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quarta-feira, 23 de março de 2011

Como Pequim deve governar o mundo

"Reforma e abertura" tem sido o mantra da China há mais de três décadas. O resultado tem sido não apenas o surgimento de uma nova superpotência econômica, mas de uma superpotência extremamente integrada à economia mundial. Uma grande questão é, então, como deveria a China usar sua influência. É uma questão que abordei no Fórum de Desenvolvimento da China, em Pequim. Meu argumento foi de que a China alcançou a grandeza e agora tem essa responsabilidade sobre seus ombros.
Esse colosso é hoje o maior exportador mundial e segundo maior importador (depois dos EUA), a menos que a União Europeia seja tratada como uma entidade unidade. A China detém os maiores superávits comercial e em conta corrente do mundo e possui um terço das reservas monetárias mundiais. Seu fluxo de poupança é o maior do mundo. É o maior importador de muitas commodities e determina os preços de muitos produtos. A influência da China é, em suma, tanto generalizada como crescente. Contudo, é também um país em desenvolvimento governado pelo Partido Comunista, combinação sem precedentes.
A China precisa desenvolver sua própria visão de como usar a sua influência. Ao fazer isso, terá de começar por uma definição de seus interesses e objetivos nacionais. O interesse da China, em minha opinião, está em um ambiente político e econômico mundial estável, pacífico e cooperativo. Somente em tal mundo poderá a China conseguir sustentar um desenvolvimento rápido.
Como deveria a China atingir seu objetivo? Em linhas gerais, a melhor maneira de fazê-lo seria mediante maior desenvolvimento do sistema mundial baseado em regras sobre uma base institucional. A alternativa óbvia seria um arranjo hierárquico, com a China no ápice. Mas tal abordagem, receio, resultaria em conflitos incontroláveis com as outras grandes potências. Com essa ideia em mente, consideremos comércio, pagamentos, finanças e recursos naturais.
Como crescente potência comercial mundial, a China é a sucessora natural dos EUA como guardiã do sistema de comércio aberto. Assim é importante que respeite normas e princípios do sistema e desempenhe um papel importante em seu posterior desenvolvimento.
Como crescente potência comercial mundial, a China é a sucessora natural dos EUA como guardiã do sistema de comércio aberto. É importante, por isso, que a China respeite todas as normas e princípios do sistema e desempenhe um papel importante em seu desenvolvimento ulterior. A China deveria desempenhar um papel no sentido de levar a interminável Rodada Doha a algum tipo de conclusão. A China tem crescente interesse em proteger sua propriedade intelectual e, por essa razão, interesse correspondente em assegurar sua própria adesão a essas regras. A China também tem um forte interesse em proteger seu crescente investimento estrangeiro direto. Por essa razão, deve defender as regras de proteção dos investimentos diretos estrangeiros. Finalmente, como ator no comércio mundial, a China tem forte interesse em assegurar que os acordos comerciais regionais que cria, ou aos quais adere, sejam compatíveis com as regras mundiais.
Quanto aos pagamentos, a questão imediata diz respeito aos desafios criados, para a China e seus parceiros, em decorrência de seus enormes comércio e superávits em conta corrente. Felizmente, a própria China reconhece que o resultado revelou-se, internamente, desestabilizador. Chen Demin, ministro do Comércio da China, declarou recentemente que o objetivo agora é "estabilizar as exportações, ampliar as importações e reduzir o superávit". Além disso, acrescentou ele: "Espera-se que, neste ano, as importações cresçam mais rápido do que as exportações. A participação do superávit comercial no PIB poderá ficar abaixo de 3,1%, inferior à de 2010". De fato, os superávits comerciais chineses, embora ainda enormes, são cerca de metade do que eram antes da crise.
A China certamente reconhece que o acúmulo de enorme créditos soberanos sobre passivos externo "seguros" deve ser igualado por uma oferta correspondente. Infelizmente, a contrapartida da demanda é, hoje, a desestabilização dos déficits fiscais e externos dos EUA. A China pode ajudar a si mesma acelerando a liberalização das saídas de capital e aumentando a flexibilização cambial.
Além disso, a China precisa desenvolver uma estratégia para uma reforma do sistema monetário mundial coerente com a administração da interface entre seu desenvolvimento interno e a estabilidade mundial. Uma iniciativa desejável seria no sentido de maior coordenação da administração do câmbio com outras economias emergentes orientadas para exportações. É também de interesse da China garantir uma acomodação pragmática com seus parceiros nas discussões no Grupo das 20 principais economias. Isso deveria ter como foco indicadores de desequilíbrio, métodos de ajuste e provisão de liquidez para países em dificuldades.
No terreno financeiro, os objetivos chineses deveriam ser: primeiro, criar um sistema doméstico capaz de apoiar seu próprio desenvolvimento econômico; em segundo lugar, ajudar a promover um sistema mundial que fortaleça uma economia mundial razoavelmente estável; e, terceiro, proteger o primeiro dos excessos do segundo. Para conseguir essa difícil harmonização, as políticas chinesas deveriam pautar-se pelo entendimento de que, no longo prazo, seu sistema financeiro será o centro de irradiação do mundo financeiro mundial. Mas a transição para a plena integração não será apenas demorada, como também complexo e tensa, e a plena integração do setor bancário será particularmente perigosa.
Finalmente, abordemos o acesso aos recursos naturais. Pela primeira vez em sua longa história, a China é dependente do acesso a importações de matérias-primas industriais. Os chineses já são os maiores importadores mundiais de matérias-primas. Para a China, uma política nessa área é, potencialmente, da maior importância. Seu interesse imediato é obter acesso aos recursos naturais do mundo em termos favoráveis. Os chineses decidiram, muito razoavelmente, usar seu capital e mão de obra baratos para assegurar esse objetivo. Isso é não apenas de interesse da própria China, como também dos outros consumidores. Uma vez que os recursos naturais têm preços mundiais, qualquer aumento na oferta é para benefício de todos os consumidores.
Ainda assim, seria útil se um consenso pudesse ser alcançado em termos de investimentos e do comércio de recursos naturais. Um objetivo deve ser o de assegurar que os países exportadores de commodities - especialmente os pobres, com limitada capacidade de governança - beneficiem-se do investimento estrangeiro e das exportações de recursos naturais. A China será um ator central na consecução de tais acordos. Acima de tudo, o mundo precisa de um consenso em torno da convicção de que o princípio subjacente precisa continuar sendo o de livre comércio em mercados mundiais abertos. Os preços precisam ser definidos em competição mundial com, naturalmente, a possibilidade de contratos de longo prazo.
À medida que a China cresce, seu impacto no mundo se expande exponencialmente. É preciso conciliar os imperativos de seu rápido desenvolvimento com a necessidade de ter plenamente em conta seu impacto no mundo. Os chineses terão de desenvolver sua própria agenda, uma agenda que assegure seus objetivos vinculados a um rápido desenvolvimento doméstico e estabilidade externa. Não será fácil. A China não tem alternativa.
Martin Wolf é editor e principal comentarista econômico do FT
Fonte: Valor

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O fim do superávit chinês

O superávit em conta corrente da China - combinação de seu superávit comercial e lucro líquido com investimentos no exterior - é o maior do mundo. Com um superávit comercial de US$ 190 bilhões e a renda proveniente de sua carteira de ativos estrangeiros de quase US$ 3 trilhões, o superávit externo da China é de US$ 316 bilhões, o equivalente a 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB) anual.
Como o superávit em conta corrente é denominado em moeda estrangeira, a China precisa usar esses fundos para investir no exterior, especialmente comprando bônus governamentais lançados pelos Estados Unidos e países europeus. Como resultado, as taxas de juros desses países estão mais baixas do que estariam sem essas compras.
Tudo isso pode estar para mudar. As políticas que a China adotará como parte de seu novo plano de cinco anos encolherão seus superávits comercial e em conta corrente. É possível que, antes do fim da década, o superávit em conta corrente da China se transforme em déficit, com o país importando mais do que exportando; e gastando a renda de seus investimentos externos em importações e não em papéis estrangeiros. Se isso ocorrer, a China não será mais um comprador líquido de bônus dos EUA e de outros governos, o que pressionará as taxas de juros desses países para cima.
É possível que, antes do fim da década, a China passe a ter déficit em conta corrente, com o país importando mais do que exportando; e gastando a renda de seus investimentos externos em importações e não em papéis estrangeiros
Embora atualmente esse cenário possa parecer implausível, na verdade é bem possível. Afinal, as políticas que a China adotará nos próximos anos têm como alvo o enorme índice de poupança do país - a causa de seu grande superávit em conta corrente.
Em qualquer país, o balanço em conta corrente é a diferença entre a poupança doméstica e o investimento nacional em fábricas, equipamentos, residências e estoques. Esse fato fundamental não é uma questão de teoria econômica ou algo historicamente periódico. É uma identidade contábil fundamental da renda nacional que vale para todos os países, todos os anos. Portanto, qualquer país que reduza sua poupança doméstica, sem cortar o investimento, verá um declínio em seu superávit em conta corrente.
O índice de poupança doméstica da China - incluindo a poupança das pessoas físicas e das empresas - está agora em cerca de 45% do PIB, a maior no mundo. Mais à frente, no entanto, o plano quinquenal reduzirá o índice de poupança, uma vez que a China busca aumentar o consumo doméstico e, dessa forma, o padrão de vida média dos chineses.
O plano almeja maiores salários reais, de forma que a renda familiar, enquanto participação do Produto Interno Bruto (PIB), aumentará. Além disso, as empresas estatais terão de distribuir uma maior parte de seus lucros na forma de dividendos. E o governo aumentará seus gastos em serviços como assistência médica, educação e habitação.
Essas políticas são motivadas por considerações domésticas, uma vez que o governo chinês tenta elevar o padrão de vida em ritmo superior ao do PIB, que está se desacelerando. Seu impacto líquido será elevar o consumo como porcentagem do PIB e reduzir o índice de poupança nacional. E, com essa queda na poupança, virá uma queda no superávit em conta corrente.
Como o superávit em conta corrente da China gira atualmente em torno dos 6% do PIB, se o índice de poupança cair dos atuais 45% para menos de 39% - ainda maior do que o de qualquer outro país - o superávit se tornará déficit.
Essas perspectivas para o balanço em conta corrente não dependem do que vier a ocorrer com a taxa de câmbio do yuan em relação às demais moedas. O desequilíbrio poupança/investimento é fundamental e, sozinho, determina a posição externa do país.
A queda na poupança doméstica, contudo, provavelmente levará o governo chinês a permitir uma maior valorização do yuan. Do contrário, o aumento no consumo doméstico criaria pressões inflacionárias. Permitir a valorização da moeda ajudará o país a compensar essas pressões e restringir o crescimento dos preços.
Um yuan mais forte reduziria a conta com as importações, incluindo os preços pagos pelo petróleo e outros insumos, e tornaria os bens chineses mais caros para os compradores estrangeiros, além de deixar os produtos externos mais atraentes para os consumidores chineses. Isso reorientaria a produção voltada às exportações para o mercado interno e reduziria, portanto, o superávit comercial, além de restringir a inflação.
O superávit comercial chinês e a taxa de câmbio do yuan estavam no topo da lista dos assuntos discutidos pelos presidentes da China, Hu Jintao, e dos Estados Unidos, Barack Obama, quando o primeiro foi a Washington neste mês. Os americanos estão ansiosos para que a China reduza seu superávit e permita uma maior valorização do yuan. Mas deveriam ter cuidado com o que desejam, porque um superávit menor e um yuan mais forte sugerem que, algum dia, a China não será mais compradora líquida de bônus do governo americano. Os EUA deveriam começar a planejar-se para esse dia.
Martin Feldstein é professor de economia em Harvard, foi presidente do Conselho de Assessores Econômicos do ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan e foi presidente do National Bureau for Economic Research.
Fonte: Valor

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

China lidera investimento no país

A China liderou em 2010, pela primeira vez, a lista dos países com maior investimento direto no Brasil, com um fluxo de capital de US$ 17 bilhões, pouco menos de um terço do total de ingressos de US$ 52,6 bilhões. A estimativa é da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet). Em dezembro, o investimento estrangeiro direto líquido atingiu US$ 15,3 bilhões, volume inflado pela compra de 40% do capital da Repsol pela chinesa Sinopec, no valor de US$ 7,1 bilhões.
O presidente da Sobeet, Luis Afonso Lima, diz que é difícil ter uma ideia exata do valor do investimento chinês porque as companhias estatais da China enviam muitas vezes os recursos a partir de outros países. Os números do Banco Central, por exemplo, mostram apenas US$ 392 milhões de capital chinês nas operações de participação de capital em todo o ano passado. Só a operação da Sinopec com a Repsol foi de 18 vezes esse valor, mas os recursos entraram via Luxemburgo, país que oferece generosos benefícios fiscais.
Os chineses investem preferencialmente em commodities. Em maio, a Sinochem comprou, por US$ 3 bilhões, 40% do campo de Peregrino, da norueguesa Statoil e a State Grid adquiriu no país sete companhias de transmissão de energia da espanhola Plena, por US$ 1,7 bilhão.
As empresas brasileiras também voltaram a aportar recursos em suas filiais no mercado externo. O volume de investimento brasileiro direto no exterior atingiu o valor líquido de US$ 11,5 bilhões no ano passado, com saídas de US$ 34,879 bilhões e retornos de US$ 23,379 bilhões.
Neste ano, segundo o Banco Central, os investimentos brasileiros no exterior devem chegar a US$ 16 bilhões. Essa performance marca reversão "expressiva" em relação a 2009, quando as companhias, sem liquidez em razão da crise, repatriaram US$ 10 bilhões.
Fonte: Valor

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A difícil missão do Alibaba no Brasil

Há cerca de um ano, o maior site de comércio eletrônico entre empresas desembarcou no Brasil. O chinês Alibaba.com foi criado no fim da década de 90 para conectar pequenas manufaturas da China a compradores do resto do mundo. Com o interesse crescente das companhias por insumos baratos vindos da Ásia, o negócio explodiu: o site captou US$ 1,7 bilhão em seu IPO (oferta pública inicial de ações) e, somando-se seus filhotes, tem hoje 56 milhões de usuários em 120 países e um faturamento superior a US$ 500 milhões.
No Brasil, a ideia era repetir - pelo menos em parte - o sucesso alcançado na matriz. Na teoria, faz todo o sentido: o País tem 5,7 milhões de micro e pequenas empresas que representam 99% dos negócios formais. Esse grupo, porém, é responsável por menos de 1% das exportações nacionais. Uma tremenda oportunidade de expansão, portanto. Mas, na prática, a missão de adicionar empresas brasileiras à rede tem se mostrado espinhosa. Inicialmente, a ideia era terminar 2010 com 100 funcionários. Até agora, 17 pessoas trabalham em um escritório na Avenida Paulista.
O grupo Alibaba não investiu no País diretamente. A operação local é resultado do esforço do empresário Kenneth Ma, chinês dono do Luda Group, que fatura US$ 100 milhões e exporta desde roupas íntimas para a África até equipamentos de tubulação para petrolíferas nos Estados Unidos e na Europa. Foi por meio desse último negócio que Ma criou relações com o Brasil. Seus produtos passaram a ser vendidos para Petrobrás e o empresário decidiu se estabelecer em uma casa cercada por montanhas em Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo.
Entusiasmado com as oportunidades no País, Ma negociou durante dois anos com o presidente do Alibaba.com, David Wei, até conseguir uma licença para representar a empresa no País em nome da Ludatrade.com. "Com as ferramentas do Alibaba, queremos levar o Brasil à 10.ª posição no ranking dos maiores exportadores dentro de dez anos", disse Ma, de Hong Kong, em entrevistado ao Estado por telefone. Hoje, o País é o 24° nessa lista.
Dificuldades. Há muito a ser feito até que a meta seja atingida. O Alibaba.com tem 210 mil usuários no País, um crescimento de 50% desde que Ma instalou a operação, mas irrelevante perto dos 56 milhões de usuários no mundo. Mais: a maior parte dos usuários locais não paga a mensalidade exigida para passar pela auditoria do site - uma das principais fontes de receita do Alibaba.
Sem esse aval, as empresas cadastradas gratuitamente têm mais dificuldade de fechar negócios, já que o comprador não tem como saber se as informações dos vendedores são corretas. A expectativa é que a operação local só passe a dar lucro em cinco anos. Enquanto isso, Ma e seu principal executivo, o francês descendente de cambojanos Jerome Ly, percorrem o País para tentar costurar acordos com governos e dar palestras a pequenos empresários .
A equipe já visitou mais de 120 organizações, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Jaú. Também expôs seus planos a dois senadores, ao chefe de gabinete do ex-presidente Lula, ao Sebrae e à Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). A intenção é conseguir algum tipo de apoio, o que ainda não ocorreu. Na China, governos locais subsidiam parte das mensalidades.
Há quatro meses, a Ludatrade.com se ofereceu para participar da rodada de negócios da Associação Comercial e Industrial de Piracicaba, no interior de São Paulo. O próprio Kenneth Ma se encarregou da tarefa. Em inglês, ele falou para cerca de 30 pequenos e médios empresários do setor metalmecânico da cidade.
A palestra precisou ser traduzida, e essa não foi a única dificuldade. Um fabricante de ferramentas foi ao evento com a intenção de desopilar sua fúria contra os fabricantes chineses do setor. "Ele se queixou, disse que estava perdendo mercado para os chineses. Mas expliquei que não dá para competir com a China no ritmo em que as coisas estão", diz Mauricio de Souza, diretor de exportação da entidade. "No final, Kenneth Ma deixou uma ótima impressão na cidade."
Mas o maior entrave à expansão do Alibaba.com no Brasil é a falta de cultura exportadora entre os pequenos e médios. "O e-commerce não está nos genes dos brasileiros", explica Ly, com ar de espanto. "Quando eu ofereço o Alibaba para um empresário brasileiro, ele me diz: eu estou bem, tenho 50 empregados, um carro legal e uma casa. Se decidir exportar, terei de empregar mais gente para me processar. Imagine quantos documentos, quanta dor de cabeça! Ainda por cima, terei de declarar tudo oficialmente. Na China, se eu digo que uma plataforma na internet vai ajudar o empresário a crescer, ele me responde: onde eu assino?" No país asiático, o Alibaba leva um mês para fechar um acordo. Aqui, são entre dois e seis meses.
As barreiras encontradas por Ly são velhas conhecidas dos governos brasileiros que já tentaram, diversas vezes, incentivar a conexão das pequenas com o mercado global. "Elas lutam para sobreviver, nem pensam em exportar", diz José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil. A pauta de exportações brasileira é dominada por grandes empresas de commodities.
Os problemas que determinam a pouca competitividade das pequenas empresas são estruturais, a começar pelo custo de produção. Nossa carga fiscal é de 35%, contra 20% na China e o câmbio, depreciado na China e valorizado no Brasil, pesa contra. "Ainda há uma tendência de criação de grandes blocos comerciais. Existe a região da Europa que se relaciona com a África, o bloco EUA-Caribe-México e a região da China, que mantém relações com outros países asiáticos. Esses acordos criam cadeias produtivas integradas", diz o embaixador Sergio Amaral, ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. "Nesse cenário, não vamos ter as mesmas preferências e o Brasil não faz parte de nenhum bloco em formação."
Exceções. O micro cenário, porém, oferece exceções ao macro. Os clientes que o Alibaba.com conseguiu até agora estão exatamente em áreas em que a marca "made in Brazil" tem alguma importância, como fabricantes de biquínis, cachaça e produtos agrícolas. A Milhão Alimentos, empresa de insumos de milho sediada em Inhumas (Goiás), tornou-se membro do site há cerca de seis meses. "A demanda pelo nosso produto é imensa. Já vendi para lugares de que nunca ouvi falar, como Moldávia e Ilhas Mauricio. Nem sei onde ficam", diz o sócio Leandro Araújo Carneiro.
"As micro e pequenas têm de focar em áreas de nicho, mesmo", diz Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do departamento de comércio exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "E uma pauta de exportação se faz de milhares. Esse conjunto pode ser importante." É exatamente com isso que contam Ly e Ma.
PERFIL
Como Jack Ma criou o Alibaba.com na China
Empresário usou um teclado de PC pela primeira vez em 1995
Quando procurava emprego, o chinês Jack Ma foi rejeitado até como secretário em um restaurante Kentucky Fried Chicken. Ma aprendeu inglês sozinho e acabou tornando-se professor. Em 95, visitou os EUA como intérprete de uma delegação comercial e conheceu a internet. Foi a primeira vez que ele tocou num teclado de computador. De volta à China, Ma lançou o site China Pages, a primeira empresa chinesa de internet. Em 99, criou o Alibaba. 
Fonte: Estadão

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

China alcança Japão em gasto com P&D

A China está prestes a superar o Japão e se tornar o segundo país do mundo em gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D), atrás dos EUA, em mais uma reviravolta marcante na competição entre duas potências econômicas mundiais, mostra um novo relatório.
A China deve investir US$ 153,7 bilhões em P&D em 2011, ante US$ 141,4 bilhões este ano, segundo o Battelle Memorial Institute, uma instituição sem fins lucrativos dos EUA que faz pesquisa científica para o governo e a indústria. Em comparação, o Japão deve gastar US$ 144,1 bilhões ano que vem, ante US$ 142 bilhões em 2010.
Apesar da expansão chinesa, os EUA continuam a ser o país que mais gasta com P&D, respondendo por um terço do total mundial.
"A China vem sustentando esse tipo de expansão [no investimento em P&D] durante vários anos e continua apesar de tudo que está ocorrendo no atual ciclo da economia mundial", disse Martin Grueber, pesquisador sênior do Battelle e co-autor do relatório, publicado na revista setorial "R&D".
Um exemplo é que a China continuou investindo em P&D em 2009, um ano em que os EUA e muitos países ricos diminuíram esses gastos por causa da recessão.
O crescimento mundial se recuperou em 2010 e provavelmente vai continuar. O gasto total do mundo com P&D ano que vem está previsto para aumentar 3,6%, para quase US$ 1,2 trilhão, segundo o relatório do Battelle.
Nos EUA, o cenário é ambíguo. Em 2010, o gasto total do país com P&D subiu 3,2%, para US$ 395,8 bilhões. E deve crescer modestos 2,4% em 2011, refletindo, em parte, o provável declínio do financiamento governamental para P&D.
O impacto desse declínio é parcialmente compensado pelos gastos de P&D em 2011 resultantes de medidas governamentais de estímulo à economia que já tinham sido aprovadas. Sem o efeito desse estímulo e reajustado pela inflação, o investimento americano em P&D na verdade deve cair ano que vem, segundo previsões.
As empresas americanas estão gastando mais com P&D agora que os piores efeitos da recessão parecem ter se dissipado. Mas o total ainda é menor que o nível histórico de financiamento do setor.
"Num mundo perfeito, o índice [de crescimento do investimento] do setor seria maior que 5% ou chegaria a até 7%", disse Grueber. Ele calcula que o crescimento real do investimento em P&D no país em 2011 ficará perto de 3,3%.
O investimento varia de empresa para empresa. A Intel e a Cisco Systems, por exemplo, cortaram significativamente os gastos com P&D nos primeiros nove meses de 2009, em relação ao mesmo período de 2008, mas os elevaram levemente nos primeiros meses de 2010 em relação ao mesmo período de 2009.
A Microsoft, a International Business Machines (IBM) e a Johnson & Johnson cortaram os gastos com P&D nos primeiros nove meses de 2009 em relação ao mesmo período de 2008, mas aumentaram ligeiramente de janeiro a setembro de 2010 frente a um ano antes.
O mais notável é que, enquanto o gasto total da China com P&D ainda está bem abaixo do americano, a China está se esforçando para investir em certas áreas de ponta - como energia alternativa, biologia e materiais avançados - enquanto EUA e Japão mantêm boa parte do orçamento de P&D preso em áreas mais antigas, como a automotiva.
Mesmo nas áreas em que antes era retardatária, a China tem conseguido recuperar terreno rapidamente. O relatório descreve o crescimento da Huawei Technologies, empresa chinesa de telecomunicação fundada em 1998 e que agora é a terceira maior fabricante mundial de infraestrutura para telefonia celular. Mais da metade dos 60 mil funcionários da Huawei trabalha com P&D, afirma o Battelle.
O crescimento "de dois dígitos nos gastos de P&D [na China] vai acompanhar seu enorme crescimento econômico. Poucos esperam que esse alto índice de crescimento desacelere no curto prazo e alguns sugerem que ele pode até acelerar", conclui o relatório.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Especialistas em periferia


O grupo financeiro coreano Mirae cresceu de maneira fulminante ao concentrar seus esforços longe dos grandes centros financeiros mundiais. Mas tudo indica que conquistar os investidores brasileiros será mais difícil que o habitual.

Está na moda desdenhar de Wall Street. A crise de 2008, como se sabe, desidratou os grandes centros financeiros mundiais e aumentou a força relativa de países emergentes como China, Brasil e Índia. Nada mais natural que surgissem instituições cujo objetivo declarado é crescer com dedicação total à periferia. É o caso do BTG Pactual, o banco do carioca André Esteves. Desde que o BTG recomprou dos suíços do UBS a operação do Pactual, em abril do ano passado, Esteves empunhou a bandeira de criar o maior banco de investimento com base em mercados emergentes do mundo. Com essa filosofia, o BTG avança não apenas pela clássica rota financeira, como Londres e Nova York, mas também em locais menos óbvios - o banco já possui um escritório em Hong Kong e manifestou o interesse de estar presente no México. Se quiser seguir com essa estratégia, Esteves tem muito a ganhar estudando a carreira de um coreano completamente desconhecido no Brasil: o financista Hyeon-Joo Park, uma espécie de especialista em periferia.
Aos 52 anos, Park controla um dos maiores grupos financeiros da Ásia - a Mirae, que recentemente voltou suas atenções para o mercado brasileiro. Em pouco mais de dez anos, Park transformou sua pequena consultoria financeira em uma companhia com 75 bilhões de dólares sob gestão, mais que o dobro do total de ativos sob a responsabilidade do BTG. Por capitanear esse rápido crescimento, Park se tornou neste ano objeto de estudo na Universidade Harvard. Uma parte de seu sucesso pode ser explicada pela conjuntura na qual nasceu a Mirae, em 1997. Naquela época, quando Park deixou de ser um simples operador de uma corretora para montar sua empresa de investimentos, a maior parte do dinheiro dos coreanos estava aplicada no mercado imobiliário e em depósitos bancários. O investimento em ações era visto como especulação financeira. A desconfiança era tão grande que Park não encontrou nenhuma agência de publicidade disposta a endossar as ideias de uma recém-criada empresa financeira que pregava a popularização de uma aplicação duvidosa. A saída foi elaborar, ele próprio, os primeiros anúncios a ser publicados nos jornais e nas revistas locais. Apesar da dificuldade inicial, o fato de ser uma instituição pioneira em um setor pouco explorado deu à Mirae uma posição de destaque à medida que o mercado se desenvolveu - hoje, a empresa representa sozinha um terço do mercado de fundos de ações da Coreia.
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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Carlyle se abrasileira e investe US$ 1 bilhão

Anteriormente, os negócios eram feitos a distância e duas investidas tiveram, até o momento, resultados abaixo do esperado
Com a compra da fabricante de roupas Trifil, anunciada no fim de semana, a gestora de fundos de "private equity" Carlyle já investiu no Brasil neste ano US$ 1 bilhão. Para alcançar esse volume, contribuiu muito a mudança de estratégia. Anteriormente, os negócios eram feitos a distância e duas investidas tiveram, até o momento, resultados abaixo do esperado. Agora, o fundo se "tropicalizou" e montou uma equipe no Brasil.
"Depois da China, onde já estamos há 12 anos, o Brasil é hoje o país mais importante para o Carlyle", diz Fernando Borges, contratado em 2008 para montar a operação brasileira. A maior proximidade com o mercado local também levou a uma parceria com o Banco do Brasil para a gestão de um fundo de R$ 400 milhões captados de fundos de pensão e do próprio banco.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Petróleo sobe, ancorado na alta das importações chinesas e queda do dólar


SÃO PAULO – O petróleo inicia a tarde desta segunda-feira (12) com valorização, enquanto investidores avaliam a alta das importações da commodity na China e também o anúncio de ajuda da União Européia à Grecia, que atualmente passa por sérios problemas fiscais. Há pouco, o barril de óleo bruto operava cotado a US$ 85,37 em Londres, com alta de 0,64% em relação ao último fechamento.
Com o desempenho positivo dessa sessão, o petróleo acumula forte alta de 5,17% neste mês de abril. O contrato com vencimento em maio de 2010, que apresenta maior liquidez no mercado de Nova York, opera a US$ 85,23 por barril, configurando uma alta de 0,37% frente ao fechamento anterior.
A despeito do impacto negativo do primeiro déficit comercial chinês em seis anos, no mercado de petróleo a alta das importações do gigante asiático tem reflexo positivo e colabora com o comportamento das cotações no intraday. De acordo com dados preliminares divulgados pela Administração Geral das Alfândegas, a China, segundo maior consumidor de petróleo do globo, importou 21,1 milhões de toneladas de óleo bruto no mês passado.
Da Ásia para a Europa, onde um aparente desfecho favorável da questão fiscal grega chama atenção do mercado. Os ministros das finanças dos 16 países que compõem a Zona do Euro acertaram um pacote de resgate ao país no valor de € 30 bilhões, com aportefinanceiro do BCE (Banco Central Europeu). Cabe lembrar que os ministros ressaltaram que o resgate não será provido agora, e sim em caso de insolvência grega.
Outro fator que colabora para a valorização do petróleo tanto em Londres quanto em Nova York no começo desta tarde é a depreciação do dólar norte-americano frente às principais divisas do globo. Um dólar menos valorizado é sinônimo de petróleo mais barato, visto que a commodity é negociada nesta moeda. Assim, é de se esperar que haja uma alta nos preços para equivaler a queda da moeda em que o petróleo é cotado.

Fonte: Infomoney

Expectativa para a semana é que referências externas deem o tom dos mercados


SÃO PAULO - A semana se inicia de maneira positiva nos mercados globais: resgate à Grécia, bons indicadores durante a última semana e menores temores sobre a conduta da política monetária nos EUA, Japão e Europa. Fatores estes que, em conjunto, arrefeceram a aversão ao risco dos investidores e trazem certo otimismo para as sessão que estão por vir.
Quanto à Grécia, os ministros das finanças da Zona do Euro acertaram um pacote de resgate no valor de € 30 bilhões, a ser concedido pelos 16 países do bloco monetário, com aporte financeiro do BCE (Banco Central Europeu). Para o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, o resgate ao endividado país “traz um novo impulso à cotação do euro, sendo mais um fator de redução da aversão a risco que tem sido observada nos últimos dias”.
No tocante dos indicadores positivos, destaque à elevação nas vendas no varejo norte-americano, nos bons números dos estoques do país e “a aposta dos investidores em bons resultados financeiros durante a temporada de balanços do primeiro trimestre, nos EUA”, que reforçam o sentimento mais otimista do mercado, de acordo com Miriam Tavares, da AGK Corretora.
A manutenção das políticas também ajudou no view mais positivo para esta semana, bem como a divulgação do déficit chinês, que, segundo Campos Neto foi “uma confirmação da força da economia interna, dada a necessidade de se adquirir quantidades cada vez maiores de matérias-primas para sustentar o intenso ritmo de crescimento”.
Perspectivas... 72 mil pontos?
“Movimentos de realizações após altas dos preços dos ativos de maior risco deverão fazer parte do ambiente de negócios ainda por algum tempo”, afirma Tavares, prevendo um cenário de “recuperação moderada” para este e o próximo ano. “Indicadores macroeconômicos e as sinalizações dos governos estarão combinados de uma forma mais positiva e em outros, mais preocupantes.”
Quanto ao Ibovespa, existe potencial para buscar os 72 mil pontos nesta semana, avalia Antônio Goés, analista da Senso Corretora, para quem o mercado "é bom, de alta". Já Marco Aurélio Etchegoyen, analista da Diferencial, com um pouco mais de cautela, acredita que o otimismo em relação aos indicadores macroeconômicos será determinante para direcionar o índice.
Em linha com os analistas, Tavares destaca que "o Ibovespa tem potencial para buscar os 72 mil pontos nesta semana, avaliam alguns analistas deste segmento, se o cenário externo permitir."
Agenda internacional recheada
Na agenda internacional, semana bastante intensa, em especial no front chinês e norte-americano. No primeiro, o PIB (Produto Interno Bruto) do 1º trimestre e os dados da indústria e varejo de abril vão impactar os mercados globais, além dos inúmeros resultados corporativos; já quanto ao segundo, atenção especial aos números de atividade.
“Do lado chinês, no entanto, ainda que os dados de atividade devam continuar muito fortes, existe a expectativa de que os indicadores da semana aumentem a possibilidade de um aperto monetário na economia chinesa, limitando um otimismo mais acentuado nos mercados”, afirma Mirim Tavares.
Para o analista da Diferencial, Marco Aurélio Etchegoyen, a divulgação do resultado do PIB chinês acima do esperado deve traduzir-se em otimismo no mercado interno, com expectativa de aumento da demanda por commodities. "O que comprova que os reajustes pedidos pela Vale não são infundados", comenta. 
Do lado americano Miriam avalia que "as notícias positivas devem preponderar, em especial, nos números referentes às vendas no varejo e produção industrial, o que, se confirmado, deve reforçar a retomada do viés positivo para os preços dos ativos financeiros globais”.
Ainda nos EUA, a publicação do Livro Bege do Federal Reserve e divulgações quanto aos números da inflação no país também ganham destaque no período.
Já na Europa, foco na produção industrial da Zona do Euro em fevereiro e ao índice de preços ao consumidor de março. No Reino Unido, destaque aos números da balança comercial.
Agenda doméstica anêmica
Já por aqui, agenda um pouco mais branda, ganhando destaque a pesquisa mensal de comércio e números inflacionários. “Esperamos que o indicador mostre otimismo sobre a economia brasileira: a nossa previsão é de +11% na comparação anual, o que significa uma outra expansão na margem”, afirmam os analistas do Bradesco.
Confira a agenda da semana:
> Segunda-feira (12/4)
 - Brasil
8h00 - A FGV (Fundação Getulio Vargas) divulga o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) referente ao primeiro decêndio de abril, que é bastante utilizado pelo mercado e retrata a evolução geral de preços na economia.
8h30 - O Banco Central revela o relatório semanal Focus, que compila a opinião de consultorias e instituições financeiras sobre os principais índices macroeconômicos.
11h00 - O Ministério de Comércio Exterior reporta a Balança Comercial referente à última semana, que mede a diferença entre exportações e importações contabilizadas durante o período.
 - EUA
15h00 - O Departamento de Tesouro norte-americano fornece os dados de março do Treasury Budget (orçamento governamental).
> Terça-feira (13/4)
 - Brasil
Não serão revelados indicadores relevantes no País neste dia.
 - EUA
9h30 – Serão apresentados o Export Prices e o Import Prices, ambos do mês de março. Os índices excluem de suas bases a produção agrícola e as cotações do petróleo, respectivamente.
9h30 - Destaque ao Trade Balance (balança comercial) com base no mês de fevereiro, que mede a diferença entre os valores das importações e exportações realizadas pelo país.
> Quarta-feira (14/4)
 - Brasil
9h30 - O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresenta a Pesquisa do Comércio de fevereiro, que acompanha a evolução da atividade comercial no Brasil, com indicadores calculados para cada região do País.
Haverá o vencimento de opções sobre os contratos de Ibovespa Futuro negociados na BM&F Bovespa.
 - EUA
9h30 - Principal destaque para o indicador Retail Sales referente ao mês de março, que mede as vendas totais do mercado varejista, desconsiderando o setor de serviços. Já o Retail Sales ex-auto ignora as vendas de automóveis.
9h30 - Atenção para a divulgação do CPI (Consumer Price Index) e de seu núcleo, que mensuram os preços ao consumidor referentes ao mês de março.
11h00 - O Business Inventories compreende o nível de vendas e de estoques das indústrias, além dos setores de atacado e varejo durante o mês fevereiro.
11h30 - Confira o relatório de Estoques de Petróleo norte-americano, semanalmente organizado pela EIA (Energy Information Administration). O documento é considerado uma importante medida, já que os EUA são o maior consumidor do combustível.
15h00 - Investidores estarão atentos ao Livro Bege do Fed, relatório importante sobre o desempenho atual da economia do país.
> Quinta-feira (15/4)
 - Brasil
8h00 - A FGV revela o IGP-10 (Índice Geral de Preços - 10) do mês de abril. O índice, que é formado por um conjunto de parâmetros de inflação, registra os preços desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.
 - EUA
9h30 - Confira o número de pedidos de auxílio-desemprego (Initial Claims), em base semanal.
9h30 - O Fed de Nova York apresenta o NY Empire State Index referente ao mês de abril. Esse índice tem como intuito medir a atividade manufatureira no estado, um dos principais do país.
10h15 - Destaque para os números do setor industrial do mês de março, descritos pelo Industrial Production e pelo Capacity Utilization.
11h00 - O Fed da Filadélfia revela o Philadelphia Fed Index de abril, indicador responsável por mensurar a atividade industrial no estado.
> Sexta-feira (16/4)
 - Brasil
8h00 - A FGV anuncia o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal) referente à segunda quadrissemana de abril. O índice calcula a taxa mensal da variação dos preços até meados da semana anterior àquela em que é divulgado.
 - EUA
9h30 - Sairão os índices Housing Starts e Building Permits, que medem, respectivamente, o número de casas que começaram a ser construídas e quantas autorizações para a construção de imóveis foram concedidas no mês de março.
10h55 - A Universidade de Michigan publica a preliminar do Michigan Sentiment de abril, que mede a confiança dos consumidores na economia norte-americana.

Fonte: Infomoney

sexta-feira, 19 de março de 2010

Site chinês facilita exportações


O comércio eletrônico movimentou R$ 10,6 bilhões no Brasil em 2009, com um crescimento de 30% comparado a 2008, segundo a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara e-net). Esse montante refere-se às vendas para consumidores ("business to consumer" ou B2C) e ao "business to business" (B2B), que trata do comércio entre empresas, segmento considerado pouco explorado no Brasil. De olho nesse mercado o site de vendas B2B chinês Alibaba.com abriu um escritório em São Paulo e quer expandir-se para dez Estados até o final do ano.
A empresa é representada pela Ludatrade, ligada ao grupo Luda, de Hong Kong, especializado em exportações.
O site de comércio eletrônico chinês chega ao Brasil com investimentos de R$ 1 milhão e foco nas exportações das pequenas e médias empresas brasileiras.
O Alibaba atua em 240 países e regiões, conta com 6,8 milhões de empresas fornecedoras de 7,6 mil categorias de produtos. O Brasil está representado com 150 mil usuários cadastrados mas apenas 70 empresas pagantes. A meta é crescer 50% no Brasil, afirma Keneth Ma, diretor-geral da Ludatrade.
Qualquer interessado pode se cadastrar no site para comparar ofertas e fazer compras. Já os usuários registrados pagam US$ 3 mil por ano para ter um um web site próprio com a vitrine de produtos. No Brasil o cadastro custa R$ 8 mil por ano e dá direito a uma consultoria da Ludatrade na confecção do site, tradução para o inglês e auxílio na exportação, por meio do Sebrae e do Banco do Brasil. O foco são pequenas empresas de alimentos, bebidas, produtos agrícolas, minerais e construção civil.
Sobre a segurança nos negócios, Keneth Ma afirma que a Alibaba checa as empresas cadastradas mas pede para o comprador exigir as mesmas garantias que pediria se a transação não fosse feita pelo site. A Alibaba tem crescido 40% anualmente e no ano passado a receita foi de US$ 505,2 milhões.
A empresa mais tradicional de comércio B2B no Brasil é a Mercado Eletrônico. Criada em 1994 para atender médias e grandes empresas, contabiliza 300 clientes e 50 mil fornecedores cadastrados e cresceu 30% no ano passado. O presidente, Eduardo Nader, não considera a Alibaba um concorrente porque sua companhia atua no lado das compras conectando grandes compradores com seus fornecedores. A receita em 2009 foi de R$ 30 milhões.

sábado, 6 de março de 2010

Petróleo fecha a US$ 81,50, máxima em sete semanas


NOVA YORK - Os futuros do petróleo subiram para o seu mais alto nível em sete semanas nesta sexta-feira, quando o Departamento do Trabalho do governo dos EUA informou que a economia perdeu menos empregos que o esperado em fevereiro, oferecendo encorajamento à recuperação econômica. Os investidores se moveram para o petróleo na expectativa de que o consumo do combustível crescerá, à medida que o ritmo do crescimento econômico se acelera.

O petróleo light, em contrato de entrega para abril, fechou em alta de US$ 1,29 (1,6%) em US$ 81,50 o barril na New York Mercantile Exchange (Nymex), no maior preço de fechamento desde 11 de janeiro. O petróleo brevemente atingiu um patamar acima de US$ 82 o barril, chegando a uma máxima intraday de US$ 82,07. A mínima, considerando as transações eletrônicas, foi de US$ 80,47. Já o barril do petróleo Brent, negociado no mercado eletrônico ICE, fechou com alta de US$ 1,35 (1,7%) a US$ 79,89.

"O preço subiu com os números do emprego, sugerindo que a recuperação econômica segue em curso, e também devido à força do mercado de ações", disse Peter Beutel, presidente da empresa Cameron Hanover, em Stamford, Connecticut (EUA).

Os mercados de ações também estavam em alta, uma vez que os investidores, animados pelos dados de empregos, saíram à busca de ativos de maior risco.

Uma melhora no mercado de trabalho poderá levar a gastos mais elevados dos consumidores, com mais dinheiro disponível para gastar em viagens de férias, quando mais motoristas poderão pegar a estrada, o que aumentará a demanda por combustível.

Os dados de emprego "apontam para uma perspectiva de melhora para a economia e é positivo para a demanda da gasolina que o emprego cresça", disse John Kilduff, da Round Earth Capital em Nova York.

Ele notou que o uso da capacidade das refinarias ainda está baixo. A gasolina entra mais no foco entre março e maio, quando as refinarias dos EUA produzem o combustível que será consumido mais tarde nas férias a partir de julho, disse Beutel.

Há alguma cautela dos analistas, contudo, sobre se o movimento de alta do petróleo será sustentado por apenas um relatório sobre o emprego.

Kilduff notou que comunicados positivos da China sobre sua economia também ajudaram a dar apoio ao mercado do petróleo, acalmando alguns temores recentes sobre se o crescimento econômico seria limitado pelos aumentos nos compulsórios dos bancos, mais cedo no ano.

O Congresso Nacional do Povo da China começou nesta sexta-feira a sua reunião anual, com o primeiro-ministro Wen Jiabao dizendo que o país continuará a apoiar a economia, enquanto tenta frear os empréstimos e administrar as consequências de um enorme programa de estímulo.

Enquanto o preço do petróleo pode agora mirar para um alvo de US$ 85 o barril, Kilduff alertou que a alta ainda está vulnerável a movimentos nas moedas e que ainda existem preocupações sobre riscos nas dívidas soberanas, que poderão abalar novamente a confiança econômica. A demanda por petróleo nos EUA também precisa mostrar sinais convincentes de melhora. As informações são da Dow Jones.

Fonte: Estadão

sexta-feira, 5 de março de 2010

Premiê chinês vê avanço de 8% para economia do país e garante liquidez

SÃO PAULO - A economia chinesa deve crescer ao redor de 8% em 2010, conforme o premiê do país, Wen Jiabao, em discurso preparado para a sessão anual do Parlamento. Ele também avisou que a China vai injetar recursos "apropriados e suficientes" na economia para garantir a expansão neste ano.

Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro chinês observou que vai continuar a política monetária moderadamente afrouxada, que pode, segundo ele, contribuir para administrar as expectativas de inflação e tornar o apoio financeiro para a evolução da economia mais sustentável.

"O ano de 2010 será crucial e complicado para o desenvolvimento econômico da China", considerou.

O primeiro-ministro chinês comprometeu-se a melhorar a estrutura de crédito a fim de garantir que os empréstimos beneficiem áreas importantes e que alivie efetivamente os problemas de agricultores e pequenas negócios na obtenção de financiamento.

Wen Jiabao também defendeu a supervisão do uso do empréstimo para que o recurso ajude a economia real e se mostrou favorável a controlar a concessão de crédito a indústrias que são grandes consumidoras de energia e grandes poluidoras.

As informações são da Xinhua, agência oficial de notícias da China.

(Juliana Cardoso | Valor)

Leia mais: http://www.valoronline.com.br/?online/internacional/13/6140683/premie-chines-ve-avanco-de-8%-para-economia-do-pais-e-garante-liquidez-fh#ixzz0hKvBllbc

Vale negocia reajuste de preço acima de 90%


Vale está em negociações finais com uma grande siderúrgica japonesa, a JFE Steel, para fechar reajuste do preço do minério de ferro para 2010 em duas parcelas de 40% cada uma, o que significaria um aumento acima de 90% para a matéria-prima neste ano. Segundo apurou o Valor, a JFE estaria disposta a aceitar a proposta da mineradora brasileira. A Vale não quis comentar a informação.
Ontem, a publicação especializada "Steel Business Briefing" também agitou o mercado com a informação de que a Vale teria proposto este mesmo formato de reajuste para seus clientes na China, na Europa e no Brasil. Segundo a publicação, a primeira parcela do aumento entraria em vigor em março e a segunda, em abril.
Segundo fontes do setor de mineração, este reajuste parcelado seria uma forma encontrada pela mineradora para recuperar as perdas do ano passado por conta da crise. Os primeiros 40% equiparariam os preços do minério de ferro aos níveis de 2008, enquanto a segunda parcela equivaleria a um reajuste real devido ao aquecimento de demanda, principalmente na China.
No mercado chinês as compras de minério pelas siderúrgicas aceleraram-se após os feriados do ano novo lunar e o preço à vista da tonelada de minério atingiu nas duas últimas semanas o patamar de US$ 138 a tonelada. Isso corresponde a um prêmio acima de 100% sobre o preço de referência de 2009 da Vale (média entre US$ 54 e US$ 55 a tonelada).
A publicação cita ainda que a proposta de efetuar dois reajustes de 40% visaria também, da parte da mineradora, suavizar o aumento de custo das siderúrgicas brasileiras por causa do impacto do reajuste do aço sobre a inflação. Este é um ano eleitoral no Brasil. Afinal, a Vale no ano passado já teve problemas políticos com o governo Lula por ter demitido pessoal durante a crise.
Esse super-reajuste, que pode chegar a 96%, poderá levar a uma retomada mais forte da estratégia de verticalização por parte das usinas de aço no Brasil. Ou seja, elas poderão acelerar a produção das suas minas próprias, como são os caso de Usiminas e Gerdau, ou até comprar outras para se protegerem da alta futura do produto. A CSN tem 100% de auto-suficiência.
Um executivo de uma grande siderúrgica no país afirmou que o impacto desse reajuste no custo do aço será enorme, levando a aumento de preços do produto. Só de minério, seriam cerca de US$ 170 no custo de produção. De carvão, mais outros US$ 120 (usa-se 600 quilos por tonelada de aço).
Com produção de 8 milhões de toneladas de aço por ano, a Usiminas consumirá 12 milhões de toneladas de minério, mas vai produzir neste ano 7 milhões de minério. Na semana passada, ao divulgar o balanço, o presidente da empresa, Marco Antônio Castello Branco, informou que em 2009 utilizou 80% de minério próprio e que neste ano serão 60%. Somente por volta de 2012 a empresa tem condições de chegar à auto-suficiência, com a expansão de suas minas adquiridas no início do ano passado.
Já a Gerdau, com duas minas, busca garantir 50% de consumo de minério próprio na unidade Açominas, mas poderá vir a elevar esse percentual, cuja meta era atingir 80%. Atualmente, 70% vem do fornecimento de minas de terceiros. As reservas do grupo em Minas Gerais são de 1,8 bilhão de toneladas.
No momento, tanto Vale quanto CSN estão praticando preços provisórios de minério de ferro com seus clientes para cobrir a diferença entre o preço do à vista na China e o de referência no Brasil, superior a 100%. Durante a conferência com analistas na divulgação do balanço do quarto trimestre da Vale, o diretor-executivo de ferrosos da mineradora, José Carlos Martins, disse que não tinha o menor sentido a diferença tão grande entre "benchmark" e "spot" e anunciou que a companhia iria praticar preços provisórios. Durante a crise, a Vale usou esta tática dando descontos de 20%. Agora, o mesmo modelo é usado ao inverso.
Martins defende que o prêmio atualmente vigente no mercado à vista sobre o de referência é insustentável e tem de acabar. E que os clientes têm de entender este novo cenário. O reajuste proposto pela mineradora em duas parcelas estaria ainda abaixo deste prêmio que está na faixa de 110% na China.
As declarações do diretor da Vale feitas em 11 de fevereiro reforçam a convicção de analistas especializados nesse negócio. Eles consideram que o percentual de reajuste proposto pela mineradora é perfeitamente factível com a atual situação de mercado, no qual o sistema 'benchmark' está perdendo força. A BHP Billiton - terceira maior de mineração de ferro - está querendo migrar para reajustes de preços mais constantes, em períodos menores. Se isso ocorrer, abrirá espaço para maiores flutuações de preços e levará à migração para outro paradigma, o qual refletirá melhor as condições de mercado, hoje muito apertadas. A oferta de minério no mercado transoceânico e a demanda para este ano estão praticamente empatadas em 1 bilhão de toneladas.