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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Total Return Swap: entenda a operação que derrubou o lucro trimestral da CSN

Por: Giulia Santos Camillo
17/11/08 - 14h30
InfoMoney

SÃO PAULO - Mais uma vítima de perdas com operações de derivativos, a CSN reportou prejuízos de R$ 1,3 bilhão no terceiro trimestre com uma transação chamada TRS (Total Return Swap), que envolve um swap de taxas de juro contra a variação de seus ADRs (American Depositary Receipts).

Com as perdas, foi prejudicado o resultado financeiro da CSN, que ficou negativo em R$ 1,7 bilhão no terceiro trimestre. "Isso foi pior do que nossa estimativa de perdas de R$ 1 bilhão", afirmam os analistas do Citigroup. Para eles, os resultados operacionais da CSN foram ofuscados por essas perdas.

lucro líquido também apresentou um fraco resultado devido ao prejuízo com as operações de TRS da companhia, fechando o trimestre em R$ 40 milhões. Contudo, para os analistas da Socopa, esse desempenho "de certa forma já era aguardado por nós e pelo mercado de maneira geral".

Como funcionam os TRS
Diferentemente das operações realizadas pela Aracruz, e que colocaram em foco as transações com derivativos cambiais nos últimos meses, o TRS é um contrato financeiro bilateral, no qual uma parte efetua o pagamento de uma taxa de juro estabelecida - fixa ou variável -, enquanto a outra efetua pagamentos baseados no retorno total de um ativo subjacente, que pode ser ação, título ou crédito, incluindo qualquer renda gerada, além dos ganhos de capital.

Se o ativo se apreciar, a parte que recebe o retorno total se beneficia tanto das rendas geradas como da valorização do ativo, enquanto paga o juro estabelecido. Porém, caso o ativo sofra depreciação durante o período de vigência do contrato, a parte que recebe o retorno total deve pagar a quantia equivalente à queda.

No caso da CSN, os ativos subjacentes são seus próprios ADRs, que sofreram uma desvalorização de 52% no trimestre, caindo de US$ 44,24 para US$ 21,26, o que resultou nas fortes perdas. Apesar disso, a empresa afirma que a operação, celebrada em 2003 e renovada nos períodos seguintes, tem ganhos acumulados de aproximadamente R$ 1,8 bilhão, mesmo contando com o prejuízo do terceiro trimestre.

Fonte: Infomoney

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

CYRELA: Empresa perde R$ 29 mi com aplicação em fundo multimercado no 3T08

São Paulo, 14 de novembro de 2008  A incorporadora Cyrela Brazil Realty 
(CYRE3) perdeu R$ 29 milhões no terceiro trimestre com aplicações em fundos 
multimercados. O resultado financeiro do período ficou negativo em R$ 28 
milhões. Houve R$ 11,4 milhões de receita financeira, despesas de R$ 16,7 
milhões com juros e mais as perdas em multimercados. 
 
Em teleconferência com analistas e investidores realizada hoje, o diretor de 
Relações com Investidores da Cyrela, Luis Largman, afirmou que a companhia não 
possui mais recursos em fundos multimercados. Mesmo assim, afirmou que pode 
haver perdas de até R$ 5 milhões no quarto trimestre. 
 
"Foi uma surpresa para a gente (as perdas). Nesse momento de alta 
volatilidade, a empresa não quer manter nenhuma posição nesses fundos. Se um dia
a volatilidade ficar novamente baixa e voltarmos a aplicar, vamos comunicar o 
mercado", disse Largman.  
 
Segundo o diretor de RI, a empresa possuía R$ 120 milhões aplicados em fundos 
multimercados (cerca 15% do caixa). Questionado sobre a necessidade de manter os
recursos em fundos de perfil agressivo, Largman afirmou que nos últimos cinco 
anos a aplicação apresentou rentabilidade anual de mais de 176% do Certificado 
de Depósito Interfinanceiro (CDI), contribuindo para os resultados financeiros.
Há pouco, o papel da Cyrela operava em queda de 3,47%, a R$ 7,49.
 
 
Antonio Perez / Agência Leia

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Bolsa de Nova York tem a maior queda em dois dias desde 1987

Com as atenções dos mercados voltando-se novamente para os sinais cada vez mais fortes de recessão na economia americana, a Bolsa de Nova York teve um dos seus piores dias do ano e o segundo pregão consecutivo de fortes perdas. A queda nos últimos dois dias é a maior desde outubro de 1987.
O índice Dow Jones, formado por 30 empresas e o principal da Bolsa nova-iorquina, recuou 4,85% (a sétima maior queda do ano), depois de cair 5,05% no pregão de anteontem -a desvalorização acumulada nos dois dias é de 9,66%.
Já o S&P 500, índice composto por 500 companhias, recuou ainda mais: 5,03%. E a Nasdaq, de empresas de alta tecnologia, caiu 4,34%.
As maiores preocupações ontem foram com as vendas das grandes redes de varejo e com os dados de emprego. A maior parte das grandes lojas americanas teve queda nas vendas, superando as estimativas dos analistas. As vendas da Gap, por exemplo, recuaram 16% em outubro ante o mesmo mês de 2007, as da JCPenney, 13%, e as da Target, 4,8%. De acordo com o Conselho Internacional de Shopping Centers, as vendas nos EUA se contraíram em 0,9% no mês passado, o pior resultado para outubro nos 35 anos do levantamento.
Quem acabou ganhando com a decisão do consumidor americano de cortar gastos foram as redes que são conhecidas pelos preços mais baixos, como o Wal-Mart. A maior rede varejista mundial teve aumento de 2,4% nas suas vendas no mês passado. Essa procura por alternativas mais baratas também já tinha beneficiado o McDonald's em setembro.

Esses dados preocupam ainda mais porque mostram que o consumo, o principal motor da economia norte-americana, vai continuar caindo. O gasto dos consumidores norte-americanos se retraiu no terceiro trimestre em 3,1% na taxa anualizada, a primeira queda desde 1991 e a maior desde 1980.
Outro indicador preocupante foi o de pedidos de auxílio-desemprego. Segundo os dados divulgados ontem, 3,84 milhões de americanos recorrem ao benefício, o maior número em 25 anos. No mesmo período de 2007, 2,59 milhões de pessoas recebiam o auxílio. Ele também é um sinalizador dos dados de desemprego de outubro, que serão divulgados hoje. A expectativa é que mais 200 mil vagas sejam eliminadas.
As montadoras americanas -que estiveram reunidas com a presidente do Congresso dos EUA, Nancy Pelosi, para negociar um pacote de ajuda ao setor- também tiveram um dia ruim. As ações de General Motors e Ford (que divulgam seus balanços hoje) caíram 13,67% e 5,26%, respectivamente.
A Blackstone, a empresa de "private equity" dona dos hotéis Hilton, perdeu US$ 503 milhões de julho a setembro e suas ações recuaram 12,21%.