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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Gestores driblam apatia da bolsa e ganham até 143%

Com crise ou sem crise, gestores de fundos de ações conseguiram fazer os investidores ganharem um bom dinheiro nos últimos três anos. Há rendimentos de até 143%, segundo levantamento do escritório de aconselhamento financeiro Tag Investimentos, o que chega a ser uma façanha, já que a conta considera resultados do terrível ano de 2008, quando a maior crise financeira em 80 anos devastou os mercados financeiros globais - e o Ibovespa caiu 41,22%. O desempenho é igualmente surpreendente porque de janeiro de 2008 até janeiro de passado a bolsa brasileira teve uma valorização pífia de 4,21%.
Das 230 carteiras analisadas, pelo menos as 26 primeiras são de gestores independentes. O estudo, feito com base nos dados da consultoria Quantum, leva em conta os fundos que buscam superar o Ibovespa, carteiras de dividendos, small caps, IBrX ativo e ações livre. Na lista aparecem nomes como Nest, Polo, Capitânia, BRZ, M Square, Tarpon, Rio Bravo, Dynamo, entre outros.
Os melhores fundos listados no ranking têm algo em comum: fazem um mix entre ações mais negociadas e as "small caps", diz Marcelo Pereira, sócio da Tag. São estratégias de gestão bastante calcadas em "stock picking" - a procura de papéis que se encontrem com preços abaixo do valor considerado justo. Muitos também podem alavancar, ou seja, aplicar mais do que o total presente em carteira, como é o caso da Nest. O fundo de ações da gestora adota a estratégia 40-140, isto é, 40% de aposta na baixa de papéis (posição vendida) e até 140% de aposta na alta (posição comprada). De 2008 até janeiro deste ano, a carteira rendeu 143,46%. Em 2010, ganhou dinheiro ficando vendida em petróleo e comprada em varejo.
Com uma rentabilidade de 77,21% no período, o Capitânia Equities busca principalmente ações de grandes e médias empresas, com uma pitada de "small caps", diz Ricardo Quintero, sócio da gestora. Normalmente, entre 15 e 20 ações compõem o portfólio. No ano passado, os ganhos vieram de papéis mais ligados ao comportamento do mercado doméstico, como Renner, Hering e Marfrig. "Mas perdemos dinheiro com Petrobras", conta. Segundo o executivo, em média a carteira mantém um papel por um período de 9 a 12 meses. "Compramos ações cujo prazo de maturação da estratégia é de, no máximo, um ano".
A M Square tem uma filosofia de investimento de tão longo prazo que a carteira é quase um fundo de participações, embora só aplique em ações listadas em bolsa, diz Marcos Toledo, sócio da gestora. Os papéis permanecem no portfólio por três anos, em média. "Buscamos bons negócios e não necessariamente empresas com múltiplos extremamente baratos", diz Arthur Mizne, sócio.
Fonte: Valor

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Entrada da Bats pode incluir Brasil na rota das fusões


Consultoria financeira americana Solaris enxerga a chegada da Bats Global Markets ao mercado de capitais brasileiro como primeiro passo para o processo de fusão de bolsas na América Latina.
Lá fora, a Deutsche Börse de Frankfurt e a Nyse Euronext (Paris, Nova York, Bruxelas e Amsterdã) fecharam um acordo para formar o maior operador de bolsas do mundo.
O anúncio na última terça-feira (15/2) da possível entrada da Bats Global Markets no cenário nacional a partir de sua parceria com a gestora brasileira Claritas e, com isso, uma difusão do mercado de capitais do Brasil, não é vista por todos como um contrassenso diante do movimento de fusão nas bolsas internacionais.
Um dos que não compartilha desta opinião é Timothy Ghriskey, diretor executivo de investimentos da Solaris Asset Management, consultoria independente situada em Nova York nos Estados Unidos. Para ele, não há qualquer diferença substancial entre o momento vivido no mercado internacional e o cenário pintado hoje no mercado de capitais brasileiro.
"Não vejo muitas diferenças entre os mercados. As grandes companhias hoje são globais e as bolsas estão começando a refletir essa realidade internacionalizada da economia", aponta o executivo.
"As grandes empresas no mundo acabam tendo mais operações fora de seus países originais que efetivamente nos territórios onde nasceram. Esse processo é natural e inevitável para qualquer empresa, assim como para as bolsas de valores."
Ghriskey destaca que a razão fundamental para a fusão entre a Deutsche Börse de Frankfurt e a Nyse Euronext está na intenção dos Estados Unidos em facilitar o acesso aos investimentos.
Trata-se de uma questão de tempo para que outras bolsas se unam em todo o mundo. "A entrada da Bats no Brasil pode ser o primeiro de próximos passos desse movimento de globalização", sinaliza.
Para ele, o Brasil é o "mais óbvio" dos próximos mercados a entrar em ritmo de fusão. "Me surpreenderia se o seu país levasse mais que cinco anos para ter todo seu mercado fundido em um só. Tudo tem acontecido muito rápido nesse cenário e na América Latina não vai ser diferente", explica.
Sua aposta está essencialmente baseada na dimensão do mercado nacional. Atualmente a BM&FBovespa trabalha com a ousada meta de passar de cerca de 600 mil para cinco milhões de investidores nos próximos anos. Somente no ano passado, a instituição movimentou R$ 1,602 trilhão no mercado de renda variável.
"O mercado brasileiro é um dos maiores do seu grupo. Não sei quem vai ser o primeiro ou o segundo dos países emergentes a entrar no fluxo das fusões, mas tenho clareza que no que tange ao mercado de capitais, o Brasil é o mais avançado de todos os seus pares", aponta Ghrisky que vê a economia brasileira "muito à frente" da chinesa em termos de modernidade, organização e grau de internacionalização.
América Latina
No entanto, o especialista não aposta em uma fusão latino-americana de bolsas devido aos problemas políticos que a união entre países como Chile, Argentina e Uruguai poderia causar. "A diversidade entre esses países é muito grande não acredito em uma união dessas bolsas", avalia.
Por outro lado, o tamanho da bolsa resultante das fusões que podem ocorrer no território brasileiro deve provocar uma forte migração de investimentos da região para o mercado nacional. "Um mercado, no caso o brasileiro, será fortemente dominante na América do Sul, mas os outros devem continuar existindo".
Contraponto
Na outra linha de raciocínio, há quem entenda a chegada da Bats como uma afronta aos altos custos que tanto prejudicam os grandes investidores na BM&FBovespa. Em sua condição de grande operadora de mercados em níveis internacionais, a Bats já mostrou nos Estados Unidos toda sua capacidade de atuação.
"Ela já está atuando de forma independente da Nasdaq e tem se destacado muito no mercado americano", aponta Luiz Antonio Fernandes Silva, professor do Curso de Administração das Faculdades Integradas Rio Branco e especialista em investimentos.
Esse sucesso se deve à alta capacidade da bolsa de trabalhar com tecnologias de ponta, alta velocidade e preço altamente competitivo, principalmente se comparada à BM&FBovespa, que vem sofrendo críticas pelos seus altos custos de operação e de custódia. "Com certeza oferecerão melhores condições em termos de preços, o que é atualmente a grande queixa dos investidores", explica Silva.
Além disso, a questão tecnológica tem sido mencionada como um importante diferencial da Bats Global Markets, uma vez que o tempo necessário para liquidação das operações também é alvo de reclamação dos operadores nacionais.
"Se você avaliar do ponto de vista da operação mesmo, as ações da BM&FBovespa nunca superaram o valor aplicado na sua abertura de capital", avalia o professor. "É uma empresa que tem se desenvolvido pouco e tem sido administrada com uma certa acomodação pela falta de concorrência".

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Tesouro Direto foi melhor aplicação dos últimos 10 anos

SÃO PAULO - O Tesouro Direto foi a modalidade que mais deu lucro aos investidores nos últimos dez anos no Brasil. Levantamento feito pelo Instituto Assaf, especializado em investimentos, mostra que as Notas do Tesouro Nacional (NTNs) proporcionaram ganhos reais de 164% aos investidores entre 2001 e 2010. Esses títulos são recomendados para investimentos de longo prazo, com vistas à aposentadoria, por exemplo.
Em segundo lugar do ranking que avalia rentabilidades reais obtidas entre 2001 e 2010 está a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), com ganho de 139,3%. Depois aparecem os fundos DI, com rendimento de 119%. O único investimento que não conseguiu resultados positivos no período avaliado foi o dólar, que demonstrou queda de 56,6%.
"O ranking considera que o investidor aplicou em 2001 e não tirou o dinheiro até o fim do período, em 2010", detalha Fabiano Guasti Lima, responsável pela elaboração do estudo no Instituto Assaf. "No caso das ações, no entanto, consideramos uma gestão ativa e acertiva entre os papéis que compõem o Ibovespa (Índice da Bolsa de Valores de São Paulo), o que não é simples de ser feito", emenda Lima.
Sobre o desempenho ruim verificado no dólar, Lima lembra que entre 2001 e 2010 ocorreram fatores graves que impactaram fortemente nas cotações da moeda. "O 11 de setembro e a crise do subprime, por exemplo", cita. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

Bolsa muda Bovespa Mais e se previne da concorrência

A BM&FBovespa quer dar uma nova chance ao Bovespa Mais. Seu presidente, Edemir Pinto, reconhece o fracasso - lançado em 2005, só tem uma empresa listada, a Nutriplant - e o atribui a um erro de concepção. "Esse é um segmento de acesso, mas não só para pequenas e médias. É para todas. Em especial para as grandes que não estão prontas em termos de governança para se listar no Novo Mercado". Agora, a bolsa busca parceria com bancos e está em negociação avançada com o Bradesco para fechar parceria semelhante à feita com o Banco do Brasil, para estimular o segmento.
A capilaridade é importante para tirar o Bovespa Mais do papel e cativar empresas que, segundo ele, aprimorem gradualmente a governança e ganhem visibilidade no mercado. "Temos mais de 15 mil empresas no Brasil com faturamento anual entre R$ 100 milhões e R$ 400 milhões para serem exploradas".
Fazer decolar o mercado de acesso, expandir o número de pessoas físicas que investem em ações - hoje são 610 mil CPFs cadastrados e a BM&FBovespa pretende que sejam 5 milhões em 2014 -, reformular as tarifas e oferecer novos serviços são formas de atrair mais lucros para a instituição. Mas, também, de garantir que não haja grandes espaços para o surgimento de um eventual concorrente. Alguns gestores brasileiros, liderados pela Claritas, querem criar uma nova bolsa no Brasil.
Edemir diz que o aparecimento de um rival não o preocupa, "porque a legislação prevê que, para se instalar no Brasil é preciso ser criada, de fato, uma nova bolsa, e isso exige investimentos altos". Mas reconhece que vem tomando medidas preventivas que inibem a entrada de concorrentes, com a criação de blocos para grandes negócios e a revisão das tarifas.
A crítica frequente de que os custos de transação são altos recebeu uma resposta. A readequação tarifária fará com que 35% dos gastos para operar na bolsa venham de negociação e o restante, de custódia e liquidação. Com isso, a margem que mede a receita com transações por volume negociado, de US$ 4,8 a cada US$ 10 mil negociados em 2009, vai cair pela metade. Ainda assim, continuaria maior que os menos de US$ 2 das bolsas americanas e europeias.
Os blocos de negociação de grandes lotes de ações, segundo Edemir, vão reduzir a volatilidade dos papéis mais líquidos. "Os investidores institucionais têm grandes operações para fazer e, em vez de concretizá-las durante um ou dois pregões, querem fechá-las rapidamente, em uma, duas horas, o que impacta as cotações. Vamos oferecer, dentro do megabolsa, uma opção para que esses negócios sejam feitos sem passar pelo pregão público". Segundo ele, a operação poderá ser fechada em segundos, sem levar volatilidade às ações.
Fonte: Valor

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Bolsa cria pregão paralelo para negociação de grandes lotes


Iniciativa visa evitar distorção nas cotações das ações no pregão; novo espaço deverá ser inaugurado em abril deste ano.
Uma espécie de pregão paralelo especificamente destinado a receber altos volumes de ações está previsto para começar a funcionar na bolsa no começo de abril.
Desenvolvida desde o ano passado, a Plataforma de Negociação de Grandes Lotes promete atender aos investidores que queiram se desfazer de quantias elevadas de um papel de uma só vez, sem provocar impacto sobre as cotações no pregão comum.
Os negócios ocorrerão separadamente, mas tão logo sejam fechados, terão todos os seus dados computados no volume geral da bolsa.
Sistemas do tipo são comuns nos mercados internacionais, sendo conhecidos como "block trading facilities". "Estamos submetendo um modelo tropicalizado à CVM [Comissão de Valores Mobiliários], adequado às regras brasileiras, que vai atender às necessidades de grandes clientes, como fundos de pensão", exemplifica o diretor presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto.
As operações na plataforma não estarão disponíveis para qualquer ação, apenas para as mais líquidas. Cada lote terá de ser vendido e comprado integralmente, sem fracionamento.
As cotações pelas quais serão negociadas terão como referência os preços de mercado praticados no pregão comum. Aliás, é neste ponto - a precificação dos papéis - que está o maior desafio regulatório da bolsa.
"Estamos definindo qual será a referência: se a cotação no momento do negócio, de um minuto antes, depois...", explica Pinto. Tudo está sendo azeitado no detalhe para evitar abrir possibilidade de manipulação ou arbitragem de preços com o mercado à vista.
Será necessário estabelecer mudanças no regulamento de operações da bolsa, que ainda precisam ser aprovadas pelo regulador, lembra a Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários da CVM.
Grande lote
Também está em definição o que será considerado um grande lote. Na Bolsa de Nova York, um bloco é formado por mais de 10 mil ações ou qualquer quantia de papéis que valha a partir de US$ 200 mil.
Na de Londres (LSE), são elegíveis à negociação no mecanismo de grandes lotes quantias de ações a partir de 50 ou 75 vezes, o chamado "tamanho normal de mercado", que pode ser de 1 mil ou 2 mil ações, dependendo do papel.
Uma das mais recentes bolsas a inaugurar um sistema do tipo, em junho do ano passado, foi a da Austrália (ASX), onde o valor mínimo por ordem é de 1 milhão de dólares locais.
Analistas avaliam que a criação do pregão de grandes lotes pode ter como fundo também uma possível intenção da bolsa de "repatriar" recursos negociados na forma de American Depositary Receipts (ADRs), recibos de ações de empresas brasileiras operados nos Estados Unidos.
Haveria investidores que optam por operar lá fora por terem acesso a mecanismos de grandes lotes nas chamadas "dark pools", sistemas alternativos de negociação no balcão.
Pinto faz questão de ressaltar que o projeto da bolsa nada tem em comum com as "dark pools" americanas, carentes de transparência para os investidores. "Nosso modelo será diferenciado."
Fonte: Valor

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Drible no Ibovespa

O ano passado foi ruim para a maioria dos investidores em bolsa por causa de uma empresa: Petrobras. A estatal é parte integrante da maioria das carteiras dos investidores individuais e dos fundos e sua queda, de mais de 20%, derrubou os ganhos e fez o Índice Bovespa encerrar o ano com a alta pífia de 1,04%.
Mas um grupo considerável de fundos de ações conseguiu evitar a maldição da Petrobras e se saiu muito bem em 2010. Em geral, são fundos voltados para empresas de menor porte, as chamadas "small caps", e com patrimônios também limitados, em torno de R$ 100 milhões. Esses fundos ganharam com os setores ligados ao mercado interno. E têm em comum regras mais rígidas de resgate, para permitir estratégias de longo prazo.
Estudo feito pela Economática a pedido do Valor levantou o desempenho dos fundos de ações voltados para pessoas físicas, qualificadas (com mais de R$ 300 mil para investir) ou não, com patrimônio médio em 2010 superior a R$ 10 milhões e com mais de 50 cotistas. De uma lista de 269 fundos, apenas 117 conseguiram bater o rendimento da poupança, de 6,90% em 2010. E 89 carteiras ganharam acima do CDI, de 9,75% no ano. Acima do Ibovespa ficaram 169 carteiras.
Para Einar Rivero, da Economática, o estudo mostra que os gestores vão ter de fazer mais análises e operações mais sofisticadas, como o uso de modelos quantitativos, para ganhar.
A carência para resgates de 90 dias foi o que ajudou o fundo BNY Mellon ARX Long Term a conseguir um rendimento de 54% no ano passado. "Com a restrição de saques, podemos fazer aplicações menos líquidas", diz Bruno Garcia, que divide com os colegas Frederico Saraiva e Rogério Poppe as decisões da carteira. O fundo é voltado para investidores qualificados e tem aplicação mínima de R$ 20 mil.
Por sua estratégia, o tamanho do fundo também é reduzido, em torno de R$ 100 milhões. "E nosso limite é R$ 150 milhões", diz Garcia. Com essa carência, o fundo pode se dar ao luxo de comprar papéis menos líquidos com a tranquilidade de poder vendê-los com calma, sem derrubar os preços.
A grande aposta do fundo começou em 2009, quando os gestores viram que o Brasil ia sair da crise antes e que empresas estavam baratas. "Por isso fazia sentido montar uma carteira com empresas ligadas ao crescimento do país", afirma Garcia. "E tivemos a sorte de encontrar boas empresas em cada setor", lembra. O destaque da carteira foi Hering, em consumo, com ganho de mais de 180%, além de Marcopolo e Iochpe no segmento industrial cujas ações "estavam na lama", diz Garcia. O fundo ganhou também com logística, com OHL, e tecnologia, com Totvs.
No caso do Perfin Foresight, que rendeu 42,96% no ano passado, há uma mescla de visão de longo com curto prazo, explica Ralph Gustavo Rosenberg, gestor de renda variável da Perfin Investimentos. "O Foresight aplica 70% da carteira em outro fundo nosso, o Equity Brazil (que rendeu 31,82% em 2010), cuja estratégia é bem de médio e longo prazo, e os 30% restantes ficam para papéis atrativos no curto prazo ou com perspectivas de eventos, como fusões", afirma.
O fundo Equity Brasil pode se proteger no mercado futuro de Ibovespa, ou ficando vendido (apostando na baixa) em alguma ação, ou usando opções. Já o Foresight não faz proteção, no máximo aumenta seu caixa.
Os dois fundos têm restrições de resgate, o Foresight de 30 dias corridos e o Equity Brasil, de 27 úteis. A aplicação mínima de ambos é R$ 10 mil, mas o Foresight é só para qualificados.
Outro destaque da lista é BC Fundo de Investimento em Cotas (FIC), com 38,96% de ganho no ano passado. Segundo André Ribeiro, sócio gestor da Brasil Capital Investimentos - jovem gestora que tem entre seus sócios um dos herdeiros do Grupo Votorantim, José Eduardo Ermírio de Moraes -, o fundo busca boas empresas. Ao mesmo tempo, tem flexibilidade em procurar proteção no mercado futuro de índice Bovespa, por exemplo. O destaque no ano passado foram empresas de consumo, saúde, educação, infraestrutura e energia - Dufry, Ecorrodovias, Sulamérica Saúde, Kroton e SEB em educação, e Cosan Limited.
O ano passado foi mais de garimpar ações, lembra Sandra Petrovsky, superintendente de Investimentos da Votorantim Asset Management. Foi o que fez o fundo Votorantim Vision, que ganhou 36,72% em 2010. Ele é um típico fundo de "small caps", para investidores qualificados e com aplicação mínima de R$ 25 mil. Nele podem entrar apenas empresas com valor de mercado de até R$ 6 bilhões e pelo menos R$ 1,2 milhão de negociação média diária nos últimos 90 dias. "Pegamos empresas menores e que têm uma liquidez razoável", explica Sandra. O fundo tem 30 dias de carência.
Algumas posições do fundo são antigas, como Hering, comprada há três anos por R$ 4. O papel atingiu R$ 100. "Gostamos do papel, chegamos a ter 20% da carteira e agora temos 10%", diz.
O fundo com a maior perda em 2010 foi o GWI Leverage, uma carteira alavancada, ou seja, que multiplica as altas e baixas dos papéis. Não é por menos que o fundo perdeu 33,98% no ano passado, depois de ganhar 243,96% em 2009.
Na lista das carteiras com prejuízo elevado, a maioria são fundos Petrobras, na faixa de 20%. Ironicamente, grande parte dos maiores e mais populares fundos de ações do mercado são justamente os de Petrobras e de Vale. Mas outros tipos de fundos também sofreram com a estatal. Tirando as carteiras de Petrobras, o que se vê é que casas importantes, como Safra, ficaram no prejuízo. O Opportunity Lógica, um dos mais antigos e maiores fundos de ações ativos do mercado, perdeu 8,91%. Em outros casos, a taxa de administração também aumentou ainda mais as perdas, como os fundos PillaInvest e Alfa, que cobram 8% e 8,5% ao ano, respectivamente, dos investidores.
Fonte: Valor

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Conheça os riscos envolvidos antes de realizar pedidos de reserva em IPO da Arezzo

SÃO PAULO – Encerra-se nesta sexta-feira (28) o período de reservas para participar do IPO (Initial Public Offering) da Arezzo. No entanto, vale lembrar os riscos envolvidos na operação.

FranqueadosQuanto às atividades da companhia, o prospecto preliminar informa que esta poderá não conseguir inaugurar e operar novas lojas ou ampliar a rede de franqueados com sucesso, que poderão ser afetados por diversos fatores, tais como a expansão dos competidores, dificuldade de encontrar locais adequados e condições adversas do mercado.
Além disso, 183 das 253 lojas franqueadas e 17 das 27 lojas próprias estão estabelecidas em shoppings centers, portanto a dificuldade de abrir novos estabelecimentos nestes pontos estratégicos, o fracasso em obter renovação dos contratos de aluguéis ou a redução do tráfego de consumidores nestes locais poderão impactar no desempenho da empresa.
Ademais, eventuais conflitos com os franqueados poderão pressionar os resultados da Arezzo, uma vez que, conforme dado referente aos nove primeiros meses de 2010, 50,1% da receita da empresa foi proveniente de tais colaboradores.

DependênciasVale destacar também a dependência sobre o sistema de transportes e infraestrutura na cidade de Campo Bom, no Rio Grande do Sul, uma vez que a distribuição de mercadorias para todas as lojas da Arezzo parte desta cidade, informa a companhia em prospecto.
“Qualquer interrupção significativa ou diminuição de utilização na infraestrutura de transportes da cidade de Campo Bom ou em sua operação; (...) desastres naturais, incêndios, acidentes, falhas sistêmicas ou outras causas imprevistas podem atrasar ou prejudicar nossa capacidade de distribuir mercadorias para nossas lojas e ocasionar queda em nossas vendas”, indica a Arezzo.
A dependência também está relacionada com a própria marca Arezzo, responsável por 66,8% da receita em vendas de mercadorias e serviços consolidada nos nove primeiros meses de 2010. As outras marcas são a Schutz, Anacapri e Alexandre Birman. “Adicionalmente, podemos, eventualmente, buscar a aquisição e/ou desenvolvimento de marcas voltadas a nichos de mercados diferentes daqueles que atuamos atualmente”, aponta o prospecto. 

Confecção independenteAdemais, a Arezzo não confecciona a maioria dos produtos que comercializa – entre janeiro e setembro de 2010, 82,7% dos produtos foram produzidos por fábricas e ateliers independentes. A companhia informa que possui um contrato por tempo indeterminado com a Star Export, a qual agencia e fiscaliza os fornecedores contratados. “Nossos fornecedores, fábricas, ateliers independentes contratados ou mesmo a Star Export podem fornecer matérias-primas, produtos ou serviços similares a nossos concorrentes”, ressalta.

Setor, inadimplência e sazonalidadeTambém existem riscos referentes ao setor de atuação – as preferências dos consumidores e as tendências da moda são voláteis e tendem a mudar rapidamente, principalmente no setor de calçados femininos, indica a empresa -, a problemas com os sistemas de tecnologia de informação, importante para administrar os estoques e os recursos, à obtenção de licenças municipais e do corpo de bombeiros, além da falta de cobertura de seguros em fatos como guerra, caso fortuito e força maior ou interrupção de certas atividades.
Há também o risco de inadimplência, uma vez que realizam vendas a prazo para consumidores finais, franqueados e multimarcas. Tais riscos podem ser influenciados por questões macroeconômicas brasileiras.
Questões sazonais e climáticas são outros elementos que podem influenciar no resultado da Arezzo, já que o segundo semestre do ano é, geralmente, um período de vendas mais elevadas, impulsionadas pelo Natal, e que períodos de alta ou baixa na temperatura podem afetar a coleção disponibilizada pela empresa ou elevar preços de matéria-prima.

ControladoresEm relação aos controladores, o prospecto chama a atenção para o fato de que estes continuarão controlando a companhia e seus interesses poderão entrar em conflito com o de acionistas. Ademais, após o prazo de lock-up – de seis meses - poderá haver uma significativa venda de ações, incluindo o FIP Piraíba.

Processo penalCabe destacar que o acionista controlador, Anderson Lemos Birman, o qual é também presidente do conselho de administração e diretor presidente, enfrenta um processo penal, sob a alegação de remessas ilegais de recursos financeiros ao exterior, no montante de R$ 559,20 mil, durante o período de 2000 a 2002.
A condenação poderá impedir o empresário de exercer suas atividades profissionais e afetar de forma relevante a reputação perante clientes, fornecedores e investidores, aponta o prospecto.
“Além disso, o Sr. Anderson Lemos Birman poderá ter de alocar parte substancial de seu tempo e atenção para o acompanhamento e monitoramento desse processo e dos efeitos que ele poderá ter sobre nossas atividades, o que poderá desviar de maneira relevante o tempo e a atenção que deveriam ser destinados à condução de nossos negócios”, alerta a Arezzo.
A companhia também destaca que o desempenho da empresa depende em grande parte da capacidade da alta administração, formada por executivos experientes e funcionários-chave com amplo conhecimento do negócio, especialmente os fundadores e diretores Anderson Birman e Alexandre Café Birman.

Fonte: Infomoney

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Vencimento de opções sobre ações movimenta R$ 3,77 bilhões em janeiro

SÃO PAULO - O exercício de opções sobre ações de janeiro movimentou R$ 3,77 bilhões na BM&F Bovespa, alta de 26,1% em relação ao resultado visto em dezembro, quando alcançou R$ 2,99 bilhões. Já na comparação com o mesmo mês de 2010, o volume registrado mostrou um decréscimo de 28,2%.
De acordo com a nota divulgada nesta segunda-feira (17) pela BM&F Bovespa, do valor total, R$ 3 bilhões foram referentes às opções de compra e R$ 773,8 milhões às opções de venda.
Call de Petro e Vale e put de CSN em destaque
Voltando a ocupar a liderança no mercado de derivativos, os contratos de opções de compra com as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) e com preço de exercício de R$ 25,71 movimentaram R$ 512,6 milhões.
Logo atrás, aparecem dois calls com as ações preferenciais classe A da Vale (VALE5). Os contratos com preço de exercício de R$ 51,26 tiveram um giro financeiro de R$ 376,1 milhões, ao passo que os contratos com strike de R$ 49,26 movimentaram R$ 341,1 milhões.
Fechando a lista dos cinco maiores volumes, aparecem duas opções de venda envolvendo os ativos da CSN (CSNA3). Os puts com preço de exercícios de R$ 34,50 e R$ 33,50 registraram volume de R$ 265,3 milhões e R$ 257,6 milhões, respectivamente, informou a BM&F Bovespa.
Dados históricos dos vencimentos de opções:
VencimentoOpções de compra
(R$ milhões)
Opções de venda
(R$ milhões)
Total
(R$ milhões)
17/01/2011R$ 3.000R$ 777,8R$ 3.770
20/12/2010R$ 2.120R$ 875,6R$ 2.990
16/11/2010R$ 2.040R$ 806,7R$ 2.850
18/10/2010R$ 4.130R$ 740,9R$ 4.870
20/09/2010 R$ 2.400R$ 1.040R$ 3.440
16/08/2010 R$ 2.740R$952,8 R$ 3.690 
19/07/2010R$ 1.550R$ 869,1R$ 2.420
21/06/2010R$ 2.670R$ 1.280R$ 3.960
17/05/2010R$ 500,4R$ 1.920R$ 2.240
19/04/2010R$ 4.970R$ 310,3R$ 5.280
15/03/2010R$ 4.030R$ 1.000R$ 5.030
07/02/2010R$ 1.150R$ 1.040R$ 2.200
18/01/2010R$ 4.370 R$ 874,8 R$ 5.250 
Fonte: BM&F Bovespa
Vencimento eleva volatilidade
A forte oscilação verificada em dias de vencimento de derivativos reflete a disputa entre "comprados" e "vendidos". De modo geral, os "comprados" apostam na alta das ações, enquanto os "vendidos" visam o fraco desempenho dos papéis.

Neste cenário, os "comprados" tendem a adquirir grandes quantidades de ações, na tentativa de elevar seu preço, enquanto os "vendidos" promovem a venda dos papéis, com o intuito de derrubar as cotações.

Vale lembrar que esse movimento ganha força na medida em que as ações mais negociadas nos contratos de opções costumam carregar participação significativa no Índice Bovespa.
Fonte: Infomoney

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Bovespa já tem 39 mil jovens investidores

A participação de jovens de até 25 anos na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) cresceu 8,52% de fevereiro de 2009 até dezembro de 2010. Ao todo, são 39.054 aplicadores nessa faixa etária que começam a dar os primeiros passos no mercado de ações.
São dois os fatores apontados para que a participação dos jovens nesse segmentos cresça. O primeiro é a facilidade em lidar com tecnologias e acessar o home broker (sistema online de compra e venda de ação). O segundo é a busca por uma alternativa de investimento a longo prazo com risco mais intenso.
"O jovem tem um tempo para recuperar se fizer um investimento mal sucedido. Isso permite que ele arrisque mais", diz o diretor do Easynvest, Anderson Magalhães. Para atrair cada vez mais os iniciantes, a corretora oferece isenção na corretagem e em outros custos da bolsa por 12 meses. Em troca, pede que os iniciantes façam um curso sobre o mercado financeiro.
Benefícios deste tipo são cada vez mais comuns no mercado. Especialistas recomendam que haja uma boa pesquisa por parte do interessado para a escolha do menor custo.
Para o educador financeiro Mauro Calil, os jovens investidores perceberam que é possível operar na Bovespa com pouco. "O tíquete médio do jovem não é alto. Dentro da bolsa, ele pode escolher o perfil que quer assumir. Nem todos nessa faixa etária são arrojados", afirma.
Na busca por um investimento de longo prazo, o estudante Ismael Pereira de Oliveira, de 20 anos, optou por investir na bolsa há quatro meses. Ele começou o investimento com R$ 6 mil, ao mesmo tempo, fez um curso de educação financeira. Agora, ele garante que, já obteve um bom lucro com o investimento.
Vincular o início dos investimentos (principalmente os mais requintados, como em ações) a iniciativas de educação financeira é essencial e já desperta o interesse de escolas como a Kolle, que fica em Rio Claro, interior de São Paulo. "Desde o início de 2010 temos a matéria Bolsa de Valores", conta o professor Eloy Ferraz Machado Neto, que elaborou o cronograma das aulas.
A matéria é optativa, mas - ao lado de outros temas - é obrigatória. "Os alunos necessariamente precisam fazer uma optativa por semestre", explica o professor. "A mais procurada é a Bolsa de Valores. Não damos conta de atender todos os interessados."
A aluna Carolina Verlengia Bertanha , de 17 anos, fez as aulas no primeiro semestre de 2010. "Tive tanto interesse que fiz novamente no segundo semestre", completa. A intenção era ser vencedora do Desafio Bovespa, um jogo promovido pela Bolsa em que escolas disputam entre si quem conseguirá a melhor rentabilidade em uma carteira fictícia de ações. "Ficamos em segundo lugar", conta a jovem.
O prêmio é R$ 25 mil em ações. O investimento precisa ser mantido por 12 meses.

Outras iniciativas
Além do jogo entre escolas Desafio Bovespa, a Bolsa de Valores de São Paulo lançou diversas iniciativas de educação financeira para crianças, jovens e adultos no ano passado. Segundo Patrícia Quadros, gerente do programa de popularização da Bovespa, 2011 virá com inúmeras novidades na mesma linha,
"Estamos proporcionando aos brasileiros a oportunidade de ter educação financeira e queremos manter essa ideia", diz.
O programa online SimulAção, segundo conta a gerente, é um dos mais abrangentes e mais procurados.
Ele está no site da Bovespa e tem a mesma aparência do home broker (sistema online de negociação de ação). "Serve para treinar a compra e venda de papéis", detalha Patrícia. 
Fonte: Estadão

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Investidores ensaiam criação de bolsa alternativa

Três anos depois de a BM&FBovespatornar-se uma empresa de capital aberto e passar a perseguir o lucro, um grupo de investidores se articula para tentar criar uma bolsa alternativa no Brasil. São recorrentes entre participantes do mercado queixas sobre os altos custos cobrados pela BM&FBovespa.
A iniciativa está sendo liderada pela gestora de recursos Claritas. A gestora tem procurado atrair outros investidores para o projeto. Um dos primeiros a ser procurado foi o Deutsche Bank, que já é acionista da Bats Global Markets, uma plataforma eletrônica de negociações com sede nos Estados Unidos. No banco alemão, as conversas estão sendo tocadas no exterior e até o momento não houve uma decisão sobre aderir ou não ao projeto.
O executivo Luiz Eduardo Zago, ex-diretor de custódia do Itaú, já teria sido contratado para comandar os trabalhos. Procurados pelo Valor, Claritas e Deutsche não concederam entrevista. Contatado ontem, o executivo não foi localizado para comentar.
A Bats, via assessoria de imprensa, informou que já manifestou no passado que observa vários mercados, inclusive o Brasil, mas que no momento não irá se pronunciar sobre nenhuma oportunidade específica.
O que motiva a inciativa é a percepção de que o mercado brasileiro é muito lucrativo, por ainda estar sob forma de monopólio. Hoje, só é possível comprar e vender ações no Brasil passando pela BM&FBovespa. E a bolsa brasileira, avaliam agentes do mercado, cobra taxas muito altas quando comparadas com as praças globais.
A bolsa doméstica, em termos de valor de mercado, é uma das mais valiosas do mundo. Vale US$ 16,5 bilhões, atrás apenas da bolsa de Hong Kong (US$ 25,75 bilhões) e CME (US$ 21,2 bilhões). No entanto, ao comparar o tamanho do mercado brasileiro com os globais, o doméstico é muito menor em termos de quantidade de negócios e receitas capturadas. A bolsa aqui vale tanto, acredita-se, porque cobra mais caro e opera com margens superiores às das concorrentes. Esse gordo resultado é que teria atraído o interesse de investidores internacionais, inclusive. A BM&FBovespa também não quis comentar o assunto.
O grupo mantém conversas com outros investidores domésticos para avaliar o interesse em participar de uma plataforma alternativa dos negócio. A ideia, para acelerar o processo, é usar a licença operacional da Bolsa de Valores Bahia Sergipe e Alagoas (Bovesba) , que está apta a funcionar, apesar de não ter liquidez hoje. As conversas entre os investidores já se estendem há um ano e, inicialmente, tentaram abraçar a ideia de negociar o Brazilian Depositary Receipts (BDRs) não patrocinados - aqueles que não são lançados pela própria empresa-, que acabaram sendo lançados na própria BM&FBovespa.
O tamanho do mercado é uma grande incógnita para o surgimento de uma nova praça por aqui - a pergunta é se a liquidez seria suficiente para ser dividida entre duas bolsas. Um novo centro de negociação, possivelmente, seria usado por grandes agentes do mercado, para seus negócios no interbancário. Em termos de legislação, a Instrução 461 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), lançada meses antes da desmutualização das bolsas no país, permite a criação de novas bolsas. Os investidores já conversaram com a CVM sobre o assunto e perceberam que a autarquia vê com bons olhos a concorrência no setor. A CVM não concedeu entrevista.
O mercado brasileiro apenas segue um caminho internacional. Quando funcionavam como clubes, as bolsas mundo afora tinhas as corretoras como donas e, por isso, subsidiavam as atividades de seus intermediários. Quando passaram pela desmutualização e, em sua maioria, lançaram ações em bolsa, não só retiraram subsídios como passaram a cobrar por todo o tipo de serviço que oferecem, para apresentar resultados aos seus acionistas. A relação entre as bolsas e os intermediários se modificou, portanto. O que se seguiu à desmutualização foi uma onda de fusões e aquisições entre bolsas no mundo, transformando os negócios em monopólios.
O passo seguinte em mercados mais desenvolvidos - ponto em que o Brasil se encontra agora - foi a união dos bancos para lançar plataforma eletrônicas e forçar a diminuição dos custos de negociação. Surgiram também as chamadas "dark pools", redes de negociação eletrônica que casam comprador e vendedor anonimamente.
A Bats foi fundada em junho de 2005 e surgiu como uma opção, em particular para os negócios dos grandes bancos, por cobrar taxas menores do que as bolsas. O investimento principal do negócio é em tecnologia. Em seu site, a Bats exalta a qualidade dos serviços que presta a seus clientes e a política de preços agressiva para atraí-los.
Nos Estados Unidos, a Bats é hoje a terceira maior praça de negociação - atrás de Bolsa de Nova York e Nasdaq - e capturou 10% dos negócios com ações naquele país em apenas quatro anos. Na Europa, onde possui um escritório em Londres, a Bats já responde por 10% do que é negociado com o principal índice da bolsa londrina, o FTSE 100, e entre 5% a 6% de todo o mercado na Europa.
Em janeiro de 2008, o Deustche e o J.P. Morgan compraram participações minoritárias na Bats e se juntaram a um grupo de acionistas que inclui nomes como Citi, Credit Suissee Morgan Stanley. Na Europa, uma das plataformas alternativas mais conhecidas é a Turquoise, que nasceu de uma iniciativa de bancos de investimento globais, que desejavam evitar as altas taxas cobradas pelos bolsas europeias, em particular a LSE, praça londrina. Em novembro de 2006, sete bancos, que respondiam por 50% do volume negociado na Europa, informaram a intenção de criar uma bolsa própria. Em outubro de 2007, dois bancos franceses aderiram à ideia e a plataforma de negócios Turquoise foi lançada em setembro de 2008.
O momento seguinte do lançamentos dessas bolsa alternativas pelo mundo foi, novamente, de consolidação. Bolsas compraram plataformas e plataformas se fundiram, conforme dados compilados pela consultoria britânica Mundo Visione, que coleta e analisa dados das bolsas pelo mundo.
Herbie Skeete, diretor da Mondo Visione, diz que uma plataforma alternativa de negócios poderá ter sucesso no Brasil. Ele não descarta ainda a possibilidade de a própria BM&F Bovespa lançar uma espécie de "dark pool".
"A bolsa australiana lançou uma para inibir a entrada de novos 'players' no mercado local", diz, acrescentando que vários operadores mundiais devem estar atentos às possibilidades de negócios no Brasil, certos de que suas plataformas terão a mesma popularidade obtida nos Estados Unidos e Europa. (Colaboraram Carolina Mandl e Vanessa Adachi)
Fonte: Valor

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Ação da Droga Raia sai a R$ 24 e IPO gira até R$ 654 mi

SÃO PAULO - Com uma forte demanda, a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Droga Raia movimentou até R$ 654,697 milhões. O preço por ação foi definido em R$ 24, no teto da faixa indicativa - que variava de R$ 19 a R$ 24 por ação. A última abertura de capital do ano provocou grande euforia no mercado. Até ontem, a procura pelos papéis da companhia já superava a oferta em seis vezes, conforme apurou a Agência Estado. Na semana passada, apenas os pedidos de investidores institucionais locais, como fundos de investimento e de pensão, já garantiam a operação.
A Droga Raia é a quinta maior rede de drogarias do País em faturamento e a terceira em número de lojas, de acordo com ranking da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma). O principal chamariz para o IPO foi o desconto relativo dos papéis na comparação com os da concorrente Drogasil, já listada em bolsa. Pelos cálculos de uma fonte, os papéis da Raia estreariam na bolsa valendo até 30% menos que o da concorrente. O desempenho recente de Drogasil no mercado, com alta acumulada de quase 8% no mês, apenas aumenta a atratividade do IPO.
A oferta da Raia era de inicialmente 23,7 milhões de ações. Além do lote principal, foram registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 3,558 milhões de papéis do suplementar, que se não for exercido em até 30 dias reduzirá o valor do IPO para R$ 569,302 milhões. Já o lote adicional, colocado quando há excesso de demanda, não foi registrado, um indício de que a demanda pelas ações estaria mais concentrada nas faixas mais baixas de preço, segundo uma fonte de mercado.
A rede de drogarias já havia tentado abrir o capital em 2008, mas acabou adiando os planos em meio ao agravamento da crise financeira. No mesmo ano, recebeu um aporte de capital da Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, e da Pragma Patrimônio por uma participação de 30% na companhia. O fundo da Gávea e membros da família Pipponzi, que controlam a Raia, venderão parte das ações que possuem no IPO e devem embolsar R$ 142 milhões.
Com a captação da Raia, as ofertas de ações no mercado brasileiro este ano atingem R$ 150,3 bilhões, puxadas pela megacapitalização de R$ 120 bilhões da Petrobras. Considerando apenas as aberturas de capital, foram R$ 11,9 bilhões captados em 11 operações, ainda segundo dados da CVM.
A estreia das ações da Droga Raia está prevista para a próxima segunda-feira, dia 20 de dezembro, sob o código "RAIA3". O coordenador líder do IPO é o Itaú BBA. O banco atua na operação ao lado do Credit Suisse e BB Banco de Investimento.