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segunda-feira, 11 de julho de 2011

As empresas que acharam dinheiro no lixo

O empresário catarinense Rodrigo Sabatini presta consultoria para grandes empresas. Ao visitar um cliente pela primeira vez, costuma fazer um pedido inusitado: "Você pode me mostrar sua lixeira?" E, sem acanhamentos, começa a bisbilhotar o lixo alheio. Ali está o seu negócio.
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Verde. Rodrigo Sabatini, da Novociclo, implanta o conceito de 'lixo zero' em empresas
A Novociclo, fundada por Sabatini em 2009, ajuda corporações e condomínios residenciais a destinar corretamente tudo o que puder ser reciclado. "Não incinero, não empacoto, não trato... o que eu faço é ajudar as pessoas e as empresas a não gerarem lixo." Por isso, quando fecha contrato com uma companhia, a primeira providência que toma é acabar com toda e qualquer lixeira do escritório. Depois, educa os funcionários e desenvolve equipamentos, parecidos com armários, para todo o "resíduo" seja organizado antes de ir para a reciclagem.
Com clientes de peso na região Sul, como a rede de supermercados Angeloni, uma das seis maiores do País, a Novociclo faturou no ano passado R$ 1,5 milhão e já atraiu investidores: com menos de um ano de vida recebeu aporte de um fundo carioca de venture capital. A empresa de Sabatini, com foco em sustentabilidade, integra um novo modelo negócio que tem despertado o interesse de investidores e grandes companhias.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), regulamentada em dezembro de 2010 (e que, entre outras coisas, dá um prazo para o fim dos lixões) deu força à criação de um mercado em que o lixo passou a ser visto, de fato, como uma fonte de receita. "O marco regulatório deu um impulso a esse segmento, que até então estava meio paralisado", diz Ricardo Zibas, gerente de sustentabilidade da consultoria KPMG. "Aos poucos, esses negócios se mostram interessantes para investidores que buscam retorno no longo prazo."
Em São Paulo, a Unnafibras, empresa que produz fibra de poliéster com garrafa pet, começou a usar material reciclável como matéria-prima na década de 90 para reduzir os custos de produção. "Na época era pejorativo dizer aos clientes que usávamos material reciclável", lembra José Trevisan Júnior, presidente da empresa. "Não pegava bem."
Agora, a Unnafibras estampa a informação em todo lugar. Na carteira de clientes, há empresas que fecham negócio só por causa das iniciativas sustentáveis. As fibras são usadas na produção de tecidos para cama e mesa e na fabricação de materiais usados no revestimento interno de automóveis. Com elas, também são produzidos materiais para o preenchimento de travesseiros e bichos de pelúcia.
Com faturamento de R$ 148 milhões e três unidades fabris no País, a Unnafibras recebeu em 2010 aporte do fundo de private equity da gestora de investimentos Stratus. Com o dinheiro e com o otimismo que se criou em torno dos negócios sustentáveis, a empresa vai inaugurar em setembro uma nova fábrica. "Fazemos parte de uma tendência", diz Trevisan. "Sustentabilidade virou uma palavra mágica." 

terça-feira, 26 de abril de 2011

Gávea levanta R$ 1 bi em três IPOs

Seis meses depois de o J.P. Morgan comprar 55% do capital da Gávea, a gestora fundada pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga se destaca entre os fundos de "private equity" por dois motivos. Desde dezembro, apesar do cenário difícil para as ofertas de ações, a Gávea levantou R$ 1 bilhão com três aberturas de capital em bolsa, dinheiro distribuído a seus cotistas. Apesar de isso não significar que só há casos de sucesso em carteira, a Gávea é a gestora de fundos de private equity que mais levantou recursos na bolsa de valores nos últimos meses.
Ao mesmo tempo, está captando seu quarto fundo de investimentos em participações, que deve alcançar, no mínimo, R$ 1,5 bilhão, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários.
Na operação mais recente, a da rede de franquias do McDonald's - a Arcos Dorados -, a Gávea levantou R$ 876,4 milhões na Bolsa de Nova York. A demanda pelas ações superou em dez vezes a oferta, o que fez o preço máximo do papel subir de US$ 15 para US$ 17, algo que, segundo o jornal britânico "Financial Times", não acontecia desde meados de 2007, época em que os mercados viviam farta oferta de crédito. Liderada pelo argentino Woods Staton, a holding foi criada em 2007 a partir da compra de 1.600 lanchonetes latino-americanos do McDonald's.
No Brasil, a Gávea participou de duas das mais demandadas ofertas de ações recentes: a rede de farmácias Raia e a empresa de entretenimento Time For Fun (T4F). No caso desta última, os ganhos da gestora foram impulsionados por uma opção de compra que a Gávea exerceu dias antes de a empresa iniciar a oferta. Por 3,5% do capital da companhia, o fundo pagou R$ 1. O motivo, segundo documentos entregues à CVM, é o fato de a T4F não ter atingido as metas de lucratividade previstas inicialmente pela Gávea. Dias depois, essa mesma fatia foi vendida na oferta por
R$ 32 milhões.
As companhias que a gestora está levando à bolsa são de uma safra de investimentos feitos pelos fundos um e dois entre 2007 e 2008. "Procuramos ficar de três a quatro anos nas empresas antes de abrir o capital delas em bolsa. Queremos que elas cheguem bem preparadas. Não somos um fundo pré-IPO", diz Christopher Meyn, gestor da Gávea, referindo-se às ofertas iniciais de ações, IPOs, em inglês. Exceção feita, segundo Meyn, aos casos em que as companhias precisam de capital para começar a operar, como o ocorrido com a petrolífera OGX.
A Raia, desde a estreia em bolsa até ontem, acumula alta de 4,9%. A T4F, e sete pregões, tem baixa de 4%. Já a Arcos Dorados sobe 38,6%.
Além das ofertas, a gestora levantou outros R$ 42 milhões em dezembro e janeiro, com vendas na bolsa de ações da Magnesita. A Gávea reduz sua exposição a esse papel desde março de 2010.
A lista de abertura de capital de empresas da carteira da Gávea deste ano não deve parar por aí. Segundo o Valor apurou, a próxima candidata é a aérea Azul, na qual a Gávea comprou uma participação em 2008 e que também pertence ao fundo dois. É uma operação com a qual a gestora espera deixar mais distante o fracasso do investimento na BRA, companhia que foi à bancarrota e é tida como o pior caso do currículo da gestora. Executivos do mercado também comentam que a editora Santillana deve entrar na fila em breve. Ao todo, a Gávea tem em seu portfólio de private equity 20 empresas, avaliadas em R$ 5 bilhões.
Ao mesmo tempo em que se desfaz de alguns investimentos, a gestora se prepara para comandar novos aportes. O volume de recursos captados pelo novo fundo deve ultrapassar o R$ 1,5 bilhão registrado na CVM, já que a gestora costuma deixar no exterior parte dos recursos levantados com investidores. A sociedade com a Highbridge, gestora de ativos alternativos do J.P. Morgan, também deve impulsionar a captação. O último fundo da Gávea alcançou US$ 1,2 bilhão (R$ 1,9 bilhão). A nova captação não é comentada pela gestora.
Fonte: Valor

sexta-feira, 4 de março de 2011

Setor capta R$ 5,9 bilhões em fevereiro

Os fundos de investimento terminaram o mês de fevereiro com captação líquida de R$ 5,9 bilhões, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O volume representa uma desaceleração no ritmo de aplicações em relação ao mês de janeiro, quando as entradas chegaram a R$ 12,5 bilhões, e também queda se comparado aos R$ 10,5 bilhões registrados no mesmo mês de 2010.
Essa diminuição no apetite do investidor fica mais evidente quando se olha a movimentação nos fundos na última semana. Nesse período, saíram R$ 14,5 bilhões do setor. Praticamente nenhuma categoria saiu ilesa. Entre as aplicações mais tradicionais, apenas previdência recebeu aplicações na semana, de R$ 206,3 milhões.
Já as carteiras de renda fixa e de curto prazo amargaram saques de R$ 5,63 bilhões e R$ 3,14 bilhões, respectivamente. Os DI tiveram resgates de R$ 1,83 bilhão, os multimercados, de R$ 1,80 bilhões e os fundos de ações, R$ 70,15 milhões. Outra categoria que perdeu recursos foi a de fundos de recebíveis, com saques de R$ 2,38 bilhões.
No mês fechado, o destaque fica por conta dos fundos curto prazo, com captação líquida de R$ 4,2 bilhões. Essa é a categoria onde está concentrada boa parte dos recursos dos fundos do poder público. As carteiras de renda fixa atraíram R$ 3,5 bilhões, os multimercados, R$ 2,05 bilhões e os fundos de ações, R$ 284,5 milhões.
A vida não está fácil para o gestor, por conta da dificuldade de acertar os cenários, avalia o sócio da Tag Investimentos, Marcelo Pereira. Ele cita exemplos de gestores, especialmente de multimercados, que foram bem em janeiro e mal no mês passado. "Cada vez mais, é preciso ter paciência, não dá para o gestor trabalhar no curto prazo e ser avaliado pelo desempenho de um, dois meses", diz.
Pereira vai mais longe. Ele ressalta que o investidor não deve tentar acertar o "timing" em fundo de investimento, ou seja, a hora certa de entrar ou sair de uma carteira. Na hora de aplicar, o valor da cota de entrada só é conhecido depois de feito o pedido, porque vai ser calculado ou no fechamento ou no dia seguinte. E, na saída, há carteiras que trabalham com prazos diferenciados de resgate, ou seja, também não é possível saber o valor a ser pago.
A Tag, segundo o executivo, tem procurado concentrar os recursos em poucos, mas bons gestores. Em termos de categorias de investimento, Pereira aposta no potencial de ganho dos fundos long/short, que operam com arbitragem no mercado de ações. "Tem muita distorção de preços", destaca, por conta da volatilidade provocada pela saída de estrangeiros da bolsa e pelos conflitos geopolíticos.
No universo das carteiras tradicionais de ações, afirma, as mais concentradas em "blue chips" (papéis mais negociados) tendem a ter retornos melhores do que as de "small caps", de empresas menores. O raciocínio é de que as ações de commodities poderiam pegar carona na recuperação da economia americana, enquanto as de empresas ligadas ao mercado interno, que tiveram fortes valorizações no ano passado, estariam vulneráveis à saída dos estrangeiros.
Na renda fixa, o jogo também está difícil, segundo Pereira. As incertezas em relação à atuação do Banco Central no combate à inflação têm levado a uma volatilidade excessiva na curva de juros. Ontem, dia seguinte à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa Selic em 0,5 ponto, os contratos de juros futuros mais longos, que tinham recuado na últimas semanas, voltaram a subir, num sinal de que a visão é de que teria faltado pulso firme à autoridade monetária.
Fonte: Valor

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

China lidera investimento no país

A China liderou em 2010, pela primeira vez, a lista dos países com maior investimento direto no Brasil, com um fluxo de capital de US$ 17 bilhões, pouco menos de um terço do total de ingressos de US$ 52,6 bilhões. A estimativa é da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet). Em dezembro, o investimento estrangeiro direto líquido atingiu US$ 15,3 bilhões, volume inflado pela compra de 40% do capital da Repsol pela chinesa Sinopec, no valor de US$ 7,1 bilhões.
O presidente da Sobeet, Luis Afonso Lima, diz que é difícil ter uma ideia exata do valor do investimento chinês porque as companhias estatais da China enviam muitas vezes os recursos a partir de outros países. Os números do Banco Central, por exemplo, mostram apenas US$ 392 milhões de capital chinês nas operações de participação de capital em todo o ano passado. Só a operação da Sinopec com a Repsol foi de 18 vezes esse valor, mas os recursos entraram via Luxemburgo, país que oferece generosos benefícios fiscais.
Os chineses investem preferencialmente em commodities. Em maio, a Sinochem comprou, por US$ 3 bilhões, 40% do campo de Peregrino, da norueguesa Statoil e a State Grid adquiriu no país sete companhias de transmissão de energia da espanhola Plena, por US$ 1,7 bilhão.
As empresas brasileiras também voltaram a aportar recursos em suas filiais no mercado externo. O volume de investimento brasileiro direto no exterior atingiu o valor líquido de US$ 11,5 bilhões no ano passado, com saídas de US$ 34,879 bilhões e retornos de US$ 23,379 bilhões.
Neste ano, segundo o Banco Central, os investimentos brasileiros no exterior devem chegar a US$ 16 bilhões. Essa performance marca reversão "expressiva" em relação a 2009, quando as companhias, sem liquidez em razão da crise, repatriaram US$ 10 bilhões.
Fonte: Valor

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Entenda o que são hedge funds e por que nem sempre eles significam alto risco

SÃO PAULO - A primeira impressão de muita gente sobre hedge funds é de que são "um tipo de investimento muito arriscado". Entretanto, a explicação pode não ser tão simples - e não necessariamente é tão pessimista assim, já que eles oferecem retornos significativos. Desconsiderando a queda dos mercados com a crise, um investimento de US$ 100 feito no início da década no S&P 500 Total Return Index valeria US$ 92,1 em setembro do ano passado. O mesmo investimento valeria US$ 172,1 em hedge funds.

  De maneira geral, hedge funds são fundos que buscam retornos absolutos explorando oportunidades de investimento, tendo como principal característica o fato de que não são sujeitos a boa parte das limitações e regulamentos impostos à maioria dos fundos disponíveis para investidores de varejo.

  Para especialistas na área, é mais fácil, na verdade, definir o que os hedge funds não são - isso porque esse tipo de fundo permite aplicações em qualquer tipo de mercado (doméstico e internacional), uso de alavancagem, operações long-short, derivativos, a arbitragem entre ativos ou mercados, investimentos em mercados emergentes, e aplicação de curto prazo em oportunidades (novas ofertas de ações, por exemplo), entre outras estratégias de investimento avançadas.

Gestão de risco
Os riscos são inerentes aos negócios, mas os hedge fuds procuram minimizar aqueles que não tragam retornos. Isto não acontece com todos os riscos - porque se todos os riscos fossem minimizados, os lucros também seriam. A estratégia é aceitar riscos onde os fundos esperam ser pagos por aceitar esses riscos, e minimizam riscos que não trazem recompensas. 

É importante mencionar que "hedging", em inglês, significa proteção ou, em outras palavras, uma tentativa de reduzir riscos. O nome "hedge funds" surgiu quando o fundo de investimentos de Alfred Winslow Jones foi denominado como "hedged" - o que significa que o fundo tentava minimizar os riscos de um bear market com posições vendidas, em uma matéria da Fortune sobre o assunto. "Há razões para acreditar que o melhor gestor de investimentos dos dias atuais é um senhor quieto e quase nunca fotografado que se chama Alfred Winslow Jones". A origem dos hedge funds, entretanto, também é atribuída a Keynes.

Mesmo com os riscos consideráveis - dependendo da habilidade do gestor, e do tipo de investimento feito pelo fundo (derivativos, por exemplo, podem significar um grau de risco mais elevado) - segundo os autores do livro AIMA'S Roadmap to Hedge Funds, lançado no final de 2008, o consenso entre os gestores de sucesso é que os hedge funds são uma maneira melhor de se gerenciar dinheiro do que os fundos tradicionais. "Segundo Warren Buffet, seria como voltar a ficar de mãos dadas num namoro", afirmam.

Isso porque, segundo eles, existe uma mudança da perspectiva de que o gerenciamento de investimentos é sobre gerenciamento de riscos, e não retornos. Com a nova percepção, gerenciamento ativo de capital significa que o gestor não somente tem a liberdade de encontrar e apostar em oportunidades de investimento, mas também a flexibilidade e autoridade para sair dessa oportunidade, depois que o relacionamento risco/ recompensa foi modificado.

Fundos "tudo menos"
Richard Bookstaber, um especialista em riscos, argumentou que hedge funds não podem ser claramente definidos - devido ao fato de que todas as análises, classificação e regulamentação são baseados no princípio de que esses fundos são uma entidade homogênea - o que eles não são, já que incluem todos os veículos de investimento possíveis, e todas as estratégias possíveis, menos os tradicionais.

Por isso, seria uma classe "tudo menos". "Analisar os hedge funds é como analisar história moderna excluindo, por exemplo, a França; ou como desenvolver regras de trânsito para todos os meios de transporte, desde pedestres até aviões comerciais, excluindo carros esporte, por exemplo", explica Bookstaber no livro AIMA'S Roadmap to Hedge Funds.

Os ativos estão concentrados em novas empresas - de acordo com dados da HFI, 390 empresas de hedge fund cuidam, cada uma, de mais de US$ 1 bilhão e, juntas, controlam 80% dos ativos globais nesse segmento. Os Estados Unidos são a localização preferida, com quase dois terços dos fundos. Os EUA também são responsáveis por quase dois terços dos ativos gerenciados - entretanto, a Europa e a Ásia têm ganhado importância.

Mais sobre as operações
Um dos fundadores da profissão de gestor de investimentos, Benjamin Graham, afirmou que uma operação de investimento é aquela que promete segurança de capital e retorno adequado - operações que não cumpram esses requisitos são especulativas. Essa garantia de capital é rara no mercado de investimentos - mas alguns hedge funds ainda garantem esse capital. O fundo recebe uma taxa de administração, além de uma taxa dos ganhos - que, caso o resultado seja negativo, significa arcar com parte das perdas.

Legalmente, os hedge funds são geralmente estabelecidos como parcerias de investimento privadas, abertas a um número limitado de investidores e que requerem um investimento inicial mínimo bastante alto - que pode girar em torno de US$ 1 milhão (que deve ser apenas uma parcela das aplicações totais do investidor, a título de diversificação). Como são destinados a investidores especializados, não existe uma grande regulamentação do setor.

A crise e o desempenho dos hedge funds
Até a crise, a indústria mundial de hedge funds vinha tendo uma expansão rápida desde 2000 - muito mais acelerada do que outros tipos de investimento. Apesar de não haver estimativas certas de qual a quantidade de capital gerenciado pelos hedge funds, estima-se que seja em torno de US$ 2,5 trilhões - mas mesmo entre entidades do setor, como Hedge Fund Research (HFR) e Hedge Fund Intelligence (HFI), as estimativas são discrepantes. Uma das razões para essa inconsistência nas informações é que não existe um órgão ao qual todos os fundos são obrigados a se reportar.

Foram injetados, em 2007, US$ 195 bilhões de dinheiro novo em hedge funds - principalmente com o avanço da participação de investidores institucionais e de investidores em geral, buscando construir ou aumentar sua alocação estratégica em hedge funds. O ano foi recorde em termos de fluxo de fundos para a indústria de hedge funds. Fundos de pensão, por exemplo, tiveram que começar a diversificar sua estratégia de investimento - e passaram a procurar alternativas, entre elas, os hedge funds.

Durante a crise de 2000-2002, enquanto os fundos long-only perderam pelo menos 50%, os retornos dos hedge funds foram positivos. Entretanto, com a crise atual, a situação foi diferente, e os hedge funds perderam mais patrimônio em 2008 do que em qualquer outro ano. Somente no ano passado, investidores retiraram cerca de US$ 155 bilhões dos hedge funds, dada a necessidade de cobrir posições em outros investimentos. Tal êxodo resultou na pior performance dessa classe de fundos de toda a série histórica, ao apontarem retornos na casa dos 21%.

As expectativas apontavam para um 2009 ainda pior - no início do ano, Huw van Steenis, analista da Morgan Stanley, afirmou que a expectativa era de que 37% do total do patrimônio líquido deveria ser perdido entre saques de cotistas e desvalorização dos ativos ao longo deste ano.

Contudo, com o forte rali visto nos mercados de renda variável, em julho os hedge funds atraíram US$ 10,6 bilhões, o terceiro mês consecutivo de captação positiva, segundo dados da consultoria Eurekahedge publicados em agosto. De acordo com o relatório, com esse crescimento de quase US$ 11 bilhões, a indústria de hedge funds chegou a US$ 1,35 trilhão, revela o relatório publicado mensalmente.


Fonte: Infomoney

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Banco de oportunidades

Beneficiadas tanto por um cenário de expansão econômica quanto de aperto monetário, as ações do setor de bancos se mostram uma alternativa interessante neste ano. Por não terem subido tanto em 2010, seriam, por exemplo, uma opção para o investidor ficar exposto ao aquecimento do consumo local mesmo após as fortes altas de alguns papéis voltados ao mercado interno no ano passado, como os das empresas de consumo.
A perspectiva é favorável para o setor em 2011, afirma João Augusto Sales, economista da consultoria independente Lopes Filho & Associados. Isso apesar da expectativa de menor expansão do crédito neste ano por conta das medidas do Banco Central (BC) de aumentar os depósitos compulsórios e o requerimento de capital próprio para operações de crédito a pessoas físicas com prazos superiores a 24 meses. A elevação dos juros e, consequentemente, o encarecimento dos empréstimos também pesam contra.
Um ritmo de crescimento menor dos empréstimos não é bom, admite Sales. Mas os bancos vão repassar o custo para o consumidor na forma de elevação do spread bancário - diferença entre o que a instituição paga para captar e o juro cobrado do cliente -, acredita o economista.
Já a expectativa de um aumento de juros é favorável. Nos grandes bancos, os ganhos com as operações de crédito e aquelas com títulos e valores mobiliários normalmente são equivalentes. "Com a elevação dos juros, as instituições terão ganhos com esses títulos", afirma o analista da Lopes Filho. Outro fator que deve beneficiar os bancos é o aumento da bancarização da população, dado a expansão da renda. "Mesmo que as instituições não emprestem R$ 1, elas terão avanço na receita de serviços", diz Sales.
Os bancos brasileiros são muito ágeis em se adaptar aos cenários, sendo um segmento muito flexível, que se ajusta rapidamente, avalia Julio Hegedus, economista-chefe da corretora Interbolsa do Brasil. Para ele, a alta competitividade é algo que continuará neste ano, com os bancos brigando por segmentos com maior potencial, como o imobiliário, de cartões e de seguros. "Com a melhora da renda e aumento do emprego, há uma migração de classes e maior bancarização, e as instituições vão disputar esses segmentos que oferecem melhor rentabilidade", diz.
Além disso, o setor é bom pagador de dividendos, com distribuição de parte dos lucros mensalmente ou trimestralmente, ressalta Hegedus. O Itaú Unibanco, por exemplo, distribui 39,5% do lucro e o Bradesco, 34%. Banco do Brasil e Santander distribuem 40% e 85,6%, respectivamente. O mínimo exigido pela legislação é de 25%.
No ano passado, o crescimento estimado do crédito foi de 22% e, em 2011, a expansão deve ser de 15% a 17%, avalia Sales, da Lopes Filho. "Os bancos vão buscar preservar sua rentabilidade, as margens financeiras em crédito registradas em 2010, por isso, acredito que o impacto sobre os resultados terá efeito nulo."
Segundo os analistas, as medidas regulatórias do BC para reduzir o ritmo dos empréstimos afetam mais os bancos menores, que atuam fortemente em crédito para a aquisição de veículos e consignado. Por isso, a preferência do mercado recai sobre os grandes bancos. Na liderança entre as recomendações dos analistas aparecem as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) do Bradesco e do Itaú.
A visão para o setor bancário é, de forma geral, positiva, avalia Luciana Leocadio, analista-chefe da Ativa Corretora. Em dezembro, o setor acabou apanhando um pouco após as medidas para conter a expansão de crédito. "Mas isso não muda o potencial de crescimento para o setor", avalia Luciana. "Para 2011, pode haver algum impacto (das medidas), mas ainda assim limitado."
Pesa a favor dos bancos a inadimplência mais baixa, lembra Luciana. Em novembro, ela foi de 4,7%, segundo o BC. Para se ter ideia, em novembro de 2009, os atrasos superiores a 90 dias somavam 5,8%. As estimativas apontam para um calote médio neste ano entre 4,7% a 5%.
Mas por que as ações dos bancos não andaram tanto no ano passado como as de consumo? A crise na Europa e o aumento da volatilidade no mercado puniram muitos papéis, inclusive os do segmento bancário.
É bem verdade que a maioria das ações do setor superou, com folga, a modesta alta do Ibovespa no ano passado, de 1,04%. Mas o desempenho ficou bem aquém de vários papéis de consumo - alguns chegaram a subir mais de 50%. "As ações de bancos deveriam ter acompanhado as voltadas ao mercado interno; deveriam ter subido na faixa de 25%", afirma Sales, da Lopes Filho.
Em 2010, as preferenciais (PN, sem direito a voto) do Bradesco, por exemplo, subiram 12,13%, enquanto as do Itaú, 5,47%. As ordinárias (ON, com voto) do Banco do Brasil se valorizaram 12,71%. Já as units (recibo de ações) do Santander Brasil tiveram queda de 1,35%.
Fonte: Valor

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Poucas ações dão dividendo maior que a poupança

Em dez anos, apenas quatro das quase 500 empresas listadas na bolsa de São Paulo - Telesp, Eternit, Celpe e Coelba - distribuíram lucros suficientes para superar os juros da poupança, de 6% ao ano. Em cinco anos, a lista cresce para 11 companhias, com a inclusão de várias elétricas, Comgás e Souza Cruz, mostra estudo da Economática para o Valor.
O pagamento de bons dividendos não deve ser o único critério de escolha de uma ação pelo investidor. A liquidez é fator importante. Em cinco anos, só 7 das 11 empresas listadas apresentaram liquidez acima de R$ 1 milhão por dia. "E não adianta ter ação que paga bom dividendo e não se consegue negociar no mercado", diz Einar Rivero, da Economática.
Nem sempre papéis com retorno alto na distribuição de lucros são bom negócio. O retorno total deve guiar a escolha, porque não adianta dividendo elevado se o preço da ação despencar. É o caso, por exemplo, de Telesp, que fechou o período de cinco anos com retorno total de 50,5%, abaixo dos 107% do Ibovespa.
Erra também quem olha apenas a valorização e acha que perdeu dinheiro. As ações da Eternit subiram 290,6% em dez anos, abaixo dos 354,2% do Ibovespa. Mas quando se adiciona o valor dos dividendos, o retorno total sobe para 1.630,3%.
O ano promete ser mais de ganhos com a valorização das ações do que com dividendos, dizem analistas. Mas eles não devem ser desprezados, diz Maurício Ceará, da Santander Corretora. "Sempre recomendamos uma parcela da carteira em dividendos, como diversificação". Há oportunidades de ganhos extras em empresas fora da lista tradicional, como a CSN, que deve distribuir mais lucro este ano para ajudar o acionista a pagar uma aquisição de ações do fundo de pensão da empresa. Ou a AmBev, que costuma distribuir 4% a 5% ao ano em lucros, e em 2011 tende a se endividar um pouco para ajustar sua estrutura de capital, o que deve fazer sobrar mais dinheiro para os acionistas.
Bons pagadores de dividendos costumam brilhar quando a bolsa está em baixa, afirma Walter Mendes, sócio da gestora CultInvest. "Num momento ruim para as ações, essas empresas têm a vantagem comparativa de manter um ganho constante ao investidor".
Fonte: Valor

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ouro é melhor opção do mês, com alta de 6,25%

SÃO PAULO - Pelo segundo mês consecutivo o ouro liderou com folga o ranking de investimentos acompanhado pelo Valor Online. O metal precioso encerrou novembro com valorização de 6,25%.
A demanda pelo ativo conservador tem relação com o ambiente de forte volatilidade e crescente aversão ao risco conforme a crise das dívidas soberanas da Europa voltou ao foco dos investidores.
O segundo lugar no ranking ficou com a renda fixa. O CDI apresentou variação positiva de 0,81%, e o CDB subiu 0,84%.
O dólar comercial fechou o mês com alta de 0,65%, valendo R$ 1,714. E encerrando a lista de ganhadores está a caderneta de poupança, que subiu 0,53%.
Liderando as piores opções de investimentos está o euro, que captou as incertezas com relação à capacidade de financiamento dos países da região. A moeda reverteu a firme trajetória de alta ante o dólar e encerrou o mês com baixa de 5,50%. No mercado externo, o tombo do euro foi maior, 6,9%.
A preocupação não só com a Europa, mas também com a possibilidade de novo aperto monetário na China e a possibilidade de guerra entre Coreia do Norte e Coreia do Sul tirou força da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
O Ibovespa fechou o mês devendo 4,20%. Com isso, novembro foi o terceiro pior mês de 2010. Cabe lembrar que esse foi o pior mês de novembro para a bolsa em 10 anos.
O ranking no ano não é muito diferente. Em 11 meses, o preço do ouro subiu 37,10%, disparado o melhor retorno. A renda fixa vem logo depois, mas com percentuais bem menos atraentes. O CDB ganha 8,83% agora em 2010, e o CDI sobe 8,74%. Já a caderneta de poupança tem retorno de 6,22%.
Perde dinheiro em 2010 que está comprado em euro, que acumula perda de 10,81% em 11 meses, em dólar, com baixa de 1,66% e na Bovespa, que deve 1,29%.
Fonte: Valor

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A rede a favor do investidor

A internet decididamente está ganhando cada vez mais espaço no mundo das aplicações financeiras. Duas em cada cinco pessoas utilizam a web para realizar seus investimentos. E a maioria é formada por homens, com formação universitária. É o que mostra um levantamento do instituto de pesquisa de mercado QualiBest sobre investimentos on-line e o comportamento desse tipo de investidor.
O estudo, encomendado pela plataforma ProXXIma, do grupo Meio&Mensagem, mostra ainda que, mesmo entre os investidores brasileiros que utilizam a internet como instrumento para realizar as suas aplicações, a aversão ao risco predomina.
Entre todos os tipos de investimento realizados por aqueles que utilizam a internet para fazer aplicações ou para movimentá-las, a boa e velha caderneta de poupança lidera, com 80% de preferência. A boa notícia é que o aplicador começa a diversificar mais e o investimento em bolsa já aparece em segundo lugar, com 24%. Em seguida, ficaram os fundos de renda fixa, com 23%, e as carteiras de renda variável, com 13%.
Foram obtidas 565 respostas, provenientes de homens e mulheres, das classes A e B, com idade entre 21 e 49 anos, residentes em todo o Brasil. Os dados foram coletados entre agosto e setembro deste ano por meio de um questionário on-line. Entre os entrevistados, 56% eram dos sexo masculino e 64% tinham entre 21 e 29 anos.
É natural que a caderneta apareça em primeiro lugar, já que é a aplicação mais tradicional do país, diz Mauro Calil, professor do Centro de Educação e Formação de Patrimônio Calil & Calil. A comodidade do internet banking, o serviço on-line dos grandes bancos, para realizar investimentos na caderneta também contribui para esse favoritismo.
Realizar investimentos é um fenômeno relativamente novo no país e ainda há um desconhecimento grande de como fazer as aplicações, afirma Pyr Marcondes, diretor da ProXXIma. "Mas esse é um assunto que causa um fascínio muito grande; há desconhecimento sobre onde investir, mas existe também muita vontade de aprender", diz. "E o mundo digital viabiliza o acesso a esse conhecimento."
Dos que responderam à enquete, 29% disseram buscar informações sobre investimentos na internet semanalmente e 25%, diariamente. O fator mais importante na hora de decidir como aplicar é a segurança, com 51% das respostas. Não por acaso, a maioria dos entrevistados (61%) se classificou como conservadora, enquanto 31% acreditam ser moderados. Apenas 8% afirmaram ser arrojados quando o assunto é dinheiro.
Interessante também notar que os entrevistados tendem a consultar, em média, quatro meios de comunicação para buscar informações sobre como realizar aplicações via internet, diz Fábio Gomes, diretor-técnico da QualiBest. O destaque fica por conta dos sites especializados, jornais, sessões de economia em portais, além da consulta ao gerente do banco.
Os números mostram que, entre aqueles que aplicam em ações, o investimento é uma experiência recente: 50% deles aplica em bolsa há, no máximo, três de anos. Outros 28% investem em ações há menos de um ano. Esses investidores tendem a utilizar um home broker (sistema de compra e venda de ações via internet) ou o site de um banco para realizar suas transações.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Investimentos às cegas

Interessado no mercado acionário, o funcionário público Édson Sabino, de 48 anos, abriu uma conta no ano passado na corretora do Real - mais tarde Santander -, para investir em ações pela primeira vez. Como não é muito dado a computadores, ele ligou diretamente para a mesa de operações da instituição e mandou comprar papéis da Vale.
O papel se valorizou e Sabino, animado, vendeu as ações e ficou esperando por uma outra oportunidade. Depois de quatro meses, viu que os BDRs (recibos de ações de empresas com sede no exterior) da Parmalat/Laep estavam entre os papéis mais negociados da bolsa. Aqui começa o drama do funcionário público.
Interessado, Sabino ligou para a mesa da corretora e pediu para comprar 108 mil BDRs da Laep, na época cotada a R$ 1,12, o que totalizou R$ 121 mil. Mas o papel começou a cair sistematicamente. O investidor, então, ligou para a corretora em busca de um relatório, de preferência técnico, sobre a empresa e foi informado que o Santander não faz a cobertura desse papel. Depois de perder dinheiro dia após dia, Sabino resolveu vender os papéis a R$ 0,71 e amargou um prejuízo de R$ 44 mil.
"Sei que aplicar em bolsa é arriscado, mas acredito que a corretora deveria ter me alertado sobre o risco específico desse papel", reclama. "É como comprar um carro usado e ninguém te avisar que o motor está prestes a fundir", diz o funcionário público. "Ações são investimentos de alto risco, mas em nenhum momento alguém me disse que se tratava de um papel de baixa liquidez." Ele afirma que achou que se tratava de um papel que tinha alta liquidez e alega que não teve o auxílio e assistência da corretora do banco.
O caso do funcionário público não é isolado. É comum investidores iniciantes serem seduzidos por fóruns de discussões que manipulam informações a favor de empresas de baixíssima liquidez e que oscilam fortemente ao sabor dos boatos. Outros, se deixam levar por dicas de conhecidos, que entendem tanto quanto eles de mercado. E, com a bolsa em alta nos últimos anos, criou-se o mito de que o ganho em ações é fácil, rápido e certo, fazendo o iniciante desprezar o estudo e o conhecimento dos papéis.
A situação é mais delicada no momento em que bolsa e corretoras se unem para aumentar o número de investidores. Hoje, são cerca de 630 mil pessoas físicas com contas na bolsa. E o projeto da BM&FBovespa é atingir 5 milhões de investidores em cinco anos. Mas como evitar que uma massa de investidores inexperientes comprometa suas economias?
O caso suscita uma pergunta: a corretora deve alertar o investidor quando ele decide comprar um papel sem liquidez? Eduardo Jurcevic, superintendente-executivo da Santander Corretora, explica que o operador da mesa não pode orientar a compra ou a venda de um papel, mas pode falar com base em um relatório elaborado pela área de pesquisa. "Mas, no caso de um papel que não coberto pela corretora, não é possível fazer qualquer comentário, já que não há no que se basear, não há uma análise", afirma.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Atraso do FCVS traz perda a fundos

Os investidores financeiros já têm 40% do total de financiamentos imobiliários deixados em aberto no passado por mutuários nos bancos. São pelo menos R$ 6 bilhões que gestoras como BTG Pactual e Prosperitas possuem em papéis do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS), instrumento usado pelo governo para quitar saldos residuais gerados pela inflação galopante dos anos 80.
Quase dez anos atrás, os investidores começaram a correr atrás desses papéis de olho na possibilidade de obter ganhos financeiros com essa dívida que o Tesouro Nacional se comprometeu a pagar até 2027. O objetivo era comprar com desconto os créditos das instituições que financiaram a habitação, antecipando recursos a elas. Depois, quando o governo quitasse a dívida, os investidores embolsariam a diferença.
Agora há dúvidas se essa foi uma aposta correta, já que o ritmo de reconhecimento da dívida pelo governo está abaixo do previsto, comprometendo a rentabilidade. Para conseguir recuperar o investimento, fundos como o GP Aetatis II, da Prosperitas - colocado em observação negativa pela agência de risco Fitch , porque a velocidade de conversão do FCVS está abaixo da prevista - já estão prorrogando seu prazo de duração.
É difícil precisar quanto do FCVS está com investidores. Os R$ 6 bilhões mencionados referem-se só àquilo que está em análise na Caixa Econômica Federal, a gestora do fundo. Outros R$ 9,1 bilhões também estão sendo examinados pela Caixa, mas pertencem aos bancos originadores dos financiamentos.
Ao todo, a dívida que o FCVS assumiu é muito maior: são R$ 170,3 bilhões. O fundo considera que R$ 87,5 bilhões já foram convertidos em títulos do Tesouro ou quitados de outras formas. Em papéis efetivamente emitidos, o Tesouro contabiliza R$ 56 bilhões. O restante precisa ser liquidado até 2027. Para se ter uma ideia do atraso, neste ano até agora, dos R$ 15,1 bilhões que os investidores apresentaram à Caixa, só R$ 800 milhões viraram papéis de dívida do governo.
De acordo com Rogério Caldas, superintendente de fundos do governo da Caixa, a demora se deve justamente ao fato de parte da dívida ter sido comprada por investidores. "O processo se tornou mais lento com o mercado secundário. Dá mais trabalho para se analisar a documentação. Temos de ter cuidado para ver a autenticidade dos papéis", diz ele. Segundo investidores, tem levado mais de um ano para as dívidas serem reconhecidas, sendo que o processo levava, no máximo, quatro meses.
A dúvida agora é: o governo quitará o FCVS até 2027, como prometido? "Capacidade para pagar o Tesouro tem, mas vamos ver", afirma Caldas. O atraso acaba de alguma forma beneficiando o governo, que não precisa fazer os desembolsos para quitar a dívida. Em 2009, o Tesouro reservou R$ 4 bilhões para pagar o FCVS, mas só desembolsou R$ 676 milhões. Neste ano, R$ 6 bilhões estão separados, mas só R$ 800 milhões foram usados.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Blackstone e Pátria oficializam associação no Brasil


O grupo Blackstone e a gestora de recursos Pátria Investimentos oficializaram nesta quarta-feira (29/9) um acordo no qual primeira comprará participação de 40% no capital da instituição brasileira.
De acordo com comunicado divulgado, as duas empresas "concordam em cooperar na prospecção de oportunidades de investimentos e em mandatos de assessoria corporativa no Brasil e na América do Sul". Oficialmente, não foram divulgados valores.
Sobre a associação, Stephen A. Schwarzman, chairman e CEO da Blackstone, afirma que busca aproveitar oportunidades de negócios em diversos segmentos. "O Brasil é a maior economia da América Latina e vem crescendo rapidamente. A associação com o Pátria permitirá que os investidores e clientes da Blackstone se beneficiem das crescentes e variadas oportunidades de negócios no país, assim como do profundo conhecimento de nosso sócio sobre o mercado local. Antevemos amplo espectro de oportunidades em assessoria corporativa e nos segmentos de infraestrutura, real estate, private equity e capital management."
Luiz Otávio Magalhães, sócio fundador e membro do Comitê Executivo do Pátria Investimentos, também acredita que seus clientes se beneficiarão muito da exposição global da Blackstone "tanto no que concerne a oportunidades de investimento quanto de assessoria corporativa".
O fechamento da transação está estimado para acontecer na sexta-feira (1/10).

sábado, 11 de setembro de 2010

ANALISE QUANTITATIVA - A fórmula do lucro

FUNDOS QUANTITATIVOS
Fundos quantitativos, que adotam ferramentas matemáticas e de estatística para tentar detectar tendências, ganham terreno entre investidores sofisticados
Por Angelo Pavini
Qual a relação de uma aplicação em fundos multimercado e as chuvas no rio Nilo? Pode ser grande se o fundo for uma carteira que adota modelos matemáticos e estatísticos de investimento, os chamados fundos quantitativos. Nesses fundos, fórmulas e gráficos dizem ao gestor quando ele deve comprar ou vender um ativo, como um piloto automático, usando como referência o comportamento passado das aplicações.
Os fundos quantitativos ainda são novidade no Brasil, que conta com cerca de uma dúzia de representantes da categoria. Mas já chamam a atenção dos investidores. Neste ano, eles captaram R$ 111 milhões, elevando o patrimônio total da categoria para R$ 297 milhões. Muito longe, porém, dos bilhões aplicados nos mercados internacionais, onde foram criados.
Uma característica desse tipo de fundo é que cada gestor cria sua própria "receita" de aplicação usando as ferramentas mais sofisticados de matemática e estatística que encontra. O objetivo é detectar tendências que se repetem para saber o momento certo de investir. Com isso, o fundo cria limites de alta e baixa para os mercados onde atua.
Há duas grandes vertentes de fundos quantitativos. Uma é a dos fundos que seguem as tendências dos mercados (trend follow) e vão comprando mais quando o mercado está subindo e começam a vender quando a tendência se inverte. O sucesso está em ter um modelo que detecte antes que a alta ou a queda de dois dias ou mais é uma tendência. Outra vertente é a de preços absolutos, onde o modelo descobre quanto um preço de um ativo está desajustado em relação a outro olhando para o comportamento passado.
Se a coisa parece complicada, é bom se preparar pois, dentro dessas estratégias, há ainda os gestores que adotam cegamente os modelos, os chamados "black box" (caixa preta). No exterior, alguns fundos chegam a ter sistemas que não só definem os preços, como ainda fazem as operações de compra e venda automaticamente quando os preços atingem os limites estabelecidos de alta ou baixa. O segundo tipo, mais comum no Brasil, é chamado de "gray box" (caixa cinza), onde o gestor usa as informações do modelo, mas é ele quem dá a palavra final.

Fonte: Realtrader

Número de robôs que lucram investindo no mercado financeiro cresce e mostra que a economia pende cada vez mais para o virtual

Se o desafio pode ser expresso em termos matemáticos, ninguém melhor do que um computador para resolvê-lo. É por isso que, sem descargas de adrenalina nem riscos de infarto, cérebros eletrônicos estão substituindo o homem em decisões de investimento nos principais centros financeiros do planeta. Esses robôs já administram 1,5 trilhão de dólares – o equivalente a 7% do volume mundial gerido por fundos de investimento. Ininterruptamente, analisam o mercado e compram e vendem ações, moedas e commodities. Um estudo feito com base em setenta fundos americanos geridos por esses sistemas, chamados de quantitativos, demonstrou que os analistas virtuais por vezes apresentam melhor desempenho do que os rivais de carne e osso. De 2001 a 2004, o volume de recursos administrados por máquinas cresceu 21%, enquanto os geridos de forma convencional, 9%. A Lipper, empresa internacional de pesquisa financeira, indica que surgiram nos Estados Unidos 81 novos fundos robóticos em 2006. Eram 21 em 2005 e somente três em 2001.
Ninguém deve sair correndo de casa para colocar dinheiro sob o comando dessas máquinas, mas elas começam a representar um contraponto estridente ao mundo analógico dos investimentos. Esses novos fundos têm outra singularidade: não são administrados por economistas, mas, normalmente, por físicos, matemáticos e engenheiros. Os robôs investidores usam conceitos e técnicas computacionais baseados na teoria do caos. Tal doutrina defende a idéia de que sempre é possível encontrar ordem, mesmo em fenômenos tidos como caóticos. Um exemplo: antes de soltar um lápis no ar, não há como saber exatamente o que vai acontecer com ele ao tocar o chão. Mas, assim que é solto, as primeiras informações sobre seu movimento permitem prever o restante da trajetória de queda. Os fundos quantitativos processam as variações no mercado financeiro, que correspondem ao início da descida do lápis, e estimam o que vem depois.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Meninos do Rio

Conheça os motivos e os gestores de investimento que recolocaram o Rio de Janeiro no mapa das finanças nacionais

Logo que o avião toca a curta pista do aeroporto Santos Dumont, os olhos procuram o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar. Parece um ritual de confirmação da presença na Cidade Maravilhosa. Minutos depois, o encontro com a estátua de bronze do poeta Carlos Drummond de Andrade, no calçadão de Copacabana, revela o sentido da orla mais famosa do País: “No mar estava escrita uma cidade.”

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Corretora do Itaú amplia operação no exterior

A corretora do Itaú Unibanco, que desde a fusão está sob os cuidados do Itaú BBA, iniciou guinada estratégica em busca de maior internacionalização. "Queremos ser uma casa global com DNA do Brasil", definiu o recém-contratado Christian Egan, brasileiro de 35 anos, o novo presidente da Itaú Securities, que acaba de voltar ao Brasil depois de 12 anos de carreira em Nova York. Ele foi tirado do Credit Suisse, onde tinha contato direto com os principais investidores americanos para vender ações de América Latina, Europa, Ásia e mercados emergentes.

Egan assume no lugar de Roberto Nishikawa, que se juntou ao time de Alfredo Setubal na gestora de recursos do banco, a Wealth Management Services (WMS). Na nova estrutura, no entanto, toda a área de varejo da corretora, incluído o home broker, que antes também ficava sob responsabilidade de Nishikawa, vai agora para a WMS. O responsável pelos negócios de varejo é o diretor Jean Sigrist.

Sob os cuidados de Egan ficam a distribuição para as pessoas físicas mais ricas da área de private banking e o atendimento aos clientes maiores, institucionais, além dos mais de 30 analistas da área de ações e também a corretora de mercados futuros de juros, câmbio e produtos agrícolas. São cerca de 150 pessoas. A corretora também tem escritório em Londres e presença em Dubai e Hong Kong.

Egan revela que pretende trazer à corretora do Itaú práticas consagradas internacionalmente para atrair investidores do mundo todo que desejam aplicar seus recursos no mercado de ações brasileiro, latino-americano e, também, dos países emergentes em geral.

Os investimentos previstos em pessoal, em aluguel e reforma do novo escritório do Itaú BBA em Nova York e em tecnologia chegam a um total de US$ 10 milhões em 2010. Hoje, o banco está situado no número 540 da avenida Madison. Mas está mudando seu time para o conhecido prédio da megastore da Apple, onde fica também a loja de brinquedos FAO Schwarz, na esquina do Central Park, no número 767 da 5ª Avenida. O novo escritório será em uma cobertura, no 50º andar.

O time no escritório vai crescer de 68 para mais de 80 pessoas e inclui, além da corretora, a equipe de private banking, gestão de recursos, corporate e de renda fixa, time de suporte e tesouraria. Uma das primeiras contratações de Egan foi o americano Kevin Hard, que também veio do Credit Suisse e era responsável pela distribuição de ações da Rússia e China para americanos. Ao grupo de analistas de empresas virão se juntar dois especialistas em México, que ficarão situados na própria Cidade do México ainda no primeiro semestre. Depois, a corretora passará a fazer análises de empresas da Argentina e do Chile.

Além do escritório em Nova York e pessoal, o maior investimento será em "tecnologia de ponta" para fazer frente a uma tendência inexorável do mercado de ações internacional: o crescimento da chamada negociação eletrônica ou algorítmica, cujas ordens de compra e venda são dadas por computador. "Cada vez mais fundos de arbitragem estatística virão investir no Brasil", diz.

Para tomar suas decisões, os computadores recebem um volume grande de informações do mercado e, por meio de parâmetros matemáticos pré-estabelecidos, percebem pequenos desequilíbrios nos preços de um ativo e atuam de forma a ganhar com eles. Como essas diferenças de preço são pequenas e duram pouco tempo, a única de forma de ganhar muito dinheiro com elas é fazer um volume grande de negócios. E é justamente isso que os computadores fazem: mandam muitas ordens de compra e venda em questão de segundos, em volumes que um operador humano jamais conseguiria.

Para atender à demanda desses clientes , os bancos precisam ampliar muito sua capacidade de processamento. O Itaú BBA adquiriu a tecnologia da GL e ampliou sua capacidade 10 vezes em 2009 com relação a 2008 e, neste ano, ampliará mais 15 vezes em relação a 2009. "São 150 vezes em dois anos", diz.

Mas o investimento em tecnologia não se limita a isso. O Itaú BBA está desenvolvendo um pacote de algoritmos específico para o mercado brasileiro usando dados detalhados de cada ação no mercado brasileiro. "Há fundos com pacotes semelhantes no país, mas só para uso próprio", explica Egan. "Nós seremos o primeiro banco a oferecer isso aos nossos clientes."

Egan ainda quer inovar ao trazer ao banco o modelo de trader setorial de ações. "Isso acontece em toda a corretora dos maiores bancos do mundo, mas não existe ainda no Brasil", diz. A ideia é que também o operador se torne especialista, troque informações com os analistas do banco e consiga orientar o cliente sobre o melhor momento para a compra ou venda. Outra novidade: com o novo sistema, as diferentes áreas do banco vão poder ver as ordens de compra e venda de clientes de outras áreas e poderão fechar negócios melhores "dentro de casa" do que direto no mercado.

Christian Egan está terminando curso de tecnologia em negócios no New York Institute of Technology. É economista não formado pela Faap e pela Cândido Mendes. Já trabalhou no Garantia e no Pactual, tendo começado aos 18 anos no banco Fonte, que depois virou FonteCindam. Foi encontrado por um "head hunter" e contratado diretamente por Jean-Marc Etlin, o cada vez mais poderoso responsável pelo banco de investimento do Itaú BBA, para quem responde diretamente.

Fonte: ValorOnline