.
Aos 52 anos, Park controla um dos maiores grupos financeiros da Ásia - a Mirae, que recentemente voltou suas atenções para o mercado brasileiro. Em pouco mais de dez anos, Park transformou sua pequena consultoria financeira em uma companhia com 75 bilhões de dólares sob gestão, mais que o dobro do total de ativos sob a responsabilidade do BTG. Por capitanear esse rápido crescimento, Park se tornou neste ano objeto de estudo na Universidade Harvard. Uma parte de seu sucesso pode ser explicada pela conjuntura na qual nasceu a Mirae, em 1997. Naquela época, quando Park deixou de ser um simples operador de uma corretora para montar sua empresa de investimentos, a maior parte do dinheiro dos coreanos estava aplicada no mercado imobiliário e em depósitos bancários. O investimento em ações era visto como especulação financeira. A desconfiança era tão grande que Park não encontrou nenhuma agência de publicidade disposta a endossar as ideias de uma recém-criada empresa financeira que pregava a popularização de uma aplicação duvidosa. A saída foi elaborar, ele próprio, os primeiros anúncios a ser publicados nos jornais e nas revistas locais. Apesar da dificuldade inicial, o fato de ser uma instituição pioneira em um setor pouco explorado deu à Mirae uma posição de destaque à medida que o mercado se desenvolveu - hoje, a empresa representa sozinha um terço do mercado de fundos de ações da Coreia.
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Petrobras vende 4,08 bi de ações e fatia da União chega a 49%


A Petrobras informou ontem (29/9) que foi confirmado o aumento do capital social após a subscrição de 2,29 bilhões de ações ordinárias e de 1,79 bilhão de ações preferenciais em sua oferta, perfazendo o total de 4,08 bilhões de ações.
Diante disso, o capital social da estatal passou de R$ 85,109 bilhões para R$ 200,160 bilhões.
A Petrobras vendeu 3,612 bilhões no mercado doméstico e 470 milhões no exterior, resultando na captação de R$ 115,052 bilhões, sendo que o montante equivalente a R$ 67,816 bilhões foi recebido na forma de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs).
De acordo com a estatal, após a conclusão da liquidação da oferta, a companhia realizou a transferência para o Governo Federal da totalidade das LFTs recebidas e de um valor adicional de R$ 6,991 bilhões, de forma a totalizar o valor devido para o pagamento da cessão onerosa (R$ 74,807 milhões).
A participação estatal no capital social da Petrobras, incluindo as ações em mãos do governo federal, do BNDES e do Fundo Soberano, passou de 39,8% para 49% após a oferta.
Já em relação ao capital votante da companhia, a participação do Estado avançou de 57,5% para 64,25%.
No cálculo, ainda não estão consideradas a emissão do lote suplementar, ainda não encerrada.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Merrill Lynch: Modelo do relógio indica boa fase para ações brasileiras

São Paulo - Agora que o medo de uma guinada para cima nos preços em todo o mundo passou - principalmente depois da constatação de que os estímulos fiscais no mundo inteiro não geraram uma aceleração nos preços - a expectativa agora é por uma "reflação". Ao menos é o que constata um relatório publicado hoje pelo Bank of America Merrill Lynch.
"Desde a primavera, [entre março e junho, no hemisfério norte] a inflação desacelerou dos 3,2% para 2,7%. Dados de inflação nos EUA, Reino Unido, Brasil e Índia baixaram das recentes altas, e o Fed [BC americano] surpreendeu os mercados em sua mais recente reunião do Fomc [comitê de política monetária] ao focar nos riscos de queda da inflação", escreveram Michael Penn e Michael Hartnett, estrategistas globais do banco.
Para indicar quem ganha e quem perde em um ambiente como esse, os analistas traçaram um modelo, como um relógio, que reúne dados sobre os mercados desde 1990. Agora, o "relógio" sugere que os vencedores são: ações, mercados dos BRIC, Hong Kong, Coréia do Sul, Zona do Euro e setor de tecnologia. "A posição atual do nosso relógio em "reflação" suporta a nossa visão de alocação acima da média para ações globais, mercados emergentes e crescimento de large caps".
Segundo o relatório, o ganho anualizado das ações durante esse período de "reflação" no Brasil chega a 56,1%. É a melhor posição do relógio para o Brasil. Em um ambiente inflacionário, as ações por aqui ganhariam apenas 1%. Na mudança para a deflação, o mercado de ações veria um recuo de 11% e, em uma estagflação, a queda chegaria a 7,6%.
 Fonte: Portal Exame

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Fundos de ações tiveram a maior captação liquida em 13 semanas, diz EPFR

Por: Thiago C. S. Salomão
17/09/10 - 21h16
InfoMoney


SÃO PAULO - Refletindo o maior apetite dos investidores em assumir posições de risco na semana encerrada em 15 de setembro, os fundos de ações presentes no universo de cobertura da EPFR Global registraram o maior volume de captação líquida das últimas 13 semanas, atraindo US$ 9,42 bilhões a mais do que o total resgatado no período, informa a consultoria.
Quem também se beneficiou do cenário de menor aversão ao risco foi o mercado de fundos "High Yield". Com uma captação superavitária próxima de US$ 1 bilhão, essas aplicações alcançaram seu melhor resultado em 6 semanas.
Ainda sobre os investimentos em renda fixa, a EPFR mostrou que os fundos mais "conservadores" tiveram captações muito aquém do que tem sido reportado. É o caso dos fundos de bonds globais, que apesar de terem alcançado sua 16ª semana seguida de captação líquida, tiveram sua pior performance de captação em 13 semanas. Também abaixo da média, os fundos de bonds dos EUA viram as aplicações superarem os resgates em US$ 2,06 bilhões.
Emergentes em destaque
Voltando para o mercado de ações, o relatório da EPFR destaca o capital líquido absorvido pelos fundos focados nos mercados emergentes, que chegou a US$ 3,33 bilhões, seu melhor resultado em 6 semanas. Segundo a consultoria, fortes números da produção industrial chinesa ajudaram a elevar os ânimos dos investidores.

Os fundos de ações da América Latina também ganharam destaque ao aumentarem sua sequência de captações positivas para 5 semanas - a maior vista desde o quarto trimestre de 2009. Dentre os países da região, o Brasil captou novas aplicações pela 11ª semana seguida, ao passo que os fundos de ações colombianos atingiram seu maior volume líquido captado em 2010 pela segunda vez consecutiva.
Destaque ainda para os fundos de ações Ásia ex-Japão. Os fundos de ações de Índia e China, tiveram as melhores captações em oito e cinco semanas, respectivamente, assim como o saldo líquido dos fundos sul-coreanos - o maior desde maio.
EUA se salva dentre os mais ricos
Apesar do maior apetite por risco imperando nos mercados entre os dias 9 e 15 do mês, os fundos de ações das maiores economias do mundo não conseguiram o mesmo desempenho de captação visto pelo seus pares emergentes - exceção feita às aplicações no mercado acionário norte-americano, que responderam por uma entrada líquida de mais de US$ 6 bilhões.

Os fundos de ações japoneses viram a saída de capital superar as entradas pela 12ª semana consecutiva, apesar da intervenção anunciada pelo banco central local para impedir o fortalecimento do iene em relação frente ao dólar.
Já os fundos de ações europeus tiveram seu terceiro saldo negativo nas últimas cinco semanas, em meio à apreensão do BCE (Banco Central Europeu) em relação ao crescimento econômico da região. Destaque para os fundos de ações franceses, que tiveram seu maior resgate líquido das últimas 23 semanas, informa a EPFR.


Fonte: Infomoney

Direto ao ponto: expectativa é de estabilidade com vencimento de opções

SÃO PAULO - O Ibovespa encerrou a sessão de sexta-feira (17) com queda  de 0,85%, em 97.089 pontos, refletindo o clima instável nos mercados internacionais, causado, em parte, pelo Quadruple Witching - data em que ocorrem quatro vencimentos simultâneos no mercado norte-americano: contratos futuros de índices acionários, contratos futuros de ações, opções sobre índices e opções sobre ações.
Nesta segunda-feira (20), o movimento pode se repetir, já que é a vez do vencimento de opções sobre ações da Bovespa. De acordo com Leonardo Petri, assessor de investimentos da Investor, o exercício impossibilita que o investidor tenha clara visão do comportamento do Ibovespa, devido à volatilidade inerente à data. 
Isso acontece porque o mercado sente o efeito da disputa entre "comprados" e "vendidos". De modo geral, os "comprados" apostam na alta das ações, enquanto os "vendidos" visam o fraco desempenho dos papéis. Neste cenário, os "comprados" tendem a adquirir grandes quantidades de ações, na tentativa de elevar seu preço, enquanto os "vendidos" promovem a venda dos papéis, com o intuito de derrubar as cotações. Vale lembrar que esse movimento ganha força na medida em que as ações mais negociadas nos contratos de opções costumam carregar participação significativa no índice Bovespa.
Assim, Petri acredita que esses papéis funcionam como "traves", o que equilibra o índice, que, se não cai muito, também não sobe.

Fonte: Infomoney

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Rapidinhas do mercado

A Microsoft lucrou US$ 4 bilhões no primeiro trimestre de 2010, resultado acima do esperado pelos analistas e um terço maior que o do mesmo período do ano passado...

A agência de classificação de risco Moody?s rebaixou o rating da dívida pública da Grécia e projeta um novo corte futuro caso não haja melhora na condição econômica do país...

Boa notícia: a balança de pagamentos brasileira ficou com superávit de US$ 3,2 bilhões em março. A balança de pagamentos ficou em evidência recentemente após surgirem dúvidas sobre a capacidade de produzir saldos positivos este ano...

A venda de imóveis usados nos EUA ficou acima do esperado para o mês de março e acima das vendas registradas em fevereiro...

O índice de preços ao produtor norte-americano registrou alta de 0,7% em março, após uma retração 0,6% em fevereiro...

Os pedidos de seguro desemprego nos EUA marcaram 456 mil novas solicitações na semana, valor abaixo do registrado na medição anterior...

Fonte: ADVFN

segunda-feira, 22 de março de 2010

Estrangeiro compra corretora no Brasil


O movimento não foi interrompido com a crise de 2008 e tende a se aprofundar neste ano: atraídos pela perspectiva de crescimento no mercado financeiro no Brasil, de ações e derivativos, bancos estrangeiros e as maiores corretoras do mundo têm mostrado interesse cada vez maior em comprar corretoras no país. É uma forma mais rápida para entrar no negócio. A autorização do Banco Central para a aquisição demora cerca de seis meses e seria necessário mais do que isso para começar do zero.
A forma mais rápida, no entanto, tem se mostrado cada vez mais cara. Os donos das corretoras no Brasil, ainda com bastante dinheiro no bolso recebido com a venda de suas participações na BM&F e na Bovespa no mercado, em emissão de ações de 2007, perceberam a oportunidade e passaram a pedir preços maiores por suas empresas. De quebra, há grupos nacionais interessados no negócio, como a Caixa Econômica Federal, o BTG Pactual e Banco do Brasil. A queda de braço entre compradores e vendedores está apenas começando.
Foto Destaque
Explicitamente à venda ou em busca de parcerias, somente a corretora do português Banif, que contratou o Credit Suisse para assessorá-la na tarefa, e a independente Link, que contratou o Lazard. O preço pedido para o controle de uma empresa desse porte passou de R$ 150 milhões para R$ 200 milhões em seis meses. Mas há 146 corretoras registradas na BM&FBovespa, 64 na BM&F e 82 na Bovespa, com 97 atuando nos dois segmentos. Muitas delas podem vir a ser objeto de cobiça.
Segundo o Valor apurou, o grupo americano de corretagem no mercado de derivativos e ações GFI está olhando o mercado brasileiro, depois de cinco compras de corretoras por estrangeiros desde 2008. O GFI tem sede em Nova York e seu foco são os clientes institucionais, como bancos, fundos de hedge, empresas de seguros e corporações. Emprega mais de 1,7 mil pessoas e tem escritórios em Londres, Paris, Hong Kong, Seul, Tóquio, Cingapura, Sidney, Cidade do Cabo, Dubai, Tel Aviv e Dublin, entre outros.
Segundo escritórios de advocacia ouvidos pelo Valor, há pelo menos outras duas grandes corretoras globais e um banco interessados em desenvolver a atividade no Brasil e que podem entrar comprando.
Não é de hoje que veio à tona o interesse no negócio do francês BNP Paribas, do português Caixa Geral de Depósitos e do sul-africano com capital chinês Standard Bank. O suíço UBS, depois de vender no ano passado o Pactual para seus ex-sócios da BTG, se arrependeu e agora busca oportunidades.
O presidente do BNP Paribas, Louis Bazire, comentou, ainda em janeiro de 2008, que poderia fazer aquisição ou parceria no setor. Passada a crise, o interesse se manteve, mas nada foi fechado, pelo menos por enquanto. "Os preços estão muito altos e não descartamos fazer apenas uma parceria ou até partir para crescimento orgânico", disse ele.
Dirigentes de grupos estrangeiros têm preferido esperar que os preços das corretoras caiam, o que, acreditam, deva acontecer à medida que essas empresas forem percebendo a necessidade crescente de escala e perdendo clientes para corretoras maiores. Só as grandes, argumentam banqueiros, terão condições de investir em tecnologia para atender às necessidades do novo investidor.
Com a queda dos juros e o crescimento do número de milionários no país, a corretagem para a pessoa física, o chamado home broker, se tornou mais atrativa. Uma corretora de ações no mercado local é importante também para que o banco possa atuar com mais destaque no rentável mercado de emissões de novas ações. Mas, não é só isso. A internacionalização crescente da bolsa, suas parcerias com a Chicago Mercantil Exchange e a Nasdaq e a autorização para a participação crescente dos estrangeiros traz um giro diário de negócios novo, que tende a explodir, ampliando os ganhos de corretagem de atacado.
O novo recorde no volume transacionado nos mercados futuros foi na quinta-feira, com o giro de mais de 10 mil contratos (exatos 10.157.779), quase o dobro em comparação com os 5,7 mil contratos do recorde anterior, no dia 17. São os investidores dos fundos de negociação eletrônica ou algorítmica, cujas ordens de compra e venda são dadas por computador, que têm feito os volumes se ampliarem. Afinal, os computadores conseguem mandar ordens em volumes que um operador jamais conseguiria. As corretoras precisam de tecnologia cada vez mais sofisticada para esse investidor.
Em nota enviada por sua assessoria de imprensa, a Link confirmou que tem sido procurada com "frequência" por corretoras e bancos internacionais que querem aproveitar o bom momento do mercado brasileiro e crescer suas atividades. Mas quis salientar seu "compromisso com suas atividades no Brasil e seus clientes".

domingo, 7 de março de 2010

Números bons e ruins, esses números...


US$ 4,5 bilhões 
é o montante 
destinado pela Petrobras para reforçar sua presença no mercado de etanol e outros combustíveis renováveis no Brasil até 2013. Os recursos serão utilizados pela estatal para a compra de usinas em dificuldades e a construção de pelo menos oito plantas processadoras.

450%
foi o aumento do déficit comercial da Argentina com o Brasil em janeiro. Segundo dados do Ministério de Desenvolvimento, o comércio bilateral entre os países totalizou US$ 2,152 bilhões no período, um crescimento de 58,2%, enquanto a balança comercial pendeu US$ 154 milhões a favor do Brasil.

142 mil
veículos foram vendidos pela Ford nos Estados Unidos em fevereiro de 2009, alta de 43% em relação ao mesmo período de 2008. Com o resultado - influenciado pela queda da Toyota -, a montadora ultrapassou a GM e assumiu a liderança no ranking local de vendas pela primeira vez desde 1998.


Lucro do Pão de Açúcar cresce 127%
A agressiva estratégia de aquisições adotada pelo grupo Pão de Açúcar no ano passado mostrou-se eficiente. É o que revela o balanço referente a esse ano, divulgado pela empresa na terça-feira 2. Segundo Enéas Pestana, vice-presidente de operações do Pão de Açúcar, o faturamento do grupo atingiu R$ 26,2 bilhões, com crescimento de 25,7%. Já o lucro líquido chegou a R$ 591,6 milhões, alta de 127,2%.


Fonte: IstoéDinheiro

quarta-feira, 3 de março de 2010

Roubini vê Brasil vulnerável

O economista Nouriel Roubini, que previu o colapso das hipotecas sub-prime nos Estados Unidos, acredita que o déficit em conta corrente no Brasil irá dobrar até o final do ano. Desta forma o país se tornará mais dependente das benesses do mercado e pressionará as taxas de financiamento da dívida pública. Segundo sua equipe, esse déficit não conseguirá ser recomposto pelo investimento estrangeiro direto. E tudo leva a crer no acerto da previsão: nos dois primeiros meses do ano o volume de importações foi mais do que o dobro das importações no período.
Fonte: Newsletter ADVFN

JP lança fundo de Brasil em Londres


AJP Morgan Asset Management está levantando inicialmente 50 milhões de libras (cerca de R$ 1,380 bilhão) para um fundo fechado dedicado a Brasil, com cotas negociadas na bolsa londrina. A intenção é oferecer aos investidores a chance de ganhar com ações de empresas de menor capitalização, as "small" e "middle caps".
O outro fundo com cotas negociadas em bolsa é o BlackRock Latin America, que normalmente negocia com um prêmio, o que é raro entre essas aplicações e mostra que a demanda por esse tipo de carteira é forte. Investir no mercado brasileiro significa normalmente apostar em ações ligadas a recursos naturais. As duas maiores companhias na bolsa brasileira - a Petrobras e a Vale - representam cerca de 40% do Ibovespa.
Fundos de mercados emergentes e até carteiras dedicadas à América Latina costumam investir nas maiores companhias brasileiras, seguindo de perto o índice MSCI Brazil. Mas alguns analistas avaliam que a história de crescimento do país está em ações ligadas ao consumo doméstico.
"As pessoas leem o Brasil como uma aposta em recursos naturais, mas o maior componente (do PIB) está em serviços. Isso não se reflete no mercado acionário, então esse fundo é uma forma de conseguir essa exposição", diz Mick Gilligan, diretor de pesquisa em fundos da corretora Killik.
O JP Morgan Fund terá taxa de performance de 10% sobre o que exceder o índice MSCI 10/40 - indicador derivado de três índices (MSCI padrão, de crescimento e de small caps). Esse índice restringe a exposição a qualquer companhia em 10% (segundo a legislação de Luxemburgo) e exclui os papéis de empresas maiores.
Além disso, os papéis cuja participação na carteira superam 5%, se somados, não podem passar de 40% - por isso o 10/40. A taxa de performance vai incidir apenas quando o referencial for positivo. O fundo terá controle de desconto, comprando ações se o desconto se ampliar em mais de 5%.
Julian Thompson, especialista em mercados emergentes da Threadneedle, mantém posições acima da média (overweight) em Brasil. O mercado brasileiro ainda negocia a múltiplos mais baixos em relação a outros emergentes, como China e Índia. Thompson diz que o crescimento do consumo no país parece forte e, com isso, as ações de varejo, como a Lojas Renner, deverão se beneficiar.
John Newlands, analista da Brewin Dolphin, alerta que um fundo dedicado a um país pode concentrar o risco. Ele prefere carteiras mais amplas de mercados emergentes com exposição ao Brasil, como o Templeton Emerging Markets Investiment Trust (Temit).