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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Bolsa cria pregão paralelo para negociação de grandes lotes


Iniciativa visa evitar distorção nas cotações das ações no pregão; novo espaço deverá ser inaugurado em abril deste ano.
Uma espécie de pregão paralelo especificamente destinado a receber altos volumes de ações está previsto para começar a funcionar na bolsa no começo de abril.
Desenvolvida desde o ano passado, a Plataforma de Negociação de Grandes Lotes promete atender aos investidores que queiram se desfazer de quantias elevadas de um papel de uma só vez, sem provocar impacto sobre as cotações no pregão comum.
Os negócios ocorrerão separadamente, mas tão logo sejam fechados, terão todos os seus dados computados no volume geral da bolsa.
Sistemas do tipo são comuns nos mercados internacionais, sendo conhecidos como "block trading facilities". "Estamos submetendo um modelo tropicalizado à CVM [Comissão de Valores Mobiliários], adequado às regras brasileiras, que vai atender às necessidades de grandes clientes, como fundos de pensão", exemplifica o diretor presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto.
As operações na plataforma não estarão disponíveis para qualquer ação, apenas para as mais líquidas. Cada lote terá de ser vendido e comprado integralmente, sem fracionamento.
As cotações pelas quais serão negociadas terão como referência os preços de mercado praticados no pregão comum. Aliás, é neste ponto - a precificação dos papéis - que está o maior desafio regulatório da bolsa.
"Estamos definindo qual será a referência: se a cotação no momento do negócio, de um minuto antes, depois...", explica Pinto. Tudo está sendo azeitado no detalhe para evitar abrir possibilidade de manipulação ou arbitragem de preços com o mercado à vista.
Será necessário estabelecer mudanças no regulamento de operações da bolsa, que ainda precisam ser aprovadas pelo regulador, lembra a Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários da CVM.
Grande lote
Também está em definição o que será considerado um grande lote. Na Bolsa de Nova York, um bloco é formado por mais de 10 mil ações ou qualquer quantia de papéis que valha a partir de US$ 200 mil.
Na de Londres (LSE), são elegíveis à negociação no mecanismo de grandes lotes quantias de ações a partir de 50 ou 75 vezes, o chamado "tamanho normal de mercado", que pode ser de 1 mil ou 2 mil ações, dependendo do papel.
Uma das mais recentes bolsas a inaugurar um sistema do tipo, em junho do ano passado, foi a da Austrália (ASX), onde o valor mínimo por ordem é de 1 milhão de dólares locais.
Analistas avaliam que a criação do pregão de grandes lotes pode ter como fundo também uma possível intenção da bolsa de "repatriar" recursos negociados na forma de American Depositary Receipts (ADRs), recibos de ações de empresas brasileiras operados nos Estados Unidos.
Haveria investidores que optam por operar lá fora por terem acesso a mecanismos de grandes lotes nas chamadas "dark pools", sistemas alternativos de negociação no balcão.
Pinto faz questão de ressaltar que o projeto da bolsa nada tem em comum com as "dark pools" americanas, carentes de transparência para os investidores. "Nosso modelo será diferenciado."
Fonte: Valor

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

De olho na 'nuvem', UOL compra Diveo

Em mais um lance no movimentado mercado de centros de dados no Brasil, o UOL anunciou ontem a compra da Diveo, empresa especializada na oferta de serviços relacionados a centros de dados e telecomunicações para outras companhias.
No comunicado enviado à Comissão da Valores Mobiliários (CVM), o UOL não informa o valor da operação. O negócio foi realizado por meio da DHC Outsourcing, empresa comprada pelo UOL no ano passado. A expectativa é de que a operação seja concluída até o dia 30.
Na avaliação de analistas consultados pelo Valor, o negócio representa um passo positivo para a companhia. "Com essa aquisição, o UOL não pode mais ser considerado apenas um provedor de acesso à internet, pois outros serviços, como hospedagem, computação em nuvem e publicidade on-line, já representam quase 70% do faturamento", disse um analista que preferiu não ter seu nome divulgado. De acordo com outro especialista, a empresa está apresentando um plano saudável de aquisições e de uso inteligente de seu caixa. Segundo a revista "Valor Data", o UOL tinha R$ 490,4 milhões em caixa em 30 de setembro.
Com a Diveo, sobe para nove o número de empresas adquiridas pelo UOL em três anos, com o objetivo de reforçar sua estratégia no segmento de centros de dados. Atualmente, a empresa atende 300 mil clientes nessa área. Entre os serviços oferecidos estão hospedagem e construção de sites, estrutura de loja virtual, meios de pagamento, e-mail marketing e gerenciamento de servidores.
Uma das grandes apostas do setor é a computação em nuvem. Por essa modalidade de serviço, os sistemas e as informações dos clientes são acessados pela internet, sem a necessidade de instalar programas no computador do usuário. Os centros de dados são fundamentais nesse processo porque representam uma espécie de cofre forte no qual os dados ficam protegidos, com alta segurança.
Em abril, o UOL inaugurou um novo centro de dados em São Paulo. A unidade foi projetada para consolidar as sete unidades da companhia instaladas na capital e em Barueri, na região metropolitana de São Paulo. Com 6,3 mil metros quadrados, o centro começou a operar com dois de seus quatro andares ocupados.
A Diveo é uma empresa sediada nos Estados Unidos, com negócios no Brasil e na Colômbia. A companhia mantém um centro de dados em cada um desses países. Neste ano, um investimento de R$ 40 milhões foi anunciado para ampliar o centro no Brasil. Segundo relatório da corretora Fator, a companhia conta também com uma infraestrutura de telecomunicações de 10 mil quilômetros quadrados com a qual opera uma rede sem fio.
Do total de 1,6 mil clientes da Diveo, cerca de 1,3 mil estão no Brasil. Um dos contratos mais recentes no país foi a consolidação dos servidores - os computadores centrais de rede - da BM&F Bovespa. Segundo a Fator, o faturamento total da Diveo é estimado em R$ 200 milhões.
Várias empresas anunciaram, este ano, investimentos na construção de centros de dados no Brasil, de olho na oferta de serviços por meio da computação em nuvem. O modelo está se tornando cada vez mais atraente para as empresas porque reduz custos, tanto para quem contrata, quanto para quem oferece os serviços.
A alemã T-Systems, por exemplo, investiu R$ 50 milhões na construção de um centro de dados em Barueri, com área de 600 metros quadrados. Também em Barueri, a brasileira Alog anunciou um investimento de R$ 30 milhões para montar sua terceira estrutura no país. Para os próximos cinco anos, a previsão da companhia é de aplicar um volume adicional de R$ 30 milhões.
Já a Locaweb, que investiu R$ 49 milhões na montagem de um novo centro de dados em São Paulo, planeja aplicar mais R$ 111 milhões para ampliar suas atividades nos próximos sete anos. Em setembro, a companhia recebeu um aporte do fundo americano Silver Lake Sumeru. (colaborou Ana Paula Ragazzi, de São Paulo)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ofertas públicas de ações devem somar R$ 14 bilhões em três meses

As ofertas públicas de ações devem somar cerca de R$ 14 bilhões nos próximos três meses, de acordo com cálculos do Itaú BBA. Desse total, cerca de R$ 5 bilhões são de seis empresas que já estão com pedido de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e outros R$ 9 bilhões são estimados para operações que ainda não são conhecidas pelo mercado. No ano até agora, as 20 operações realizadas somam R$ 147,7 bilhões, ou R$ 27,5 bilhões excluindo-se a megacapitalização da Petrobras.
No grupo daquelas que já estão com os processos mais avançados, a rede de farmácias Droga Raia, a empresa de educação Anhanguera e a companhia do ramo de energia renovável Desenvix tentarão acessar o mercado ainda neste ano. A Droga Raia publicou ontem o aviso ao mercado, com detalhes de preço e cronograma da operação.
Já a fabricante de autopeças Autometal, a administradora de shopping centers Sonae Sierra e a petroleira Queiroz Galvão Exploração e Produção planejam realizar suas ofertas no início de 2011.
Segundo Fernando Iunes, diretor-executivo do Itaú BBA, os próximos dois trimestres devem ser bem aquecidos em distribuições de ações, até porque muitas operações ficaram represadas à espera da conclusão da capitalização da Petrobras, no fim de setembro.
Para ele, que participou ontem de evento organizado pela regional paulista do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-SP), há demanda de investidores por ativos no Brasil, já que o país tem um cenário macroeconômico positivo, enquanto em outras regiões do mundo a previsão é de pouco crescimento.
Desde o término da operação da Petrobras, quatro empresas acessaram o mercado. Juntas, a empresa de educação Estácio, a petroleira HRT, a consultoria imobiliária Lopes e a rede de corretoras de seguros Brasil Insurance levantaram R$ 4 bilhões. A única oferta frustrada foi a da empresa australiana de petróleo e gás Karoon, que cancelou a oferta no dia do fechamento do preço, alegando condições adversas de mercado.
Para 2011 como um todo, o advogado Sérgio Spinelli, sócio do escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados, projeta que possa haver entre 40 e 60 captações no mercado de ações, entre operações de empresas estreantes e já listadas. "Há espaço para isso, pelo que temos na fila já para o primeiro semestre", afirmou o advogado, que também participou do evento.
Um pouco mais conservador, Iunes, do Itaú BBA, concordou que 40 ofertas em 2011 é "factível". "Acho que pode chegar a esse número, tendo em conta os mandatos que nós temos. Mas vai depender das condições do mercado", disse ele, acrescentando que é razoável estimar que haja cem distribuições públicas nos próximos três anos. "Ainda há poucas empresas listadas."
Se o piso da estimativa de Spinelli se confirmar no ano que vem, o mercado de capitais brasileiro voltará ao mesmo patamar de 2006 em número de ofertas, mas ainda ficará distante das 76 captações realizadas em 2007, quando os especialistas consideram que houve exagero de todos os lados, pois foram ao mercado empresas pouco preparadas para a vida de companhia aberta.
Ao apresentar um resumo das ofertas iniciais de ações deste ano, Iunes destacou o fato de que as primeiras operações ocorreram num cenário em que o comprador estava com o poder para determinar o preço a que as ações seriam vendidas. Por isso, muitas empresas tiveram que reduzir o valor previsto de venda dos papéis para que a transação tivesse sucesso - casos da administradora de shoppings Aliansce, da empresa de fidelidade Multiplus, da investidora imobiliária BR Properties, do estaleiro OSX e da companhia de logística Júlio Simões.
Ele ressaltou, no entanto, que nas duas aberturas de capital mais recentes, da HRT e da Brasil Insurance, o preço de venda das ações ficou no ponto médio do intervalo sugerido no prospecto preliminar na operação. A existência da seletividade do investidor, no entanto, teria sido evidenciada na oferta da Karoon.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O xerife da bolsa

Responsável pela fiscalização das operações na BM&FBovespa, o ex-Banco Central Luis Gustavo da Matta Machado ainda se impressiona com o número de golpes contra investidores. Desde que assumiu a BM&F Bovespa Supervisão de Mercado (BSM), em 2008, ele já encaminhou quatro casos de pirâmides financeiras para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). "Em um deles, um dos nossos próprios funcionários da fiscalização recebeu um folheto oferecendo o golpe", lembra.
Matta Machado é responsável também pelo sistema de pedidos de indenização feitos por investidores que se sentem prejudicados pelas corretoras, o Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP). A bolsa mantém um fundo para esses casos, que cobre até R$ 60 mil. Muita gente, porém, confunde as coisas, e quer ressarcimento por perdas de mercado, e não por falhas da corretora. "Aí não há indenização", explica. Foi o caso de uma investidora que procurou a BSM alegando que a corretora "não a alertou antes sobre a crise de 2008."
Confirma essa distorção o número de pedidos de indenização, que disparou em 2008, ano de fortes perdas do mercado, para 143. Em 2007, foram 17 pedidos. Além disso, de 53 processos instaurados este ano até setembro, 47, ou seja, 89%, foram julgados improcedentes, e só um deles resultou em ressarcimento. Houve ainda quatro acordos entre as partes.
Matta Machado adianta que pode ser aprovada nas próximas semanas uma reforma do fundo garantidor. O estudo, feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), estabelece o tamanho necessário para esse fundo, que hoje possui R$ 280 milhões. Isso deve resultar na devolução de parte do dinheiro para as corretoras. Além disso, elas poderão parar por algum tempo com as contribuições, hoje de 0,012% do volume operado.
Prevendo isso, desde o começo do ano, as contribuições estão sendo separadas no que Matta Machado chama de MRP 2. "O novo fundo já tem R$ 25 milhões, que podem ser devolvidos caso o estudo da FGV confirme que há excesso", diz. O estudo levará em conta não só as reclamações dos investidores, mas também as medidas preventivas, como a fiscalização das corretoras. "Com a auditoria anual das instituições, o risco de problemas é menor, assim como a necessidade de recursos do fundo", observa. Depois de aprovado pelo Conselho da bolsa, a proposta vai para a CVM para ser referendada.
Entre as tarefas da BSM está justamente a auditoria das corretoras. No ano passado, foram auditadas 89 instituições. Muitas, pela primeira vez, pois apenas as corretoras da BM&F eram fiscalizadas por conta dos programas de selos de qualidade da bolsa. "As de Bovespa, não", lembra Matta Machado. As auditorias usam uma metodologia nova e rigorosa e envolvem hoje 40 dos 70 funcionários da BSM.
Além das corretoras, a BSM acompanha também os negócios realizados na bolsa, para ver se há uma boa formação de preços. O objetivo é identificar indícios de fraude, irregularidades ou lavagem de dinheiro nos negócios já fechados. "Durante o pregão, quem faz esse acompanhamento é a diretoria de operações da bolsa, e o que não é resolvido no dia nos é repassado", diz.
Hoje, as atenções da área estão voltadas para as transações eletrônicas de alta velocidade com acesso direto ao mercado (DMA, na sigla em inglês). Há o receio de que se possa influenciar preços inundando o mercado com ofertas que depois são retiradas, levando o valor final dos negócios artificialmente para baixo ou para cima. "Hoje, acompanhamos os negócios, não tanto as ofertas", afirma.
A BSM desenvolveu um sistema para detectar movimentos estranhos de preços ou volumes. "Antes, olhávamos uma amostra de 60, 70 operações e descobríamos um ou dois casos", afirma Matta Machado. "Agora, temos um relatório de todo o mercado que indica onde devemos aprofundar a análise e, se for o caso, pedimos esclarecimentos para a corretora, o que pode levar a um processo administrativo", diz.
O sistema acompanha todas as operações e as compara, por exemplo, com o perfil dos investidores. Com isso, a BSM consegue identificar um investidor que, operando pela primeira vez em bolsa, faz uma operação extremamente sofisticada. "Se o cara não for um Armínio Fraga, pode ser um sinal de que há algo errado", diz. O sistema analisa também casos de gente que só ganha ou só perde em tudo que faz, por exemplo. "Voltamos no tempo e analisamos as operações para ver o que há por trás do azarado ou do sortudo", diz.
Mas a maioria dos problemas com investidores está relacionada a agentes autônomos, que extrapolam suas funções e fazem gestão de carteiras, diz Matta Machado. Para ele, deveria ser função da corretora fiscalizar esse agente. "Mas antes ele podia trabalhar para várias instituições, o que dificultava o acompanhamento", afirma. Por isso, recentemente, o Programa de Qualificação Operacional da bolsa passou a exigir essa exclusividade. No geral, 30% das reclamações envolvem agentes autônomos, 20% problemas de tecnologia e 20% erros de operações.
O investidor, em geral, alega que o agente fez operações à revelia dele. Mas o que a BSM detecta muitas vezes é que há um acordo tácito entre o agente e o investidor para o primeiro opere em nome do segundo. Tanto que o cliente acompanha o agente quando ele muda de corretora e faz as mesmas operações por um longo tempo. "Mas quando ele começa a perder, o agente começa a tentar recuperar os prejuízos e passa a correr mais risco, e aí perde ainda mais", diz.
E aí o investidor, que deu a autorização tácita, denuncia o agente por atuação irregular. "Mas o investidor não é tão inocente, ele recebe os avisos de negociação de ações (ANA), paga as taxas de corretagem, e não reclama, o que é um sinal de que autorizava a operação, mas só para ganhar", resume. Nesses casos, a BSM abre uma sindicância contra a corretora e o agente e nega o ressarcimento ao cliente.
Fonte: Valor

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Petrolífera Qgep entra com pedido de análise de IPO junto à CVM

SÃO PALUO – A Qgep Participações entrou com pedido de análise de IPO (Initial Public Offering) junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) na última segunda-feira (1), com a emissão de ações em oferta primária primária e com a possibilidade de oferta secundária em lote adicional, correspondendo a até 20% das ações inicialmente ofertadas. O acionista vendedor, neste caso, será o grupo Queiroz Galvão.
Conforme a minuta do prospecto preliminar, a empresa pretende realizar a oferta no Brasil, com esforços de colocação no exterior. O banco Itaú será o coordenador líder da oferta, enquanto o Banco Merrill Lynch e o BTG Pactual atuarão como coordenadores.
Com os recursos obtidos na oferta, a companhia pretende destinar os recursos para adquirir e explorar novos blocos e ativos, especialmente nas bacias do Espírito Santo, de Campos e de Santos, além de investir em exploração no portfolio já existente.

Saiba mais sobre a empresaA Qgep é uma empresa recém criada, a qual surgiu em setembro deste ano, de uma reestruturação societária do grupo Queiroz Galvão, de modo a segregar as atividades em duas frentes: prestação de serviços e exploração e produção, sendo esta última a principal atividade da Qgep.
De acordo com a empresa, as operações de exploração e produção consistem em direitos de concessão sobre dois campos de petróleo e oito blocos exploratórios, sendo quatro deles na Bacia de Santos, três na bacia de Camamu e um na bacia de Jequitinhonha, sendo esta a única com 100% dos direitos de exploração.
Fonte: Infomoney

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Droga Raia entra com pedido de oferta primária e secundária na CVM

Vinícius Pinheiro, da Agência Estado
SÃO PAULO - A Droga Raia protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pedido de registro de oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês). A operação será primária e secundária, ou seja, os recursos captados dos investidores irão para o caixa da companhia para os acionistas que venderem papéis na oferta.
A empresa é a uma das cinco maiores redes de drogarias do País em receita e a terceira maior em número de lojas, de acordo com a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma).

Em setembro de 2008, a Droga Raia recebeu aporte da Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, e da Pragma Patrimônio, que detêm 30% do capital da companhia. Ambos pretendem vender parte da participação que possuem na oferta.

Na minuta do prospecto preliminar da emissão, a Droga Raia informa que pretende usar os recursos do IPO para investimentos em ativos fixos e em capital de giro na abertura de novas lojas e reformas nas unidades já existentes e na redução do endividamento de longo prazo.

O Itaú BBA será o coordenador líder do IPO. O banco atuará na operação ao lado do Credit Suisse e do BB Banco de Investimento.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Droga Raia entra com pedido de oferta primária e secundária na CVM

SÃO PAULO - A Droga Raia protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pedido de registro de oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês). A operação será primária e secundária, ou seja, os recursos captados dos investidores irão para o caixa da companhia para os acionistas que venderem papéis na oferta.
A empresa é a uma das cinco maiores redes de drogarias do País em receita e a terceira maior em número de lojas, de acordo com a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma).

Em setembro de 2008, a Droga Raia recebeu aporte da Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, e da Pragma Patrimônio, que detêm 30% do capital da companhia. Ambos pretendem vender parte da participação que possuem na oferta.

Na minuta do prospecto preliminar da emissão, a Droga Raia informa que pretende usar os recursos do IPO para investimentos em ativos fixos e em capital de giro na abertura de novas lojas e reformas nas unidades já existentes e na redução do endividamento de longo prazo.

O Itaú BBA será o coordenador líder do IPO. O banco atuará na operação ao lado do Credit Suisse e do BB Banco de Investimento.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sem tradição, XP lidera em ações


A corretora XP Investimentos, pouco tradicional no mercado, alcançou a liderança do ranking de negociação de ações da BM&F Bovespa no primeiro trimestre do ano, desbancando nomes de peso, como o Credit Suisse. Embora baseie sua estratégia em operações com pessoas físicas, o que alavancou a posição da XP foram operações de fundos quantitativos estrangeiros. Os 'quants', como são chamados, são fundos que fazem milhares de pequenas operações com ordens automáticas, conhecidas como 'algotrading'. Exploram diferenças mínimas de preços em pequenos lapsos de tempo. "Cerca de 70% do nosso giro neste início de ano veio desses fundos estrangeiros", conta o fundador e sócio da XP, Guilherme Benchimol.
A XP encerrou 2009 no sexto lugar do ranking de ações, com um volume transacionado de R$ 102 bilhões e "market share" de 4%. Nos três primeiros meses de 2010, sua participação foi a 6,4%, com giro de quase R$ 50 bilhões, metade de todo o ano passado. Apesar do enorme volume, o "algotrading" é pouco rentável. Os investidores institucionais pagam corretagem baixa e utilizam a estrutura já montada para as operações de seu principal público, o varejo.
Fundada por empresários hoje na faixa dos 30 anos, que começaram como agentes autônomos no Rio Grande do Sul e compraram uma pequena corretora carioca em 2007, a XP é ousada. A liderança assumida em tão pouco tempo provocou dúvidas entre corretores com longa experiência sobre que tipo de operação estaria gerando crescimento tão rápido, além de colocar a XP no centro de uma onda de boataria. Concorrentes levantam dúvidas sobre a rentabilidade das operações e questionam se a estratégia não privilegia volume para dar visibilidade em rankings. Algumas corretoras ampliam volume com giro em "day trade" - compra e venda ao longo do dia- , sem que isso signifique posições realmente assumidas no fim do dia ou ganhos de corretagem relevantes. Chama a atenção ainda que investidores estrangeiros optem por operar com uma corretora doméstica independente, o que alimentou boatos de que poderia haver um grupo estrangeiro por trás da arrancada da XP. Na sexta circulavam também especulações de que a XP poderia estar adquirindo uma concorrente.
Benchimol defende seu crescimento dizendo que é rentável. O ponto central do negócio é mesmo o varejo e a expansão baseia-se em agentes autônomos: 130 escritórios "associados" à corretora, que gerenciam ordens de 62 mil clientes cadastrados, dos quais 35 mil efetivamente negociam. A meta é chegar a 100 mil CPFs cadastrados e 60 mil ativos ainda este ano. A corretora vem explorando o nicho de investidores novatos e Benchimol acredita que a rede de autônomos é a única forma de capturar essa expansão da base. A Bovespa prevê que o número de pessoas cadastradas para operar vá deduplicar, de 500 mil hoje para 5 milhões, em cinco anos.
A expansão via agentes autônomos provoca críticas, principalmente de corretoras de bancos, que vêem risco em execução de ordens por pessoas fora das corretoras. Existe ainda uma série de limitações que devem ser cumpridas pelos agentes, como a proibição de indicar investimentos aos clientes, que requer uma qualificação diferenciada de gestor de recursos.
O executivo da XP reconhece que há riscos regulatórios. Se um cliente contesta uma ordem dada a um agente autônomo, a responsabilidade perante a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) recai sobre a corretora. "É preciso ter um sistema de controle de risco, auditoria e compliance eficientes", afirma. Ele conta que os agentes associados à XP são obrigados a gravar as conversas com seus clientes. Os sistemas eletrônicos identificam operações que fogem dos padrões e isso dispara auditorias nos agentes autônomos. "Apesar de termos o maior número de autônomos do mercado, temos apenas três processos na CVM por problemas", diz. "Sabendo fazer direito, é o futuro do mercado. Os autônomos desempenham o mesmo papel dos correspondentes bancários para os grandes bancos", defende.
A maior parte dos clientes da XP é formada pela própria corretora em cursos sobre mercados de capitais, pelos quais já passaram cerca de 200 mil pessoas. O incentivo não é dado apenas a operações no mercado à vista de ações, mas também a estratégias de maior risco, tanto nos mercados futuros e de opções de ações, quanto em derivativos de café, boi e soja negociados na BM&F. "Os valores dos contratos são pequenos e isso permite alavancagem. Trinta por cento dos clientes já operam commodities agrícolas", conta o chefe da área de análise da XP, Rossano Oltramari.
Estimular pessoas que acabaram de entrar no mercado a se arriscar não é perigoso? Os sócios da XP dizem que o risco é controlado. Durante a crise, houve clientes que não suportaram a necessidade de ampliar as garantias depositadas e tiveram suas operações "zeradas" compulsoriamente pela bolsa, amargando perdas. Os prejuízos, diz a XP, foram administráveis.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Letra financeira ainda encontra resistência entre os investidores


Bastante ansiadas pelos bancos, as letras financeiras caminham a passos mais lentos e enfrentam mais dificuldades para serem vendidas aos investidores do que as instituições financeiras previram inicialmente.
Concebidas pelos bancos e pelo governo como instrumento de captação de longo prazo para o sistema financeiro, as letras foram lançadas por medida provisória há três meses. Mas, até agora, as poucas sondagens de emissões que chegam às mesas dos investidores têm formato de balão de ensaio, com volume máximo de R$ 50 milhões, valor bem distante dos cerca de R$ 15 bilhões que os bancos estimavam emitir por ano, conforme relataram ao Valor quatro investidores qualificados - dois fundos de pensão e dois fundos de investimento. De concreto, só chegou a eles até agora uma oferta de papéis do Citibank.
Foto Destaque
E, por enquanto, as letras ainda não caíram no gosto dos investidores. "Hoje, o entrave das letras financeiras passa pela definição de preço. O investidor não está vendo vantagem em comprar uma letra em relação aos outros papéis emitidos por banco", diz Gustavo Summers, superintendente de gestão de balanços do Santander.
Em grande parte, isso de deve à forma como as letras financeiras foram formatadas pelo Banco Central, segundo bancos e investidores. Assim como nos Certificados de Depósito Bancário (CDB), os bancos devem recolher o depósito compulsório sobre as emissões, o que para o banco não é vantajoso. Além disso, a regulamentação só permitiu que as letras contem como capital para os banco se forem vendidas para investidores qualificados - e não via ofertas públicas, que, espera-se, devem representar o maior volume.
Do lado do investidor, há duas características que podem ser encaradas como desvantagens em relação ao CDB: não têm a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito e não podem ser recompradas a qualquer momento pelo emissor.
"Por enquanto, as letras estão mais atrativas para os bancos do que para os compradores", afirma Fabio Monaco, gerente de renda fixa da Fundação Cesp, quarto maior fundo de pensão do país.
Além de a letra ser um título novo, ainda não existe um mercado de revenda do papel, o que tem levado o comprador a pedir uma taxa maior ante os CDBs. Na outra ponta, os bancos não estão dispostos a pagar um prêmio alto. "Pretendemos fazer uma emissão, mas não vamos conseguir pagar o que está sendo pedido", diz Summers, doSantander.
Uma instituição de grande porte que pretende emitir R$ 50 milhões em uma emissão privada relatou que hoje o preço pedido pelos investidores torna o repasse dos recursos captados a seus clientes mais caro do que se eles próprios lançassem debêntures. Dois bancos relataram que pretendem fazer captações com taxas em torno de 106% e 107% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI).
As letras financeiras, uma espécie de debênture dos bancos, foram bastante aguardadas pelas instituições financeiras por serem um instrumento de captação de longo prazo no mercado doméstico, em um cenário de expansão do crédito. Até dezembro, apenas as empresas não-financeiras podiam emitir títulos mobiliários de dívida entre os investidores brasileiros. "A letra é um título muito bem intencionado, mas faltou combinar com os investidores", avalia Jorge Libiani, diretor-executivo do banco Bonsucesso.
Soma-se a isso o fato de o sinal verde para as letras financeiras ter coincidido com um período em que os bancos brasileiros estão nas graças dos investidores estrangeiros depois que saíram ilesos da crise econômica mundial. Bradesco, Santander e Itaú, por exemplo, anunciaram captações externas. "É uma questão de taxa. Os bancos brasileiros caíram no gosto do investidor internacional, por isso estão preferindo seguir a receita de bolo em vez de testar as letras", diz Eduardo Castro, advogado do escritório Machado Meyer.
Entretanto, nem bancos nem investidores acreditam que esse descompasso inicial signifique o fracasso das letras financeiras. Para Paulo Vaz, diretor de tesouraria doItaú BBA, os novos papéis vão acabar roubando um pouco do espaço dos CDBs com prazo mais longo. "As colocações de CDBs são feitas muito caso a caso. É um mercado bem menos transparente do que aquele que a letra pretende criar", diz. Os bancos médios, mais carentes de fontes de financiamento, esperam o desenvolvimento desse mercado. "Para as instituições menores, as letras devem se transformar em fonte muito importante de captação", avalia Clive Botelho, conselheiro da ABBC, a associação dos bancos médios.
De acordo com Marina Procknor, sócia do escritório de advocacia Mattos Filho, por enquanto os bancos estão apenas sondando o terreno. "Isso é normal no lançamento de qualquer novo instrumento."
Outro impulso para as letras deve vir da definição por parte da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de regras para as ofertas públicas desses papéis, ainda sem data para publicação. Segundo Luciana Dias, superintendente de desenvolvimento de mercado da autarquia, como os bancos já são supervisionados pelo Banco Central, pode ser que eles venham a ficar livres do registro de companhia aberta. "Mas estamos checando se as informações prestadas ao Banco Central são suficientes para se fazer uma venda pública."

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Banco do Brasil começa a operar na Bolsa de NY

O Banco do Brasil estreou nesta quarta-feira suas operações na Bolsa de Nova York, informou ldemir Bendine, presidente da instituição.

A decisão, aprovada pela CVM e pelo Banco Central em outubro, recebeu a autorização da Securities and Exchange Commission (CVM americana) no mês de novembro, tornando possível a entrada do órgão no varejo bancário em vários países da América Latina e nos Estados Unidos.

Com o intuito de aumentar a visibilidade internacional doBanco do Brasil, a instituição passará a negociar American Depositary Receipts (ADRs ou recibos de empresa estrangeira negociados nos EUA) de nível 1 no mercado acionário americano.

"Vamos fazer um movimento de internacionalização em alguns países com aquisições ou com o modelo orgânico", disse o presidente do Banco do Brasil.

Um dos caminhos para ganhar destaque no mercado internacional é a estruturação de agências em estados americanos com forte presença de brasileiros, como Flórida, Nova Jersey e Massachussets. Outra projeto que está sendo estudado pelo órgão é a aquisição de algum banco europeu que esteja querendo sair dos Estados Unidos por conta da crise.

No Brasil, o desafio da instituição será elevar os níveis de capitalização, que foram apertados nos últimos meses com a compra do controle da Nossa Caixa e de metade do BancoVotorantim.

Operacionalmente, a meta é elevar a rentabilização dos ativos e cobrar das agências a venda de mais produtos financeiros aos clientes, como seguros e cartões de crédito. O Banco do Brasil começa também a fazer planos de aquisições em outros segmentos no país, como corretoras, asset management e seguros odontológicos.

Além de se concentrar em grandes economias da América Latina, entre elas Argentina, Chile, Peru e Colômbia, o Banco do Brasil tem planos de entrar em Portugal, Moçambique e Angola.

Enquanto aguarda a autorização para entrar em outros países, o Banco do Brasil trabalha em outras frentes e finaliza a reestruturação de suas atuais atividades no exterior, o que inclui a concentração das operações da Europa em uma holding com sede em Viena, na Áustria. Essa unificação deve acontecer até o mês de abril de 2010.

O Banco do Brasil começa também a distribuir produtos de investimento a clientes ao redor do mundo. Uma das investidas prestes a ser concluída é o levantamento de um fundo de agronegócio de quase 1 bilhão de reais, que tem como principais compradores grandes investidores árabes. Outros fundos com perfil parecido devem ser lançados em breve a investidores da China.

Fonte: Portal Exame

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Lições da pílula

O desfecho inesperado da disputa entre Vivendi e Telefônica pela empresa de telefonia GVT, além de surpresa, trouxe lições sobre o uso das pílulas de veneno presentes nos estatutos sociais das companhias para garantir a dispersão do capital em bolsa. Esses dispositivos adotados no Brasil há poucos anos viveram, finalmente, um teste expressivo.

Pelo menos duas questões ficaram claras nessa experiência. A primeira é que os investidores ainda não estão familiarizados com as discussões da pílula. E a segunda é que - se o estatuto não dificultar - elas podem ser removidas ou dispensadas diante de uma proposta de compra e nesses casos podem até beneficiar os acionistas.

Embora crítico dos exageros que acontecem no Brasil na adoção dessas cláusulas, para o advogado Marcelo Barbosa, do escritório Vieira, Rezende, Barbosa e Guerreiro, o caso serve para demonstrar que esse mecanismo não precisa ser nem tão bom nem tão ruim quanto se fala. "Há muito maniqueismo nesta questão. Dá para sobreviver com a pílula."

As pílulas de veneno servem para dificultar que um investidor ou grupo compre uma fatia significativa da empresa. Da maneira como foram adotadas no Brasil, davam conforto especialmente aos controladores que levaram as companhias à bolsa nos últimos anos e temiam uma tomada de controle.

Porém, as peculiaridades da adoção no país foram alvos de críticas. Aqui, em geral, as pílulas dificultam a compra de fatias significativas porque disparam uma obrigação de oferta pública para 100% do capital da companhia e com prêmio elevado preestabelecido. Os problemas que surgiram é que o percentual limite de aquisição, em geral, é baixo e os prêmios para uma oferta são excessivos. Assim, essas cláusulas foram acusadas de inibirem operações.

Por fim, algumas companhias redigiram seus estatutos de forma a evitar que os acionistas pudessem votar pela retirada das pílulas. Isso porque aqueles que aprovassem a eliminação teriam que comprar as ações dos demais acionistas, seguindo o prêmio previsto na regra da companhia. Criaram, assim, as cláusulas pétreas. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já se manifestou afirmando que não punirá os acionistas que votarem pela mudança nesses casos.

Apesar de já se verificar companhias interessadas em modificar seus regimentos, as pílulas ainda estão disseminadas, especialmente entre as novatas da bolsa.

Estudo inédito realizado pelo BTG Pactual traçou um perfil da adoção desses mecanismos no Novo Mercado. Das 104 companhias do segmento especial, 51 possuem a pílula, com limites de aquisição que variam de 10% a 35% do capital. Dessas, 25 têm as cláusulas pétreas.

O caso da GVT abalou alguns mitos da discussão sobre as pílulas de veneno. A companhia francesa Vivendi, interessada em adquirir o controle da empresa, negociou com os fundadores a compra de suas fatias no negócios - 30% do capital total, os 70% restantes estavam dispersos em bolsa. Como a empresa tem a pílula, a Vivendi precisava lançar uma oferta pública, condicionada à retirada dessa cláusula. Sem esse dispositivo, o grupo francês poderia ter comprado os papéis em bolsa aos poucos, além da fatia dos fundadores, por preços diferentes até alcançar 51%.

O prazo necessário à discussão dos acionistas sobre a pílula também teve papel importante e permitiu que a Telefônica lançasse uma oferta pela empresa e iniciasse uma disputa. Assim, a cláusula mostrou um de seus principais benefícios: trouxe para a negociação os acionistas dispersos na bolsa.

E a briga só não foi maior pela falta de experiência para lidar com o assunto. Ao aprovarem a dispensa da pílula de veneno, os acionistas da GVT não condicionaram a liberação a uma oferta pública. A medida deixou a porta aberta para a Vivendi negociar privadamente a compra do controle - em partes - e não precisar se submeter a uma guerra de preços em leilão.

Mas a professora Roberta Prado, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) acredita que esses dispositivos não têm a função de melhorar preço em aquisições. Para ela, as pílulas não devem ser vistas como "instrumento de barganha". "Se há o interesse do minoritário de receber sempre o valor mais alto, há também o interesse do mercado de que os negócios sejam realizados pelo valor justo", afirma.

Para os analistas do núcleo de estratégia do BTG Pactual autores de pesquisa sobre o tema, Carlos Sequeira e Antonio Junqueira, na maioria das vezes, as pílulas não se materializam em ganhos aos acionistas - especialmente quando a companhia dificulta sua retirada.

"Na verdade, elas potencialmente reduzem o valor do investimento", afirma Sequeira, pois podem dificultar fusões e aquisições. Junqueira explica ainda que a demanda pelas ações pode sofrer. "Há investidores que só fazem apostas relevantes, comprando grandes fatias das empresas. Se esse tipo de aplicação for limitada, a demanda pelos papéis tende a ficar menor."

Diante das críticas e da necessidade das companhias, é crescente o movimento de mudanças nos estatutos. Após a Cremer, que estreou as alterações ainda em 2008, aNatura já decidiu flexibilizar suas regras, a Tenda eliminou o dispositivo para se igualar à controladora Gafisa e a ABNote levou o tema à assembleia, embora não tenha obtido sucesso. A BrasilAgro também considera modificações.

Fonte: Valor Online

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

'Insider' na mira da Justiça

Ministério Público e Polícia Federal acompanham mais de perto o uso de informações privilegiadas no mercado de ações.


Há apenas um processo criminal em curso na Justiça brasileira, mas, a julgar pelas investigações sobre suspeitas de "insider trading" em andamento hoje, esse número, em breve, deve crescer. Os possíveis crimes por uso de informação privilegiada no mercado de capitais são investigados em sigilo, mas tanto o Ministério Público quanto a Polícia Federal confirmam a existência de inquéritos em curso, ainda sem data para serem apresentados à Justiça e se tornarem ações penais. Até agora, a única ação penal sobre "insider" em andamento no Judiciário foi aberta em maio deste ano contra dois ex-executivos da Sadia e um do banco ABN Amro por terem utilizado informações privilegiadas relativas à oferta da Sadia pela Perdigão em 2006 e obtido lucro na Bolsa de Valores de Nova York.

Em São Paulo há investigações em andamento tanto na Polícia Federal quanto na Polícia Civil, e as suspeitas surgem de fontes diversas - como inquéritos administrativos que tramitam na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), denúncias anônimas e escutas telefônicas feitas em operações que apuram outros tipos de crime. "Temos investigações em andamento, mas para indiciar suspeitos precisamos verificar se aquela suspeita de uso de informação privilegiada se confirma e se a pessoa continua agindo dessa forma", afirmam os delegados Ricardo Saadi e Rodrigo Luís Sanfurgo de Carvalho, chefe e integrante da Divisão de Repressão Combate aos Crimes Financeiros da Polícia Federal em São Paulo.

Até hoje, apenas três das 791 operações realizadas pela PF desde 2006 no país tiveram como foco o mercado de capitais. Nenhuma delas envolveu "insider": em dois casos, o objetivo foi desarticular quadrilhas que praticavam fraudes com ações e contra investidores, e no terceiro, neste ano, foi desmontado um esquema de pirâmide financeira no Rio Grande do Sul.

Já no caso do Ministério Público Federal, os inquéritos, em geral, começam com o envio de informações colhidas durante os procedimentos administrativos da CVM. Os procuradores da República Antônio do Passo Cabral e Rodrigo de Grandis, que atuam na área de crimes financeiros do MPF no Rio e em São Paulo, respectivamente, confirmam a existência de investigações - todas em sigilo. "Mas são poucos os casos", diz Cabral.

A tendência, no entanto, é a de que o número de casos aumente, como resultado de um termo de cooperação assinado entre o MP e a CVM em maio de 2008. O acordo prevê a troca de informações - a CVM deve repassar ao MP informações, provas e documentos obtidos nas apurações administrativas e o MP deve enviar à autarquia as informações coletadas durante suas investigações.

Esse fluxo de informações sempre existiu, segundo Alexandre Pinheiro dos Santos, procurador-chefe da Procuradoria Federal Especializada junto à CVM, mas houve um estreitamento em 2006, quando foi criado um grupo de atuação no mercado de capitais. O grupo é formado por procuradores federais para discutir ações judiciais que tenham como foco o mercado, sejam para punir criminalmente ou impor sanções às pessoas responsáveis por atos ilícitos, e culminou no termo de cooperação entre CVM e MP. "Ainda que a possibilidade de punição por crime de 'insider' tenha surgido em 2001, faltava uma aproximação entre as duas instituições", diz o procurador regional da República em São Paulo Marcelo Moscogliato, coordenador do grupo.

O procurador Alexandre dos Santos não revela quantos casos de suspeita de "insider" existem hoje em investigação no país. "Já há novos procedimentos investigatórios e muito provavelmente teremos um número de casos se desdobrando na esfera penal em curto e médio prazo", diz. Sempre que a CVM verifica um possível crime, encaminha as informações ao MP, independentemente de já ter concluído o processo administrativo e do resultado. O encerramento do processo na CVM com a assinatura de termos de compromisso - como ocorreu com o Credit Suisse, que na semana passada acertou o pagamento de R$ 19,2 milhões para encerrar o processo em que era acusado de uso de informação privilegiada na negociação de ações da Embraer - não isenta a empresa de responder na esfera penal.

Desde 2006, foram julgados 11 processos pela CVM. Outros casos foram encerrados mediante termos de ajustamento de conduta. Em tese, todos podem ser alvo de investigações criminais. Na prática, no entanto, não é o que deve ocorrer. Uma das maiores dificuldades apontadas é a exigência de provas para que haja uma condenação. "A prova do 'insider' é extremamente difícil", diz o procurador regional da República na 5ª Região Sady d'Assumpção Torres Filho, membro do grupo de mercado de capitais do MPF. "E a escuta telefônica e a quebra de sigilo funcionam em casos de crimes continuados, mas o 'insider' é um crime de oportunidade." "As operações são liquidadas em três dias, e nosso tempo de reação não é o mesmo dos criminosos", diz o procurador no Rio Antônio do Passo Cabral, vice-coordenador do grupo.

O grupo de mercado de capitais está analisando, em conjunto com a CVM, técnicas para que o flagrante do "insider" seja possível. O procurador Rodrigo de Grandis, autor da denúncia contra a Sadia, afirma que é por isso que a aproximação entre MP e CVM é fundamental para que a atuação do primeiro ocorra quase simultaneamente à identificação do delito pela segunda. "Nos próximos casos a tendência é a de termos medidas restritivas, como o bloqueio de ativos."

Ainda que se consiga obter provas quase simultaneamente ao uso da informação privilegiada e bloquear ativos para que haja uma condenação penal, a possibilidade de que a pena de um a cinco anos de prisão prevista para o crime de "insider" seja aplicada é muito difícil, avalia de Grandis. "Se os réus não têm antecedentes, é possível a aplicação de penas alternativas, como a pecuniária ou restritiva de direitos", diz.

Fonte: Valor Online

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Estatuto do Ponto Frio causa polêmica

Considerada confusa por analistas e investidores, a redação do estatuto social daGlobex, controladora da rede Ponto Frio, está levando acionistas minoritários a questionarem a governança corporativa da empresa, sob o argumento de terem sido induzidos a erro ao comprar ações da companhia. Cerca de 19% do capital da empresa está em circulação no mercado.

O Pão de Açúcar pagará R$ 824,5 milhões por 70% da Globex e informou que os minoritários receberão 80% do valor pago à controladora, Lilly Safra - o chamado "tag along" é garantido pela Lei das Sociedades por Ações. Os minoritários terão rigorosamente o mesmo tratamento dado aos controladores, mas recebendo 80% do valor e não 100%.

Porém, no estatuto da companhia, o artigo 42 prevê que, em caso de venda de controle, os minoritários deveriam ter tratamento igualitário, ou seja, receber 100% do valor pago ao majoritário, citando as regras do Novo Mercado. O Ponto Frio alterou seu estatuto, mas, de fato, não aderiu ao segmento especial de governança corporativa da Bovespa, apesar de ter anunciado que o faria e de ter tomado a principal medida para a migração: a conversão das ações preferenciais (PN, sem direito a voto) em ordinárias (ON, com voto).

Apesar de o artigo 42 do estatuto da companhia prever o tratamento igualitário, um dos artigos finais do documento, o 58, esclarece que ele só teria validade quando a empresa iniciasse a negociação no Novo Mercado.

"O estatuto da Globex é uma imensa confusão, que certamente induz o pequeno investidor ao erro", afirma Roberta Nioac Prado, professora da FGV/SP. "Eles gastaram mais de três páginas tratando da venda do controle, com citações ao Novo Mercado, para ao final dizer que aquilo só terá valor quando a empresa estiver no segmento", diz. Se a empresa estivesse no Novo Mercado, afirma Roberta, valeriam as regras do segmento e todas a outras descrições não seriam necessárias. Na avaliação dela, a cláusula 58 é semelhante às letras miúdas por vezes incluídas em contratos. Se não houvesse a cláusula suspensiva, o estatuto seria soberano e os minoritários teriam garantidos os 100%.

Advogados que estruturam operações de ingresso no Novo Mercado afirmam que é comum, antes mesmo de iniciarem a negociação, as companhias já modificarem os estatutos, uma vez que a mudança é certa - o que não se comprovou no caso do Ponto Frio.

Para André Gordon, gestor da GT Investimentos, quem comprou ações do Ponto Frio caiu em uma armadilha. "A empresa mostrou intenção firme de migrar para o Novo Mercado, adotou estatuto novo e ainda fez o principal: converteu as ações em ordinárias. Depois paralisou o processo. Apesar da cláusula suspensiva, com a declaração pública de migração, acredito que a governança deveria prevalecer", afirmou Gordon. A posição da GT em ações da empresa era de 0,1%, um investimento que Gordon reconhece ter sido especulativo - buscava tirar proveito da valorização das ações no fechamento da venda da empresa.

Gordon já protocolou reclamação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e na Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec) sobre o caso. A CVM informa que está "analisando as questões relacionadas à alienação de controle".

Segundo Enéas Pestana, vice-presidente financeiro do Pão de Açúcar, a empresa está confiante em relação aos aspectos jurídicos da operação. No entanto, mesmo na hipótese de que os acionistas contestem o "tag along", o valor em questão não deve ter um grande impacto sobre o preço final acertado e não há risco de que essa contenda comprometa o negócio.

Fonte: Valor Online