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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Pessoa física pode aplicar em commodities agrícolas por home broker

SÃO PAULO - Investir em commodities agrícolas é uma boa opção para diversificação da carteira. O risco, no entanto, é grande, alertam especialistas em investimentos.
Quem comprou contratos de café, boi, milho ou soja no ano passado teve bons (ou ótimos) rendimentos. O café, por exemplo, rendeu 79,3% durante 2010. Já o índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) teve alta de apenas 1,04%, enquanto as ações preferenciais (PN) da Petrobrás perderam 22,96% no ano passado.
As commodities têm rendimento descolado da renda variável e da renda fixa, por isso são boas para diversificar a carteira, segundo explica Beto Domenici, da Rio Bravo Investimentos. Fábio Colombo, administrador de investimentos, recomenda aplicação de, no máximo, 3% da carteira nessa modalidade. "As oscilações são fortíssimas. O risco de ganhar muito é igual ao de perder muito", salienta.
Comprar uma fração de contrato é tão simples quanto adquirir a ação de uma empresa. A XP Investimentos, por exemplo, oferece aos clientes um home broker (plataforma online de negociação de ação e, agora, de commodities) para a negociação de contratos agrícolas. "Temos diversos perfis de investidor aplicando nas commodities", diz Jorge Teixeira, da XP Investimentos.
Rapidez. O administrador de empresas Orlando Machado, 36 anos, é um dos investidores da XP que mescla investimentos em ação, opção e commodities. "Mexi muito com ação e opção antes de entrar nos agrícolas", lembra. Ele afirma que, hoje, a modalidade de investimentos preferida é a compra de contratos de commodities. "É um investimento rápido. Fico com um contrato três dias, no máximo", diz.
Teixeira explica que as commodities são de fato investimentos rápidos, por conta das oscilações nos preços. "Temos analistas especializados que sugerem o momento de compra e de venda", afirma. "Mas, normalmente, o investidor fica com um contrato de no máximo uma semana na carteira. E depois compra outro", detalha.
A velocidade das oscilações exige muito mais atenção do investidor. Esse é um fator que limita um pouco a participação das pessoas físicas na modalidade. "É preciso ter conhecimento", diz Roberto Flor da Rosa, assessor de investimentos da mesa de commodities da Prosper Corretora. "Provavelmente esse investidor já possui conhecimento ou está envolvido de alguma forma no mercado agrícola. São, por exemplo, produtores agrícolas, exportadores, importadores", emenda. Teixeira, da XP, discorda: "Se houver boa assessoria, não há tanta limitação de perfis."
O investimento não exige grande desembolso inicial. Os contratos de milho, segundo Teixeira, são os mais baratos. "É possível comprar uma fração de contrato de milho por R$ 1 mil", diz.
Os custos da negociação são similares aos dos cobrados em ações. Existe taxa de corretagem a cada compra e venda e taxa de custódia. Mas, como se trata de negociação no mercado futuro, é preciso "ter dinheiro para atender a chamada de margens de garantia", diz Rosa, da Prosper.
Essa margem é solicitada pela  BM&FBovespa para garantir o cumprimento do negócio pelas duas partes envolvidas (comprador e vendedor). A margem de garantia do milho está sempre perto de R$ 1 mil. Mas, além desse dinheiro, é preciso deixar outros reais à disposição da corretora para possíveis ajustes diários negativos. Essa é uma das principais diferenças entre a negociação de ação e de commodity.
Risco. Domenici atua no private banking (que é um banco para pessoas de alta renda) da Rio Bravo. "E aqui não indicamos o investimento em commodities porque é algo muito específico, que exige muito conhecimento", salienta.
Colombo, administrador de investimentos, endossa o que Domenici diz. E chama atenção para as fortes altas de preços que as commodities tiveram no ano passado. "Subiram muito e quase certamente não têm força para subir muito mais nesse ano", destaca.
Os dois especialistas consideram o investimento muito específico, o que exige um nível de conhecimento mais alto que o normal.
Fonte: Estadão

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sem tradição, XP lidera em ações


A corretora XP Investimentos, pouco tradicional no mercado, alcançou a liderança do ranking de negociação de ações da BM&F Bovespa no primeiro trimestre do ano, desbancando nomes de peso, como o Credit Suisse. Embora baseie sua estratégia em operações com pessoas físicas, o que alavancou a posição da XP foram operações de fundos quantitativos estrangeiros. Os 'quants', como são chamados, são fundos que fazem milhares de pequenas operações com ordens automáticas, conhecidas como 'algotrading'. Exploram diferenças mínimas de preços em pequenos lapsos de tempo. "Cerca de 70% do nosso giro neste início de ano veio desses fundos estrangeiros", conta o fundador e sócio da XP, Guilherme Benchimol.
A XP encerrou 2009 no sexto lugar do ranking de ações, com um volume transacionado de R$ 102 bilhões e "market share" de 4%. Nos três primeiros meses de 2010, sua participação foi a 6,4%, com giro de quase R$ 50 bilhões, metade de todo o ano passado. Apesar do enorme volume, o "algotrading" é pouco rentável. Os investidores institucionais pagam corretagem baixa e utilizam a estrutura já montada para as operações de seu principal público, o varejo.
Fundada por empresários hoje na faixa dos 30 anos, que começaram como agentes autônomos no Rio Grande do Sul e compraram uma pequena corretora carioca em 2007, a XP é ousada. A liderança assumida em tão pouco tempo provocou dúvidas entre corretores com longa experiência sobre que tipo de operação estaria gerando crescimento tão rápido, além de colocar a XP no centro de uma onda de boataria. Concorrentes levantam dúvidas sobre a rentabilidade das operações e questionam se a estratégia não privilegia volume para dar visibilidade em rankings. Algumas corretoras ampliam volume com giro em "day trade" - compra e venda ao longo do dia- , sem que isso signifique posições realmente assumidas no fim do dia ou ganhos de corretagem relevantes. Chama a atenção ainda que investidores estrangeiros optem por operar com uma corretora doméstica independente, o que alimentou boatos de que poderia haver um grupo estrangeiro por trás da arrancada da XP. Na sexta circulavam também especulações de que a XP poderia estar adquirindo uma concorrente.
Benchimol defende seu crescimento dizendo que é rentável. O ponto central do negócio é mesmo o varejo e a expansão baseia-se em agentes autônomos: 130 escritórios "associados" à corretora, que gerenciam ordens de 62 mil clientes cadastrados, dos quais 35 mil efetivamente negociam. A meta é chegar a 100 mil CPFs cadastrados e 60 mil ativos ainda este ano. A corretora vem explorando o nicho de investidores novatos e Benchimol acredita que a rede de autônomos é a única forma de capturar essa expansão da base. A Bovespa prevê que o número de pessoas cadastradas para operar vá deduplicar, de 500 mil hoje para 5 milhões, em cinco anos.
A expansão via agentes autônomos provoca críticas, principalmente de corretoras de bancos, que vêem risco em execução de ordens por pessoas fora das corretoras. Existe ainda uma série de limitações que devem ser cumpridas pelos agentes, como a proibição de indicar investimentos aos clientes, que requer uma qualificação diferenciada de gestor de recursos.
O executivo da XP reconhece que há riscos regulatórios. Se um cliente contesta uma ordem dada a um agente autônomo, a responsabilidade perante a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) recai sobre a corretora. "É preciso ter um sistema de controle de risco, auditoria e compliance eficientes", afirma. Ele conta que os agentes associados à XP são obrigados a gravar as conversas com seus clientes. Os sistemas eletrônicos identificam operações que fogem dos padrões e isso dispara auditorias nos agentes autônomos. "Apesar de termos o maior número de autônomos do mercado, temos apenas três processos na CVM por problemas", diz. "Sabendo fazer direito, é o futuro do mercado. Os autônomos desempenham o mesmo papel dos correspondentes bancários para os grandes bancos", defende.
A maior parte dos clientes da XP é formada pela própria corretora em cursos sobre mercados de capitais, pelos quais já passaram cerca de 200 mil pessoas. O incentivo não é dado apenas a operações no mercado à vista de ações, mas também a estratégias de maior risco, tanto nos mercados futuros e de opções de ações, quanto em derivativos de café, boi e soja negociados na BM&F. "Os valores dos contratos são pequenos e isso permite alavancagem. Trinta por cento dos clientes já operam commodities agrícolas", conta o chefe da área de análise da XP, Rossano Oltramari.
Estimular pessoas que acabaram de entrar no mercado a se arriscar não é perigoso? Os sócios da XP dizem que o risco é controlado. Durante a crise, houve clientes que não suportaram a necessidade de ampliar as garantias depositadas e tiveram suas operações "zeradas" compulsoriamente pela bolsa, amargando perdas. Os prejuízos, diz a XP, foram administráveis.