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terça-feira, 19 de maio de 2009

Bolsas de NY pesam e Bovespa vira; dólar fecha em R$ 2,035

Ibovespa terminou em baixa de 0,23%. Perdigão ON recuou 6,36%, o maior recuo do índice, e Sadia PN, 5,05%

Claudia Violante, da Agência Estado


SÃO PAULO - A notícia desta terça-feira é, finalmente, a oficialização da união de Sadia e Perdigão, mas, na prática, a informação não fez preço na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que passou a sessão praticamente toda em alta, para, no final, sentir o peso de Wall Street e cair. Antes de inverter, nos minutos finais, a bolsa brasileira mantinha a trajetória da véspera graças à recuperação dos preços das commodities e da presença dos estrangeiros. O dólar comercial fechou a R$ 2,0350, em queda de 1,97%. Trata-se do menor valor em pouco mais de sete meses, desde 2 de outubro de 2008, quando terminou a R$ 2,021.

 

Veja também: 

especialEspecial sobre a fusão entre Perdigão e Sadia

especialLinha do tempo das empresas

especialO tamanho das empresas e seus desafios no exterior 

 

O Ibovespa terminou a sessão em baixa de 0,23%, aos 51.346,61 pontos. Na mínima do dia, registrou 50.987 pontos (-0,92%) e, na máxima, os 52.145 pontos (+1,33%). No mês, acumula ganhos de 8,58% e, no ano, de 36,74%. O giro financeiro totalizou R$ 5,630 bilhões hoje. Os dados são preliminares.

 

Apesar de a fusão de Sadia e Perdigão ter sido o assunto corporativo do ano até agora, os investidores já o tinham precificado nas ações das duas companhias e, por isso, não surpreende a queda dos papéis nesta sessão. Perdigão ON recuou 6,36%, o maior recuo do índice, e Sadia PN, 5,05%.

 

Pelo que foi anunciado hoje, a nova companhia ficará conhecida como Brasil Foods e será a maior processadora de carne de frango do mundo em faturamento e terceira maior exportadora brasileira. Os acionistas da Perdigão ficarão com 68% do capital da nova empresa, enquanto os da Sadia terão participação de 32%. A Brasil Foods fará uma oferta pública de ações para captação de recursos no valor estimado de R$ 4 bilhões, o que deve acontecer até o final de julho. E até que o negócio seja aprovado pelos órgãos de defesa da concorrência as operações continuarão separadas.

 

A Standard & Poor's colocou o rating (classificação) de crédito corporativo BB+ da Perdigão em observação negativa e colocou o rating de crédito corporativo de longo prazo B da Sadia em observação positiva.

 

Destaques

 

A favor do Ibovespa hoje, de novo Vale e siderúrgicas no comando, ainda remoendo o noticiário dos últimos dias sinalizando uma recuperação na demanda por commodities, sobretudo na Ásia. "O noticiário da China e Índia deu gás às commodities e favoreceu a bolsa brasileira", comentou o analista da corretora Spinelli Jayme Alves.

 

Vale ON terminou a sessão em alta de 0,77%, e Vale PNA, de 0,54%. Usiminas PNA disparou 4,14%, Gerdau PN, 0,60%, e Metalúrgica Gerdau PN, 1,13%. CSN ON avançou 2,81%.

 

Petrobras, com fôlego mais curto por causa, sobretudo, do ruído político decorrente da CPI criada no Senado para investigar a empresa, avançou 0,37% na ação ON e 0,03% na PN. Hoje, na China, onde integra a comitiva do presidente Lula, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse que a instalação da CPI preocupa pelo impacto que ela pode ter sobre a reputação da empresa. Mas ressaltou que a estatal prestará todas as informações que sejam requeridas pelos parlamentares.

 

A Petrobras fechou um financiamento de US$ 10 bilhões com o Banco de Desenvolvimento da China (BDC) e também assinou um acordo com a chinesa Sinopec, de comércio e cooperação. A estatal brasileira irá fornecer para a China 150 mil barris de petróleo por dia, em média, durante 2009. Em 2010, o fornecimento subirá para 200 mil barris ao dia.

 

O petróleo terminou a sessão em alta depois que incêndios em duas refinarias nos EUA colocaram em risco a oferta de gasolina no verão do hemisfério Norte. Na bolsa eletrônica de Nova York (Nymex), o contrato para junho terminou em alta de 1,05%, em US$ 59,65, vencendo na máxima em seis meses, enquanto o contrato de julho subiu US$ 0,51, ou 0,86%, para US$ 60,10.

 

À tarde, as bolsas norte-americanas perderam o terreno positivo, como já tinha ocorrido mais cedo, influenciadas pela divulgação do índice de construções iniciadas de residências em abril. O número de obras de imóveis residenciais iniciadas nos Estados Unidos despencou 12,8% no mês passado, contrariando previsões de recuperação de 2%, para a média anual sazonalmente ajustada de 458 mil, em comparação ao mês anterior, informou o Departamento do Comércio. Trata-se do menor nível desde que a série histórica foi iniciada, em 1959.

 

O Dow Jones terminou a sessão em queda de 0,34%, aos 8.474,85 pontos, o S&P recuou 0,17%, aos 908,13 pontos, mas o Nasdaq subiu 0,13%, aos 1.734,54 pontos.


Fonte: UOL Economia

Perdigão descarta eventual influência do BNDES na BRF

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A Perdigão, que formalizou a incorporação da rival Sadia nesta terça-feira, criando a Brasil Foods (BRF), descartou que o BNDES possa ter alguma posição de influência na gestão da nova empresa caso adquira uma participação em meio à oferta pública de ações que será realizada em breve.

Durante conferência telefônica com analistas, diretores da Perdigão foram consultados se uma eventual entrada do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social no capital da BRF poderia atrapalhar, por exemplo, planos de realizar ganhos em sinergias, o que pode levar a demissões.

"O BNDES tem plena consciência de que a BRF nasce e se manterá no conceito de capital difuso. Então sabe que não terá posição que afete o equilíbrio (da companhia)", afirmou o diretor financeiro da Perdigão, Leopoldo Saboya.

"O BNDESPar (braço de participações do BNDES) não entra pra fazer ativismo ou para ser tomador de decisões dentro da companhia. Seria tão somente um investidor estratégico, como seria um investidor estrangeiro com características puramente financeiras", acrescentou.

A eventual participação do BNDES na associação entre Perdigão e Sadia foi amplamente comentada nas semanas que antecederam o anúncio, mas ao final o banco não foi incluído.

"O BNDES se mostrou muito simpático à associação, mas de maneira passiva. Procuraremos alocar o BNDES (na oferta), assim como outros investidores estratégicos, da melhor maneira possível", disse Saboya.

Um pouco antes, no Rio de Janeiro, o presidente do banco, Luciano Coutinho, havia afirmado que a entidade tinha interesse em comprar ações na oferta pública.

"Ainda vamos estudar o assunto, (mas) certamente poderemos participar. Em que escala e condições, ainda vamos analisar", disse Coutinho a jornalistas.

Ele acrescentou que a definição da participação do BNDES não deve demorar. "Esse não é um processo complexo".

Segundo ele, a decisão do BNDES de fazer parte do capital da Brasil Foods se deve à relevância que a empresa terá no mercado interno e externo.

"É participar de uma empresa que pode agregar muitas sinergias na exportação e na presença brasileira como uma grande empresa internacional, ocupando posições importantes de mercado", disse.

Coutinho salientou, no entanto, que é fundamental, agora que a união foi formalizada, garantir a concorrência no mercado brasileiro.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Marcelo Teixeira)

Fonte: UOL Economia

Brasil Foods será a terceira maior exportadora do país, dizem presidentes

A Brasil Foods (BRF), criada a partir da compra da Sadia pela Perdigão, é a terceira maior exportadora do país, depois de Vale e Petrobras, com presença em mais de 110 países, e almeja se tornar a maior exportadora de carne processada no mundo nos próximos anos. Os co-presidentes do conselho da nova empresa, Nildemar Secches (Perdigão) e Luiz Fernando Furlan (Sadia), anunciaram o acordo no fim da manhã desta terça-feira em São Paulo.

"Estamos criando um campeão, que provavelmente se tornará o maior processador de carne do mundo", afirmou Furlan.


OS NÚMEROS DA SADIA E PERDIGÃO (Dados de 2008)
Fonte: Folha de S.Paulo
EmpresaSadiaPerdigão
Receita LíquidaR$ 10,7 biR$ 11,4 bi
Lucro/Prejuízo-R$ 2,5 biR$ 54 mi
Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização)R$ 1,2 biR$ 1,2 bi
ExportaçãoR$ 5,6 biR$ 5,1 bi
Funcionários60.58059.008
Fundação1944, em Concórdia (SC)1934, em Videira (SC)
Produtos/SegmentosIndustrializados congelados, resfriados (de carne, além de massas), margarinas e docesIndustrializados e congelados de carnes, lácteos, massas prontas, tortas, pizzas, folhados e vegetais congelados

Para o negócio ser confirmado, é necessária aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça. O órgão é responsável por avaliar se há concentração de mercado, com eventuais prejuízos aos concorrentes e aos consumidores.

Segundo reportagem do jornal "Valor Econômico", o negócio é visto como um dos maiores desafios ao órgão antitruste tanto pelo tamanho da nova empresa quanto por envolver diversos mercados no setor de alimentos, o que aumenta bastante a complexidade da análise.

A união já faz da BRF a maior produtora e exportadora mundial de carne de frango, uma das principais processadoras de carne de porco e a maior abastecedora de alimentos industrializados no país. A previsão de faturamento anual da companhia é de R$ 22 bilhões.

"Era uma discussão quase que óbvia", disse Secches em entrevista coletiva. "A missão da nova empresa é levar produtos e as marcas brasileiras para todo o mundo em um setor no qual o Brasil é o mais competitivo do mundo", afirmou.

A composição do capital da empresa, segundo os executivos, será de 68% de acionistas da Perdigão e 32% da Sadia. Há alguns meses, a Sadia fez uma oferta hostil pela Perdigão. 

Segundo analistas, o negócio ajudará a Sadia a se livrar das especulações negativas que vinham aumentando por conta dos resultados desfavoráveis nos últimos meses. A dívida bruta da empresa evoluiu de R$ 8,5 bilhões para R$ 9,4 bilhões de dezembro para março.

O controle, dizem Secches e Furlan, é inteiramente dos acionistas e será feito por profissionais. Furlan afirmou que sistema será de "governança compartilhada para que as empresas possam utilizar as melhores práticas de mercado".

O acerto depois de 10 anos de negociações, com duas tentativas fracassadas no meio do caminho, veio a partir de conversas no fim de 2008. De acordo com Secches, a assinatura do contrato foi acelerada por não ter sido incluído o debate sobre o destino do Banco Concórdia, que pertence à Sadia e é controlado pelas famílias Fontana e Furlan.

"Simplesmente separamos e fizemos a associação da parte operacional", afirmou Secches.

Desde o começo das negociações estava definido que o banco ficaria de fora da nova empresa, como um negócio independente, controlado pelas famílias Fontana e Furlan. No entanto, restavam duas questões pendentes: o que fazer com um contrato de prazo indeterminado que o banco possuía para explorar a cadeia produtiva da Sadia e como fazer a cisão desse ativo da empresa. A separação do banco envolvia a definição de quanto capital ele necessitaria para existir de forma autônoma.

Ficou decidido que o banco não terá um contrato para explorar a cadeia de fornecedores e clientes da Brasil Foods. Com isso, o banco perde sua razão inicial de existir. Caberá às duas famílias definir o seu futuro. Internamente, o banco vem desenvolvendo estudos para encontrar um novo foco de atuação.

No balanço do primeiro trimestre, a Concórdia Holding Financeira, que controla o banco e a corretora do grupo, tinha patrimônio líquido de R$ 81,5 milhões.

Ainda de acordo com os executivos, uma empresa externa vai ajudar a identificar os talentos de Perdigão e Sadia para atacar melhor o mercado. 

No fim da entrevista, Secches e Furlan posaram com uma camisa do Corinthians com o símbolo da BRF. Por meio da Batavo, a Perdigão era principal patrocinadora do uniforme do atual campeão paulista.

Bovespa fecha em leve queda, enquanto Sadia perde quase 11%

Depois de oscilar o dia todo entre o negativo e o positivo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou esta terça-feira com leve queda de 0,23%, aos 51.346,61 pontos. As ações ordinárias (que dão direito a voto) de Perdigão e Sadia, após a conclusão do negócio que criou a Brasil Foods, terminaram em queda forte. Perdigão perdeu 6,36%, sendo vendida a R$ 33,99, e Sadia recuou 10,97%, a R$ 5,03.

Mesmo após atuação do Banco Central no mercado de câmbio, a cotação do dólar comercial caiu 1,97% e fechou negociado em R$ 2,035, acumulando queda de 3,51% em apenas dois dias.

A montadora chinesa Chery confirmou a instalação de uma fábrica no país com a previsão de produzir até 150 mil carros por ano. A construção da unidade deve começar em dois meses e a produção até 2012. 

Uma reportagem publicada no "Wall Street Journal" nesta terça-feira afirma que os empréstimos hipotecários podem gerar um prejuízo total de US$ 100 bilhões em 940 bancos pequenos e médios norte-americanos até o fim de 2010.

Nos EUA, a construção de moradias em abril despencou 12,8%, para 458 mil unidades, o menor nível da série história iniciada em janeiro de 1959. Em março, a leitura foi revisada para cima a 525 mil unidades. Frente abril do ano passado, as construções de moradias afundaram 54,2%.