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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Lucro 40% maior

Na temporada dos balanços fechados de 2010, que começa na segunda-feira com a divulgação dos números do banco Bradesco e da fabricante de softwares Totvs, as companhias abertas brasileiras devem apresentar crescimento médio próximo de 40% no lucro líquido anual na comparação com 2009, segundo estimativas dos bancos de investimento Credit Suisse e BTG Pactual.
O primeiro, que acompanha um grupo de 100 empresas, aposta em alta um pouco abaixo desse índice, enquanto o segundo, que cobre um universo de 112 companhias, acredita que esse patamar de 40% será superado.
Se a expectativa média for confirmada, significará que o quarto trimestre teve o mesmo ritmo de crescimento de lucro visto até setembro, que também registrava expansão de 40%. E o crescimento do quarto trimestre se deu sobre uma base maior de comparação, pois, nos últimos três meses de 2009, as companhias já tinham se recuperado dos efeitos da crise mundial.
Prévias operacionais divulgadas pelo grupo Pão de Açúcar, por incorporadoras imobiliárias como PDG, Cyrela e MRV, pelas administradoras de shopping centers Multiplan e BRMalls e pelas empresas de logística ALL e Log-In sugerem que o quarto trimestre foi mesmo forte, com alta relevante no faturamento.
No Pão de Açúcar, o quarto trimestre registrou alta de 11,3% nas vendas líquidas no conceito mesmas lojas ante os últimos três meses de 2009, sendo que, no ramo de alimentos, o avanço foi de 7,3%, e na Globex (Ponto Frio), de 26,1%.
Embora o mercado estivesse descrente sobre o ritmo de lançamentos e vendas de imóveis no quarto trimestre, as incorporadoras atingiram as projeções divulgadas no início de 2010 e reportaram 43% de alta nos lançamentos ante o mesmo período de 2009, com avanço de 33% nas vendas contratadas. No ano passado inteiro, os lançamentos subiram 55%, enquanto as vendas cresceram 47% (veja mais detalhes abaixo).
Nos shoppings administrados pela BRMalls, a alta nas vendas foi de 11,8% no conceito mesmas lojas no quarto trimestre, com o índice de ocupação seguindo acima de 98%. Nos empreendimentos da Multiplan, o crescimento nas vendas foi de 13,8%.
No caso da ALL, houve salto de 97% no Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no quarto trimestre, enquanto, no ano, o crescimento foi de 21%.
Segundo a Log-In, o volume de contêineres transportados nos navios próprios e afretados avançou 34% no quarto trimestre e 44% no ano. Segundo o presidente da companhia, Vital Lopes, o desempenho espelha bem o que se viu em termos macroeconômicos no Brasil, que foi o forte crescimento da economia, puxado pela expansão nas regiões Norte e Nordeste. O foco principal de atuação da empresa é o transporte de mercadorias produzidas no Sul e no Sudeste para essas regiões. "Mesmo diante das dificuldades de infraestrutura, com algumas restrições de portos, tivemos crescimento bem maior que o do PIB", diz Lopes.
Para este ano, acompanhando as projeções dos economistas para o Produto Interno Bruto (PIB), os analistas preveem desaceleração no ritmo de alta do lucro das companhias, mas que ainda assim será significativo. O BTG espera aumento de 18% na última linha do balanço das empresas brasileiras, enquanto o Credit Suisse estima avanço de 27%. Para a receita, o banco suíço projeta alta de 14%, ante 18% em 2010.
No caso das incorporadoras, Cyrela e CCDI, que já divulgaram a projeção oficial de lançamentos para este ano, a aposta é de crescimento de 10% a 20% sobre o volume de 2010, o que representa uma desaceleração frente ao observado na comparação do ano passado com 2009.
Já Vital Lopes, da Log-In, diz não esperar que o crescimento médio anual de 27% registrado desde 2007 seja reduzido.
De acordo com Carlos Sequeira, estrategista de Brasil do BTG Pactual, o resultado registrado no ano passado foi "impressionante" e superou a estimativa de crescimento de 30% projetada pelo banco no início de 2010.
Sequeira diz que devem puxar a fila de crescimento dos lucros as companhias que atuam nos setores de varejo, consumo, construção, além da mineradora Vale. Entre os segmentos que ficarão abaixo da média em termos de melhora de lucro em 2010, ele menciona as empresas que atuam com serviços públicos, como saneamento, energia e telefonia, que nunca crescem muito, além de Petrobras e das siderúrgicas, essas últimas afetadas pelo aumento do preço do minério de ferro e pela concorrência com importados.
Olhando para os resultados de 2011, o desempenho dos setores não deve mudar muito. As atividades ligadas mais ao consumo, especialmente de bens não essenciais e os setores de educação, saúde e infraestrutura, seguirão como destaque, enquanto as empresas de serviços públicos e também aquelas de alimentos e bebidas devem apresentar crescimento mais moderado.
Com cenário de preços favorável e oferta ainda apertada neste ano, a Vale também deve ter resultados financeiros positivos.
Do lado dos riscos, a inflação e a alta na taxa de juros são apontados como os principais desafios para as empresas em 2011. Setores mais competitivos, que têm dificuldades para repassar reajustes, ou mais dependentes do crédito, como a área de veículos e eletroeletrônicos, podem ser mais afetados.
Na área de construção de imóveis residenciais, as empresas dizem que o impacto da alta da Selic será limitado, uma vez que os financiamentos são atrelados à Taxa Referencial, que sobe menos. Segundo o diretor financeiro da Cyrela, Luis Largman, embora haja algum efeito sobre o mercado imobiliário, ele é limitado, já que, para uma alta de 1 ponto percentual ao ano no custo do crédito imobiliário, a Selic precisa subir 4 pontos. "Alguma influência sempre tem, mas é um número pequeno. Nesse exemplo de 4 pontos na Selic, em um financiamento de 30 anos, há um aumento de 10% na prestação mensal, o que pode pesar para quem está no limite", diz.
Quem se beneficiará com esse cenário de aperto monetário, segundo BTG Pactual e Credit Suisse, devem ser os bancos. "Eles podem não ganhar muito porque os juros mais altos podem elevar a inadimplência, por exemplo, mas também não perdem", diz Sequeira.
Fonte: Valor

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Bañuelos amplia atuação no país com nova incorporadora

Ele vive entre China, Inglaterra, Espanha e Brasil, mas foi aqui que escolheu para reviver suas origens. Alguns bilhões a mais na conta, um tanto de polêmica no currículo - amenizada por um capítulo breve e aparentemente bem-sucedido no mercado imobiliário - o espanhol Enrique Bañuelos volta ao cenário da construção civil brasileira. Não mais no papel de consolidador e comprador de empresas com problemas, mas como dono do próprio negócio. Está criando a Veremonte Real Estate, braço da holding Veremonte.
Depois das ousadas investidas que fez no setor imobiliário, que acabaram por lhe garantir o papel de maior acionista individual da maior incorporadora do pais, a PDG Realty - Bañuelos agora aproveita o bom momento para criar uma empresa que irá atuar nas áreas hoteleira, comercial, industrial e de armazéns logísticos. Capitalizado, o bilionário investiu R$ 200 milhões na operação, entre a compra de terrenos e projetos, e tem previsão de investir mais R$ 1 bilhão até 2012 - o que deve gerar R$ 3 bilhões de VGV. Até 2015, pretende chegar a R$ 10 bilhões.
Como é a marca de Bañuelos, não há modéstia nas projeções. Apenas duas empresas - entre 17 de capital aberto - devem chegar perto de R$ 10 bilhões em 2015. A própria PDG Realty e a Cyrela. Na faixa dos R$ 3 bilhões em vendas em 2012 ou acima disso, há um grupo maior, de cerca de seis empresas abertas, mas todas elas com um histórico mais longevo, além de capitalizadas por recentes ofertas em bolsa.
O modelo de negócios será montado via estruturação de fundos, o que significa que os R$ 3 bilhões de VGV devem corresponder a R$ 3 bi em fundos administrados - tanto fundos fechados, quanto para o varejo. Nesse caso, irá enfrentar a concorrência de bancos - o BTG Pactual é um dos mais agressivos, com cerca de R$ 5 bilhões de ofertas em análise na CVM - além de empresas como Prosperitas, WTorre e as estrangeiras, como Tishman Speyer e Hines.
Mas nada disso impede o empresário de avançar na área imobiliária, seu berço de atuação, embora já tenha expandido para a área de agribusiness. Vai aproveitar a influência e os contatos que possui em outros negócios para arregimentar investidores para os fundos que irá criar. "Ainda tem dinheiro de fora que não veio para o Brasil", diz Luis Fernando Davantel que irá comandar o operação. "Os fundos serão um veículo para melhor eficiência e não fonte de recursos", diz. Tanto que a ideia é oferecê-los quando o projeto estiver em andamento. "Não vamos vender 'power point'", cutuca.
Bom nas frases de efeito ao mesmo tempo que consegue ser extremamente detalhista, Davantel está com Bañuelos desde seus primeiros negócios no Brasil. Não esconde em seu discurso a veia financeira - Davantel já foi Itaú BBA, Votorantim, Santander e WTorre. "Minha paixão pelos ativos é zero", diz, referindo-se à concorrência e ao fato de a maioria dos empresários ser muito "apegada" aos projetos. "Queremos montar um negócio de liquidez, com maturação em três ou quatro anos." Davantel começou a montar a estrutura em janeiro e hoje conta com uma equipe de cerca de 30 pessoas.
Na área hoteleira, já tem contrato assinado com a Accor, desde o fim de 2009. Serão os responsáveis por 17 hotéis em 11 capitais (Ibis e Fórmula I ). Serão pelo menos quatro em São Paulo e dois no Rio. Segundo Davantel, serão investidos R$ 500 milhões nos próximos dois anos. "Iremos estruturar um fundo imobiliário só com os hotéis", diz Davantel. "Dois dos maiores fundos dedicados exclusivamente a hotéis não estão no Brasil."
A Veremonte Real Estate não irá atuar na área residencial. "Já estamos contentes com PDG Realty", afirma Marcelo Paracchini, braço direito de Bañuelos e diretor da holding, que descarta nova rodada de aquisições de empresas. Circula no mercado uma versão que o espanhol teria vendido boa parte de suas ações em PDG com lucro e praticamente zerado sua posição. "É que temos vários veículos que foram usados na compra das outras empresas, como Agra, Abyara e Klabin Segall, cada uma com um nome, e na Veremonte mesmo a participação é menor", responde
Nas área de galpões industriais, a empresa investirá em áreas para vários ocupantes e para uma única empresa, no modelo de "build to suit" (com contratos longos e sob encomenda). A Veremonte tem 1,5 milhão de m2 no quilômetro 40 da Castelo Branco, com potencial de locação de até 600 mil m2. Apenas essa operação vai exigir investimento de R$ 500 milhões.
Além dos galpões, pretende desenvolver pequenos centros comerciais e escritórios mais acessíveis, para empresas de call center, por exemplo. "Já temos parceiros que viriam para 40 endereços desse tipo no Brasil", diz.
A empresa comprou da Brookfield, por R$ 100 milhões, a antiga sede da BCN em Alphaville, uma área de 80 mil m2, que pode chegar a 720 mil m2 de área construída. Segundo Davantel, será um produto de 10 a 15 anos de desenvolvimento. A empresa cogita até demolir áreas que irá montar hoje. "Isso é muito comum lá fora, o que faz sentido hoje pode não fazer daqui a 15 anos", explica.
No segmento de escritórios, está apostando no mercado do Rio de Janeiro. Comprou dois edifícios comerciais para reforma no centro da cidade e está perto de fechar mais três ou quatro. "Queremos ter pelo menos 50 mil m2 no Rio este ano", diz. Para Davantel, o mercado de propriedades comerciais ainda tem muito para se desenvolver. "O que temos hoje não é nada perto do que teremos em cinco anos", prevê. "Hoje, em 90% dos casos, quem desenvolve é dono do ativo. Essa equação vai mudar e 90% vai estar na mão do investidor", diz.
Fonte: Valor

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Petrolífera Qgep entra com pedido de análise de IPO junto à CVM

SÃO PALUO – A Qgep Participações entrou com pedido de análise de IPO (Initial Public Offering) junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) na última segunda-feira (1), com a emissão de ações em oferta primária primária e com a possibilidade de oferta secundária em lote adicional, correspondendo a até 20% das ações inicialmente ofertadas. O acionista vendedor, neste caso, será o grupo Queiroz Galvão.
Conforme a minuta do prospecto preliminar, a empresa pretende realizar a oferta no Brasil, com esforços de colocação no exterior. O banco Itaú será o coordenador líder da oferta, enquanto o Banco Merrill Lynch e o BTG Pactual atuarão como coordenadores.
Com os recursos obtidos na oferta, a companhia pretende destinar os recursos para adquirir e explorar novos blocos e ativos, especialmente nas bacias do Espírito Santo, de Campos e de Santos, além de investir em exploração no portfolio já existente.

Saiba mais sobre a empresaA Qgep é uma empresa recém criada, a qual surgiu em setembro deste ano, de uma reestruturação societária do grupo Queiroz Galvão, de modo a segregar as atividades em duas frentes: prestação de serviços e exploração e produção, sendo esta última a principal atividade da Qgep.
De acordo com a empresa, as operações de exploração e produção consistem em direitos de concessão sobre dois campos de petróleo e oito blocos exploratórios, sendo quatro deles na Bacia de Santos, três na bacia de Camamu e um na bacia de Jequitinhonha, sendo esta a única com 100% dos direitos de exploração.
Fonte: Infomoney

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Atraso do FCVS traz perda a fundos

Os investidores financeiros já têm 40% do total de financiamentos imobiliários deixados em aberto no passado por mutuários nos bancos. São pelo menos R$ 6 bilhões que gestoras como BTG Pactual e Prosperitas possuem em papéis do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS), instrumento usado pelo governo para quitar saldos residuais gerados pela inflação galopante dos anos 80.
Quase dez anos atrás, os investidores começaram a correr atrás desses papéis de olho na possibilidade de obter ganhos financeiros com essa dívida que o Tesouro Nacional se comprometeu a pagar até 2027. O objetivo era comprar com desconto os créditos das instituições que financiaram a habitação, antecipando recursos a elas. Depois, quando o governo quitasse a dívida, os investidores embolsariam a diferença.
Agora há dúvidas se essa foi uma aposta correta, já que o ritmo de reconhecimento da dívida pelo governo está abaixo do previsto, comprometendo a rentabilidade. Para conseguir recuperar o investimento, fundos como o GP Aetatis II, da Prosperitas - colocado em observação negativa pela agência de risco Fitch , porque a velocidade de conversão do FCVS está abaixo da prevista - já estão prorrogando seu prazo de duração.
É difícil precisar quanto do FCVS está com investidores. Os R$ 6 bilhões mencionados referem-se só àquilo que está em análise na Caixa Econômica Federal, a gestora do fundo. Outros R$ 9,1 bilhões também estão sendo examinados pela Caixa, mas pertencem aos bancos originadores dos financiamentos.
Ao todo, a dívida que o FCVS assumiu é muito maior: são R$ 170,3 bilhões. O fundo considera que R$ 87,5 bilhões já foram convertidos em títulos do Tesouro ou quitados de outras formas. Em papéis efetivamente emitidos, o Tesouro contabiliza R$ 56 bilhões. O restante precisa ser liquidado até 2027. Para se ter uma ideia do atraso, neste ano até agora, dos R$ 15,1 bilhões que os investidores apresentaram à Caixa, só R$ 800 milhões viraram papéis de dívida do governo.
De acordo com Rogério Caldas, superintendente de fundos do governo da Caixa, a demora se deve justamente ao fato de parte da dívida ter sido comprada por investidores. "O processo se tornou mais lento com o mercado secundário. Dá mais trabalho para se analisar a documentação. Temos de ter cuidado para ver a autenticidade dos papéis", diz ele. Segundo investidores, tem levado mais de um ano para as dívidas serem reconhecidas, sendo que o processo levava, no máximo, quatro meses.
A dúvida agora é: o governo quitará o FCVS até 2027, como prometido? "Capacidade para pagar o Tesouro tem, mas vamos ver", afirma Caldas. O atraso acaba de alguma forma beneficiando o governo, que não precisa fazer os desembolsos para quitar a dívida. Em 2009, o Tesouro reservou R$ 4 bilhões para pagar o FCVS, mas só desembolsou R$ 676 milhões. Neste ano, R$ 6 bilhões estão separados, mas só R$ 800 milhões foram usados.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Estrangeiro compra corretora no Brasil


O movimento não foi interrompido com a crise de 2008 e tende a se aprofundar neste ano: atraídos pela perspectiva de crescimento no mercado financeiro no Brasil, de ações e derivativos, bancos estrangeiros e as maiores corretoras do mundo têm mostrado interesse cada vez maior em comprar corretoras no país. É uma forma mais rápida para entrar no negócio. A autorização do Banco Central para a aquisição demora cerca de seis meses e seria necessário mais do que isso para começar do zero.
A forma mais rápida, no entanto, tem se mostrado cada vez mais cara. Os donos das corretoras no Brasil, ainda com bastante dinheiro no bolso recebido com a venda de suas participações na BM&F e na Bovespa no mercado, em emissão de ações de 2007, perceberam a oportunidade e passaram a pedir preços maiores por suas empresas. De quebra, há grupos nacionais interessados no negócio, como a Caixa Econômica Federal, o BTG Pactual e Banco do Brasil. A queda de braço entre compradores e vendedores está apenas começando.
Foto Destaque
Explicitamente à venda ou em busca de parcerias, somente a corretora do português Banif, que contratou o Credit Suisse para assessorá-la na tarefa, e a independente Link, que contratou o Lazard. O preço pedido para o controle de uma empresa desse porte passou de R$ 150 milhões para R$ 200 milhões em seis meses. Mas há 146 corretoras registradas na BM&FBovespa, 64 na BM&F e 82 na Bovespa, com 97 atuando nos dois segmentos. Muitas delas podem vir a ser objeto de cobiça.
Segundo o Valor apurou, o grupo americano de corretagem no mercado de derivativos e ações GFI está olhando o mercado brasileiro, depois de cinco compras de corretoras por estrangeiros desde 2008. O GFI tem sede em Nova York e seu foco são os clientes institucionais, como bancos, fundos de hedge, empresas de seguros e corporações. Emprega mais de 1,7 mil pessoas e tem escritórios em Londres, Paris, Hong Kong, Seul, Tóquio, Cingapura, Sidney, Cidade do Cabo, Dubai, Tel Aviv e Dublin, entre outros.
Segundo escritórios de advocacia ouvidos pelo Valor, há pelo menos outras duas grandes corretoras globais e um banco interessados em desenvolver a atividade no Brasil e que podem entrar comprando.
Não é de hoje que veio à tona o interesse no negócio do francês BNP Paribas, do português Caixa Geral de Depósitos e do sul-africano com capital chinês Standard Bank. O suíço UBS, depois de vender no ano passado o Pactual para seus ex-sócios da BTG, se arrependeu e agora busca oportunidades.
O presidente do BNP Paribas, Louis Bazire, comentou, ainda em janeiro de 2008, que poderia fazer aquisição ou parceria no setor. Passada a crise, o interesse se manteve, mas nada foi fechado, pelo menos por enquanto. "Os preços estão muito altos e não descartamos fazer apenas uma parceria ou até partir para crescimento orgânico", disse ele.
Dirigentes de grupos estrangeiros têm preferido esperar que os preços das corretoras caiam, o que, acreditam, deva acontecer à medida que essas empresas forem percebendo a necessidade crescente de escala e perdendo clientes para corretoras maiores. Só as grandes, argumentam banqueiros, terão condições de investir em tecnologia para atender às necessidades do novo investidor.
Com a queda dos juros e o crescimento do número de milionários no país, a corretagem para a pessoa física, o chamado home broker, se tornou mais atrativa. Uma corretora de ações no mercado local é importante também para que o banco possa atuar com mais destaque no rentável mercado de emissões de novas ações. Mas, não é só isso. A internacionalização crescente da bolsa, suas parcerias com a Chicago Mercantil Exchange e a Nasdaq e a autorização para a participação crescente dos estrangeiros traz um giro diário de negócios novo, que tende a explodir, ampliando os ganhos de corretagem de atacado.
O novo recorde no volume transacionado nos mercados futuros foi na quinta-feira, com o giro de mais de 10 mil contratos (exatos 10.157.779), quase o dobro em comparação com os 5,7 mil contratos do recorde anterior, no dia 17. São os investidores dos fundos de negociação eletrônica ou algorítmica, cujas ordens de compra e venda são dadas por computador, que têm feito os volumes se ampliarem. Afinal, os computadores conseguem mandar ordens em volumes que um operador jamais conseguiria. As corretoras precisam de tecnologia cada vez mais sofisticada para esse investidor.
Em nota enviada por sua assessoria de imprensa, a Link confirmou que tem sido procurada com "frequência" por corretoras e bancos internacionais que querem aproveitar o bom momento do mercado brasileiro e crescer suas atividades. Mas quis salientar seu "compromisso com suas atividades no Brasil e seus clientes".

sábado, 6 de março de 2010

Estrangeiros ficam com 82% da oferta de ações da Multiplus

Ação saiu ao preço de R$ 16, abaixo do piso da faixa indicativa inicial, que variava entre R$ 18 e R$ 24



SÃO PAULO - A Multiplus, empresa controlada pela TAM e gestora de programas de fidelidade da companhia aérea e de parceiros, teve a maior parte das ações de sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) comprada por estrangeiros. Esses investidores ficaram com 82,12% da oferta, ou seja, cerca de 35,5 milhões de um total de 43,274 milhões de ações ordinárias. A quantidade inclui operações de hedge no exterior feitas pelo Credit Suisse, um dos 69 adquirentes dessa classe
de investidores e também coordenador da oferta, ao lado do líder, BTG Pactual.


A ação saiu ao preço de R$ 16, abaixo do piso da faixa indicativa inicial, que variava entre R$ 18 e R$ 24. Além do lote principal, de 39,340 milhões de ações, foi exercido lote suplementar de 10%, com mais 3,934 milhões de ações, resultando no valor final de R$ 692,384 milhões.


Também participaram da oferta 124 pessoas jurídicas, com 5.831.864 ações (13,48%), 1,167 mil pessoas físicas, com 1.724.556 papéis (3,99%), além de 24 clubes de investimento (63.448), um fundo de investimento (44 mil ações), duas entidades de previdência privada (7.457) e uma instituição financeira (66 mil ações). O BTG Pactual realizou atividade de
estabilização, com a compra e venda de 537 mil ações.
Fonte: Estadão

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Fundos externos sacam US$ 128 milhões do Brasil em uma semana Leia mais: http://www.valoronline.com.br/?online/mercado/212/6080133/fundos-externos-sacam-us-128-milhoes-do-brasil-em-uma-semana&scrollX=0&scrollY=200&tamFonte=#ixzz0e2qNh8EL

SÃO PAULO - A preocupação com o aperto monetário na China e a deterioração das contas públicas em diversos países, como Grécia e Japão, serviram de gatilho a um forte movimento de correção no preço dos ativos de risco no mundo todo durante a quarta semana de janeiro. 

Os dados da EPFR Global sobre a movimentação nos fundos de ativos espelhou bem esse momento de incerteza e fuga para a qualidade. Os Fundos de Ações de Mercados Emergentes marcaram a primeira perda de recursos em 12 semanas. E as carteiras voltadas ao Brasil também não escaparam às ordens de venda.

Considerando todos os fundos com alguma exposição ao país, os saques somaram US$ 128 milhões, segundo levantamento da BTG Pactual, que também tem como base dados da EPFR Global. No acumulado do ano, no entanto, o resultado ainda é positivo em US$ 830 milhões.

Chama atenção que as carteiras dedicadas ao país ainda captaram US$ 62 milhões, mas as retiradas via Fundos de Ações da América Latina ficaram em US$ 115 milhões. E entre os Mercados Emergentes Globais (GEM, na sigla em inglês), a fatia do Brasil foi negativa em US$ 76 milhões.

Os números estão alinhados à movimentação externa captada pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Na semana entre 20 e 27 de janeiro, o saldo de negociação direta dos investidores estrangeiros foi negativo e R$ 2,52 bilhões.

Voltando aos números da EPFR Global, os Fundos de Ações da América Latina viram US$ 220 milhões irem embora, maior saque em 29 semanas. Nos diversificados GEM, os saques atingiram a maior soma das últimas 23 semanas. Retiradas também foram captadas nas carteiras com foco nos Emergentes da Europa, Oriente Médio e Áfria (EMEA, na sigla em inglês).

Contrariando o senso comum, os Fundos de Ações da China não foram os grandes perdedores de recursos. De fato, os veículos com foco no país levantaram US$ 288 milhões na semana encerrada dia 27. Segundo a EPFR Global os investidores aplaudiram o governo chinês, que age de forma antecipada na contenção de bolhas e na prevenção de um superaquecimento econômico.

Outro ponto a chamar atenção é que enquanto os investimentos em ações perderam força, os Fundos de Bônus Emergentes tiveram captação de US$ 572 milhões. O grupo Fundos de Bônus Emergentes em Moeda Local ficou com US$ 512 milhões, resultado recorde.

Tal constatação, aliada ao fato de que os "money marker funds", tradicional porto seguro em momentos de incerteza, perderam US$ 10 bilhões na semana, sugere que o apetite por mais risco e maiores retornos está longe de ter acabado.

Expandindo a análise, todos os fundos de ações perderam US$ 9 bilhões no período, enquanto isso, todas as carteiras de títulos captaram US$ 4,8 bilhões. Com isso, os Bond Funds passaram a marcar saldo positivo em todas as semanas desde 11 de março de 2009. 

Embora os mercados emergentes tenham perdido apelo na semana, isso não se transformou em motivo de maior alocação de dinheiro para os países desenvolvidos.

Os Fundos de Ações dos EUA perderam US$ 8 bilhões na semana encerrada dia 27, maior saque desde o final de junho do ano passado. Além das questões envolvendo a China e os déficit da Europa, os gestores ponderaram as propostas de reforma do setor financeiro. 

Perdas também na Europa, onde os fundos ficaram US$ 731 milhões mais magros. Balanços pouco animadores e renovadas dúvidas sobre a saúde financeira de bancos e de alguns países da região pesaram sobre as decisões de investimento.

Destoando, os Fundos de Ações do Japão ganharam dinheiro novo, mesmo com um noticiário pouco favorável, como o rebaixamento de perspectiva de rating soberano em função do endividamento público.

Cada um dos fundos setoriais teve seu motivo para os saques. Fracos resultados trimestrais e perspectivas pouco brilhantes para os lucros de 2010 resultaram em perda para as carteiras de Finanças e Tecnologia.

Já as dúvidas quanto à manutenção do apetite da China por commodities contribuiu para que os setoriais de Commodities perdessem dinheiro pela quarta semana seguida. Os grupos Energia e Bens de Consumo também foram alvo de saques.

O único setorial a receber dinheiro novo foi de Serviços Públicos. Visto como mais defensivo, o grupo ganhou US$ 197 milhões.

Leia mais: http://www.valoronline.com.br/?online/mercado/212/6080133/fundos-externos-sacam-us-128-milhoes-do-brasil-em-uma-semana&scrollX=0&scrollY=200&tamFonte=#ixzz0e2qRe9T9