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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Nuvem passageira?

Depois de se aproximar dos 72 mil pontos em meados de janeiro, o Ibovespa inverteu a mão e agora tem dificuldades para ultrapassar a barreira dos 65 mil. Essa mudança de humor pegou boa parte do mercado de surpresa, mas não está restrita ao Brasil. As bolsas de emergentes tornaram-se alvo de uma fuga de recursos por conta da combinação da pressão inflacionária nesses mercados com a recuperação dos países desenvolvidos. Para boa parte dos analistas, essa turbulência é temporária e só abre oportunidades de investimento.
Mas vale um alerta. O Brasil vive uma situação peculiar que deixa o cenário ainda mais desafiador: o uso de um modelo inovador para controle de inflação. Há dúvidas em relação à eficácia desse tripé, formado por aperto monetário, medidas macroprudenciais e ajuste fiscal. "A queda da bolsa brasileira acompanha o ritmo global, mas o cenário interno acelerou esse movimento", afirma o presidente da Modal Asset, Alexandre Póvoa. Enquanto o Ibovespa amargava queda de 7,34% no ano até o dia 9, o índice MSCI Emergentes caía 3,57%. Na contramão, o índice da bolsa americana S&P 500 subia 5,03%, com apostas na recuperação da economia.
Na visão do executivo, a inflação é um problema para o país, mas não há descontrole que justifique todo esse mau humor. "Não acho que o governo Dilma vai querer ser o responsável por trazer a inflação de volta", diz. Mas a situação é complexa, pondera Póvoa. Usar o câmbio para amortecer os preços seria arriscado. Também, num mundo de juro zero, puxar a já elevada taxa Selic poderia incorrer em mais fluxo de recursos. Além disso, segundo Póvoa, como boa parte da alta de preços vem de alimentos, não faria sentido elevar fortemente os juros.
Um dos caminhos adotados pelo governo foi recorrer a medidas macroprudenciais, como o aumento de compulsórios, para ajudar no arrefecimento da economia. Só que os efeitos disso ainda são desconhecidos pelo mercado e, por isso, criam incertezas. "O grande nó do Brasil é a questão fiscal", diz. O corte orçamentário de R$ 50 bilhões anunciado nesta semana pelo governo é relevante, afirma Póvoa, mas os artifícios contábeis usados no passado para fazer o superávit primário e a falta de detalhamento do ajuste fiscal deixam o mercado ressabiado. "O governo precisa retomar a credibilidade para que aversão a risco diminua", acredita.
Póvoa não descarta a hipótese de a bolsa brasileira continuar sofrendo com a saída de recursos por mais alguns meses, mas isso só vai criar mais oportunidades. Do ponto de vista dos fundamentos da economia local e de outros emergentes, não há justificativa para o mercado americano voltar a negociar com prêmios elevados em relação aos mercados de países em desenvolvimento. "Tem mais crescimento nos emergentes", argumenta.
A virada não estava nos planos de boa parte dos analistas. "Confesso que este movimento de curto prazo me surpreendeu, não esperava uma supervalorização da bolsa, mas que o comportamento fosse positivo neste início de ano", admite o superintendente executivo de gestão de patrimônio do banco HSBC, Gilberto Poso.
Ele também enxerga essa correção como uma boa janela de oportunidade para entrar na bolsa. Fatores microeconômicos embasam tal expectativa. Segundo o superintendente do HSBC, as empresas devem mostrar este ano um crescimento médio de lucros de 17% sobre os resultados de 2010, que já foram bastante bons dado o acentuado crescimento econômico do Brasil. "As ações ainda não refletem esses números, já que a bolsa em 2010 apenas consolidou a acentuada valorização do ano anterior", diz.
Em termos de múltiplos, o Brasil também leva vantagem quando comparado com os demais países emergentes, uma vez que se mostra ainda mais barato. A relação de preço sobre lucro (P/L, que dá ideia de quantos anos o investidor vai levar para ter de volta o quanto aplicou) projetado para o fim deste ano da Bovespa é de 11,5 vezes, enquanto na China e na África do Sul é de cerca de 12 vezes, e na Índia e no México é de 16 vezes.
O Brasil está barato comparado inclusive com países desenvolvidos, como os EUA, com um P/L de 14 vezes. "Tudo é uma questão de preço, não faz o menor sentido as ações brasileiras serem mais baratas do que as americanas, sendo que o nosso PIB continuará crescendo mais do que o dos EUA", diz o diretor geral da Schroders Brasil, Beto Scretas. Ele lembra que, nos últimos cinco meses, o índice Standard & Poor's (S&P-500) registra uma alta de 35% em relação ao Índice Bovespa. Uma alta dessa magnitude do mercado americano sobre o brasileiro só ocorreu em três outras ocasiões: em 2002, em 2004 e durante a crise de 2008.
Scretas atribui a queda da Bovespa a um movimento irracional de manada. "Os investidores se comportam como macacos que vão juntos de um lado para o outro sem sequer questionar o motivo", ilustra Scretas. O diretor da BlackRock responsável pela gestão dos fundos de ações dedicados à América Latina, William Landers, também vê a reação, especialmente de investidores globais, como exagerada.
O argumento é o mesmo. Segundo Landers, os países desenvolvidos estão em recuperação, mas ainda é algo lento. Já os emergentes, compara o diretor, vão crescer mais, assim como as companhias desse mercados vão entregar resultados melhores. "O Brasil é hoje um dos mercados mais baratos e uma grande oportunidade", continua.
Scretas, da Schroders, critica também os analistas que mandavam comprar as ações quando estavam muito valorizadas e agora que estão a preços bem mais baixos se mostram, no mínimo, céticos. "Cadê aqueles que recomendavam a compra das ações de algumas construtoras quando elas tinham P/L de 15 vezes, sendo que agora o indicador está em cerca de 7 vezes?", questiona o diretor da Schroders.
Na visão de Landers, da BlackRock, os setores de construção, varejo e bancos estão bem atrativos. "As construtoras estão sendo negociadas a um preço que não faz o menor sentido", ressalta. Apesar da inflação e das medidas do governo para diminuir a taxa de crescimento e, assim, a pressão inflacionária, o aumento de renda do brasileiro e o desemprego nos menores níveis da história continuarão puxando a demanda por imóveis, exemplifica. "O governo está levando a sério o desafio de controlar a inflação, o ajuste vai ser mais apertado, mas essas melhorias no Brasil não vão desaparecer", afirma.
Scretas, da Schroders, está convicto de que este movimento de queda das ações brasileiras abre uma excelente oportunidade de ganhos para aqueles investidores que tiveram sangue-frio para entrar na bolsa agora, abstraindo a volatilidade que deve continuar no curto prazo.
Para Poso, do HSBC, o investidor estrangeiro deve voltar para o mercado brasileiro em meados do segundo trimestre, quando começarem a sair os resultados do primeiro trimestre das companhias. "Com as empresas reportando bons lucros e a nossa bolsa mais barata do que as outras emergentes, o estrangeiro vai perceber como as ações brasileiras apresentam boas oportunidades de ganhos", acredita o superintendente. Com esse cenário de recuperação em vista, Poso afirma que continuam mantidas as perspectivas positivas para o mercado brasileiro no médio prazo, ou seja, para o fim deste ano.
Na opinião do diretor da corretora Ativa, Álvaro Bandeira, o dinheiro só vai voltar para a bolsa assim que o investidor tiver uma visão mais clara de como se dará a condução das políticas econômica e monetária do novo governo. "Isso já era esperado", diz. Para ele, as medidas estão no caminho certo e o governo precisa apenas afinar o discurso.
Enquanto isso não acontece, Bandeira acredita que esta é a hora de o investidor local aproveitar para montar sua carteira de ações, com compras progressivas. Setores privilegiados pelo governo, como infraestrutura e de construção civil, além de bancos, podem ser boas apostas, acredita o diretor. Póvoa, do Modal, ressalta que é preciso ser seletivo, já que a sangria continua desatada. "Alguns papéis de segunda e terceira linha que caíram cerca de 20% podem valer a pena, ou papéis ligados a commodities e bancos."
Fonte: Valor

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ganho consistente

Os fundos de ações livres estão conseguindo ganhar com folga do Índice Bovespa em 12 meses. De 489 fundos pesquisados pela Economática, 338 superam o indicador. Sendo mais seletivos e pegando só os 90 com mais de cem cotistas, 55 ganham do índice. E, entre os 20 fundos maiores, com mais de mil cotistas, 17 estão acima do Ibovespa.
Mas é possível selecionar ainda mais os gestores, segundo sua constância de resultados. Olhando mês a mês o desempenho das carteiras, nota-se que apenas três carteiras das 489 conseguiram ficar 11 dos 12 meses analisados acima do Ibovespa. Entre os 90 com mais de cem cotistas, o número cai para só um.
Um dos destaques na pesquisa é a Geração Futuro, com 12 fundos bem colocados entre os 90 analisados. O Itaú também aparece, com quatro carteiras, assim como o Safra, com dois. Mas a maioria dos vencedores são fundos de gestoras independentes, que até pouco tempo se concentravam mais em multimercados. A estratégia mais comum é a de buscar poucas empresas com bom potencial de valorização e que estão esquecidas pelo mercado, o chamado "investimento de valor". E aguardar a empresa mostrar seu potencial ao mercado no médio e longo prazos.
Nas carteiras com mais de cem cotistas, três fundos ultrapassaram o índice em dez meses, quatro fundos em nove meses e 13 superaram o indicador oito vezes. A grande concentração está entre sete meses (18 fundos) e seis meses (19 carteiras). O Valor separou 20 dos mais consistentes com mais de cem cotistas e 17 dos com mais de mil investidores.
Muitos desses gestores buscam empresas menores ("small caps") e voltadas ao mercado interno, reduzindo a exposição às chamadas "blue chips", mais negociadas. Como a economia local impulsionou a bolsa nos últimos 12 meses, esses papéis tiveram ganhos expressivos. Ao mesmo tempo, o mau desempenho de Petrobras e de outras grandes empresas ligadas ao mercado externo, como as siderúrgicas, segurou o Ibovespa, facilitando o trabalho dos gestores.
Leia mais: Valor Online

sexta-feira, 26 de março de 2010

Com o mercado em baixa, trader aponta operação de venda para o curto prazo


SÃO PAULO - Pressionado por uma LTB (Linha de Tendência de Baixa) de curtíssimo prazo vinda do topo em 70.500 pontos, oIbovespa encontrou na última sessão sua LTA (Linha de Tendência de Alta) de curtíssimo prazo, por onde passa a média móvel de 21 dias, importante suporte de curto prazo do índice.
Logo abaixo, nos 67.860 pontos, encontra-se a banda inferior do canal de congestão iniciado no começo deste mês, teste que deve ser acompanhado de perto pelos investidores.
Além deste ponto, o trader deve ficar atento ao suporte dos 10.700 pontos marcado no índice Dow Jones, que neste momento apresenta divergência de baixa pelo MACD Histograma e com o IFR (Índice de Força Relativa) de 14 períodos próximo de sua resistência histórica.
Pelos sinais gráficos apresentados, há expectativa de continuação do movimento de correção no mercado brasileiro, fato que sugere operações na ponta vendedora no curtíssimo prazo, com toda cautela em função da tendência de alta do Ibovespa no curto e longo prazo.



Operação em destaque
Com esta visão em mente, Leandro Santos, da Futura Investimentos, chama atenção para os papéis preferenciais classe A da Usiminas (USIM5). Segundo o trader, o martelo invertido (candle de reversão baixista) feito no teste da resistência em R$ 57,65 sugere uma operação de venda, sempre atento ao stop loss do trade.

Tendo em vista o comportamento do papel, neste momento em congestão, Santos recomenda entrada abaixo dos R$ 56,10, ou seja, no rompimento da LTA de curto prazo.
Realizada a entrada - com muito cautela, já que é contra a tendência principal do papel - o stop loss da operação concentra-se pouco acima da resistência da congestão e o objetivo da venda próximo do suporte do canal lateral, em R$ 54,30.




Fonte: Infomoney

segunda-feira, 15 de março de 2010

Estrangeiros passam bastão aos fundos


O Ibovespa voltou a cobiçar os 70 mil pontos. O que está por trás dessa recuperação?

Por Milton Gamez com Juliana Schincariol e Márcio Kroehn
Papéis avulsos
Quem olha as ofertas públicas iniciais da Aliansce e da Multiplus pode achar que é o apetite dos investidores estrangeiros. Eles ficaram, respectivamente, com 73% e 82% desses IPOs. Porém, este ano, o saldo de seus negócios na Bovespa estava negativo em R$ 1,86 bilhões até a terça-feira 9. A participação dos estrangeiros no volume de negócios está caindo. Se no ano passado suas ordens representavam 34%, em média, das negociações, desde janeiro ficaram em 28%. Terão as palavras otimistas do lendário gestor Mark Mobius, da Franklin Templeton – “A economia brasileira é mais confiável do que a chinesa” – deixado de convencer seus pares? Não necessariamente. A crise das finanças públicas na Europa pode ter sido o principal fator de pé no freio. “A Grécia mostrou que a recuperação dos mercados não estava tão óbvia”, diz João Grilo Simões, sócio da Duna Asset. Então, o que tem inflado o Ibovespa? São os investidores institucionais, cuja participação subiu de 25,7% para 30% dos negócios. “Os fundos estão fazendo grandes movimentações”, diz Roberto Lee, diretor da WinTrade. “As brigas pelos bons negócios estão sendo maiores este ano”, confirma Simões.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Fundos Ibovespa com gestão ativa têm saída de recursos


Nos últimos 30 dias, carteiras que tentam superar o Ibovespa registram captação negativa de R$ 533 milhões
Yolanda Fordelone - AE

Nem mesmo a alta de mais de 82% do Ibovespa em 2009 segurou os investidores na renda variável neste começo de ano. Pelo contrário, alguns aproveitaram a entrada em 2010 para rever estratégias, inclusive em relação às carteiras de fundos. Segundo dados da Anbima, entidade que reúne os fundos de investimento, os fundos Ibovespa Ativo, que buscam por meio de uma gestão mais dinâmica superar o indicador parâmetro do mercado, têm registrado a maior saída financeira entre as carteiras de ações. Para alguns especialistas, a forte valorização da Bolsa no ano passado pode ter incentivado os resgates."Com a alta expressiva de 2009, os investidores resolveram embolsar os ganhos", diz o consultor Mauro Calil. Esses fundos tiveram uma captação muito positiva no primeiro semestre de 2008, diz Calil, ao lembrar que, logo depois, os investidores sofreram perdas com a queda de mais de 42% da Bolsa no semestre seguinte. "Os investidores acabaram deixando o dinheiro nos fundos. Com a alta do mercado em 2009, conseguiram recuperar as perdas e eventualmente até ter algum ganho, o que pode ter incentivado o resgate", explica.



A categoria de fundos de ações tem tido captação (resultado de aportes menos saques) negativa nos últimos 30 dias, de R$ 101 milhões, mas os fundos Ibovespa Ativo, em especial, têm liderado a saída, com saques que chegam a R$ 533 milhões.
O empresário Fábio Kuchkarian, da 38 anos, foi um dos que esperaram a recuperação da Bolsa para sacar os recursos do fundo. "Investi em dois fundos Ibovespa Ativo em 2007 e, com a queda do mercado, meu patrimônio chegou praticamente à metade. Em maio de 2009, quando já tinha recuperado o patrimônio aplicado, saquei os recursos de um dos fundos para colocar num clube de investimento", conta. Em 2010, Kuchkarian pretende continuar a fazer aportes mensais no clube, mas deixar o recurso já aplicado no Ibovespa Ativo parado. "Quero comparar a rentabilidade para depois tomar uma decisão", pondera.
Para o gerente de fundos de ações da BBDTVM - gestora de fundos do Banco do Brasil -, Jorge Ricca, alguns investidores podem ter mudado de classe de fundos, mas ele observa que essa não é a tendência observada dentro da casa. "Em dezembro, tivemos captação positiva de R$ 10 milhões nos três fundos Ibovespa Ativo que gerimos. Em 2010 (até o dia 11), também está positiva, em R$ 4 milhões."


Fundos ainda são indicados
Na visão dos gestores, a perspectiva positiva para a Bolsa em 2010 reforça a indicação do investimento. "É um pouco estranho a indústria registrar essa saída se a aposta do mercado é de Bovespa positiva neste ano. A alta não deve ser de 80% a exemplo do ano passado, mas devemos conseguir bater o CDI [referencial da renda fixa]", diz a gestora de fundos do Itaú Unibanco, Marília da Costa Dubois.
O ano, admitem os gestores, terá desafios. Os fundos geralmente usam duas estratégias principais para conseguir rentabilidade acima do índice. Além de comprar as ações do Ibovespa e redistribuir os pesos, dando maior participação aos papéis com maior potencial de valorização, esta categoria busca aplicar em ações que não estão listadas no índice. "A dificuldade de bater o Ibovespa é constante, mas em 2010 teremos três desafios: escolher setores que continuem a ter uma boa performance, apesar da alta de 2009; selecionar ações com potencial dentro destes setores e saber os momentos certos de aplicar", comenta Ricca.
Os fundos Ibovespa Ativo são recomendados em 2010, mas é preciso observar o perfil do investidor, segundo especialistas. "Num primeiro momento, como forma de diversificar o portfólio, são recomendados fundos passivos, que seguem o Ibovespa [são os fundos conhecidos como Indexados]", diz o gestor da BBDTVM. Segundo ele, quando o investidor adquire mais confiança no mercado acionário é indicado a migração para fundos ativos, de gestores nos quais ele confie. "Quando o investidor está mais maduro e já sabe o funcionamento do mercado a ponto de ele mesmo identificar os setores que irão se destacar, ele pode ir para fundos setorias ou de small Caps."

Publicado em: 18 de janeiro de 2010, 13h40
Alterado em: 18 de janeiro de 2010, 13h42

Fonte: AEInvestimentos

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Mercado freia euforia e ouro volta a ser o melhor investimento em outubro

SÃO PAULO - Depois de três meses seguidos como melhor investimento, chegou a hora do Ibovespa fazer uma pausa - resta saber se para recuperar o fôlego ou reverter tendência. Em outubro, quem roubou o posto de melhor alternativa de investimento foi o ouro: o grama da commodity negociada na BM&F acumulou alta de 2,6% no mês. Pouco difundido no Brasil, porém atraente em cenários de maior aversão a risco e preferência pela preservação do capital, o investimento em ouro ganhou espaço em um mercado mais receoso e menos propenso ao risco - em clima de "esperar para ver".

Dentro das alternativas de renda fixa, a aplicação em CDBs pré-fixados de 30 dias garantiu retorno nominal médio de 0,69% em outubro, mesma marca do benchmark CDI. Já a tradicional caderneta de poupança, que pode ter seus rendimentos tributados em determinadas carteiras superiores a R$ 50 mil a partir de 2010, apresentou retorno de 0,5% em termos nominais, ou de 0,45% quando considerada a variação de 0,05% do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) no período.

Por fim, o investimento em dólar - aqui acompanhado pela variação da Ptax - não se mostrou vantajoso em outubro: o retorno nominal desta aplicação foi negativo em 1,92%.

Pare e pense

A primeira semana de outubro dava pinta de que teríamos mais um mês de forte alta das bolsas: o Ibovespa e os principais índices de Wall Street davam continuidade ao rali dos últimos meses e renovavam as máximas do ano. Mas as semanas se passaram e o mercado finalmente imprimiu uma pausa no forte ritmo de recuperação dos preços dos ativos de risco.

Um olhar mais geral para a agenda de indicadores econômicos e para os números trazidos pela temporada de resultados corporativos traz disparidade, o que não foi novidade.

Nos EUA, o dado cru do PIB norte-americano do terceiro trimestre agradou, já que veio acima das projeções. Mas não deixou de carregar desconfiança. Quando tirados os estímulos monetários e fiscais implementados durante a crise, a maior economia do mundo terá força para manter um ritmo de recuperação convincente?

O próprio "quando" voltou a preocupar, já que a Noruega se tornou o terceiro país (além de Israel e Austrália) a subir seu juro básico.

No setor financeiro, os grandes bancos trouxeram resultados relativamente positivos. Não foi daí que veio a preocupação... a quantidade de bancos (leia-se bancos regionais, de pequeno porte) que fecharam as portas nos EUA em 2009 já passa de 100 instituições. Para tentar botar ordem, o Federal Reserve e o Tesouro concretizaram a promessa de regulação, apresentando propostas que envolvem condução de falências, maneiras de o Estado socorrer instituições com problemas, proteção do contribuinte, limitação dos poderes emergenciais do Fed e da FDIC (agência que garante os depósitos nos EUA) e maior poder de supervisão e regulação do governo em relação aos bancos "too big to fail".

No último pregão do mês, veio o CIT apimentar o noticiário em torno do setor financeiro com sua iminente falência. A onda de rumores de que a reestruturação de sua dívida, que contou com linha de crédito em US$ 1 bilhão do megainvestidor Carl Icahn, levou o VIX (Volatility Index) à maior variação diária em um ano - boa amostra de como o sentimento geral dos mercados evoluiu desde a eufórica primeira semana.

A bolsa brasileira teve ainda que lidar com a volta da taxação do capital estrangeiro destinado a renda fixa e variável pelo IOF. Alguns elogiaram a medida na teoria, por afastar a formação de uma bolha nos ativos domésticos, mas na prática a reação foi outra.

CCR e Rossi nos extremos do Ibovespa

Para exemplificar a pressão negativa sofrida pelas ações de empresas que realizaram follow-ons em outubro, a Rossi (RSID3) fechou o mês com o pior desempenho dentre os papéis que compõem a carteira teórica do Ibovespa. Mas mesmo com a queda de 17,26% de outubro, a ação ordinária da Rossi ainda é a segunda mais valorizada de 2009 do índice, perdendo somente pra MMX (MMXM3,+317%).

Mas para mostrar que esta tendência não foi generalizada, a CCR (CCRO3), que também ofertou ações na bolsa no mês, teve a melhor performance do Ibovespa, subindo 14,81% em outubro.

Variações das principais métricas de investimento em outubro:

InvestimentoOutubroReal*SetembroReal**
Ibovespa+0,05%0,00%+8,90%+8,44%
CDI***+0,69%+0,64%+0,69%+0,27%
CDB ****+0,69%+0,64%+0,69%+0,27%
Poupança+0,50%+0,45%+0,50%+0,08%
Ouro+2,61%+2,56%+0,97%+0,54%
Dólar Ptax-1,92%-1,97%-5,74%-6,14%
IGP-M+0,05%+0,42%
* Deduzida a variação do IGP-M que ficou em 0,05% em outubro de 2009 ** Deduzida a variação do IGP-M que ficou em 0,42% em setembro de 2009 *** Taxa Efetiva Andima **** Taxa pré 30 dias

terça-feira, 19 de maio de 2009

Bolsas de NY pesam e Bovespa vira; dólar fecha em R$ 2,035

Ibovespa terminou em baixa de 0,23%. Perdigão ON recuou 6,36%, o maior recuo do índice, e Sadia PN, 5,05%

Claudia Violante, da Agência Estado


SÃO PAULO - A notícia desta terça-feira é, finalmente, a oficialização da união de Sadia e Perdigão, mas, na prática, a informação não fez preço na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que passou a sessão praticamente toda em alta, para, no final, sentir o peso de Wall Street e cair. Antes de inverter, nos minutos finais, a bolsa brasileira mantinha a trajetória da véspera graças à recuperação dos preços das commodities e da presença dos estrangeiros. O dólar comercial fechou a R$ 2,0350, em queda de 1,97%. Trata-se do menor valor em pouco mais de sete meses, desde 2 de outubro de 2008, quando terminou a R$ 2,021.

 

Veja também: 

especialEspecial sobre a fusão entre Perdigão e Sadia

especialLinha do tempo das empresas

especialO tamanho das empresas e seus desafios no exterior 

 

O Ibovespa terminou a sessão em baixa de 0,23%, aos 51.346,61 pontos. Na mínima do dia, registrou 50.987 pontos (-0,92%) e, na máxima, os 52.145 pontos (+1,33%). No mês, acumula ganhos de 8,58% e, no ano, de 36,74%. O giro financeiro totalizou R$ 5,630 bilhões hoje. Os dados são preliminares.

 

Apesar de a fusão de Sadia e Perdigão ter sido o assunto corporativo do ano até agora, os investidores já o tinham precificado nas ações das duas companhias e, por isso, não surpreende a queda dos papéis nesta sessão. Perdigão ON recuou 6,36%, o maior recuo do índice, e Sadia PN, 5,05%.

 

Pelo que foi anunciado hoje, a nova companhia ficará conhecida como Brasil Foods e será a maior processadora de carne de frango do mundo em faturamento e terceira maior exportadora brasileira. Os acionistas da Perdigão ficarão com 68% do capital da nova empresa, enquanto os da Sadia terão participação de 32%. A Brasil Foods fará uma oferta pública de ações para captação de recursos no valor estimado de R$ 4 bilhões, o que deve acontecer até o final de julho. E até que o negócio seja aprovado pelos órgãos de defesa da concorrência as operações continuarão separadas.

 

A Standard & Poor's colocou o rating (classificação) de crédito corporativo BB+ da Perdigão em observação negativa e colocou o rating de crédito corporativo de longo prazo B da Sadia em observação positiva.

 

Destaques

 

A favor do Ibovespa hoje, de novo Vale e siderúrgicas no comando, ainda remoendo o noticiário dos últimos dias sinalizando uma recuperação na demanda por commodities, sobretudo na Ásia. "O noticiário da China e Índia deu gás às commodities e favoreceu a bolsa brasileira", comentou o analista da corretora Spinelli Jayme Alves.

 

Vale ON terminou a sessão em alta de 0,77%, e Vale PNA, de 0,54%. Usiminas PNA disparou 4,14%, Gerdau PN, 0,60%, e Metalúrgica Gerdau PN, 1,13%. CSN ON avançou 2,81%.

 

Petrobras, com fôlego mais curto por causa, sobretudo, do ruído político decorrente da CPI criada no Senado para investigar a empresa, avançou 0,37% na ação ON e 0,03% na PN. Hoje, na China, onde integra a comitiva do presidente Lula, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse que a instalação da CPI preocupa pelo impacto que ela pode ter sobre a reputação da empresa. Mas ressaltou que a estatal prestará todas as informações que sejam requeridas pelos parlamentares.

 

A Petrobras fechou um financiamento de US$ 10 bilhões com o Banco de Desenvolvimento da China (BDC) e também assinou um acordo com a chinesa Sinopec, de comércio e cooperação. A estatal brasileira irá fornecer para a China 150 mil barris de petróleo por dia, em média, durante 2009. Em 2010, o fornecimento subirá para 200 mil barris ao dia.

 

O petróleo terminou a sessão em alta depois que incêndios em duas refinarias nos EUA colocaram em risco a oferta de gasolina no verão do hemisfério Norte. Na bolsa eletrônica de Nova York (Nymex), o contrato para junho terminou em alta de 1,05%, em US$ 59,65, vencendo na máxima em seis meses, enquanto o contrato de julho subiu US$ 0,51, ou 0,86%, para US$ 60,10.

 

À tarde, as bolsas norte-americanas perderam o terreno positivo, como já tinha ocorrido mais cedo, influenciadas pela divulgação do índice de construções iniciadas de residências em abril. O número de obras de imóveis residenciais iniciadas nos Estados Unidos despencou 12,8% no mês passado, contrariando previsões de recuperação de 2%, para a média anual sazonalmente ajustada de 458 mil, em comparação ao mês anterior, informou o Departamento do Comércio. Trata-se do menor nível desde que a série histórica foi iniciada, em 1959.

 

O Dow Jones terminou a sessão em queda de 0,34%, aos 8.474,85 pontos, o S&P recuou 0,17%, aos 908,13 pontos, mas o Nasdaq subiu 0,13%, aos 1.734,54 pontos.


Fonte: UOL Economia

segunda-feira, 9 de março de 2009

Ibovespa abre a semana com queda de 0,98%, na esteira das perdas externas

Por: Equipe InfoMoney
09/03/09 - 17h40
InfoMoney

SÃO PAULO - O Ibovespa tentou esboçar recuperação no início do dia, mas não aguentou mais uma sessão de pressão de Wall Street e abriu a semana com o pé esquerdo. O índice encerrou a segunda-feira com queda de 0,98%, ignorando o bom desempenho do setor imobiliário e assumindo o recuo de siderúrgicas, Vale e do setor de papel e celulose.

Warren Buffett vê a economia norte-americana "cair de um penhasco" e aposta em problema inflacionário após os esforços do governo. O economista Nouriel Roubini projetou o índice Standard & Poor's 500, atualmente na casa de 680 pontos, em 600 pontos ainda este ano. Previu também mais 36 meses de recessão. Não bastassem palavras, o noticiário corporativo veio carregado de ação.

De lá veio uma série de novidades que apontam consolidação. Destaque maior para a aquisição da Schering-Plough pela Merck, por US$ 41 bilhões. A compradora caiu 7,7% em resposta. Paralelamente, rumores apontam que a Roche fechou a aquisição dos 44% restantes da Genentech, por algo em torno de US$ 46,7 bilhões. A Dow Chemical irá concluir a aquisição da Rohm & Haas, por US$ 15,3 bilhões.

Fora aquisições, a União de Trabalhadores aceitou um programa de cortes de custos operacionais da Ford. Entre tantas referências, o petróleo marcou alta de mais de 3% em Nova York, na expectativa por novos cortes na produção da Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo).

Destaques internos
A Petrobras esboçou valorização com a alta de preço do barril, mas sofreu pressão de seus resultados operacionais, recebidos com resistência pelos analistas. O recuo dos metais básicos e temor de abrandamento da recessão derrubaram metais básicos, o que colocou siderúrgicas e Vale entre os destaque negativos do dia.

O setor de papel e celulose também penalizou o Ibovespa. VCP e Aracruz voltaram a cair forte com o anúncio recente de aquisição da fatia da família Safra na segunda e aumento de capital de cerca de R$ 4,2 bilhões pela primeira, através de emissão de novas ações.

Ibovespa perde 0,98%
Com perdas externas e pressão de Vale e siderúrgicas, o Ibovespa abriu a semana com desvalorização de 0,98%, que o levou a 36.741 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 2,7 bilhões.

A maior queda do Ibovespa foi da ação da VCP, que despencou com os desdobramentos da aquisição da Aracruz, segunda maior baixa do dia. Vindas de oito quedas consecutivas, as ações da Braskem se recuperaram e lideraram os ganhos do índice.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Volatilidade nos EUA se resume em queda da bolsa, que perde 3% na semana

Por: Equipe InfoMoney
06/03/09 - 19h25
InfoMoney

SÃO PAULO - Reduzindo a queda na reta final dos negócios, a bolsa brasileira caiu 0,71% nesta sexta-feira (6). Depois das perdas de 2,69% na véspera, o Ibovespa chegou a ameaçar uma recuperação durante boa parte do dia, se descolando do pessimismo externo fomentado por dados do emprego nos EUA, mas sem sucesso.

O agravamento das quedas em Wall Street foi determinante para o índice paulista inverter a tendência, com blue chips brasileiras ignorando a evolução dos preços de commodities metálicas e do petróleo. Perto do fim do pregão, contudo, as bolsas daquele país se recuperaram. Entretanto, já era tarde para o Índice Bovespa, que acumulou baixa de 2,82% na semana e se manteve no negativo em 2009 (-1,19%).

Nos EUA, a fraqueza do setor de tecnologia trouxe pessimismo adicional aos investidores que mal digeriam os dados do Relatório de Emprego. O JPMorgan Chase cortou as estimativas para as vendas da Apple, abalando o Nasdaq. Os índices Dow Jones e S&P 500, que renovaram suas mínimas em 12 anos ao longo do dia, acabaram tendo leve alta no final, sustentado por petroleiras.

Agenda EUA
A economia norte-americana perdeu 651 mil postos de trabalho em fevereiro, décimo quarto recuo consecutivo de vagas, segundo o Relatório de Emprego. O resultado veio praticamente em linha com o esperado pelo mercado. A taxa de desemprego veio em 8,1%, acima das expectativas (7,9%).

Vale destacar também que o Federal Reserve divulgou o Consumer Credit, denotando o volume total de crédito concedido aos consumidores norte-americanos durante o mês de janeiro. O indicador, ajustado sazonalmente, mostrou avanço de US$ 1,8 bilhão no montante de crédito concedido em comparação com dezembro, surpreendendo positivamente.

Produção
Outra fonte de mau humor do mercado foi a Pesquisa Industrial Nacional de janeiro, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostrando que a produção diminuiu 17,2%, na comparação com o mesmo mês de 2008. Nos últimos 12 meses, o indicador cresceu 1%, a marca mais baixa desde fevereiro de 2004 (0,2%).

Agora depois do pregão, está prevista publicação dos resultados da Petrobras. Considerando a deterioração do ambiente econômico nacional no quarto trimestre de 2008 e a continuidade das turbulências internacionais, o consenso é de que a estatal irá divulgar cifras menores do que no terceiro trimestre.

Dólar cai
Invertendo o sinal pouco antes do fechamento dos negócios, o dólar comercial terminou com queda de 0,17%, cotado a R$ 2,375. A moeda norte-americana enfrentou uma sessão volátil, tendo operado em alta durante o início da manhã e com forte instabilidade durante a tarde.

Ibovespa perde 0,71%
Depois de apurar desvalorização de 2,38% na mínima, o Ibovespa encerrou a sexta-feira com baixa de 0,71%, a 37.105 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 3,71 bilhões, frente aos R$ 3,38 bilhões no fechamento anterior. O volume médio em 2009 é de R$ 3,70 bilhões.

Fonte: Infomoney

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Bancos e siderurgia ganham peso na prévia do Ibovespa

São Paulo - Pelo segundo quadrimestre consecutivo, os setores bancário e siderúrgico ampliaram a relevância dentro do índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), apontam os dados da primeira prévia da próxima carteira teórica do indicador, que irá vigorar entre janeiro e abril de 2009, divulgada hoje.

Não houve modificações nos ativos que compõem o principal índice da Bolsa paulista, que continua com 66 ações. O peso do setor financeiro, porém, passa dos atuais 15,132% para 15,518%, segundo cálculos da Agência Estado. A indústria siderúrgica, por sua vez, passa a responder por 11,084% da carteira, ante 10,601% na atual.

A área de telecomunicações, por sua vez, perde espaço no índice, caindo de um peso de 6,284% para 5,760%. O setor de energia, que engloba 13 ações de 12 empresas, incluindo na relação as ordinárias (ON) da Cosan, também tem sua fatia no Ibovespa reduzida de 8,699% para 8,432%.

O segmento de transportes - com ações da ALL, CCR, Gol, TAM e Embraer - passa de 4,660% para 4,222% na prévia do Ibovespa de janeiro a abril do ano que vem.

As ações ON e preferenciais (PN) da Petrobras irão, mais uma vez, ampliar sua participação no Ibovespa. Petrobras PN aparece com participação de 16,42% na prévia do Ibovespa (ante 15,387% na carteira vigente) e Petrobras ON tem 3,028% (versus 2,821%). Vale PN classe A (PNA), enquanto isso, aparece com 12,006% de participação na primeira prévia do Ibovespa (contra 12,639% hoje) e Vale ON com 3,233% (ante 3,271%).

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Nossa Caixa é sorte grande para acionista

Se os acionistas do banco Nossa Caixa já tinham tirado a sorte grande, com as ações ordinárias (ON, com direito a voto) subindo 75,22% no ano, até quarta-feira, enquanto o Índice Bovespa amarga queda de 40,86%, agora, com a possibilidade de a venda da instituição para o Banco do Brasil enfim sair do papel, as perspectivas parecem ainda mais alvissareiras. Ontem, as ON do banco refletiram esse clima de euforia. Elas subiram 13,06%, num dia de depressão nas bolsas de valores do mundo inteiro, com o Ibovespa registrando queda de 3,77%, para 36.361 pontos. Em dois dias, o Ibovespa perdeu 9,67%. Com o desempenho de ontem, a valorização do papel do banco no ano já é de 98,11% ante uma queda de 43,08% do Ibovespa.  
O mercado começou a quinta-feira com a notícia de que os governos do Estado de São Paulo e o Federal já teriam acertado o preço de compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil - algo em torno de R$ 6,4 bilhões. Ele equivale a cerca de duas vezes o patrimônio líquido de R$ 3,2 bilhões da Nossa Caixa, com base no balanço do segundo trimestre. Se os investidores gostaram da cifra, imagine então quando souberem que o governo de São Paulo sinalizou que acha pouco e está disposto a pedir mais. 
Alguns analistas, no entanto, não compartilham com essa idéia de que a oferta do Banco do Brasil é de se jogar fora. Muito pelo contrário. Eles acreditam que pode ser um negócio da China para a Nossa Caixa, especialmente num momento em que o mundo passa por uma profunda crise financeira, com seqüelas preocupantes para o setor bancário.  
O analista da Lopes Filho Associados João Augusto Salles é do grupo dos que acreditam que esse valor está até um pouco salgado. Ele lembra que, na operação entre Itaú e Unibanco, este último foi avaliado por duas vezes o seu valor patrimonial. "Não faz sentido Unibanco e Nossa Caixa terem exatamente a mesma avaliação, sendo que os fundamentos do Unibanco são superiores", diz Salles. Pelas suas projeções, já estaria muito bom se o Banco do Brasil comprasse a Nossa Caixa por 1,5 vez o seu valor patrimonial. 

Vários motivos diferenciam a eficiência das duas instituições financeiras. O fato de a Nossa Caixa ter pago R$ 2 bilhões, no início do ano passado, para ficar com a folha de pagamento dos funcionários públicos de São Paulo, foi um divisor de águas bastante negativo na forma de o mercado enxergar o banco. "Ele pagou caro demais por algo que 50% já era dele (a outra metade estava com o Santander) e, a partir de então, passou a ter prejuízo em todos os trimestres, com a amortização do pagamento", diz o analista da Lopes Filho.  
O argumento de que as ações dos bancos que fizeram ofertas públicas inicias (IPOs, na sigla em inglês) no ano passado foram vendidas valendo entre 2,5 a 3 vezes o valor patrimonial dessas instituições também é no mínimo discutível. Quando esses IPOs ocorreram, o mercado ainda era muito bom e o apetite dos investidores estrangeiros por ativos de risco estava num dos maiores níveis dos últimos tempos. Hoje, muitos desses investidores estão bem machucados com a crise internacional e não querem nem ouvir falar em papéis de países emergentes. 
Considerando a oferta de R$ 6,4 bilhões e a quantidade total de ações do capital da Nossa Caixa, de 107,036 milhões, o Banco do Brasil estaria pagando cerca de R$ 60 para cada uma delas, lembra Salles. Portanto, é mais do que natural supor que os papéis devem buscar esse valor no pregão da Bovespa. Até porque, como o banco faz parte do Novo Mercado, o Banco do Brasil será obrigado a oferecer aos minoritários da Nossa Caixa o mesmo valor pago ao controlador, ou seja, 100% de "tag along". As ações já estão no meio do caminho. Ontem fecharam cotadas a R$ 45. Para Salles, este (os R$ 45) é exatamente o valor que ele considera justo para as ações da Nossa Caixa, nem um centavo a mais, nem um centavo a menos.  
As ações ordinárias do futuro possível comprador não tiveram a mesma sorte. Ontem, os papéis do BB fecharam em queda de 6,54%. A explicação é simples. Se os acionistas da Nossa Caixa ficaram felizes porque podem receber mais do que de fato merecem, os do BB não devem ter gostado nada de serem tão bondosos. 

Queda sem fim  
Não bastasse as ações do setor imobiliário estarem entre as maiores quedas do ano, elas continuam caindo. Ontem, as ON da Gafisa se desvalorizaram 19%, as da Cyrela Realty, 17,79% e as da Rossi Residencial outros 8,75%. "Os papéis estão refletindo o início da desaceleração da economia, que acerta em cheio a confiança do consumidor, consequentemente, a sua vontade de fazer um financiamento para comprar um imóvel", diz o chefe de análise da BullTick Capital Markets, Sérgio Goldman. Ele acredita, no entanto, que o setor irá se recuperar, juntamente com a economia real, provavelmente a partir de 2010. 

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Com bancos e commodities, Bovespa retoma os 40 mil pontos

SÃO PAULO (Reuters) - Novos sinais de distensão no mercado de crédito global, combinados com alta das commodities e o otimismo com bancos domésticos, promoveram outro dia de recuperação acentuada da Bolsa de Valores de São Paulo, que alcançou o maior nível em 3 semanas.

O Ibovespa saltou 5,24 por cento, para 40.254 pontos. Após subir cinco vezes em seis sessões, desde a última terça-feira o principal índice acionário brasileiro já acumula valorização de 36,8 por cento.

O giro financeiro de 5,48 bilhões de reais foi também o maior volume em sessões regulares desde 16 de outubro.

Para analistas, a recuperação de preços evidenciou mais uma vez que as preocupações de curto prazo do mercado estão mais sensíveis à eficácia das medidas para restaurar a liquidez no sistema financeiro do que aos estragos econômicos derivados da crise recente.

"Há sinais de melhora nos mercados monetários, com percepção de queda nos níveis de risco.

Ainda animados com a fusão que deu origem ao Itaú Unibanco, os investidores seguiram comprando ações de empresas do sistema financeiro. A dianteira do índice foi ocupada por Banco do Brasil, com um salto de 15,6 por cento, a 16,56 reais.

Outro destaque positivo do dia foi Aracruz, subindo 8,4 por cento, para 2,97 reais. A fabricante de celulose anunciou pela manhã que eliminou 97 por cento de sua exposição a instrumentos derivativos.

A alta das commodities fez também as perdedoras do dia na bolsa paulista. Braskem, que divulga seus resultados na quarta-feira, caiu 4,6 por cento, para 9,06 reais. Outra vítima foi Gol, caindo 3,5 por cento, a 9,65 reais.

terça-feira, 4 de novembro de 2008 18:49 BRST

Fonte: Reuters Brasil