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terça-feira, 22 de março de 2011

Mark Mobius compra ações da Petrobras, de olho nas cotações do petróleo

SÃO PAULO - Mark Mobius, gerente de portfólio e presidente executivo da Templeton Asset Management, empresa responsável pela gestão de mais de US$ 34 bilhões em ativos de mercados emergentes, disse nesta terça-feira (22) que está investindo em companhias de commodities energéticas, como a estatal brasileira Petrobras (PETR3PETR4), apostando na continuidade dos preços do petróleo acima de US$ 100 por barril.

"Acreditamos muito no petróleo, gás natural e carvão, porque a demanda por este tipo de energia está crescendo a cada dia", disse Mobius à alguns de seus clientes em Joanesburgo. De acordo com o executivo, os fundos geridos pela Templeton têm comprado ações não somente da Petrobras, mas também da PetroChina e da SK Inovation - as maiores petrolíferas da China e da Coreia do Sul, respectivamente.
Quando indagado sobre suas opções nos mercados emergentes, Mobius destacou que os investidores seguem fugindo destes mercados, os quais deverão ter crescimento de 5,9% este ano frente a projeção de avanço de 1,6% para as economias desenvolvidas.
Além disso, enquanto as ações dos mercados emergentes representam 32% do volume global de ações atualmente, com alta de 8% em relação ao ano 2000, elas correspondem por uma exposiação de apenas 3% a 8% na maioria dos portfólios dos fundos de pensões globais, destacou Mobius.  
Vale lembrar que nos últimos 12 meses, o preço do petróleo já subiu mais de 20% em meio ao clima instável no norte da África e no Oriente Médio, que levantaram cautela aos investidores sobre uma possível restrição na oferta da commodity. 

Investimentos externos no Brasil
Em visita ao Brasil no último mês, Mobius já havia afirmado que a saída de investidores estrangeiros dos mercados emergentes é algo pontual, e que não deve ser tido como uma tendência. Isso porque logo eles irão perceber que existe um fator que justifica a aplicação nestes mercados: o crescimento destas economias.
“Eles vão notar que os mercados emergentes estão crescendo rapidamente”, afirmou Mobius durante apresentação para profissionais do mercado financeiro, que aconteceu em 10 de fevereiro deste ano, em São Paulo. 
Fonte: Infomoney

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

OGX, Petrobras e Vale: Como vão as três maiores da bolsa?

O índice Ibovespa é composto por uma série de empresas, todas elas excelentes e que atraem a atenção dos investidores, mas sem dúvida o mercado brasileiro hoje depende em grande parte das três maiores: OGX Petróleo, Petrobras e Vale. Sem o aval dessas empresas o índice Ibovespa fica ancorado. Vamos analisar brevemente as três para tirar algumas conclusões sobre o mercado no momento. OGX Petróleo: em termos de volume hoje é a terceira ação mais negociada na bolsa. Seus papéis vêm sofrendo desvalorização desde o início de novembro de 2010 e infelizmente não há nada que faça com que os preços saiam de sua tendência de queda. Recentemente o papel perdeu a grande linha de tendência de alta traçada desde o final de 2008, quando perdeu o suporte de R$ 18,51 em dezembro do ano passado. A Petrobras é a segunda ação mais negociada na bolsa brasileira. A situação da maior petrolífera brasileira e uma das maiores do mundo parece ter se estabilizado. Depois do estresse causado pela diluição da participação dos acionistas minoritários no ano passado as ações preferenciais parecem estar oscilando entre os R$ 25,00 e R$ 28,00. Para desânimo dos investidores o papel deverá encontrar muitas resistências em um retorno do movimento ascendente. A Vale encontra-se destoante das companheiras, queridinha do mercado desde o ano passado e a mais negociada do índice Ibovespa ultimamente. As ações preferenciais da minerado ainda não perderam a linha de tendência de alta traçada desde o fundo da crise de 2008. Apesar de sofrer junto com o mercado recentemente a maioria dos analistas se sente bastante confortável em colocá-la no topo de suas listas de recomendações. Os papéis deverão encontrar nova resistência somente acima dos R$ 54,00, quando deverão procurar testar o topo de preços histórico de R$ 59,22. Portanto analisando a bolsa pelo prisma das ações que a compõe, precisamos torcer e aguardar que quaisquer que sejam os motivos segurando os papéis da OGX Petróleo e Petrobras sejam resolvidos o mais breve possível.
Fonte: ADVFN

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Drible no Ibovespa

O ano passado foi ruim para a maioria dos investidores em bolsa por causa de uma empresa: Petrobras. A estatal é parte integrante da maioria das carteiras dos investidores individuais e dos fundos e sua queda, de mais de 20%, derrubou os ganhos e fez o Índice Bovespa encerrar o ano com a alta pífia de 1,04%.
Mas um grupo considerável de fundos de ações conseguiu evitar a maldição da Petrobras e se saiu muito bem em 2010. Em geral, são fundos voltados para empresas de menor porte, as chamadas "small caps", e com patrimônios também limitados, em torno de R$ 100 milhões. Esses fundos ganharam com os setores ligados ao mercado interno. E têm em comum regras mais rígidas de resgate, para permitir estratégias de longo prazo.
Estudo feito pela Economática a pedido do Valor levantou o desempenho dos fundos de ações voltados para pessoas físicas, qualificadas (com mais de R$ 300 mil para investir) ou não, com patrimônio médio em 2010 superior a R$ 10 milhões e com mais de 50 cotistas. De uma lista de 269 fundos, apenas 117 conseguiram bater o rendimento da poupança, de 6,90% em 2010. E 89 carteiras ganharam acima do CDI, de 9,75% no ano. Acima do Ibovespa ficaram 169 carteiras.
Para Einar Rivero, da Economática, o estudo mostra que os gestores vão ter de fazer mais análises e operações mais sofisticadas, como o uso de modelos quantitativos, para ganhar.
A carência para resgates de 90 dias foi o que ajudou o fundo BNY Mellon ARX Long Term a conseguir um rendimento de 54% no ano passado. "Com a restrição de saques, podemos fazer aplicações menos líquidas", diz Bruno Garcia, que divide com os colegas Frederico Saraiva e Rogério Poppe as decisões da carteira. O fundo é voltado para investidores qualificados e tem aplicação mínima de R$ 20 mil.
Por sua estratégia, o tamanho do fundo também é reduzido, em torno de R$ 100 milhões. "E nosso limite é R$ 150 milhões", diz Garcia. Com essa carência, o fundo pode se dar ao luxo de comprar papéis menos líquidos com a tranquilidade de poder vendê-los com calma, sem derrubar os preços.
A grande aposta do fundo começou em 2009, quando os gestores viram que o Brasil ia sair da crise antes e que empresas estavam baratas. "Por isso fazia sentido montar uma carteira com empresas ligadas ao crescimento do país", afirma Garcia. "E tivemos a sorte de encontrar boas empresas em cada setor", lembra. O destaque da carteira foi Hering, em consumo, com ganho de mais de 180%, além de Marcopolo e Iochpe no segmento industrial cujas ações "estavam na lama", diz Garcia. O fundo ganhou também com logística, com OHL, e tecnologia, com Totvs.
No caso do Perfin Foresight, que rendeu 42,96% no ano passado, há uma mescla de visão de longo com curto prazo, explica Ralph Gustavo Rosenberg, gestor de renda variável da Perfin Investimentos. "O Foresight aplica 70% da carteira em outro fundo nosso, o Equity Brazil (que rendeu 31,82% em 2010), cuja estratégia é bem de médio e longo prazo, e os 30% restantes ficam para papéis atrativos no curto prazo ou com perspectivas de eventos, como fusões", afirma.
O fundo Equity Brasil pode se proteger no mercado futuro de Ibovespa, ou ficando vendido (apostando na baixa) em alguma ação, ou usando opções. Já o Foresight não faz proteção, no máximo aumenta seu caixa.
Os dois fundos têm restrições de resgate, o Foresight de 30 dias corridos e o Equity Brasil, de 27 úteis. A aplicação mínima de ambos é R$ 10 mil, mas o Foresight é só para qualificados.
Outro destaque da lista é BC Fundo de Investimento em Cotas (FIC), com 38,96% de ganho no ano passado. Segundo André Ribeiro, sócio gestor da Brasil Capital Investimentos - jovem gestora que tem entre seus sócios um dos herdeiros do Grupo Votorantim, José Eduardo Ermírio de Moraes -, o fundo busca boas empresas. Ao mesmo tempo, tem flexibilidade em procurar proteção no mercado futuro de índice Bovespa, por exemplo. O destaque no ano passado foram empresas de consumo, saúde, educação, infraestrutura e energia - Dufry, Ecorrodovias, Sulamérica Saúde, Kroton e SEB em educação, e Cosan Limited.
O ano passado foi mais de garimpar ações, lembra Sandra Petrovsky, superintendente de Investimentos da Votorantim Asset Management. Foi o que fez o fundo Votorantim Vision, que ganhou 36,72% em 2010. Ele é um típico fundo de "small caps", para investidores qualificados e com aplicação mínima de R$ 25 mil. Nele podem entrar apenas empresas com valor de mercado de até R$ 6 bilhões e pelo menos R$ 1,2 milhão de negociação média diária nos últimos 90 dias. "Pegamos empresas menores e que têm uma liquidez razoável", explica Sandra. O fundo tem 30 dias de carência.
Algumas posições do fundo são antigas, como Hering, comprada há três anos por R$ 4. O papel atingiu R$ 100. "Gostamos do papel, chegamos a ter 20% da carteira e agora temos 10%", diz.
O fundo com a maior perda em 2010 foi o GWI Leverage, uma carteira alavancada, ou seja, que multiplica as altas e baixas dos papéis. Não é por menos que o fundo perdeu 33,98% no ano passado, depois de ganhar 243,96% em 2009.
Na lista das carteiras com prejuízo elevado, a maioria são fundos Petrobras, na faixa de 20%. Ironicamente, grande parte dos maiores e mais populares fundos de ações do mercado são justamente os de Petrobras e de Vale. Mas outros tipos de fundos também sofreram com a estatal. Tirando as carteiras de Petrobras, o que se vê é que casas importantes, como Safra, ficaram no prejuízo. O Opportunity Lógica, um dos mais antigos e maiores fundos de ações ativos do mercado, perdeu 8,91%. Em outros casos, a taxa de administração também aumentou ainda mais as perdas, como os fundos PillaInvest e Alfa, que cobram 8% e 8,5% ao ano, respectivamente, dos investidores.
Fonte: Valor

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Vale, sozinha, tem superávit superior ao brasileiro

A alta de preço das commodities exportadas e o aumento de desembarques provocado pelo crescimento do mercado doméstico foram os fatores que mais influenciaram os resultados individuais da balança comercial das grandes empresas.
A Vale foi a companhia com o maior saldo comercial positivo nas trocas internacionais em 2010. Alavancadas pelo aumento do preço do minério de ferro, as exportações da Vale atingiram US$ 24,04 bilhões. Com importações de US$ 762,3 milhões, o superávit da companhia foi de US$ 23,3 bilhões, superior ao superávit total do país de US$ 20 bilhões no ano passado. A Petrobras, que foi a segunda maior exportadora em 2010, teve saldo negativo nas trocas com o exterior. Com exportação de US$ 18,2 bilhões e importação de US$ 19,6 bilhões no ano passado, a companhia fechou o ano com déficit de US$ 1,4 bilhão, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Embora tenha reduzido suas vendas ao exterior em 2010, na comparação com 2008, a Embraer, quarta maior exportadora, fechou o ano passado com superávit de US$ 1,65 bilhão, resultado de exportações de US$ 4,16 bilhões e importações de US$ 2,51 bilhões.
A Vale obteve grande superávit em razão do aumento no valor das suas exportações. Os US$ 24,04 bilhões embarcados em 2010 representaram um aumento de 77,7% em relação 2008. A elevação no valor exportado foi propiciada principalmente pelo aumento de preços do minério de ferro, explica Lia Valls, professora da Fundação Getulio Vargas (FGV). "O minério de ferro passou por uma elevação de preço muito grande e isso teve influência maior no valor exportado do que o volume", diz ela.
Segundo dados do Mdic, a exportação brasileira total de minério de ferro aumentou em 10,4% em termos de volume em 2010, na comparação com 2008. O preço médio em 2008 foi de US$ 58,71, caiu em 2009, mas recuperou-se depois, fechando 2010 com preço médio de US$ 92,98 a tonelada - salto de 58,37% no período.
A Vale importa tradicionalmente valores relativamente baixos e seus investimentos estão voltados intensamente para a infraestrutura, o que também contribui pouco para a elevação dos desembarques, lembra José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
Trajetória diferente segue a Petrobrás, que manteve no ano passado o saldo tradicionalmente deficitário nas trocas internacionais. Castro explica que a Petrobras provavelmente importou muito óleo leve em razão do consumo doméstico aquecido. Ele lembra que o óleo leve atualmente importado é mais caro que o petróleo mais pesado vendido ao exterior pela Petrobras, o que explica o seu frequente saldo negativo comercial.
Outro caso em que a importação em função de mercado doméstico aquecido provavelmente fez diferença, lembra Castro, é o da Braskem. Oitava maior exportadora e, ao mesmo tempo, segundo maior importador no ano passado, a Braskem fechou o ano passado com um pequeno déficit de US$ 69,2 milhões. Suas exportações totalizaram no ano passado US$ 2,47 bilhões, o dobro de 2008. As importações, porém, triplicaram no mesmo período, passando de US$ 847,6 milhões para US$ 2,54 bilhões.
O impacto da alta demanda interna se estende também a outros segmentos. De acordo com dados do Mdic, montadoras como Mercedes-Benz, Toyota, Volkswagen e Peugeot tiveram seus saldos positivos reduzidos ou seus déficits aprofundados de 2008 para 2010. Ford e Fiat passaram, no mesmo período, de superávits para saldos negativos.
A Ford, que teve em 2008 saldo positivo de US$ 184,5 milhões, terminou o ano passado com déficit de US$ 159,7 milhões. A italiana Fiat passou, no mesmo período de superávit de US$ 212,1 milhões para saldo negativo de US$ 61,3 milhões em 2010. As importações que a empresa passou a fazer a partir de 2009 da Argentina contribuíram para elevar as importações da companhia de US$ 818,6 milhões em 2008 para US$ 1,29 bilhão no ano passado.
"Para muitas, empresas, importar é mais barato do que produzir no mercado interno, principalmente quando se trata de importação dentro da mesma empresa", explica Castro. "E com o consumo doméstico aquecido a tendência foi direcionar a produção nacional principalmente para as vendas internas, sem tanto esforço para exportação." Em 2010, segundo dados do Mdic, os desembarques de automóveis de passeio totalizaram US$ 8,54 bilhões, o que representa crescimento de 59,9% na comparação com 2008.
Fabricantes de eletroeletrônicos, como Samsung, acabaram com grande aprofundamento do déficit. A coreana, que havia ficado com saldo negativo de US$ 1,37 bilhão em 2008, atingiu no ano passado déficit de US$ 2,18 bilhões. Aqui, explica Castro, fez diferença a importação de componentes destinados a produzir também para o mercado interno. No ano passado, a importação brasileira de circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos totalizou US$ 3,99 bilhões, aumento de 74,8% em relação aos desembarques de 2008.
Fonte: Valor

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Fundos de R$ 2 bi para óleo e gás

A movimentação em torno da indústria de petróleo e gás no Brasil não para. O Banco Santander se uniu à gestora de recursos Mare Investimentos, de Rodolfo Landim, ex-presidente da OGX e da BR Distribuidora para criar dois fundos de "private equity", num total de R$ 2 bilhões, para o setor de óleo e gás. A Mare reúne, ainda, Demian Fiocca, ex-presidente do BNDES e da Nossa Caixa, Nelson Guitti (ex- MMX e ex-BR) e Claudio Coutinho (ex-BBM e controlador do Banco CR2).
Esse grupo de sócios acredita que a experiência no setor de óleo e gás é um diferencial para atrair não só investidores mas convencer empresas interessadas em suporte e financiamento.
Marcus Matioli Vieira, diretor executivo de planejamento do Santander, adianta que o projeto é ter R$ 2 bilhões sob gestão no primeiro momento, divididos nos dois fundos de "private equity" que ainda estão em fase de estruturação. O que será voltado para investidores nacionais deverá captar entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões, enquanto o fundo para estrangeiros terá US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão.
Os dois fundos devem investir nos mesmos projetos (co-investimento), já que a maior diferença é que investidores brasileiros preferem participar mais das decisões, enquanto alguns estrangeiros não querem, explica Demian Fiocca.
"É uma área com excelentes oportunidades no Brasil, onde existem empresas muito boas mas falta capital e as empresas ou não cresceram ou foram vendidas. Nossa visão é que, com apoio, virá uma grata surpresa com a qualidade do setor", diz Vieira, do Santander.
O banco espanhol já administra dois fundos voltados para a área de energia no Brasil: o Fundo InfraBrasil, que tem R$ 1 bilhão sob gestão, com investimentos principalmente em empresas do setor elétrico (pequenas centrais hidrelétricas e energias renováveis) através da Renova Energia; e um outro chamado FIP Caixa Ambiental. Esse último está em fase de investimento, tem atualmente cerca de R$ 140 milhões e deve chegar a R$ 400 milhões, segundo informa o Santander.
Fiocca admite que o prazo é curto, mas diz que existe a possibilidade de fechar o fundo nacional no primeiro trimestre desse ano. Já existem conversas com várias empresas e negociações sobre cláusulas de saída, assim com investidores potenciais, mas isso é tudo que eles adiantam.
Rodolfo Landim explica que o grupo está analisando empresas não só de equipamentos, mas também serviços, logística e infraestrutura. Podem ainda começar do zero colocando projetos de pé. "Só não vamos investir no risco da exploração e produção de petróleo", diz o idealizador da OGX do empresário Eike Batista.
O momento que o Brasil vive e o gigantesco programa de investimentos da Petrobras evidenciam a imensa necessidade de acesso a capital que o setor terá que enfrentar nas próximas décadas. Em recente entrevista ao Valor o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, calculou que serão investidos entre US$ 624 bilhões a US$ 824 bilhões na cadeia de petróleo até 2014, considerando os US$ 224 bilhões da Petrobras previstos no atual plano estratégico e que deve aumentar no período 2011-2015, ainda não divulgado.
Isso significa que a cadeia de fornecedores terá que investir entre US$ 400 bilhões e US$ 600 bilhões para atender somente à demanda da estatal, o que equivale a algo entre US$ 80 bilhões e US$ 120 bilhões por ano. Demian Fiocca cita esses números e o contexto favorável, sem similar no mundo, para mostrar que existem poucas oportunidades de se encontrar uma demanda desse tamanho em qualquer lugar do planeta hoje.
Também por isso vê espaço para concorrência de outros fundos de "private equity" no setor de óleo e gás, já que o desafio de suprir as necessidades da indústria por capital é enorme e dá espaço para todo mundo.
Fonte: Valor

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Rio reúne "inteligência" do petróleo

Se a Califórnia tem o seu Vale do Silício, região que aglutina empresas de tecnologia de ponta, o Rio avança para criar um Vale do Pré-sal ou Vale da Energia. Esse polo, que reúne a inteligência do petróleo, está em fase de desenvolvimento no parque tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, onde a Petrobras inaugurou o novo prédio, que amplia seu centro de pesquisas. Ali, estão em estudo tecnologias eletromagnéticas para caracterização de reservatórios profundos, ressonância magnética nuclear e equipamentos especiais para perfurar o pré-sal de forma segura e veloz.
Fonte: Valor Online

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Petrobras já planeja novo gasoduto e dez plataformas no pré-sal

Tupi é emblemático. Com ele, o pré-sal da bacia de Santos tornou-se o centro de um polo com vários reservatórios e a Petrobras mudou de patamar pelo volume de reservas estimadas e pelo valor de mercado. Entre o antes e o depois de Tupi, o valor da estatal saltou de US$ 93,2 bilhões (em outubro de 2006, quando foi concluído o poço pioneiro de Tupi), para US$ 197 bilhões em outubro de 2010.
Tupi - cuja comercialidade precisa ser declarada até sexta-feira - deverá chegar ao fim de 2011 produzindo 100 mil barris/dia de petróleo e até 5 milhões de metros cúbicos de gás. Junto com a plataforma Cidade de Angra dos Reis (instalada em Tupi em outubro), os planos para a região do pré-sal já nas mãos da estatal e seus sócios incluem a chegada de mais dez plataformas (até 2016), um novo gasoduto de 350 a 400 quilômetros para escoar o gás da região de Tupi e entorno e novas estratégias logísticas, incluindo estações intermediárias com capacidade para armazenar (em alto mar) grandes quantidades de petróleo.
Quando virar campo, Tupi também deverá mudar de nome. Há quem aposte que se chamará Lula, já que a regra do Ibama é que os nomes dos campos venham da fauna marinha. Qualquer que seja o nome, ele detém o recorde de ser o que mais cedo entrou em produção, ainda que em fase de testes: menos de três anos entre a conclusão do primeiro poço, anunciado em outubro de 2006, e o início do teste de longa duração, em abril de 2009. Antes dele, a média era de a cinco a sete anos entre a descoberta e o primeiro óleo.
Desde 2009, quando começou o teste de longo duração de Tupi (ainda com a plataforma Cidade São Vicente) já foram produzidos mais de 7 milhões de barris de petróleo e gás na área. Para chegar aos 100 mil barris/dia, a Petrobras prevê a conexão gradual de seis poços produtores de petróleo, um poço injetor de gás, um injetor de água e outro capaz de injetar, alternadamente, água e gás.
Além da plataforma de Tupi estão previstas mais dez plataformas na área do pré-sal, sendo dois pilotos para produção antecipada em Guará (2013) e Tupi Nordeste (2014). Entre 2015 e 2016 virão as outras oito plataformas chamadas na Petrobras de "replicantes" - projetos quase idênticos, mas não iguais - a serem construídas no estaleiro Rio Grande.
Além do petróleo, Tupi também vai produzir gás natural. José Formigli, gerente-executivo de Exploração e Produção da Petrobras para o pré-sal, explica que a transferência de gás de Tupi para Mexilhão só será possível para os três primeiros pilotos (Tupi, Guará e Tupi Nordeste), limitada a 10 milhões de metros cúbicos por dia de gás. "Temos que ter outra rota em 2014, quando entrar o primeiro replicante, já que o último piloto entra em 2013", explica.
Para escoar a produção adicional de gás, uma das soluções é construir um novo gasoduto de 350 a 400 quilômetros saindo de Tupi-Iracema direto para Cabiúnas (RJ) , onde a Petrobras já opera estação de tratamento e poderá receber volumes adicionais sem necessidade de obra grandiosa. O projeto já está quase pronto e, segundo Formigli, só falta "terminar algumas curvas". Ele terá capacidade para transportar de 11 a 13 milhões de m3/dia.
Antes dessa fase, o gás excedente servirá para gerar energia a bordo da plataforma de Tupi e ser reinjetado ou exportado para terra por gasoduto até a plataforma de Mexilhão. De lá ele será escoado para a Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato, em Caraguatatuba (SP), onde será tratado e distribuído ao mercado. Para não queimar o gás, a Petrobras estuda plantas de liquefação de gás embarcadas, ou FSOs de gás - antes conhecidas pela sigla Gás Natural Liquefeito Embarcado (GNL-E).
Formigli lembra que a infraestrutura de gás é complexa, já que na concepção ela precisa vir junto de um projeto para comercialização do insumo, para que ele possa ser monetizado. No momento, os estudos econômicos indicam que os FSOs de gás serão instalados nos testes de longa duração (TLDs).
Depois de explorar toda a bacia de Campos usando como base o aeroporto de Macaé (RJ), o pré-sal de Santos vai contar com cinco bases de apoio aéreo: Cabo Frio, Jacarepaguá, Itaguaí (todos no Rio), Itanhaém (SP) e a base aérea de Santos. Para apoio marítimo serão usados os terminais dos portos de Macaé, Rio de Janeiro, Itajaí, Itaguaí e a base de Santos, onde o aeroporto já está pronto.
A Petrobras também está analisando a criação de "plataformas-hub", uma espécie de rodoviária no mar, onde as pessoas chegarão de transporte marítimo e sairão de helicóptero até as plataformas. A estatal ainda esbarra em projetos de embarcação com estabilidade suficiente para permitir essa movimentação de barcos, helicópteros e pessoas. "Todo mundo acha que é óbvio, mas não é. E o preço? Já foi oferecido até um porta-aviões. Só que um porta-aviões se ficar parado tem o péssimo hábito de ficar virando de um lado para outro. Tem casco fininho porque precisa ter velocidade, e quando para, rola. E aí o helicóptero não pousa", afirma o executivo.
Esse é apenas um dos desafios de engenharia e projetos que a Petrobras está enfrentando para desenvolver a produção de petróleo no pré-sal. A empresa já está implantando o conceito de "hubs" na bacia de Campos onde rebocadores podem se abastecer em navios gigantes da Petrobras capazes de suprir combustível para várias embarcações durante vários dias. Mas para atender tantos navios indo e vindo para as plataformas do pré-sal esse modelo causaria o que Formigli chama de "engarrafamentos" em alto mar. Para estudar isso, a companhia criou um grupo de trabalho chamado Gerenciamento Integrado de Operações (GIOP). Mas é para o futuro.
No curto prazo, a Petrobras trabalha para permitir que seus sócios em Tupi (BG, com 25% e Galp, com 10%) e Guará (BG com 30% e Repsolcom 25%) possam ter acesso ao petróleo. Toda a produção da fase de testes de Tupi foi vendida à Petrobras.
Para ficar com sua parte na produção os sócios poderão retirar sua parte do óleo por meio de navios aliviadores com sistema de posicionamento dinâmico (o Shuttle DP, na linguagem técnica) que poderão ser carregados diretamente da plataforma de produção. À medida em que o volume aumenta, essa logística fica muito cara. Para os três primeiros testes de longa duração, a Petrobras acertou com os sócios que eles poderão usar uma estação intermediária a ser instalada em águas rasas na região da Bacia de Campos.
A estação, chamada Unidade Offshore de Transferência e Exportação (UOTE), será formada por um navio de 280 mil toneladas adaptado para funcionar como plataforma do tipo FSO (sigla para Flotation, Storage and Offloading), com capacidade de armazenar entre 1,5 a 1,8 milhão de barris de petróleo. Ela será ligada a duas monobóias e funcionará como um porto em alto-mar, no qual os navios poderão atracar, carregar e partir sem necessidade de mover-se até o continente. "Essa solução só serve para os primeiros testes de longa duração. Para as plataformas replicantes vamos definir outra estratégia. Mas os sócios também podem chegar à conclusão que o volume de óleo justifica uma estação deles", diz Formigli.
Para além do horizonte das dez plataformas (2017 em diante), a estatal pesquisa outros modais para escoar a produção, inclusive dutos. O desafio é construir bombas capazes de gerar pressão suficiente para bombear óleo diretamente de uma plataforma ou do fundo do mar, e com força suficiente para chegar na costa paulista, a 320 km de distância. "Esse modal por duto está sendo trabalhado e estão sendo buscadas soluções tecnológicas", diz Formigli.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Petrobras é a 2ª maior empresa da AL e dos EUA em patrimônio líquido, diz consultoria

A Petrobras tornou-se a segunda maior empresa da América Latina e dos EUA em patrimônio líquido, superada apenas pelo Bank of America.

Segundo levantamento feito pela consultoria Economatica, os últimos dados disponíveis, de setembro, mostram que a Petrobras tem US$ 175,5 bilhões de patrimônio líquido.

MAIORES PATRIMÔNIOS LÍQUIDOS

EMPRESAPATRIMÔNIO LÍQUIDO
(Em US$ bi)
1) Bank of America230,495
2) Petrobras175,517
3) JP Morgan Chase173,83
4) Citigroup162,913
5) Berkshire Hathaway149,671
6) Exxon Mobil145,031
7) Wells Fargo123,658
8) General Electric115,536
9) AT&T112,994
10) Chevron Texaco102,243
  • Fonte: Economatica
O patrimônio líquido representa os valores que os sócios ou acionistas têm na empresa em um determinado momento. No levantamento anterior, feito em junho, a Petrobras estava em 10º lugar, com US$ 98,2 bilhões.

O líder do ranking, o Bank of America, tem patrimônio líquido de US$ 230,5 bilhões. A Petrobras supera empresas como JP Morgan (3º lugar), Citigroup (4º) e Exxon Mobil (6ª posição).

Outra brasileira, a mineradora Vale está em 15º lugar, com patrimônio líquido de US$ 67,4 bilhões.
A Eletrobrás está na 24ª colocação, com US$ 46,6 bilhões, e o Banco Santander Brasil,  no 30º posto, com US$ 38,9 bilhões de patrimônio líquido.

O levantamento considera somente as empresas de capital aberto (que têm ações em Bolsa). Para o calculo, a Economatica utilizou os números apresentados à CVM (Comissão de Valores Mobiliários, que fiscaliza a Bolsa) ou equivalente em cada pais.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Petrobras vende 4,08 bi de ações e fatia da União chega a 49%


A Petrobras informou ontem (29/9) que foi confirmado o aumento do capital social após a subscrição de 2,29 bilhões de ações ordinárias e de 1,79 bilhão de ações preferenciais em sua oferta, perfazendo o total de 4,08 bilhões de ações.
Diante disso, o capital social da estatal passou de R$ 85,109 bilhões para R$ 200,160 bilhões.
A Petrobras vendeu 3,612 bilhões no mercado doméstico e 470 milhões no exterior, resultando na captação de R$ 115,052 bilhões, sendo que o montante equivalente a R$ 67,816 bilhões foi recebido na forma de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs).
De acordo com a estatal, após a conclusão da liquidação da oferta, a companhia realizou a transferência para o Governo Federal da totalidade das LFTs recebidas e de um valor adicional de R$ 6,991 bilhões, de forma a totalizar o valor devido para o pagamento da cessão onerosa (R$ 74,807 milhões).
A participação estatal no capital social da Petrobras, incluindo as ações em mãos do governo federal, do BNDES e do Fundo Soberano, passou de 39,8% para 49% após a oferta.
Já em relação ao capital votante da companhia, a participação do Estado avançou de 57,5% para 64,25%.
No cálculo, ainda não estão consideradas a emissão do lote suplementar, ainda não encerrada.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Demanda por ações da Petrobras supera oferta com folga


São Paulo e Nova York - A oferta de ações da Petrobras recebeu uma demanda maior do que a necessária para a venda de todas as ações na operação que pode levantar mais de 130 bilhões de reais, afirmaram duas fontes próximas do assunto à Reuters no final da quarta-feira.
A oferta foi "confortavelmente subscrita em excesso" com forte demanda dos investidores, disse uma das fontes. Apesar disso, é provável que a emissão não tenha recebido uma demanda duas vezes maior que a oferta, dado o tamanho da operação.
Uma segunda fonte comentou que a demanda elevada pelas ações foi incentivada por forte participação de fundos de pensão estatais e investidores institucionais.
A emissão, a maior da história do mercado de capitais, inclui troca de petróleo por ações entre a Petrobras e o governo.
A companhia usará os recursos da operação para financiar um agressivo plano de investimentos focado no desenvolvimento das reservas de petróleo da camada pré-sal.
A estatal venderá 1,59 bilhão de novas ações preferenciais e 2,17 bilhões de ações ordinárias. Os números não incluem eventuais lotes adicionais (greenshoe).
A oferta deve ser precificada nesta quinta-feira, após o fechamento dos mercados.
Leia mais notícias sobre a capitalização da Petrobras

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Opção de compra de Vale PNA a R$ 36,00 lidera exercício

SÃO PAULO - A opção de compra de Vale PNA a R$ 36,00 por ação movimentou R$ 519,7 milhões e liderou o exercício de contratos de opções sobre ações hoje. No total, o exercício movimentou R$ 3,44 bilhões no segmento Bovespa, sendo R$ 2,40 bilhões em opções de compra e R$ 1,04 bilhão em opções de venda, informou a BM&FBovespa.
Entre as opções que registraram forte volume financeiro neste exercício também se destacaram: Vale PNA a R$ 34,00 por ação, que movimentou R$ 317,1 milhões em opções de compra; Cosan ON a R$ 34,50 por ação, com volume de R$ 304,9 milhões em opções de venda; Cosan ON a R$ 33,50 por ação, com R$ 296,1 milhões em opções de venda; e Vale PNA a R$ 42,00 por ação, que movimentou R$ 260,8 milhões em opções de compra.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Oferta da Petrobras dita ranking global

A oferta de ações da Petrobras, prevista para movimentar mais de US$ 50 bilhões e ser a maior do mundo, vai colocar nas primeiras posições dos disputados rankings globais de renda variável os bancos que vão atuar como coordenadores, vendendo e fazendo toda a assessoria financeira da transação.
Bancos nacionais, como o Itaú BBABradesco BBI e Banco do Brasil, que geralmente não aparecem nos rankings mundiais de emissões de ações mais tradicionais, de imediato ficarão entre os dez primeiros colocados. O espanhol Santander, que estava fora dos principais rankings neste ano, também sobe. Os americanos Morgan Stanley,Bank of America Merrill Lynch e Citi, que já vinham bem colocados, passam às primeiras posições.
Valor usou como base para simular o impacto da transação da Petrobras os rankings da Thomson Reuters de emissão de ações e títulos vinculados a ações até o dia 9 de junho obtido por meio de um banco. Conforme os critérios normalmente usados pela Thomson Reuters, foram contabilizados US$ 50 bilhões para cada um dos bancos participantes como coordenadores na transação da Petrobras.
Também foram incluídos os US$ 5 bilhões estimados da emissão de ações do Banco do Brasil, prevista para acontecer em breve, para cada um dos líderes: BB, Bank of America Merrill Lynch, BTG Pactual, Citi e J.P. Morgan.
Outros US$ 20 bilhões foram incluídos para os coordenadores da emissão do chinês Agricultural Bank of China (ABC): Goldman Sachs, J.P. Morgan, Macquarie Group,Deutsche Bank e Morgan Stanley. Inicialmente prevista para girar US$ 30 bilhões, a emissão do ABC hoje está estimada em algo próximo a US$ 20 bilhões, podendo até cair.
É possível perceber que, das três maiores emissões de ações do momento -BB, Petrobras e ABC-, o Morgan Stanley é o único que está presente como coordenador em todas. Sua posição no ranking da Thomson Reuters, que até o dia 9 de junho era o terceiro lugar, com US$ 18,5 bilhões, sobe para o primeiro lugar, com US$ 89,8 bilhões.
O Bank of America Merrill Lynch, que lidera a transação da Petrobras e do BB, passa para o posto número dois no ranking simulado pelo Valor, com US$ 72,7 bilhões, em relação aos US$ 17,7 bilhões efetivamente feitos até o dia 9, o que lhe conferia o quarto lugar.
O Citi, também presente nas transações do BB e da Petrobras, assume na simulação a terceira posição, com US$ 68 bilhões, na comparação com a sexta posição antes, com US$ 12,4 bilhões. Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander vêm em seguida, com as respectivas quarta, quinta, sexta e sétima posições. Eles não estavam presentes no ranking anterior da Thomson Reuters. Por isso o Valor incluiu na tabela as transações que esses bancos mais o Safra e o Banco Votorantim haviam realizado para emissores brasileiros no mercado interno neste ano até agora.
É importante notar que outras transações grandes poderão modificar o ranking global até o final do ano, mas os banqueiros não acreditam que nenhuma venha a ter o peso da emissão de ações da Petrobras. A empresa brasileira deve tirar a posição do Banco Industrial e Comercial da China, que captou US$ 22 bilhões em 2006 no que foi até agora a maior emissão de ações do mundo.
Outros bancos da China também estão se preparando para levantar capital, como o Bank of Communications, o quinto maior em ativos. A estimativa é que ele emita US$ 4,8 bilhões. Com os Estados Unidos, a Europa e o Japão com crescimento lento no seu Produto Interno Bruto, é cada vez maior a importância dos emergentes nos rankings globais.
Os banqueiros de investimento consideram os rankings uma importante ferramenta de venda para clientes, além de usá-los para referência diante da concorrência e internamente, para avaliar a disputa por mandatos relevantes.
É comum no mercado os banqueiros exercerem pressão para obter destaque nessas tabelas.
Tanto o ranking da Thomson quanto o também muito usado Dealogic têm como critério atribuir a cada banco o volume total da transação, independentemente da fatia de ações efetivamente vendida pela instituição. Essa característica rende críticas a esses rankings, porque eles não refletem a receita em comissões de fato auferida. No Brasil, o ranking da Anbima tem como critério creditar a cada banco apenas o percentual da emissão vendida por ele.
Transações grandes, em geral, envolvem comissões menores aos bancos participantes. Mas os valores absolutos obtidos muitas vezes são compensadores, além do ganho de posição nos rankings. No caso da Petrobras, a comissão ainda não foi divulgada. Supondo algo em torno de 1%, o bolo de receita ficaria em torno de meio bilhão de dólares.
As ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês), em geral, são mais rentáveis do que as emissões de empresas já listadas. As empresas menores e mais desconhecidas pagam percentuais maiores do que as maiores e mais conhecidas. A transação do BB vai garantir uma comissão de apenas 0,5% aos bancos líderes, em comparação com o 0,74% pago pelo banco em 2006 e o 0,86% de 2007. Na média, essas comissões são de 3%. O mercado estima que a Petrobras pagará acima do Banco do Brasil. A emissão inicial de ações do Santander Brasil, no ano passado, envolveu 1,6% de comissão. AVale pagou 0,97% e a Gerdau 1%, por exemplo.
Fonte: Valor