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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Elie Horn, o mito da construção


Foram quase três anos de insistentes pedidos de entrevistas e 50 minutos à frente de Elie Horn- fundador e presidente da Cyrela - considerado um mito da indústria imobiliária. Com uma postura humilde e bem humorada, Horn difere da figura centralizadora e autoritária que o mercado prega. Logo que chega, o empresário explica que não dá entrevistas - é a segunda vez que fala com a imprensa, desta vez num momento mais delicado da companhia - simplesmente porque não se considera um bom orador. "Sou tímido", diz. A exposição, no entanto, tornou-se quase obrigatória: a empresa vive sua fase mais difícil e Horn, que acaba de completar 67 anos, começa a conduzir o difícil e cobrado capítulo da sucessão.
Com fala rápida e um forte sotaque, o imigrante sírio de fé judaica desfila com igual desenvoltura entre reflexões religiosas e o mercado imobiliário. Dois assuntos que domina. Chegou ao Brasil aos 11 anos, começou trabalhar aos 19 e nunca mais parou. Judeu fervoroso, seu Elie - como é chamado por todos dentro da empresa - abusa das metáforas. Família e religião são os temas preferidos. "A relação do empresário e sua empresa é como a maternidade, você quer que o filho ande com ou sem você porque um dia você não vai estar." Preserva a discrição e preferiu não fazer foto para essa reportagem.
Não raro, devolve uma pergunta com outra e insiste na resposta - embora ele próprio seja capaz de sair, sem cerimônia, dos questionamentos mais críticos. Responde com um honesto "não posso falar" ou um menos verdadeiro "te conto quando puder." E conta com as intervenções precisas de seu assessor de imprensa, que cronometra a entrevista e avisa, mais de uma vez, que o tempo está acabando. "Você quer que eu perca minha viagem?", pergunta Elie Horn que, no dia da entrevista, sairia de férias.
"A relação do empresário e sua empresa é como a maternidade, você quer que o filho ande com ou sem você"
Durante mais de quarenta anos, a Cyrela cresceu, aos poucos, como uma empresa de alta renda em São Paulo. Quando abriu o capital, em 2005, já era líder e, desde então, só fez crescer. Muito e rápido. Saiu de uma receita de R$ 690 milhões em 2005 para quase R$ 5 bilhões em 2010. Foi a empresa que mais captou na bolsa entre todas as abertas. Entre três emissões, levantou R$ 2,42 bilhões na bolsa. Habituado a comandar não apenas a líder de mercado, como também uma das companhias mais rentáveis do setor, em 2010, Horn perdeu os dois títulos de uma só vez.
Nos últimos dois anos assistiu a ascensão de uma novata agressiva e ágil - a PDG - que comprou um grupo de empresas e ganhou o pódio do setor. O empresário diz que não se incomoda com a perda da primeira posição. "Você quer estar em primeiro lugar, mas não deve fazer de tudo para que isso aconteça, tem que ser uma consequência", afirma. "Se estiver em segundo, tem que lutar um pouco mais. A vida é uma luta contínua, por definição, porque Deus quis assim. Tudo que vem de graça não serve".
Já a queda da rentabilidade é nitidamente incômoda - de uma média de 18,5% entre 2005 e 2009, a margem líquida caiu para 12,3% em 2010 e 6,2% no primeiro trimestre deste ano. Tanto que a empresa mudou sua rota, definiu novas estratégias e decidiu desacelerar o crescimento - depois de muita discussão interna, segundo interlocutores próximos.
A Cyrela optou pela difícil missão de corrigir publicamente a projeção exageradamente otimista feita em 2009. A previsão inicial era de vendas médias de R$ 8 bilhões em 2011 e de R$ 10,2 bilhões em 2012, incluindo parceiros. Com a revisão, a meta de vendas caiu para R$ 7,3 bilhões este ano e R$ 8,5 bilhões, em 2012. "Crescer em demasia não era sadio e mostrou ter um preço alto", avalia. As ações da Cyrela caíram 32,7% nos últimos 12 meses, contra uma queda de 11,9% do índice imobiliário.
A queda das margens foi, basicamente, uma resposta ao estouro no custo das obras, descoberto no segundo semestre de 2010. Uma fonte que conhece a companhia de perto conta que a surpresa foi geral. E o descontrole maior veio dos parceiros - a estratégia das parcerias foi o modelo encontrado pela Cyrela para crescer mais rápido do que conseguiria se caminhasse com as próprias pernas. Em alguns casos, porém, não deu certo. A empresa já anunciou que diminuirá o número de parcerias de 16 para sete e aumentar o foco no Rio e em São Paulo, mercados originais.
Lula
Apesar da fama de controlador de minúcias, a Cyrela tropeçou, justamente, na falta de gestão de terceiros. E, não por acaso, o assunto das parcerias é certamente o mais delicado para Horn. "É natural que seja assim porque as parcerias, mesmo as que serão desfeitas, continuam", diz uma fonte do setor. É o tipo de contrato que não acaba da noite para o dia até porque as obras estão em andamento. "Faltou governança e controle", diz um analista do setor imobiliário. "Houve um desalinhamento de interesses entre a Cyrela, que queria crescer e ser rentável, e os parceiros, que estavam atrás de capital", afirma Flávio Queiroz, analista do Santander.
O baque foi grande e o dia a dia da companhia mudou este ano. Recentemente, demitiu 78 pessoas em vários níveis. "A empresa é um organismo vivo, há mudanças estruturais por definição", diz Horn. A Cyrela contratou a consultoria INDG (Instituto de Desenvolvimento Gerencial) para uniformizar os processos construtivos e evitar surpresas no futuro, segundo Horn. Na avaliação da companhia, o índice oficial de evolução de preços da construção (INCC) não reflete a inflação real do setor, sobretudo a de mão de obra. A Cyrela, então, passou a incorporar uma perda adicional dos custos, além do índice. Hoje trabalha com a variação do INCC mais uma perda de 3% ao ano, o que representa um custo entre 7% e 8% do total da obra. Adicional que tem sido colocado no preço final dos apartamentos. A "gordura" de 3% foi estimada e discutida com vários economistas.
Horn faz questão de sublinhar o zelo na preservação das margens. "Não fazemos concessões, não dou desconto e estamos impondo margens obrigatórias nos empreendimentos em todo o Brasil", diz o presidente da Cyrela. Os empreendimentos de alto padrão têm de dar 18% de margem líquida e os de baixo e médio padrão, de 15% a 16,5%.
Nesse momento, o empresário reafirma sua autoridade nas diretrizes do seu negócio. Como qualquer outro presidente. Aliás, sua presença parece menos imposta do que a de outras companhias abertas do setor, onde a figura do "dono" é igualmente forte. "Estou atento à parte macro da empresa, acompanho de perto a área financeira, números, sociedades, relações com terceiros, mas não entendo de obras", admite. É um dos poucos donos de construtora sem um diploma de engenharia - Elie Horn é advogado.
Habilmente, Horn conduz a conversa de tal forma que faz cair por terra certos mitos criados a seu respeito. Não acompanha obras o tempo todo - "gosto muito mais da parte estética", admite - e não participa diretamente da compra de cada terreno. Óbvio que, ciente dos exorbitantes preços dos terrenos, cobra dos subordinados que a conta feche no final. "Cada regional tem seu comitê de terrenos e cada diretor da regional tem independência para atuar e compor mix de preços ", conta. "Tento ser menos e menos centralizador", admite.
Diz não participar de decisões menores. "É folclore, a empresa atingiu um tamanho que seria absurdo que fosse assim, falam até que ele assina todos os cheques", diz Ubirajara Spessotto de Freitas, o Bira, diretor da Cyrela em São Paulo. Diferentes pessoas que trabalham ou já trabalharam com Horn são unânimes em dois pontos: o profundo conhecimento do mercado imobiliário e a sua objetividade. "Ele é uma pessoa muito prática, que contribui muito com o seu conhecimento", diz Roberto Perroni, presidente da Cyrela Commercial Properties (CCP), braço de renda.
Embora o empresário fuja de alguns dos estereótipos que lhe impuseram, ele cultiva, sim, a fama de workaholic. "Você sabe que eu trabalho muito, né?". De fato, a rotina é puxada. Acorda às quatro horas da manhã, lê textos, recebe aulas religiosas e chega ao escritório às sete da manhã - antes até, se for necessário. "Ele sempre começa as reuniões da manhã com assuntos espirituais", conta Spessotto. É um dos últimos a sair da Cyrela - costuma ficar até depois das nove da noite.
Elie Horn respeita o shabat - dia de descanso semanal do judaísmo, observado a partir do pôr-do-sol da sexta-feira até o pôr-do-sol do sábado. A empresa não pode assinar contratos de vendas nos estandes nesse período. Mas sábado à noite, já volta a trabalhar e domingo é dia de expediente normal para ele. "Temos várias reuniões aos domingos", diz Spessotto. Todos os executivos do primeiro escalão despacham com Horn de domingo - pode ser na sua casa ou andando em algum parque.
Tira 15 dias de férias duas vezes por ano, sua única concessão na atribulada agenda. No dia da entrevista, parecia animado com o período de descanso. Mas não desliga quando está fora do país. Segundo pessoas próximas, nas viagens, as tardes e noites são com a família, mas a parte da manhã é dedicada a conhecer e - se inspirar - na arquitetura do país escolhido. O Ciragan, por exemplo, empreendimento nos Jardins, foi inspirado em uma viagem de Horn à Turquia.
É pai de Efrain e Raphael, de 31 e 29 anos - ambos na companhia. O filho mais novo ainda estuda. Horn parece bem aberto a discutir a sucessão. Mas ainda não mostra a mesma disposição para abandonar o comando da companhia que criou. "Quem não trabalha apodrece, não existe aposentadoria, você joga toda experiência fora", diz Horn. "Ou, então faz filantropia." Para Queiroz, do Santander, sua importância na companhia transcende a posição de CEO. "Ele tomou as rédeas quando precisou e mostrou que a empresa pode aprender nas dificuldades", diz o analista. "Pouca coisa deve mudar se ele for para a presidência do conselho", aposta. A Cyrela contratou a consultoria de Sérgio Foguel, que ficou conhecido por conduzir a sucessão no comando da Odebrecht. "Queremos perenizar a empresa e permitir que ela esteja viva daqui a cem anos", diz Horn.
Fontes próximas acreditam que o processo deve demorar cerca de um ano e meio e que o próximo presidente ainda não será um dos filhos. "Meus filhos estão bem na empresa, mas são jovens ainda", sinaliza.
Efrain fica em São Paulo, mas é o responsável pelas regionais Norte e Nordeste. Sempre trabalhou na Cyrela. Raphael, que passou pelo Bradesco e Tarpon, é diretor de planejamento, organização e pessoas. Segundo o Valor apurou, Raphael vem ganhando mais espaço e influência na gestão. Foi ele quem defendeu a contratação do novo vice-presidente financeiro, José Florêncio Rodrigues Neto, que entrou na empresa em fevereiro, depois de nove anos na Camargo Corrêa. A entrada do executivo culminou com a saída do diretor financeiro e de relações com investidores, Luis Largman, que estava há sete anos na Cyrela.
Quem o conhece diz que Elie Horn é um homem de hábitos simples. Mas está na lista dos bilionários da revista Forbes desde 2006 e teve sua fortuna estimada em US$ 2,1 bilhões no ano passado. Na "Cultura Cyrela", documento sobre as crenças da companhia, há dois tópicos pouco comum a outras empresas: espiritualidade e filantropia, "um propósito essencial do fundador. " Dizem que doa mais de 50% do que ganha. Os cinquenta minutos acabam e alguns temas ficam de fora. Gentil, Horn se despede. "Deus te abençoe e te inspire."
Fonte: Valor

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O conquistador espanhol

O empresário Enrique Bañuelos viveu uma infância miserável, tornou-se um dos 100 homens mais ricos do mundo e viu seu império desmoronar na Europa. Agora, tenta reconstruir a fortuna num dos mais pujantes mercados imobiliários do mundo -- o do Brasil.

Há um ano, o setor imobiliário brasileiro estava envolto em incertezas. Depois de um período de crescimento exuberante, as empresas -- grandes e pequenas -- se viram diante de uma crise que prometia mudar a cara do mercado para pior e que parecia ter potencial para varrer do mapa companhias enfraquecidas financeiramente. Empreendimentos eram cancelados, demissões ocorriam às centenas, bancos restringiam ao máximo a concessão de crédito. As projeções de especialistas eram sombrias. Perdida em meio aos índices e atarantada com o que acontecia no mundo, a maioria deles previa um período de seca longo e severo. Foi nessa hora de medo que o mercado imobiliário se viu diante de um novo e enigmático personagem. O espanhol Enrique Bañuelos de Castro, investidor tão rico quanto polêmico, chegou ao Brasil no final de 2008 com o objetivo de comprar empresas e criar uma incorporadora capaz de concorrer com potências como a Cyrela, de Elie Horn, e a Gafisa, que tem entre seus acionistas o investidor americano Sam Zell. Nascido em Sagunto, cidadezinha costeira de 60 000 habitantes localizada na região de Valência, 43 anos, cerca de 1,70 metro de altura, discurso sedutor e olhar determinado, Bañuelos desembarcou em São Paulo com uma fortuna pessoal de cerca de 2 bilhões de dólares -- e a incômoda fama de ter sido o protagonista do processo de criação e destruição de uma bolha que derrubou o mercado imobiliário espanhol em 2007. "Quando ele chegou, fiquei apreensivo, como a maioria das pessoas do setor", diz Sérgio Carettoni, sócio da paulista GAS Investimentos, que tem participações minoritárias em diversas incorporadoras brasileiras.

Quase um ano se passou e a crise fez estragos muito menores do que os previstos pelos analistas. O mercado imobiliário brasileiro continuou a ser um dos mais pujantes do mundo -- e hoje os analistas recomendam com ênfase as ações das empresas do setor. Bañuelos, porém, soube aproveitar melhor do que ninguém o período de medo. Nos últimos meses, sua empresa, a Veremonte Participações, investiu cerca de 500 milhões de reais em quatro aquisições. Em dezembro de 2008, comprou uma participação de 7% na Agra, incorporadora paulista controlada pelo empresário Luiz Roberto Silveira Pinto. Na sequência, adquiriu o controle da Abyara e da Klabin Segall, companhias de médio porte que enfrentavam problemas de caixa e estavam à beira de um colapso. Em setembro, Bañuelos e Silveira Pinto adquiriram os 20% de participação que Elie Horn, dono da Cyrela, possuía na Agra. Finalmente, há poucas semanas, Bañuelos reuniu todas essas companhias sob um novo nome -- Agre, que nasce como a quinta maior empresa de um setor gigantesco, que movimenta 180 bilhões de reais ao ano e é responsável por 6,2% do PIB brasileiro. A expectativa das incorporadoras e imobiliárias é que a maior oferta de crédito, a retomada do consumo pelas classes A e B e o impulso do programa de habitação popular Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, deem início a um dos períodos mais prósperos da história do setor e transformem o mercado brasileiro num dos maiores campos de oportunidades do mundo nos próximos anos. "Em 2010, o volume de lançamentos deve chegar perto do que foi em 2007 e 2008, quando as vendas foram muito fortes", diz Cristiane Amaral, sócia da consultoria Ernst&Young responsável pela área de construção civil.

Em entrevista exclusiva a EXAME -- a primeira a uma publicação brasileira --, Bañuelos diz que sua investida no setor imobiliário é só o começo. "O Brasil é o grande país emergente do momento", diz. "Para quem quer fazer negócios, está à frente, inclusive, da China." Sob muitos aspectos, o espanhol Bañuelos é a personificação do investidor estrangeiro que começa a descobrir o país como um lugar para colocar dinheiro e fazer negócios. Como recentemente afirmou Marcelo Telles, um dos controladores da cervejaria AB InBev: "Nunca vi tanto entusiasmo em relação ao Brasil". No ano passado, os investimentos estrangeiros diretos (aqueles dirigidos ao setor produtivo) somaram 45 bilhões de dólares, volume 350% maior do que os 10 bilhões de dólares investidos em 2003. Bañuelos também afirma que o setor imobiliário deve ser o primeiro de uma série de outros que receberão dinheiro da Veremonte. Ele acaba de fechar duas parcerias que vão transformá-lo no maior empresário do setor hoteleiro do Brasil. Uma delas é com a francesa Accor. "Juntos, vamos investir 480 milhões de reais na construção de 4 880 quartos de hotéis populares", afirma Bañuelos. "A administração ficará com a Accor." Os hotéis econômicos devem ficar prontos em três anos e serão erguidos em cidades interioranas e em pequenas capitais. Bañuelos pretende, assim, ganhar com o crescimento regional de um país no qual a atividade econômica ainda se concentra no eixo Rio-São Paulo, mas começa a emergir no interior. A outra parceria é com a família real dos Emirados Árabes, controladora da rede de hotéis Jumeirah, dona, entre outros, do Burj Al Arab, cartão-postal de Dubai. Bañuelos construirá, em parceria com os xeiques, 1 000 quartos de hotéis de luxo. Os empreendimentos -- hotéis de cinco e seis estrelas -- serão erguidos no Rio de Janeiro. Bañuelos, nesse caso, enxerga as oportunidades da Copa do Mundo e da Olimpíada de 2016. Entre seus alvos de aquisição no setor imobiliário está também o complexo hoteleiro da Costa do Sauípe, na Bahia. O negócio quase foi fechado no ano passado. (Além de aumentar sua atuação no setor de imóvel, o Costa do Sauípe o ajudaria a entrar na área de turismo. Outro alvo, nesse setor, seria a CVC, maior operadora do país.)

Filho de um operário de uma companhia siderúrgica que morreu quando ele tinha 9 anos de idade e de uma dona de casa, Bañuelos é descrito por seus amigos como um homem ambicioso. E como um megalômano por seus críticos e inimigos. "Ele pensa grande, fala como se fazer negócios milionários fosse fácil", diz um empresário do setor imobiliário, com faturamento de mais de 1 bilhão de reais por ano e que recentemente foi procurado pelo espanhol. "Sua postura assusta." Bañuelos, de fato, é profícuo ao perfilar seus planos de investimento. Envolve seus interlocutores com discursos cheios de entusiasmo e planos ambiciosos. O setor imobiliário seria apenas um entre seus vários investimentos no Brasil. Segundo ele, em 2010 a Veremonte investirá 2 bilhões de reais em negócios ligados às áreas de saúde, energia, infraestrutura, shopping centers, meio ambiente, alimentação e financiamento imobiliário. O dinheiro não virá todo de sua fortuna pessoal, diz Bañuelos. Boa parte dos recursos aplicados será de fundos de investimento americanos, europeus, árabes e chineses -- ele não revela os nomes. Sua investida em vários setores -- não por acaso, todos apontados como de grande potencial de crescimento nos próximos anos -- pode ser tachada de falta de foco ou de arrivismo. Para Bañuelos, porém, é pura estratégia. "Sempre começo as atividades em um país pelo setor imobiliário", afirma. "Depois, parto para outros setores." Foi assim que ele fez na Espanha, onde, depois de criar a Astroc, sua incorporadora imobiliária, investiu na companhia energética Union Fenosa, no banco Sabadell e na companhia de táxi aéreo Rentalia. Agora, repete o roteiro no Brasil, em países do Leste Europeu, no Oriente Médio e na China.

Desde que deixou a Espanha, em 2007, Bañuelos decidiu aliar-se a parceiros locais e ficar fora da gestão das companhias nas quais investe. Ele também não participa dos conselhos de administração. Para diversos executivos ouvidos por EXAME, essa seria a forma de evitar que sua imagem de empresário polêmico -- adquirida após o rompimento da bolha imobiliária espanhola -- contamine os negócios no Brasil. "Muitas empresas e bancos não querem fazer negócios com ele por desconfiança", diz um executivo de uma grande incorporadora. Para os espanhóis, Bañuelos passou rapidamente de um fenômeno de mobilidade social e empreendedorismo a personagem vital da atual crise financeira. Em 2006, a Astroc, especializada em imóveis de veraneio na costa de Valência, havia se tornado uma das maiores incorporadoras do país. Na época, sua especialidade era comprar terrenos em áreas rurais que, mais tarde, eram transformadas em regiões urbanas. Com a farra mundial de crédito, espanhóis, ingleses e nórdicos passaram a comprar sua segunda casa na região. A Astroc explodiu. No início de 2006, Bañuelos abriu o capital da companhia com o projeto de transformá-la num negócio nacional. No IPO, 25% das ações ofertadas foram compradas por grandes investidores institucionais, como o empresário espanhol Amâncio Ortega, dono da rede varejista Zara. Lançadas a 9 dólares, as ações atingiram 98 dólares menos de nove meses depois. A procura motivou a Astroc a fazer uma nova oferta, mantendo 51% do capital. Bañuelos foi alçado à posição de terceiro homem mais rico da Espanha e 95o homem mais rico do mundo, com uma fortuna de 7,7 bilhões de dólares, segundo a revista americana Forbes. Em 2006, ao inaugurar sua fundação voltada para projetos sociais e artísticos em Nova York, ofereceu uma paella a 28 000 pessoas convidadas ou que passavam pelo Central Park.

O sonho começaria a ruir em março de 2007, quando as ações da Astroc se tornaram alvo de forte especulação e começaram a despencar. Um mês depois, valiam 4 dólares, obrigando Bañuelos a deixar o comando da empresa. No dia seguinte à sua saída, os papéis valorizaram 39%. Com a queda, o empresário tornou-se uma espécie de inimigo público no país. O advogado Felipe Izquierdo entrou com uma ação na Justiça espanhola acusando Bañuelos de fraude em balanços e de fazer transações com partes relacionadas para valorizar as ações da Astroc. Izquierdo representaria 50 investidores (ele não revela os nomes) e calcula ter perdido 20 000 euros com as ações da Astroc. O processo foi arquivado, reaberto e até hoje não foi julgado. Atualmente, Bañuelos tem menos de 5% das ações da Afirma, empresa que sucedeu a Astroc, e vendeu sua participação de 4% no banco Sabadell. Ele põe na conta do conservadorismo espanhol os ataques sofridos desde o estouro da bolha. Para Bañuelos, a alta sociedade do país nunca teria visto com bons olhos o filho de um operário, sem nenhuma tradição, se tornar um dos homens mais ricos do mundo.

Apesar de sua distância do dia a dia das empresas, seria um erro tratar Bañuelos como mero investidor institucional. É ele quem define a estratégia e o plano de crescimento de suas companhias. Depois, entrega a execução às pessoas que escolheu. No Brasil, Bañuelos elegeu dois homens de confiança. Um deles é Marcelo Parachinni, ex-vice-presidente do banco Santander na Espanha e principal executivo da Veremonte. É ele quem busca novos negócios para que o espanhol invista. O outro é Silveira Pinto, seu sócio na Agre. Fundador da Agra, ele é considerado pelo setor um dos grandes gestores de incorporadoras no país. Sua credibilidade com os bancos também foi decisiva na escolha da parceria. Coube a Silveira Pinto acertar a compra da Abyara e da Klabin Segall e renegociar suas dívidas, de mais de 1,2 bilhão de reais, com os bancos. A compra das duas incorporadoras revelou a forma arrojada como Bañuelos e seus enviados fazem negócios. Não houve processos de auditoria em nenhuma das companhias. A situação de caixa de ambas era crítica e foi necessária uma ação rápida. "Eles assumiram o risco e aproveitaram um momento de preços muito baixos para comprar duas empresas boas que enfrentavam problemas", diz Eduardo Silveira, analista de construção civil do Banco Fator.

A derrocada cinematográfica em seu país natal, a Espanha, representou para Bañuelos não apenas uma mudança em sua estratégia de negócios como também afetou profundamente sua vida pessoal. A sede da Veremonte passou a ser Londres. É de lá que o jato executivo Gulfstream 550 da Rentalia decola para levá-lo a diversos pontos do mundo. Seu destino mais frequente é o Brasil, onde já passou 160 dias deste ano. Até o final de outubro, Bañuelos costumava se hospedar em hotéis paulistanos durante as visitas ao país. Há poucas semanas, mudou-se para uma cobertura na Vila Nova Conceição, bairro nobre ao lado do Parque Ibirapuera (adepto de meias maratonas, o empresário corre no parque vizinho sempre que pode). Seu lazer quando está no país se resume a passeios a pé pelas ruas de São Paulo. "Gosto de andar e não sei dirigir. Então caminho muito." Sua família continua morando em Valência. A mulher trabalha para o governo como fiscal de renda. As filhas, de 9 e 11 anos de idade, estudam em uma escola comum, têm aulas particulares de mandarim e uma vida tão comum quanto garotas bilionárias podem ter. "Quero que elas cresçam como crianças normais", diz Bañuelos. Para matar a saudade, o empresário fala com as meninas duas vezes por dia por videoconferência. Nos fins de semana, ele voa para Valência ou a família se desloca para Londres. O estilo de vida confortável que Bañuelos pode oferecer às filhas contrasta com sua infância difícil. Após a morte do pai, vítima de um acidente de trabalho, ele, a mãe e a irmã passaram por dificuldades financeiras. A empresa onde o pai trabalhara pagou seus estudos, mas não havia renda suficiente para as demais necessidades da família. "Muitas vezes a comida acabava antes de o mês terminar", diz ele. Aos 16 anos, juntamente com três amigos, ele abriu seu primeiro negócio, a Miel de Luna, uma pequena fabricante de mel. Aos 19, criou uma imobiliária. Uma década depois, sua empresa já tinha um tamanho respeitável. Começa, assim, sua vida de investidor no mercado de imóveis. Em 2005, sua empresa valia 1 bilhão de dólares.

Bañuelos venceu a miséria, sobreviveu, embora chamuscado, ao colapso no mercado espanhol e agora, aos 43 anos de idade, tenta repetir seu período de fausto no Brasil. "Aos poucos ele foi mostrando seus planos, investindo dinheiro próprio e vencendo a desconfiança", diz Sérgio Carettoni, acionista minoritário da Agre. Mas o próprio Bañuelos sabe que, para afastar as nuvens que o cercam, ele precisará fazer de seus planos negócios reais.

Fonte: Portal Exame

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Quarta-feira agitada renova ânimo do mercado e marca a quarta alta seguida da bolsa

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
28/01/09 - 19h36
InfoMoney

SÃO PAULO - Há tempos que um dia de decisão do Federal Reserve não era tão tranquilo às bolsas. Apesar de a economia seguir oferecendo sinais de deterioração, a quarta-feira (28) deixou muitas expectativas para o investidor. Lá fora, bancos dispararam nos EUA e Europa com a maior proximidade da criação do Bad Bank. Por aqui, o destaque da vez ficou com o setor imobiliário.

As autoridades norte-americanas tiveram um dia movimentado. Além da manutenção do juro básico dos EUA no intervalo entre 0% e 0,25% ao ano pelo Fed, a equipe de Barack Obama reforçou a expectativa de que será criada uma instituição para assumir os ativos podres em posse dos bancos. Em relação ao pacote de estímulo, as cifras foram ampliadas novamente. Já contornam US$ 900 bilhões.

Os olhares também se voltaram ao Fórum Mundial, realizado em Davos - Suíça. Nesta quarta-feira, Trichet evitou falar na política monetária da região do euro e o premier Wen Jiabao assumiu o baque da crise sobre a China. Ainda assim, reforçou a aposta de crescimento perto de 8% da economia chinesa este ano. No final do dia, Vladimir Putin pediu por cooperação internacional para resolver os problemas econômicos.

Os mercados também repercutiram resultados melhores que as projeções do Yahoo! e do banco Wells Fargo, que retirando itens não-recorrentes da aquisição do Wachovia, teve balanço positivo no quarto trimestre. Por aqui, destaque para a valorização das commodities e para o setor imobiliário. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, adiantou que o governo visa a marca de um milhão de contratos de financiamento de imóveis novos em 2010. As medidas de incentivo ao setor devem ser divulgadas na próxima semana.

Dólar em R$ 2,276
A sessão mais tranquila para as bolsas resultou em forte recuo para o dólar comercial na comparação com o real. A moeda norte-americana fechou com queda de 2,02%, cotada a R$ 2,2760.

Segundo os dados apresentados pelo BC, o fluxo cambial referente aos dezesseis primeiros dias úteis de janeiro teve piora frente à última medição, ficando negativo em US$ 2,693 bilhões, o que mostra continuidade da forte saída de dólares. No mesmo período de 2008, o valor também ficou deficitário, mas em US$ 862 milhões.

Ibovespa em 40.227 pontos
Com o bom humor se espalhando nas bolsas internacionais, o pregão marcou a quarta valorização seguida do Índice Bovespa, que avançou 3,95% e voltou a fechar acima dos 40 mil pontos, o que não ocorria desde a primeira semana do ano. O volume financeiro totalizou R$ 4,75 bilhões.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:
GFSA3, CYRE3, CSAN3, UBBR11, RSID3

sábado, 22 de novembro de 2008

Gafisa lidera as perdas do Ibovespa na semana pela terceira vez consecutiva

Por: Equipe InfoMoney
21/11/08 - 19h25
InfoMoney

SÃO PAULO - Terminando no campo negativo em todos os pregões da semana, o Ibovespa, encerrou o período com expressiva desvalorização de 12,68%, dando seqüência ao ciclo negativo observado ao longo de novembro. Em movimento ainda mais acentuado, os papéis da Gafisa (GFSA3) fecharam com a maior desvalorização do principal índice paulista no período pela terceira vez consecutiva.

Depois de uma desvalorização de 14,78% nesta sessão, as açõesda empresa acumulam queda de 28,54% nos últimos quatro dias - lembrando que na quinta-feira a bolsa brasileira esteve fechada por conta do feriado do Dia da Consciência Negra -, fechando cotadas a R$ 6,86. Os papéis somam perda 79,20% desde o início do ano.

Crise enfraquece demanda por imóveis
A trajetória declinante dos papéis se iniciou já no primeiro pregãodesta semana, quando diante do término da temporada de resultados trimestrais, que refletiram a desaceleração do setor e as incertezas para 2009, os papéis de incorporadoras e construtoras de imóveis lideraram as desvalorizações dentre os papéis que compõem o Ibovespa.

Temendo os impactos da crise financeira, a indústria imobiliária tem adotado postura mais conservadora, deixando espaço para analistas reduzirem as estimativas.

"Vimos uma redução considerável no ritmo do setor e nos resultados. Este comportamento reflete uma série de incertezas principalmente quanto ao crédito e à demanda do consumidor e sinaliza dificuldades nos próximos seis meses", segundo avaliação do Banif sobre os balanços.

Corroborando a perspectiva de que o pessimismo atinge o setor como um todo, os papéis de suas rivais Abyara (ABYA3), Cyrela Realty (CYRE3) e Rossi Residencial (RSID3) terminaram a semana com forte recuo de 7,09%, 21,62% e 23,03% respectivamente.

Mais perdas
Também tiveram uma performance ruim os papéis Sadia PN (SDIA4, R$ 2,79, -26,39%), Rossi Resid ON (RSID3, R$ 2,54, -23,03%), VCP PN (VCPA4, R$ 13,21, -22,97%), Cyrela Realty ON (CYRE3, R$ 5,80, -21,62%) e Gerdau PN (GGBR4, R$ 11,24, -21,23%).

Fonte: Infomoney

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

CYRELA: Empresa perde R$ 29 mi com aplicação em fundo multimercado no 3T08

São Paulo, 14 de novembro de 2008  A incorporadora Cyrela Brazil Realty 
(CYRE3) perdeu R$ 29 milhões no terceiro trimestre com aplicações em fundos 
multimercados. O resultado financeiro do período ficou negativo em R$ 28 
milhões. Houve R$ 11,4 milhões de receita financeira, despesas de R$ 16,7 
milhões com juros e mais as perdas em multimercados. 
 
Em teleconferência com analistas e investidores realizada hoje, o diretor de 
Relações com Investidores da Cyrela, Luis Largman, afirmou que a companhia não 
possui mais recursos em fundos multimercados. Mesmo assim, afirmou que pode 
haver perdas de até R$ 5 milhões no quarto trimestre. 
 
"Foi uma surpresa para a gente (as perdas). Nesse momento de alta 
volatilidade, a empresa não quer manter nenhuma posição nesses fundos. Se um dia
a volatilidade ficar novamente baixa e voltarmos a aplicar, vamos comunicar o 
mercado", disse Largman.  
 
Segundo o diretor de RI, a empresa possuía R$ 120 milhões aplicados em fundos 
multimercados (cerca 15% do caixa). Questionado sobre a necessidade de manter os
recursos em fundos de perfil agressivo, Largman afirmou que nos últimos cinco 
anos a aplicação apresentou rentabilidade anual de mais de 176% do Certificado 
de Depósito Interfinanceiro (CDI), contribuindo para os resultados financeiros.
Há pouco, o papel da Cyrela operava em queda de 3,47%, a R$ 7,49.
 
 
Antonio Perez / Agência Leia

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Nossa Caixa é sorte grande para acionista

Se os acionistas do banco Nossa Caixa já tinham tirado a sorte grande, com as ações ordinárias (ON, com direito a voto) subindo 75,22% no ano, até quarta-feira, enquanto o Índice Bovespa amarga queda de 40,86%, agora, com a possibilidade de a venda da instituição para o Banco do Brasil enfim sair do papel, as perspectivas parecem ainda mais alvissareiras. Ontem, as ON do banco refletiram esse clima de euforia. Elas subiram 13,06%, num dia de depressão nas bolsas de valores do mundo inteiro, com o Ibovespa registrando queda de 3,77%, para 36.361 pontos. Em dois dias, o Ibovespa perdeu 9,67%. Com o desempenho de ontem, a valorização do papel do banco no ano já é de 98,11% ante uma queda de 43,08% do Ibovespa.  
O mercado começou a quinta-feira com a notícia de que os governos do Estado de São Paulo e o Federal já teriam acertado o preço de compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil - algo em torno de R$ 6,4 bilhões. Ele equivale a cerca de duas vezes o patrimônio líquido de R$ 3,2 bilhões da Nossa Caixa, com base no balanço do segundo trimestre. Se os investidores gostaram da cifra, imagine então quando souberem que o governo de São Paulo sinalizou que acha pouco e está disposto a pedir mais. 
Alguns analistas, no entanto, não compartilham com essa idéia de que a oferta do Banco do Brasil é de se jogar fora. Muito pelo contrário. Eles acreditam que pode ser um negócio da China para a Nossa Caixa, especialmente num momento em que o mundo passa por uma profunda crise financeira, com seqüelas preocupantes para o setor bancário.  
O analista da Lopes Filho Associados João Augusto Salles é do grupo dos que acreditam que esse valor está até um pouco salgado. Ele lembra que, na operação entre Itaú e Unibanco, este último foi avaliado por duas vezes o seu valor patrimonial. "Não faz sentido Unibanco e Nossa Caixa terem exatamente a mesma avaliação, sendo que os fundamentos do Unibanco são superiores", diz Salles. Pelas suas projeções, já estaria muito bom se o Banco do Brasil comprasse a Nossa Caixa por 1,5 vez o seu valor patrimonial. 

Vários motivos diferenciam a eficiência das duas instituições financeiras. O fato de a Nossa Caixa ter pago R$ 2 bilhões, no início do ano passado, para ficar com a folha de pagamento dos funcionários públicos de São Paulo, foi um divisor de águas bastante negativo na forma de o mercado enxergar o banco. "Ele pagou caro demais por algo que 50% já era dele (a outra metade estava com o Santander) e, a partir de então, passou a ter prejuízo em todos os trimestres, com a amortização do pagamento", diz o analista da Lopes Filho.  
O argumento de que as ações dos bancos que fizeram ofertas públicas inicias (IPOs, na sigla em inglês) no ano passado foram vendidas valendo entre 2,5 a 3 vezes o valor patrimonial dessas instituições também é no mínimo discutível. Quando esses IPOs ocorreram, o mercado ainda era muito bom e o apetite dos investidores estrangeiros por ativos de risco estava num dos maiores níveis dos últimos tempos. Hoje, muitos desses investidores estão bem machucados com a crise internacional e não querem nem ouvir falar em papéis de países emergentes. 
Considerando a oferta de R$ 6,4 bilhões e a quantidade total de ações do capital da Nossa Caixa, de 107,036 milhões, o Banco do Brasil estaria pagando cerca de R$ 60 para cada uma delas, lembra Salles. Portanto, é mais do que natural supor que os papéis devem buscar esse valor no pregão da Bovespa. Até porque, como o banco faz parte do Novo Mercado, o Banco do Brasil será obrigado a oferecer aos minoritários da Nossa Caixa o mesmo valor pago ao controlador, ou seja, 100% de "tag along". As ações já estão no meio do caminho. Ontem fecharam cotadas a R$ 45. Para Salles, este (os R$ 45) é exatamente o valor que ele considera justo para as ações da Nossa Caixa, nem um centavo a mais, nem um centavo a menos.  
As ações ordinárias do futuro possível comprador não tiveram a mesma sorte. Ontem, os papéis do BB fecharam em queda de 6,54%. A explicação é simples. Se os acionistas da Nossa Caixa ficaram felizes porque podem receber mais do que de fato merecem, os do BB não devem ter gostado nada de serem tão bondosos. 

Queda sem fim  
Não bastasse as ações do setor imobiliário estarem entre as maiores quedas do ano, elas continuam caindo. Ontem, as ON da Gafisa se desvalorizaram 19%, as da Cyrela Realty, 17,79% e as da Rossi Residencial outros 8,75%. "Os papéis estão refletindo o início da desaceleração da economia, que acerta em cheio a confiança do consumidor, consequentemente, a sua vontade de fazer um financiamento para comprar um imóvel", diz o chefe de análise da BullTick Capital Markets, Sérgio Goldman. Ele acredita, no entanto, que o setor irá se recuperar, juntamente com a economia real, provavelmente a partir de 2010.