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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Bolsa muda Bovespa Mais e se previne da concorrência

A BM&FBovespa quer dar uma nova chance ao Bovespa Mais. Seu presidente, Edemir Pinto, reconhece o fracasso - lançado em 2005, só tem uma empresa listada, a Nutriplant - e o atribui a um erro de concepção. "Esse é um segmento de acesso, mas não só para pequenas e médias. É para todas. Em especial para as grandes que não estão prontas em termos de governança para se listar no Novo Mercado". Agora, a bolsa busca parceria com bancos e está em negociação avançada com o Bradesco para fechar parceria semelhante à feita com o Banco do Brasil, para estimular o segmento.
A capilaridade é importante para tirar o Bovespa Mais do papel e cativar empresas que, segundo ele, aprimorem gradualmente a governança e ganhem visibilidade no mercado. "Temos mais de 15 mil empresas no Brasil com faturamento anual entre R$ 100 milhões e R$ 400 milhões para serem exploradas".
Fazer decolar o mercado de acesso, expandir o número de pessoas físicas que investem em ações - hoje são 610 mil CPFs cadastrados e a BM&FBovespa pretende que sejam 5 milhões em 2014 -, reformular as tarifas e oferecer novos serviços são formas de atrair mais lucros para a instituição. Mas, também, de garantir que não haja grandes espaços para o surgimento de um eventual concorrente. Alguns gestores brasileiros, liderados pela Claritas, querem criar uma nova bolsa no Brasil.
Edemir diz que o aparecimento de um rival não o preocupa, "porque a legislação prevê que, para se instalar no Brasil é preciso ser criada, de fato, uma nova bolsa, e isso exige investimentos altos". Mas reconhece que vem tomando medidas preventivas que inibem a entrada de concorrentes, com a criação de blocos para grandes negócios e a revisão das tarifas.
A crítica frequente de que os custos de transação são altos recebeu uma resposta. A readequação tarifária fará com que 35% dos gastos para operar na bolsa venham de negociação e o restante, de custódia e liquidação. Com isso, a margem que mede a receita com transações por volume negociado, de US$ 4,8 a cada US$ 10 mil negociados em 2009, vai cair pela metade. Ainda assim, continuaria maior que os menos de US$ 2 das bolsas americanas e europeias.
Os blocos de negociação de grandes lotes de ações, segundo Edemir, vão reduzir a volatilidade dos papéis mais líquidos. "Os investidores institucionais têm grandes operações para fazer e, em vez de concretizá-las durante um ou dois pregões, querem fechá-las rapidamente, em uma, duas horas, o que impacta as cotações. Vamos oferecer, dentro do megabolsa, uma opção para que esses negócios sejam feitos sem passar pelo pregão público". Segundo ele, a operação poderá ser fechada em segundos, sem levar volatilidade às ações.
Fonte: Valor

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Bolsas em forte alta: Brasil também deve se beneficiar hoje

As principais bolsas européias e futuros norte-americanos abrem em forte alta agora pela manhã. O motivo: ontem o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, decidiu expandir a política monetária do país, concordando em comprar US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro norte-americano, inundando dessa forma o mercado com dinheiro novo. A expectativa do FED com essa medida é estimular o consumo no país, através da expansão inflacionária. Os economistas estão divididos em relação à atuação da autoridade monetária norte-americana. Para alguns o presidente da instituição, Ben Bernanke, está andando em território não explorado economicamente e sua política expansionista pode levar os EUA a uma espiral inflacionária fora de controle. Outros acreditam que atuando dessa forma, o banco central dos EUA deixa o país mais competitivo internacionalmente, desvalorizando sua moeda e ampliando suas exportações.
Fonte: ADVFN

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

J.P. paga US$ 270 mi por 55% da Gávea

O banco americano J.P. Morgan oficializa hoje a compra da Gávea Investimentos, empresa fundada há sete anos pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e que administra US$ 6 bilhões (cerca de R$ 10,2 bilhões) em ativos. Os valores não foram divulgados oficialmente, mas o Valor apurou que o banco americano pagará, nesse primeiro momento, US$ 270 milhões em dinheiro para assumir 55% do capital da gestora brasileira. O acordo prevê que os restantes 45% da Gávea podem ser comprados em cinco anos - 22,5% no terceiro ano do contrato e 22,5% no quinto ano. Daqui para a frente, o pagamento ficará condicionado à performance da firma durante os cinco anos e, de acordo com uma fonte a par dos termos acertados, o valor total desembolsado por 100% da Gávea pode chegar a US$ 1 bilhão, no melhor cenário de performance.


Fonte: Valor Online

terça-feira, 28 de abril de 2009

Armínio Fraga assume cargo na BM&FBovespa e quer internacionalização

SÃO PAULO, 28 de abril (Reuters) - O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga Neto assumiu nesta terça-feira a presidência do Conselho de Administração da BM&F Bovespa falando em maior internacionalização e na entrada em novos mercados. 

"Vamos explorar as oportunidades da Bolsa, que é uma das que têm maior potencial de crescimento no mundo", disse Fraga a jornalistas logo após a reunião em que foi nomeado. 

Segundo ele, há oportunidades de negociação de ativos que hoje não são realizadas no ambiente de Bolsa, como derivativos, ampliação de contratos agrícolas e de créditos de carbono, além de hipotecas. 

Em outra frente, Fraga afirmou que vai trabalhar para aumentar a presença internacional na instituição. 

"A Bolsa pode aumentar a presença internacional de dentro para fora e de fora para dentro", disse, referindo-se a trazer investidores do exterior para aplicar no Brasil e, de outro lado, fazendo acordos com Bolsas de outros países. 

Fraga, economista de 51 anos, presidiu o Banco Central de 1999 a 2003 durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e nos primeiros dias do governo Lula. 

(Reportagem de Aluisio Alves; Edição de Carmen Munari) 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Commodities voltam a pesar sobre a bolsa, que cai 1,02% e fecha semana no vermelho
Por: Equipe InfoMoney19/12/08 - 18h39InfoMoney

SÃO PAULO - Mesmo com os índices acionários dos Estados Unidos ganhando certo fôlego com o resgate anunciado pelo governo às montadoras de Detroit, a bolsa brasileira mais uma vez sofreu com a desvalorização das commodities no mercado internacional e voltou a trilhar uma semana de saldo negativo.Apesar da incerteza adicionada pelo vencimento de derivativos nos EUA e Europa e do peso de projeções modestas para o setor financeiro norte-americano, os US$ 17,4 bilhões destinados a GM e Chrysler dominaram as manchetes ao redor do mundo. A ajuda que demorou a chegar rendeu forte alta às ações do setor, mesmo com as companhias se comprometendo a passar por uma reestruturação.Até pela ansiedade que os mercados esperavam por esta notícia, as demais referências da sexta-feira (19) ficaram em segundo plano. Deutsche Bank, Goldman Sachs, Morgan Stanley e UBS são alguns dos bancos cujos ratings ou perspectivas foram cortados pela Standard & Poor's. De acordo com a agência de classificação de risco, os bancos ainda estão a mercê de muitas baixas contábeis. Também foi dia de quadruple witching nos EUA, significando vencimento simultâneo para quatro tipos de ativos: futuros de índices, futuros de ações, opções sobre índices e opções sobre ações. O petróleo foi destaque à parte. Voltou a operar em forte queda em Nova York e chegou a ser negociado na margem de US$ 32 por barril. A resposta das ações da Petrobras ajudou a pressionar o Ibovespa, assim como as perdas da Vale frente ao desempenho dos metais básicos. A estatal petrolífera ainda anunciou redução de 1,5% em sua produção média no mês de novembro e seu Conselho não concluiu a revisão do plano de negócios. Por aqui, a exceção às perdas foi o setor imobiliário, destaque positivo da sexta-feira.Dólar sobeEmbora tenha reduzido os ganhos do início da sessão, o dólar comercial fechou com alta de 0,17%, cotado a R$ 2,3630.O Banco Central voltou a intervir. Além de leilão de dólares no mercado à vista, foram ofertados 12.000 contratos de swap cambial, mas apenas metade foi absorvida pelo mercado.Ibovespa resiste aos ganhosNovamente pressionado pelo cenário de desvalorização dos contratos futuros de matérias-primas, o Ibovespa fechou a sexta-feira com queda de 1,02%, cotado a 39.131 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 2,9 bilhões. Com esta pontuação, o índice acumulou baixa de 0,61% na semana.O destaque negativo do dia ficou por conta das ações preferenciais da TIM Participações, que lideraram as perdas do índice também no acumulado da semana, com desvalorização de 23,5%. Na contramão, os papéis da Light ignoraram a tendência declinante do índice e encabeçaram as altas do dia.As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Quinta-feira, 04 de dezembro de 2008, 18h40

Bovespa fecha em baixa de 0,48% com NY e Petrobras




CLAUDIA VIOLANTE

Em mais um pregão de muita volatilidade, a Bovespa terminou com ligeira baixa. O sinal virou no finalzinho, depois de o azul ter predominado na maior parte do pregão. A piora dos índices acionários norte-americanos a pouco mais de uma hora do fechamento levou as ações da Petrobras e da Vale a ampliar as perdas.

O Ibovespa, principal índice acionário doméstico, fechou na mínima pontuação do dia, aos 35.127,77 pontos, em baixa de 0,48%. Na máxima, atingiu 35.944 pontos (+1,83%). No mês, acumula perdas de 4,01% e, no ano, de 45,01%. O giro foi o menor do mês ao somar R$ 2,626 bilhões. Os dados são preliminares.

Em Wall Street, as bolsas operaram predominantemente em queda hoje. Às 18h20 (de Brasília), o Dow Jones caía 2,91%, o S&P, 3,39% e o Nasdaq, 3,29%. As montadoras pressionavam para baixo, com a notícia, do The Wall Street Journal, de que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) deve rejeitar os pedidos para fazer empréstimos diretamente a estas empresas, deixando a questão nas mãos do Congresso e do governo Bush. Os executivos das montadoras pediram novamente hoje aos parlamentares uma ajuda financeira. 

Os investidores também trabalharam na defensiva ao relatório do mercado de trabalho de novembro, a ser conhecido amanhã. As estimativas não são nada boas: -350 mil vagas, dando ainda mais peso aos indicadores que mostram fragilidade na maior economia do planeta. Para agravar os piores presságios, várias empresas vêm anunciando cortes de vagas. Só hoje foram Dupont (2,5 mil, além de 4 mil terceirizados), AT&T (12 mil) e Credit Suisse (5,3 mil internos e 1,2 mil terceirizados). 

Para compensar, o dado de pedidos de auxílio-desemprego veio melhor do que o esperado: mostrou queda de 21 mil na semana passada, ante previsão de alta de 11 mil pedidos. Já as encomendas à indústria também foram ruins (-5,1% em outubro, o maior declínio em oito anos) e alguns varejistas apresentaram números fracos. 

No Brasil, com os últimos indicadores sinalizando enfraquecimento da atividade - hoje saíram dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores e da Confederação Nacional da Indústria -, os analistas já começam a pressionar por um corte na taxa de juros, mas não acreditam que isso vai acontecer na próxima semana. Assim, ele seria empurrado para 2009, quando acredita-se que o PIB brasileiro vai sentir, no primeiro trimestre, os efeitos mais fortes da crise financeira. 

As principais ações domésticas fecharam nas mínimas, num dia de noticiário forte em relação a elas. Petrobras ON recuou 4,60% e PN, 3,68%. A estatal anunciou hoje a captação de um total de US$ 700 milhões no exterior de novembro até hoje, além de outros US$ 200 milhões com o Bradesco em 3 de dezembro. 

Vale ON perdeu 3,14% e PNA, 2,23%. Por causa das condições atuais do mercado global de níquel, a empresa vai paralisar por tempo indeterminado a mina de Copper Cliff South (CC South), localizada em Sudbury, província de Ontário, Canadá, a partir de janeiro de 2009 e postergar investimentos na região. O presidente da Vale, Roger Agnelli, disse que não descarta novas demissões no curto prazo - ontem a mineradora informou que já demitiu 1,3 mil funcionários no Brasil e no exterior.

Publicado em: 04 de dezembro de 2008, 18h40

Fonte: AE Investimentos

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Giro médio diário da Bovespa cai 29% em novembro

LUCIA KASSAI

O giro financeiro médio diário na Bovespa no mês de novembro ficou em R$ 3,773 bilhões, o que representou uma queda de 29,2% em comparação ao mês anterior, quando foi de R$ 5,327 bilhões. O volume é o menor desde março de 2007, quando a média atingiu R$ 3,493 bilhões. O encolhimento reflete a aversão ao risco dos investidores e a saída de capital estrangeiro da Bolsa brasileira.

Em número de negócios, novembro registrou em média 291.890 negócios por dia, uma queda de 13,5% em relação ao mês de outubro.

O valor de mercado das 393 companhias cotadas na Bolsa caiu 1,6% na comparação com outubro, para R$ 1,354 trilhão, o menor valor do ano.

As ações mais negociadas do Ibovespa, principal índice, no mês de novembro foram Petrobras PN, com 21,9% do volume de negócios, Vale PNA (14,5%), Itaú PN (4,6%), Bradesco PN (4,2%) e Vale ON (3,6%).

Entre janeiro e novembro, as ações que mais subiram do Ibovespa foram Nossa Caixa ON (+179,56%), Transmissão Paulista ON (+36,41%), Natura ON (+28,03%), Brasil Telecom Participações ON (+23,37%) e Cemig PN (+20,51%). Já as que mais caíram do índice foram Rossi Residencial ON (-84,71%), Aracruz PNB (-84,70%), Gol PN (-79,94%), BM&FBovespa ON (76,74%) e VCP PN (-76,09%).

Publicado em: 01 de dezembro de 2008, 17h58

Fonte: AE Investimentos

Ações em baixa, negócios em alta

Motivos não faltam para desanimar o investidor em ações: o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, não decolou e acumula queda de mais de 40% no ano. Além disso, as vendas de ações por parte de investidores estrangeiros, até outubro, superaram as compras em R$ 3,2 bilhões. E, para piorar, os preços dos papéis mais negociados na Bolsa, como Petrobras e Vale, perderam aproximadamente 50% até dia 28 de novembro. Esses fatores poderiam levar a uma diminuição do número de negócios na Bovespa, mas ocorreu justamente o oposto, o que causa admiração até nos especialistas mais experientes. “Essa alta no volume de negócios surpreende”, diz o economista-chefe da corretora Ágora Álvaro Bandeira.

Dados da Economática apontam que, das 66 ações que compõem o índice Bovespa, 64 apresentaram aumento médio da quantidade de negócios diária de 134% entre outubro de 2007 e o mesmo mês de 2008. O resultado engloba todas as negociações ocorridas com os papéis, desde as realizadas por instituições financeiras até as pessoas físicas. Se for analisado só o universo de investidores individuais, que negociam pela internet (home broker), o número de negócios também mostra alta relevante. Em outubro do ano passado, eram 111 mil negócios por dia e, neste ano, a quantidade subiu para quase 146 mil operações diárias, com aumento também no volume financeiro (veja quadro).

Veja o artigo original em AE Investimentos

Dezembro deve registrar volatilidade menor

Dezembro tende a ser mais um mês com uma nuvem nebulosa sobre o mercado financeiro. As preocupações com relação à saúde financeira de bancos e empresas continuam no centro das atenções dos investidores, assim como as ações dos bancos centrais ao redor do planeta a fim de evitar uma freada ainda mais bruta no crescimento mundial. Volatilidade continua sendo a palavra de ordem do mercado neste último mês do ano e os ativos devem oscilar muito a cada novo indicador sobre a economia americana e países desenvolvidos. A boa notícia é que os analistas esperam que toda essa oscilação seja menor do que as registradas em setembro e outubro, quando a bolsa caiu 11,03% e 24,80%, respectivamente.  

No mês passado, a deterioração da economia mundial deu o tom, com o Índice Bovespa encerrando como a pior aplicação no período, pelo sexto mês consecutivo, com uma queda de 1,77%. No ano, o principal indicador da bolsa brasileira perde 42,72%. As notícias da entrada em recessão do Japão e de alguns países da Europa assombraram os investidores, sem falar na combalida economia americana. Para ajudar, foi a vez de o Citigroup assustar o mercado diante de fortes prejuízos com o "subprime". A situação, no entanto, melhorou um pouco após o anúncio de socorro do banco realizado pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). Mas as grandes montadoras mostraram que seus números estão bastante ruins e também tentam passar o chapéu para receber recursos do governo.  
Nesse contexto, os fundos formados somente por papéis da Petrobras levaram a pior, com perdas de 19,20% ano mês e de 55,65% no ano até o dia 25. O número não leva em conta, no entanto, a alta de 2,81% das ações ordinárias (ON, com direito a voto) da estatal entre os dias 26 e 28. Os investidores também foram pegos de surpresa com a notícia de a Petrobras ter recorrido à Caixa Econômica Federal (CEF) e feito um empréstimo de R$ 2 bilhões depois de ter ficado com um aperto de caixa. 

Já os fundos compostos por papéis da Vale apresentam queda de 5,66% em novembro até o dia 25 e perda de 54,19% no ano. Os dados não levam em conta, no entanto, a alta de 2,69% das ações ON da mineradora entre os dias 26 e 28. Os papéis de empresas produtoras de commodities vêm sofrendo muito por conta da expectativa de crescimento mundial menor, o que reduziria a demanda por matérias-primas.  
Diante de tantos receios e incertezas, o dólar mais uma vez se valorizou, encerrando o mês com alta de 7,18% e, no ano, acumula ganho de 30,28%. Já o ouro foi beneficiado pela subida de preços no mercado internacional e pelo dólar. O metal terminou novembro como ativo mais rentável, com valorização de 13,33% e, no ano, apresenta alta de 19,42%.  
Em dezembro, as análises sobre o tamanho e duração da crise, além das medidas para reativação das economias, tomarão a atenção dos mercados, diz o administrador de investimentos Fabio Colombo. "Os governos continuam na luta para restabelecer a normalidade e a confiança dos mercados nos sistemas financeiros", avalia ele, lembrando que a divulgação dos planos da equipe econômica do futuro governo de Barack Obama também concentrarão as atenções. Para Colombo, depois da forte queda da bolsa, o momento é de compra, mas com moderação e para quem tem visão de longo prazo. "Após as pesadas perdas ocorridas no Ibovespa desde maio, o investidor deve continuar no processo de compra gradativa de ações."  
Alguns investidores acreditam, no entanto, que pode até ocorrer o tradicional rali de fim de ano, quando os mercados costumam ter uma recuperação nos últimos pregões. Mas o cenário ainda está tão nebuloso que poucos vêm acreditando que isso poderá ocorrer. "A incerteza continuará bastante alta, talvez não naqueles níveis de setembro e outubro, quando houve a quebra do banco Lehman Brothers e havia uma enorme preocupação com o risco sistêmico, mas os bancos ainda passam por crise de confiança", afirma João Pedro Senna, sócio da gestora Capitânia. "Está todo mundo muito machucado, os fundos lá fora ou mesmo daqui, e mesmo os investidores institucionais estão com limites de risco bem moderados." 

Embora as ações tenham caído muito e a bolsa apresente muitas oportunidades, a fase de apenas "comprar bolsa" acabou, ou seja, somente comprar os papéis que compõem o Ibovespa não trará necessariamente ganhos. "Selecionar cuidadosamente os papéis ficou ainda mais importante", diz Luiz Paulo Aranha, também sócio da Capitânia. "Agora, vamos ver qual empresa vai conseguir realmente entregar resultados e não apenas surfar com o mercado em alta."  
As ações de bancos de primeira linha aparecem com destaque para quem tem apetite para risco e visão de longo prazo. Diferentemente do que ocorre lá fora, por aqui a saúde financeira dos grandes bandos continua muito bem, até porque a regulação do mercado brasileiro é muito maior. "Sem falar no esforço do governo brasileiro em manter o crédito aquecido", lembra Felipe Prata, sócio da Nest Investimentos. Mas para as empresas produtoras de commodities, o cenário não é nada animador, por conta do desaquecimento dos países mais ricos, avalia.  
Na renda fixa, os olhos se voltam para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será realizada nos dias 9 e 10. Com o mercado um pouco menos volátil em novembro em relação à outubro, os fundos de renda fixa que podem aplicar em papéis prefixados voltaram a apresentar rentabilidade média superior às dos fundos DI. E para quem não tem estômago forte para agüentar os solavancos do mercado, as taxas dos CDBs continuam altas, até mesmo para a pessoa física.

Fonte: ValorEconômico

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Jogo simula compra e venda de ações na bolsa

Jogo simula compra e venda de ações na bolsa

Um terremoto de intensidade máxima atinge Nova York e derruba as bolsas em Wall Street e ao redor do mundo. As empresas de telefonia fixa obtêm reajustes de 5% nas mensalidades básicas residenciais. Índios sabotam linha de trem que passa por reserva de mineradora brasileira. As petrolíferas recuam com a queda do barril do petróleo. Os bancos perdem depósitos e fecham as portas por conta de uma greve. Bolsas americanas despencam por novos problemas no setor imobiliário e arrastam os demais mercados. 
Com tais cenários em perspectiva é o analista de sistemas Rafael Ballico, de 25 anos, quem leva a melhor nessa seqüência de pregões. Ele embolsa R$ 1,33 mil, depois de ter aplicado R$ 500,00. A estratégia foi concentrar os investimentos em empresas de telefonia, um setor mais defensivo, evitando assim os atropelos do ambiente externo.  
Embora as notícias que motivaram os vaivéns dos negócios tenham alguma semelhança com o que os investidores têm observado no mercado, o lucro de Ballico é fictício e foi obtido no "Jogo da Bol$a", um brinquedo de gente grande que simula um pregão real e que será apresentado na Expo Money do Rio a partir de hoje. Criado pelo catarinense Elvis Cristiano Tolotti, é com a interferência de cartas-cenários para o mercado todo ou para quatro setores da economia - telefonia, mineração, petrolífero e bancário - que os preços oscilam para cima ou para baixo.  
Logo na estréia, Ballico conseguiu um retorno de 160% para a sua carteira. Bem mais do que os amigos Renato Schiavinato Lopez, de 29 anos, Luciano Carlos Silva e Diego de la Valle, ambos com 26 anos. Profissionais da área de Tecnologia da Informação foi no tabuleiro tradicional - e não nos elaborados jogos eletrônicos ou nos pregões virtuais na internet, como seria de se esperar - que eles descobriram como se divertir com o sobe-e-desce das ações, em partidas regadas a cervejas e piadinhas de toda a sorte. "Aqui, a gente interage um com o outro e costuma ganhar mais dinheiro do que perder, o que não tem ocorrido de forma muito freqüente na vida real", lamenta Lopez. 

Como aplicador, ele conta que conseguiu bons lucros quando começou a investir na bolsa em meados de 2007. Neste ano, porém, o seu patrimônio em renda variável já foi reduzido à metade, em operações de compra e venda mais ou menos rápidas, com giro em até 15 dias. Nas partidas, Lopez diz ter um perfil mais agressivo do que na Bovespa, pois procura ficar 100% comprado em ações. "Eu me exponho mais ao risco no jogo do que na hora de investir, até porque não tenho que me preocupar tanto com os prejuízos."  
Como o mais velho da turma, Lopez acaba assumindo o papel de diretor de pregão. Depois que as ações de um certo setor da banca acabam, os jogadores podem negociar papéis entre si, mas ele estabelece que as ordens de compra ou venda podem ser executadas numa faixa de duas cotações para cima ou para baixo do valor corrente no mercado, o que equivale a oscilações de 20%. Pelas regras, quando uma ação vai a zero, ela fica numa espécie de "circuit breaker", parada, e só volta a ser negociada quando um determinado cenário ditar a valorização. Ao atingir os R$ 200,00, as ações automaticamente passam por um "split" (desdobramento), voltam a valer R$ 100,00, e os jogadores recebem uma nova ação daquele setor para cada uma que têm em carteira.  
"Com o jogo, você começa a se familiarizar com os termos técnicos e entende como funciona a dinâmica do mercado", diz Luciano Silva, que tem tido mais sorte nas partidas do que nos investimentos. Ele entrou na bolsa bem na época em que o Brasil ganhou o "investment grade", o selo de investimento não-especulativo atribuído pelas agências de classificação de risco de crédito, e, desde então, só viu o seu investimento encolher. "Eu até imaginava que poderia haver uma pequena queda, mas não uma crise como esta, que tem sido comparada com o 'crash' de 29." 

Além de combinar o lado lúdico inerente aos tabuleiros com o caráter educativo, a intenção do criador do Jogo da Bol$sa foi oferecer aos participantes uma espécie de treino psicológico. "As partidas servem para os investidores se auto-conhecerem, pois é comum ver durante o jogo comportamentos muito parecidos com os que os investidores adotam quando estão de fato aplicando na bolsa", diz Tolotti. Ironia do destino, ele conta que nunca venceu uma partida, pois as ações queimam na sua mão feito batata quente. A qualquer valorização ele vende os papéis e quando caem deixa os prejuízos se estenderem indefinidamente.  
O economista Aquiles Mosca, autor de "Finanças Comportamentais - Gerencie as suas emoções e alcance sucesso nos Investimentos", título recém adicionado à coleção Expo Money, afirma que é de se esperar que os investidores repliquem no jogo as atitudes que tomam na vida real. "Fatores emocionais e comportamentais fazem com que as decisões (de investimentos) se distanciem do que recomenda a economia financeira tradicional", diz. Ele exemplifica que o ser humano tende a agir em conformidade com o seu grupo, o que desencadeia os chamados "movimentos de manada". Isso explica por que o Ibovespa subiu por cinco anos consecutivos e também a saída desenfreada atual, um sintoma de pânico que fez com que várias ações brasileiras passassem a ser negociadas abaixo do valor patrimonial. "O que está por trás disso é a prova social: se há muita gente fazendo tal coisa, você infere que há uma boa razão para isso", diz o economista.  
No tabuleiro, os jogadores contam que conseguem ter um pouco mais de controle e até tentam lançar mão de iniciativas que seriam somente possíveis aos grandes aplicadores, os agentes conhecidos como "tubarões" (que movimentam grandes volumes e conseguem exercer influência sobre os preços), segundo o jargão do mercado. Concentrado no setor bancário, Silva lança, por exemplo, uma ordem de compra acima do valor atual no mercado. A estratégia não cola. Se fosse bem-sucedido, uma única aquisição valorizaria a maior parte do seu portfólio. 

As partidas podem ser realizadas com dois a seis jogadores e o tempo é estabelecido pelos participantes: pode durar 20 cartas ou 30 minutos, por exemplo. No início, cada um recebe R$ 500,00 e pode ou não já comprar ações da banca, que inicialmente cumpre o papel de uma corretora numa oferta pública. O Jogo da Bol$a vem acompanhado de um glossário, que explica os termos técnicos mais usados. Nas diversas rodadas, também é possível ao participante se valer do aluguel de ações e ganhar dinheiro mesmo com o mercado em baixa. As cartas-cenários ainda incluem a análise técnica, trazendo padrões gráficos que sinalizam uma tendência para os ativos.

Fonte: ValorOnline

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Bolsa de Nova York tem a maior queda em dois dias desde 1987

Com as atenções dos mercados voltando-se novamente para os sinais cada vez mais fortes de recessão na economia americana, a Bolsa de Nova York teve um dos seus piores dias do ano e o segundo pregão consecutivo de fortes perdas. A queda nos últimos dois dias é a maior desde outubro de 1987.
O índice Dow Jones, formado por 30 empresas e o principal da Bolsa nova-iorquina, recuou 4,85% (a sétima maior queda do ano), depois de cair 5,05% no pregão de anteontem -a desvalorização acumulada nos dois dias é de 9,66%.
Já o S&P 500, índice composto por 500 companhias, recuou ainda mais: 5,03%. E a Nasdaq, de empresas de alta tecnologia, caiu 4,34%.
As maiores preocupações ontem foram com as vendas das grandes redes de varejo e com os dados de emprego. A maior parte das grandes lojas americanas teve queda nas vendas, superando as estimativas dos analistas. As vendas da Gap, por exemplo, recuaram 16% em outubro ante o mesmo mês de 2007, as da JCPenney, 13%, e as da Target, 4,8%. De acordo com o Conselho Internacional de Shopping Centers, as vendas nos EUA se contraíram em 0,9% no mês passado, o pior resultado para outubro nos 35 anos do levantamento.
Quem acabou ganhando com a decisão do consumidor americano de cortar gastos foram as redes que são conhecidas pelos preços mais baixos, como o Wal-Mart. A maior rede varejista mundial teve aumento de 2,4% nas suas vendas no mês passado. Essa procura por alternativas mais baratas também já tinha beneficiado o McDonald's em setembro.

Esses dados preocupam ainda mais porque mostram que o consumo, o principal motor da economia norte-americana, vai continuar caindo. O gasto dos consumidores norte-americanos se retraiu no terceiro trimestre em 3,1% na taxa anualizada, a primeira queda desde 1991 e a maior desde 1980.
Outro indicador preocupante foi o de pedidos de auxílio-desemprego. Segundo os dados divulgados ontem, 3,84 milhões de americanos recorrem ao benefício, o maior número em 25 anos. No mesmo período de 2007, 2,59 milhões de pessoas recebiam o auxílio. Ele também é um sinalizador dos dados de desemprego de outubro, que serão divulgados hoje. A expectativa é que mais 200 mil vagas sejam eliminadas.
As montadoras americanas -que estiveram reunidas com a presidente do Congresso dos EUA, Nancy Pelosi, para negociar um pacote de ajuda ao setor- também tiveram um dia ruim. As ações de General Motors e Ford (que divulgam seus balanços hoje) caíram 13,67% e 5,26%, respectivamente.
A Blackstone, a empresa de "private equity" dona dos hotéis Hilton, perdeu US$ 503 milhões de julho a setembro e suas ações recuaram 12,21%.