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terça-feira, 26 de abril de 2011

Gávea levanta R$ 1 bi em três IPOs

Seis meses depois de o J.P. Morgan comprar 55% do capital da Gávea, a gestora fundada pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga se destaca entre os fundos de "private equity" por dois motivos. Desde dezembro, apesar do cenário difícil para as ofertas de ações, a Gávea levantou R$ 1 bilhão com três aberturas de capital em bolsa, dinheiro distribuído a seus cotistas. Apesar de isso não significar que só há casos de sucesso em carteira, a Gávea é a gestora de fundos de private equity que mais levantou recursos na bolsa de valores nos últimos meses.
Ao mesmo tempo, está captando seu quarto fundo de investimentos em participações, que deve alcançar, no mínimo, R$ 1,5 bilhão, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários.
Na operação mais recente, a da rede de franquias do McDonald's - a Arcos Dorados -, a Gávea levantou R$ 876,4 milhões na Bolsa de Nova York. A demanda pelas ações superou em dez vezes a oferta, o que fez o preço máximo do papel subir de US$ 15 para US$ 17, algo que, segundo o jornal britânico "Financial Times", não acontecia desde meados de 2007, época em que os mercados viviam farta oferta de crédito. Liderada pelo argentino Woods Staton, a holding foi criada em 2007 a partir da compra de 1.600 lanchonetes latino-americanos do McDonald's.
No Brasil, a Gávea participou de duas das mais demandadas ofertas de ações recentes: a rede de farmácias Raia e a empresa de entretenimento Time For Fun (T4F). No caso desta última, os ganhos da gestora foram impulsionados por uma opção de compra que a Gávea exerceu dias antes de a empresa iniciar a oferta. Por 3,5% do capital da companhia, o fundo pagou R$ 1. O motivo, segundo documentos entregues à CVM, é o fato de a T4F não ter atingido as metas de lucratividade previstas inicialmente pela Gávea. Dias depois, essa mesma fatia foi vendida na oferta por
R$ 32 milhões.
As companhias que a gestora está levando à bolsa são de uma safra de investimentos feitos pelos fundos um e dois entre 2007 e 2008. "Procuramos ficar de três a quatro anos nas empresas antes de abrir o capital delas em bolsa. Queremos que elas cheguem bem preparadas. Não somos um fundo pré-IPO", diz Christopher Meyn, gestor da Gávea, referindo-se às ofertas iniciais de ações, IPOs, em inglês. Exceção feita, segundo Meyn, aos casos em que as companhias precisam de capital para começar a operar, como o ocorrido com a petrolífera OGX.
A Raia, desde a estreia em bolsa até ontem, acumula alta de 4,9%. A T4F, e sete pregões, tem baixa de 4%. Já a Arcos Dorados sobe 38,6%.
Além das ofertas, a gestora levantou outros R$ 42 milhões em dezembro e janeiro, com vendas na bolsa de ações da Magnesita. A Gávea reduz sua exposição a esse papel desde março de 2010.
A lista de abertura de capital de empresas da carteira da Gávea deste ano não deve parar por aí. Segundo o Valor apurou, a próxima candidata é a aérea Azul, na qual a Gávea comprou uma participação em 2008 e que também pertence ao fundo dois. É uma operação com a qual a gestora espera deixar mais distante o fracasso do investimento na BRA, companhia que foi à bancarrota e é tida como o pior caso do currículo da gestora. Executivos do mercado também comentam que a editora Santillana deve entrar na fila em breve. Ao todo, a Gávea tem em seu portfólio de private equity 20 empresas, avaliadas em R$ 5 bilhões.
Ao mesmo tempo em que se desfaz de alguns investimentos, a gestora se prepara para comandar novos aportes. O volume de recursos captados pelo novo fundo deve ultrapassar o R$ 1,5 bilhão registrado na CVM, já que a gestora costuma deixar no exterior parte dos recursos levantados com investidores. A sociedade com a Highbridge, gestora de ativos alternativos do J.P. Morgan, também deve impulsionar a captação. O último fundo da Gávea alcançou US$ 1,2 bilhão (R$ 1,9 bilhão). A nova captação não é comentada pela gestora.
Fonte: Valor

terça-feira, 26 de outubro de 2010

JP Morgan compra controle da Gávea Investimentos, de Armínio Fraga

SÃO PAULO - O banco americano JP Morgan deve anunciar nesta terça-feira, 26, a compra do controle da Gávea Investimentos, a empresa de gestão de recursos do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. O JP Morgan está comprando 55% da Gávea – que será integrada à Highbridge, a empresa de investimentos do banco americano. Pelo acordo, a fatia do JP Morgan na gestora brasileira ainda poderá aumentar ao longo do tempo.
Armínio continuará à frente da nova empresa e também fará parte do conselho de administração e da direção da Highbridge, que administra US$ 21 bilhões em ativos e tem sede em Nova York. Pelo acordo com os americanos, o ex-presidente do BC precisará permanecer na empresa durante os próximos cinco anos, pelo menos.
Procurado, Armínio Fraga não se pronunciou sobre a operação. Mas o fechamento do negócio afasta qualquer possibilidade de sua volta ao serviço público antes de 2015. Seu nome era cogitado para integrar um eventual governo do candidato tucano à presidência, José Serra.
Festa
O anúncio do acordo, programado para ser feito em Nova York e no Rio de Janeiro, será animado no Brasil pela presença do comitê internacional do JP Morgan, que se reúne pela primeira vez no País. Com encontros marcados para quinta-feira e sexta-feira, o conselho tem a presença de nomes de peso no cenário internacional, como o ex-primeiro ministro britânico Tony Blair e o ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas Kofi Annan.
Mas a festa do anúncio será comandada por Mary Erdoes, presidente do JP Morgan Asset Management, que já está no Brasil.
As negociações entre o JP Morgan e a Gávea se arrastam desde fevereiro deste ano. Na época, a imprensa publicou que o banco estaria interessado em adquirir uma participação minoritária na gestora de recursos brasileira. O JP Morgan exigia que Armínio continuasse à frente da Gávea por um bom tempo, ponto que teria dificultado o fechamento da operação, segundo fontes próximas ao negócio.
O relacionamento entre Armínio e o JP Morgan é antigo. Ele é membro do conselho internacional do banco desde 2004. A Gávea foi fundada em 2003, depois que Armínio deixou o BC, na gestão de Fernando Henrique Cardoso. Em 2007, o fundo de investimentos da Universidade Harvard comprou 12,5% de sua gestora de recursos.
Com um patrimônio de R$ 10 bilhões sob gestão e mais de 100 funcionários nos escritórios do Rio de Janeiro e São Paulo, a Gávea atua em três áreas: fundos de hedge, gestão de patrimônio e private equity (compra de participação em empresas).
O JP Morgan, por sua vez, comprou uma participação na Highbridge no fim de 2004 e adquiriu o restante das ações no ano passado, consolidando sua posição na indústria mundial de hedge fund. Assim como na Gávea, um dos fundadores da Highbridge continuou à frente do negócio, no cargo de presidente. Desde dezembro de 2004, a Highbridge triplicou os ativos sob gestão, para mais de US$ 20 bilhões.

quarta-feira, 3 de março de 2010

JP lança fundo de Brasil em Londres


AJP Morgan Asset Management está levantando inicialmente 50 milhões de libras (cerca de R$ 1,380 bilhão) para um fundo fechado dedicado a Brasil, com cotas negociadas na bolsa londrina. A intenção é oferecer aos investidores a chance de ganhar com ações de empresas de menor capitalização, as "small" e "middle caps".
O outro fundo com cotas negociadas em bolsa é o BlackRock Latin America, que normalmente negocia com um prêmio, o que é raro entre essas aplicações e mostra que a demanda por esse tipo de carteira é forte. Investir no mercado brasileiro significa normalmente apostar em ações ligadas a recursos naturais. As duas maiores companhias na bolsa brasileira - a Petrobras e a Vale - representam cerca de 40% do Ibovespa.
Fundos de mercados emergentes e até carteiras dedicadas à América Latina costumam investir nas maiores companhias brasileiras, seguindo de perto o índice MSCI Brazil. Mas alguns analistas avaliam que a história de crescimento do país está em ações ligadas ao consumo doméstico.
"As pessoas leem o Brasil como uma aposta em recursos naturais, mas o maior componente (do PIB) está em serviços. Isso não se reflete no mercado acionário, então esse fundo é uma forma de conseguir essa exposição", diz Mick Gilligan, diretor de pesquisa em fundos da corretora Killik.
O JP Morgan Fund terá taxa de performance de 10% sobre o que exceder o índice MSCI 10/40 - indicador derivado de três índices (MSCI padrão, de crescimento e de small caps). Esse índice restringe a exposição a qualquer companhia em 10% (segundo a legislação de Luxemburgo) e exclui os papéis de empresas maiores.
Além disso, os papéis cuja participação na carteira superam 5%, se somados, não podem passar de 40% - por isso o 10/40. A taxa de performance vai incidir apenas quando o referencial for positivo. O fundo terá controle de desconto, comprando ações se o desconto se ampliar em mais de 5%.
Julian Thompson, especialista em mercados emergentes da Threadneedle, mantém posições acima da média (overweight) em Brasil. O mercado brasileiro ainda negocia a múltiplos mais baixos em relação a outros emergentes, como China e Índia. Thompson diz que o crescimento do consumo no país parece forte e, com isso, as ações de varejo, como a Lojas Renner, deverão se beneficiar.
John Newlands, analista da Brewin Dolphin, alerta que um fundo dedicado a um país pode concentrar o risco. Ele prefere carteiras mais amplas de mercados emergentes com exposição ao Brasil, como o Templeton Emerging Markets Investiment Trust (Temit).