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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Com Concórdia, Furlan estreia no mercado

O ex-ministro do Desenvolvimento Luiz Fernando Furlan, herdeiro de uma das famílias que fundaram a Sadia, está estreando no mercado financeiro com sua própria corretora de valores. Em sociedade com o filho mais novo, Luiz Gotardo Furlan, e o genro Caio Weil Villares, Furlan comprou da própria família o controle da corretora Concórdia.
A mudança de titularidade foi aprovada pelo Banco Central em 5 de outubro. A corretora Concórdia, junto com o Banco Concórdia, eram controlados por uma holding que, por sua vez, era controlada pela Sadia.
Na fusão com a Perdigão, que criou a BRF Brasil Foods, as instituições financeiras ficaram fora da transação. No início do ano, o banco foi vendido para o Rendimento, do empresário Abramo Douek, pouco depois de obter licença do BC para operar.
Em entrevista ao Valor, o ex-ministro disse que entrou apenas como "sócio capitalista" no negócio e que a operação estará a cargo do genro e do filho.
Furlan deixou o Ministério do Desenvolvimento em março de 2007, depois de cinco anos à frente da pasta. Em outubro de 2008, ele foi chamado pelos acionistas da Sadia para ajudar a encontrar uma solução para a empresa que havia perdido R$ 2,6 bilhões com operações de derivativos devido à crise financeira internacional.
Equacionado o problema, após a fusão com a Perdigão, Furlan continuou como copresidente do conselho da BRF e diz que pretende seguir com suas outras várias atividades: ele é presidente da Fundação Amazonas, faz parte do conselho de administração da Telefónica na Espanha, do "global board" da Panasonic e da Agco, nos EUA controladora da fabricante de máquinas agrícolas Massey Ferguson, na Georgia. No Brasil ele é integrante do conselho da Amil e da Redecard. "Meu dia a dia é bastante sortido", brincou.
Caio Weil Villares explicou que o objetivo da compra da Concórdia foi aproveitar "o bom momento" da economia brasileira e expandir os negócios. "A Concórdia sempre teve tradição em fundos tradicionais, renda fixa, inclusive recebeu vários prêmios, por isso e nós temos o objetivo de ampliar a oferta de produtos para nossos clientes", afirmou Villares, também herdeiro de uma família famosa, a que controlava a siderúrgica Aços Villares.
Com essa estratégia em vista, a Concórdia acaba de fazer uma parceria com a corretora Local Invest, do administrador Luiz Fernando Pessoa, executivo com passagem por várias instituições financeiras, entre elas o Banco Arbi que ele ajudou a reestruturar no início da década. "É uma parceria que vínhamos analisando há seis meses, com limites bem definidos", diz Pessoa. "Nós vamos ser gestores e a Concórdia vai administrar e distribuir."
A ideia é lançar fundos de investimentos focados na economia real, principalmente os setores de educação, entretenimento e a cadeia produtiva do óleo e gás, explicou o sócio fundador da Local Invest.
Segundo Caio Villares, a Concórdia também tem uma estratégia para o varejo, aproveitando o expressivo crescimento do home broker, pelo interesse das pessoas físicas no mercado de ações. Para isso, a operação de home broker está sendo modernizada com "novas ferramentas para aumentar a eficiência", explicou Villares. "A Concórdia tem uma diversificação grande de clientes institucionais e pessoas físicas, a ideia é focar em pessoas físicas que vão ser o grande crescimento daqui por diante", afirmou o executivo.
Dentro da parceria com a Local, três fundos de investimentos estão sendo estruturados: um Funcine, um Fundo de Investimentos em Participações (FIP) no setor de ensino e um Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC), modalidade na qual a Concórdia foi pioneira cerca de seis anos atrás, ao montar carteiras de recebíveis para financiar os fornecedores da Sadia. Hoje ela administra cerca de R$ 3,5 bilhões em recursos sendo R$ 2,4 bilhões em FIDCs. "Temos uma asset bem representativa, queremos aproveitar para avançar em fundos de crédito um pouco mais agressivos, fundos de participação, e avançar na gestão de FIDC, e a Local vai nos ajudar a fazer isso", disse Villares.
Fonte: Valor

terça-feira, 19 de maio de 2009

Perdigão descarta eventual influência do BNDES na BRF

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A Perdigão, que formalizou a incorporação da rival Sadia nesta terça-feira, criando a Brasil Foods (BRF), descartou que o BNDES possa ter alguma posição de influência na gestão da nova empresa caso adquira uma participação em meio à oferta pública de ações que será realizada em breve.

Durante conferência telefônica com analistas, diretores da Perdigão foram consultados se uma eventual entrada do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social no capital da BRF poderia atrapalhar, por exemplo, planos de realizar ganhos em sinergias, o que pode levar a demissões.

"O BNDES tem plena consciência de que a BRF nasce e se manterá no conceito de capital difuso. Então sabe que não terá posição que afete o equilíbrio (da companhia)", afirmou o diretor financeiro da Perdigão, Leopoldo Saboya.

"O BNDESPar (braço de participações do BNDES) não entra pra fazer ativismo ou para ser tomador de decisões dentro da companhia. Seria tão somente um investidor estratégico, como seria um investidor estrangeiro com características puramente financeiras", acrescentou.

A eventual participação do BNDES na associação entre Perdigão e Sadia foi amplamente comentada nas semanas que antecederam o anúncio, mas ao final o banco não foi incluído.

"O BNDES se mostrou muito simpático à associação, mas de maneira passiva. Procuraremos alocar o BNDES (na oferta), assim como outros investidores estratégicos, da melhor maneira possível", disse Saboya.

Um pouco antes, no Rio de Janeiro, o presidente do banco, Luciano Coutinho, havia afirmado que a entidade tinha interesse em comprar ações na oferta pública.

"Ainda vamos estudar o assunto, (mas) certamente poderemos participar. Em que escala e condições, ainda vamos analisar", disse Coutinho a jornalistas.

Ele acrescentou que a definição da participação do BNDES não deve demorar. "Esse não é um processo complexo".

Segundo ele, a decisão do BNDES de fazer parte do capital da Brasil Foods se deve à relevância que a empresa terá no mercado interno e externo.

"É participar de uma empresa que pode agregar muitas sinergias na exportação e na presença brasileira como uma grande empresa internacional, ocupando posições importantes de mercado", disse.

Coutinho salientou, no entanto, que é fundamental, agora que a união foi formalizada, garantir a concorrência no mercado brasileiro.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Marcelo Teixeira)

Fonte: UOL Economia

Brasil Foods será a terceira maior exportadora do país, dizem presidentes

A Brasil Foods (BRF), criada a partir da compra da Sadia pela Perdigão, é a terceira maior exportadora do país, depois de Vale e Petrobras, com presença em mais de 110 países, e almeja se tornar a maior exportadora de carne processada no mundo nos próximos anos. Os co-presidentes do conselho da nova empresa, Nildemar Secches (Perdigão) e Luiz Fernando Furlan (Sadia), anunciaram o acordo no fim da manhã desta terça-feira em São Paulo.

"Estamos criando um campeão, que provavelmente se tornará o maior processador de carne do mundo", afirmou Furlan.


OS NÚMEROS DA SADIA E PERDIGÃO (Dados de 2008)
Fonte: Folha de S.Paulo
EmpresaSadiaPerdigão
Receita LíquidaR$ 10,7 biR$ 11,4 bi
Lucro/Prejuízo-R$ 2,5 biR$ 54 mi
Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização)R$ 1,2 biR$ 1,2 bi
ExportaçãoR$ 5,6 biR$ 5,1 bi
Funcionários60.58059.008
Fundação1944, em Concórdia (SC)1934, em Videira (SC)
Produtos/SegmentosIndustrializados congelados, resfriados (de carne, além de massas), margarinas e docesIndustrializados e congelados de carnes, lácteos, massas prontas, tortas, pizzas, folhados e vegetais congelados

Para o negócio ser confirmado, é necessária aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça. O órgão é responsável por avaliar se há concentração de mercado, com eventuais prejuízos aos concorrentes e aos consumidores.

Segundo reportagem do jornal "Valor Econômico", o negócio é visto como um dos maiores desafios ao órgão antitruste tanto pelo tamanho da nova empresa quanto por envolver diversos mercados no setor de alimentos, o que aumenta bastante a complexidade da análise.

A união já faz da BRF a maior produtora e exportadora mundial de carne de frango, uma das principais processadoras de carne de porco e a maior abastecedora de alimentos industrializados no país. A previsão de faturamento anual da companhia é de R$ 22 bilhões.

"Era uma discussão quase que óbvia", disse Secches em entrevista coletiva. "A missão da nova empresa é levar produtos e as marcas brasileiras para todo o mundo em um setor no qual o Brasil é o mais competitivo do mundo", afirmou.

A composição do capital da empresa, segundo os executivos, será de 68% de acionistas da Perdigão e 32% da Sadia. Há alguns meses, a Sadia fez uma oferta hostil pela Perdigão. 

Segundo analistas, o negócio ajudará a Sadia a se livrar das especulações negativas que vinham aumentando por conta dos resultados desfavoráveis nos últimos meses. A dívida bruta da empresa evoluiu de R$ 8,5 bilhões para R$ 9,4 bilhões de dezembro para março.

O controle, dizem Secches e Furlan, é inteiramente dos acionistas e será feito por profissionais. Furlan afirmou que sistema será de "governança compartilhada para que as empresas possam utilizar as melhores práticas de mercado".

O acerto depois de 10 anos de negociações, com duas tentativas fracassadas no meio do caminho, veio a partir de conversas no fim de 2008. De acordo com Secches, a assinatura do contrato foi acelerada por não ter sido incluído o debate sobre o destino do Banco Concórdia, que pertence à Sadia e é controlado pelas famílias Fontana e Furlan.

"Simplesmente separamos e fizemos a associação da parte operacional", afirmou Secches.

Desde o começo das negociações estava definido que o banco ficaria de fora da nova empresa, como um negócio independente, controlado pelas famílias Fontana e Furlan. No entanto, restavam duas questões pendentes: o que fazer com um contrato de prazo indeterminado que o banco possuía para explorar a cadeia produtiva da Sadia e como fazer a cisão desse ativo da empresa. A separação do banco envolvia a definição de quanto capital ele necessitaria para existir de forma autônoma.

Ficou decidido que o banco não terá um contrato para explorar a cadeia de fornecedores e clientes da Brasil Foods. Com isso, o banco perde sua razão inicial de existir. Caberá às duas famílias definir o seu futuro. Internamente, o banco vem desenvolvendo estudos para encontrar um novo foco de atuação.

No balanço do primeiro trimestre, a Concórdia Holding Financeira, que controla o banco e a corretora do grupo, tinha patrimônio líquido de R$ 81,5 milhões.

Ainda de acordo com os executivos, uma empresa externa vai ajudar a identificar os talentos de Perdigão e Sadia para atacar melhor o mercado. 

No fim da entrevista, Secches e Furlan posaram com uma camisa do Corinthians com o símbolo da BRF. Por meio da Batavo, a Perdigão era principal patrocinadora do uniforme do atual campeão paulista.