terça-feira, 9 de novembro de 2010
Com Concórdia, Furlan estreia no mercado
terça-feira, 19 de maio de 2009
Perdigão descarta eventual influência do BNDES na BRF
RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A Perdigão, que formalizou a incorporação da rival Sadia nesta terça-feira, criando a Brasil Foods (BRF), descartou que o BNDES possa ter alguma posição de influência na gestão da nova empresa caso adquira uma participação em meio à oferta pública de ações que será realizada em breve.
Durante conferência telefônica com analistas, diretores da Perdigão foram consultados se uma eventual entrada do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social no capital da BRF poderia atrapalhar, por exemplo, planos de realizar ganhos em sinergias, o que pode levar a demissões.
"O BNDES tem plena consciência de que a BRF nasce e se manterá no conceito de capital difuso. Então sabe que não terá posição que afete o equilíbrio (da companhia)", afirmou o diretor financeiro da Perdigão, Leopoldo Saboya.
"O BNDESPar (braço de participações do BNDES) não entra pra fazer ativismo ou para ser tomador de decisões dentro da companhia. Seria tão somente um investidor estratégico, como seria um investidor estrangeiro com características puramente financeiras", acrescentou.
A eventual participação do BNDES na associação entre Perdigão e Sadia foi amplamente comentada nas semanas que antecederam o anúncio, mas ao final o banco não foi incluído.
"O BNDES se mostrou muito simpático à associação, mas de maneira passiva. Procuraremos alocar o BNDES (na oferta), assim como outros investidores estratégicos, da melhor maneira possível", disse Saboya.
Um pouco antes, no Rio de Janeiro, o presidente do banco, Luciano Coutinho, havia afirmado que a entidade tinha interesse em comprar ações na oferta pública.
"Ainda vamos estudar o assunto, (mas) certamente poderemos participar. Em que escala e condições, ainda vamos analisar", disse Coutinho a jornalistas.
Ele acrescentou que a definição da participação do BNDES não deve demorar. "Esse não é um processo complexo".
Segundo ele, a decisão do BNDES de fazer parte do capital da Brasil Foods se deve à relevância que a empresa terá no mercado interno e externo.
"É participar de uma empresa que pode agregar muitas sinergias na exportação e na presença brasileira como uma grande empresa internacional, ocupando posições importantes de mercado", disse.
Coutinho salientou, no entanto, que é fundamental, agora que a união foi formalizada, garantir a concorrência no mercado brasileiro.
(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Marcelo Teixeira)
Fonte: UOL Economia
Brasil Foods será a terceira maior exportadora do país, dizem presidentes
"Estamos criando um campeão, que provavelmente se tornará o maior processador de carne do mundo", afirmou Furlan.
| OS NÚMEROS DA SADIA E PERDIGÃO (Dados de 2008) Fonte: Folha de S.Paulo | ||||||||||||||||||||||||
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Para o negócio ser confirmado, é necessária aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça. O órgão é responsável por avaliar se há concentração de mercado, com eventuais prejuízos aos concorrentes e aos consumidores.
Segundo reportagem do jornal "Valor Econômico", o negócio é visto como um dos maiores desafios ao órgão antitruste tanto pelo tamanho da nova empresa quanto por envolver diversos mercados no setor de alimentos, o que aumenta bastante a complexidade da análise.
A união já faz da BRF a maior produtora e exportadora mundial de carne de frango, uma das principais processadoras de carne de porco e a maior abastecedora de alimentos industrializados no país. A previsão de faturamento anual da companhia é de R$ 22 bilhões.
"Era uma discussão quase que óbvia", disse Secches em entrevista coletiva. "A missão da nova empresa é levar produtos e as marcas brasileiras para todo o mundo em um setor no qual o Brasil é o mais competitivo do mundo", afirmou.
A composição do capital da empresa, segundo os executivos, será de 68% de acionistas da Perdigão e 32% da Sadia. Há alguns meses, a Sadia fez uma oferta hostil pela Perdigão.
Segundo analistas, o negócio ajudará a Sadia a se livrar das especulações negativas que vinham aumentando por conta dos resultados desfavoráveis nos últimos meses. A dívida bruta da empresa evoluiu de R$ 8,5 bilhões para R$ 9,4 bilhões de dezembro para março.
O controle, dizem Secches e Furlan, é inteiramente dos acionistas e será feito por profissionais. Furlan afirmou que sistema será de "governança compartilhada para que as empresas possam utilizar as melhores práticas de mercado".
O acerto depois de 10 anos de negociações, com duas tentativas fracassadas no meio do caminho, veio a partir de conversas no fim de 2008. De acordo com Secches, a assinatura do contrato foi acelerada por não ter sido incluído o debate sobre o destino do Banco Concórdia, que pertence à Sadia e é controlado pelas famílias Fontana e Furlan.
"Simplesmente separamos e fizemos a associação da parte operacional", afirmou Secches.
Desde o começo das negociações estava definido que o banco ficaria de fora da nova empresa, como um negócio independente, controlado pelas famílias Fontana e Furlan. No entanto, restavam duas questões pendentes: o que fazer com um contrato de prazo indeterminado que o banco possuía para explorar a cadeia produtiva da Sadia e como fazer a cisão desse ativo da empresa. A separação do banco envolvia a definição de quanto capital ele necessitaria para existir de forma autônoma.
Ficou decidido que o banco não terá um contrato para explorar a cadeia de fornecedores e clientes da Brasil Foods. Com isso, o banco perde sua razão inicial de existir. Caberá às duas famílias definir o seu futuro. Internamente, o banco vem desenvolvendo estudos para encontrar um novo foco de atuação.
No balanço do primeiro trimestre, a Concórdia Holding Financeira, que controla o banco e a corretora do grupo, tinha patrimônio líquido de R$ 81,5 milhões.
Ainda de acordo com os executivos, uma empresa externa vai ajudar a identificar os talentos de Perdigão e Sadia para atacar melhor o mercado.
No fim da entrevista, Secches e Furlan posaram com uma camisa do Corinthians com o símbolo da BRF. Por meio da Batavo, a Perdigão era principal patrocinadora do uniforme do atual campeão paulista.
