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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sócio estratégico na Oi

Um novo equilíbrio de forças no setor de telecomunicações começou a ser desenhado ontem, quando os principais acionistas da Oi e executivos da Portugal Telecom reuniram-se noite adentro para formalizar a entrada da companhia europeia no bloco de controle da operadora brasileira. É esperado que o acordo seja anunciado hoje.
O negócio cria uma empresa de telefonia luso-brasileira, projeto que foi concebido durante o governo Lula e que conta com o apoio do primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates. A assinatura dos contratos que vão selar a parceria estava em andamento ontem, mas não havia sido concluída até o fechamento desta edição.
O acordo segue as bases do desenho anunciado no fim de julho e prevê que os portugueses farão um desembolso de R$ 8,4 bilhões para entrar em diversos níveis da complexa estrutura societária da operadora brasileira de telefonia. Paralelamente, devem ser unidas as estruturas da Contax, empresa de call center que tem os mesmos controladores da Oi, e da Dedic, da Portugal Telecom (PT). Está previsto que, depois, a Oi também adquira uma fatia do capital da companhia portuguesa.
Segundo o modelo que vem sendo costurado há vários meses, a PT deve ficar com uma fatia direta de 12,1% na holding Telemar Participações. Além disso, vai adquirir 35% da AG Telecom (empresa do grupo Andrade Gutierrez) e 35% da La Fonte Telecom (da família Jereissati).
Na etapa seguinte, a Portugal Telecom vai participar dos aumentos de capital de cerca de R$ 12 bilhões que serão feitos nas empresas listadas em bolsa: a Tele Norte Leste e a Telemar Norte Leste. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e os fundos de pensão que fazem parte do bloco de controle da Oi já decidiram que não acompanharão esses aportes e, portanto, terão diluída sua participação na operadora.
Depois de concluída a operação, as fundações vão ficar com menos de 8% da Telemar Norte Leste. A BNDESPar terá pouco mais de 12%. A PT, por sua vez, terá o equivalente a 22,4% da companhia operacional
O acordo entre a Portugal Telecom e a Oi foi divulgado em 28 de julho do ano passado. Na mesma data, os portugueses anunciaram a venda dos 50% que tinham no bloco de controle da Vivo para a espanhola Telefónica, após anos de disputa pelo comando da operadora de telefonia móvel.
Com os 7,5 bilhões recebidos por sua fatia na Vivo, a Portugal Telecom negociou sua entrada na Oi. Para a companhia portuguesa, era vital manter-se no Brasil - mercado que há anos é sua principal fonte de crescimento.
Por causa do grande número de acionistas envolvidos e da complexidade da operação - eram cerca de 50 os contratos a serem assinados -, o anúncio mudou de data algumas vezes. Inicialmente, chegou a ser cogitado para a quarta-feira da semana passada, mas foi adiado e remarcado sucessivamente até que todos os detalhes foram ajustados. Já era fim de tarde de anteontem, em Lisboa, quando o executivo-chefe da Portugal Telecom, Zeinal Bava, foi avisado de que estava tudo pronto e que poderia vir ao Brasil para formalizar a assinatura.
A presença portuguesa na companhia foi costurada de forma a permitir a participação de representantes da PT no conselho de administração da holding Telemar Participações (TmarPart), o topo na estrutura societária, e da Tele Norte Leste Participações.
Também está prevista a participação dos novos sócios em comitês temáticos no conselho. Na estrutura atual já existem três: finanças, recursos humanos e riscos e contingências. Agora, serão criados novos grupos, um deles voltado para novas tecnologias, em especial banda larga e TV.
Ao longo das negociações, houve uma preocupação dos atuais controladores em afirmar que não haverá mudança no controle da Oi e que essa continuará nas mãos de brasileiros. Na época em que o então presidente Lula assinou decreto permitindo a compra da Brasil Telecom pela Oi, todo o discurso foi no sentido de criação de uma grande operadora nacional.
Mas o tempo todo, mesmo depois de anunciado que a PT ficaria com 10% do controle, já era esperado que os portugueses chegassem a mais. A fatia já passou para pouco mais de 12%. Agora, com o call centers, a PT passará a ter maior fatia no grupo como um todo.
Fonte: Valor

terça-feira, 19 de maio de 2009

Perdigão descarta eventual influência do BNDES na BRF

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A Perdigão, que formalizou a incorporação da rival Sadia nesta terça-feira, criando a Brasil Foods (BRF), descartou que o BNDES possa ter alguma posição de influência na gestão da nova empresa caso adquira uma participação em meio à oferta pública de ações que será realizada em breve.

Durante conferência telefônica com analistas, diretores da Perdigão foram consultados se uma eventual entrada do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social no capital da BRF poderia atrapalhar, por exemplo, planos de realizar ganhos em sinergias, o que pode levar a demissões.

"O BNDES tem plena consciência de que a BRF nasce e se manterá no conceito de capital difuso. Então sabe que não terá posição que afete o equilíbrio (da companhia)", afirmou o diretor financeiro da Perdigão, Leopoldo Saboya.

"O BNDESPar (braço de participações do BNDES) não entra pra fazer ativismo ou para ser tomador de decisões dentro da companhia. Seria tão somente um investidor estratégico, como seria um investidor estrangeiro com características puramente financeiras", acrescentou.

A eventual participação do BNDES na associação entre Perdigão e Sadia foi amplamente comentada nas semanas que antecederam o anúncio, mas ao final o banco não foi incluído.

"O BNDES se mostrou muito simpático à associação, mas de maneira passiva. Procuraremos alocar o BNDES (na oferta), assim como outros investidores estratégicos, da melhor maneira possível", disse Saboya.

Um pouco antes, no Rio de Janeiro, o presidente do banco, Luciano Coutinho, havia afirmado que a entidade tinha interesse em comprar ações na oferta pública.

"Ainda vamos estudar o assunto, (mas) certamente poderemos participar. Em que escala e condições, ainda vamos analisar", disse Coutinho a jornalistas.

Ele acrescentou que a definição da participação do BNDES não deve demorar. "Esse não é um processo complexo".

Segundo ele, a decisão do BNDES de fazer parte do capital da Brasil Foods se deve à relevância que a empresa terá no mercado interno e externo.

"É participar de uma empresa que pode agregar muitas sinergias na exportação e na presença brasileira como uma grande empresa internacional, ocupando posições importantes de mercado", disse.

Coutinho salientou, no entanto, que é fundamental, agora que a união foi formalizada, garantir a concorrência no mercado brasileiro.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Marcelo Teixeira)

Fonte: UOL Economia

Brasil Foods será a terceira maior exportadora do país, dizem presidentes

A Brasil Foods (BRF), criada a partir da compra da Sadia pela Perdigão, é a terceira maior exportadora do país, depois de Vale e Petrobras, com presença em mais de 110 países, e almeja se tornar a maior exportadora de carne processada no mundo nos próximos anos. Os co-presidentes do conselho da nova empresa, Nildemar Secches (Perdigão) e Luiz Fernando Furlan (Sadia), anunciaram o acordo no fim da manhã desta terça-feira em São Paulo.

"Estamos criando um campeão, que provavelmente se tornará o maior processador de carne do mundo", afirmou Furlan.


OS NÚMEROS DA SADIA E PERDIGÃO (Dados de 2008)
Fonte: Folha de S.Paulo
EmpresaSadiaPerdigão
Receita LíquidaR$ 10,7 biR$ 11,4 bi
Lucro/Prejuízo-R$ 2,5 biR$ 54 mi
Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização)R$ 1,2 biR$ 1,2 bi
ExportaçãoR$ 5,6 biR$ 5,1 bi
Funcionários60.58059.008
Fundação1944, em Concórdia (SC)1934, em Videira (SC)
Produtos/SegmentosIndustrializados congelados, resfriados (de carne, além de massas), margarinas e docesIndustrializados e congelados de carnes, lácteos, massas prontas, tortas, pizzas, folhados e vegetais congelados

Para o negócio ser confirmado, é necessária aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça. O órgão é responsável por avaliar se há concentração de mercado, com eventuais prejuízos aos concorrentes e aos consumidores.

Segundo reportagem do jornal "Valor Econômico", o negócio é visto como um dos maiores desafios ao órgão antitruste tanto pelo tamanho da nova empresa quanto por envolver diversos mercados no setor de alimentos, o que aumenta bastante a complexidade da análise.

A união já faz da BRF a maior produtora e exportadora mundial de carne de frango, uma das principais processadoras de carne de porco e a maior abastecedora de alimentos industrializados no país. A previsão de faturamento anual da companhia é de R$ 22 bilhões.

"Era uma discussão quase que óbvia", disse Secches em entrevista coletiva. "A missão da nova empresa é levar produtos e as marcas brasileiras para todo o mundo em um setor no qual o Brasil é o mais competitivo do mundo", afirmou.

A composição do capital da empresa, segundo os executivos, será de 68% de acionistas da Perdigão e 32% da Sadia. Há alguns meses, a Sadia fez uma oferta hostil pela Perdigão. 

Segundo analistas, o negócio ajudará a Sadia a se livrar das especulações negativas que vinham aumentando por conta dos resultados desfavoráveis nos últimos meses. A dívida bruta da empresa evoluiu de R$ 8,5 bilhões para R$ 9,4 bilhões de dezembro para março.

O controle, dizem Secches e Furlan, é inteiramente dos acionistas e será feito por profissionais. Furlan afirmou que sistema será de "governança compartilhada para que as empresas possam utilizar as melhores práticas de mercado".

O acerto depois de 10 anos de negociações, com duas tentativas fracassadas no meio do caminho, veio a partir de conversas no fim de 2008. De acordo com Secches, a assinatura do contrato foi acelerada por não ter sido incluído o debate sobre o destino do Banco Concórdia, que pertence à Sadia e é controlado pelas famílias Fontana e Furlan.

"Simplesmente separamos e fizemos a associação da parte operacional", afirmou Secches.

Desde o começo das negociações estava definido que o banco ficaria de fora da nova empresa, como um negócio independente, controlado pelas famílias Fontana e Furlan. No entanto, restavam duas questões pendentes: o que fazer com um contrato de prazo indeterminado que o banco possuía para explorar a cadeia produtiva da Sadia e como fazer a cisão desse ativo da empresa. A separação do banco envolvia a definição de quanto capital ele necessitaria para existir de forma autônoma.

Ficou decidido que o banco não terá um contrato para explorar a cadeia de fornecedores e clientes da Brasil Foods. Com isso, o banco perde sua razão inicial de existir. Caberá às duas famílias definir o seu futuro. Internamente, o banco vem desenvolvendo estudos para encontrar um novo foco de atuação.

No balanço do primeiro trimestre, a Concórdia Holding Financeira, que controla o banco e a corretora do grupo, tinha patrimônio líquido de R$ 81,5 milhões.

Ainda de acordo com os executivos, uma empresa externa vai ajudar a identificar os talentos de Perdigão e Sadia para atacar melhor o mercado. 

No fim da entrevista, Secches e Furlan posaram com uma camisa do Corinthians com o símbolo da BRF. Por meio da Batavo, a Perdigão era principal patrocinadora do uniforme do atual campeão paulista.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Petrobras nega rumor de compra da Cosan

Ações da maior empresa sucroalcooleira do Brasil dispararam nos últimos dias
 
| 09.04.2009 | 12h57

Portal EXAME -

A Petrobras divulgou comunicado nesta quarta-feira (08/04) negando os recentes rumores de que estaria em negociação para comprar a Cosan, gigante brasileira produtora de etanol e açucar.

Nota publicada na newsletter "Relatório Reservado" nesta semana afirmou que o maior acionista da Cosan, Rubens Ometto, estaria buscando formas de financiamento com a Petrobras e o BNDES.

Como a Petrobras já declarou que poderia comprar participações minoritárias de até 40% em usinas de álcool e que tem planos para exportar etanol para o Japão, o mercado começou a especular sobre uma possível entrada da estatal no capital da Cosan por meio de uma injeção de recursos.

Os rumores fizeram com que as ações da Cosan disparassem mais de 40% nos últimos dias. Às 12h30 desta quinta-feira, os papéis da companhia tinham alta de 4,68%, cotados a 14,55 reais. 

Fonte: Portal Exame

Empresa de Eike Batista obtém licença para porto no Rio

Terminal portuário deve movimentar 50 milhões de toneladas de minério de ferro por ano
 
| 13.04.2009 | 11h33

Portal EXAME -

A empresa LLX Logísitica, controlada pelo grupo EBX do empresário Eike Batista, obteve licença ambiental da Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro para a construção do Porto Sudeste no município de Itaguai, a 80 da capital fluminense.

O porto deve começar a ser construído no segundo semestre deste ano, com a conclusão prevista para 2011. De acordo com o comunicado divulgado nesta segunda-feira (13/04) pela companhia, o terminal portuário terá capacidade para movimentar até 50 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

O porto está sendo desenvolvido para ser um terminal privativo de uso misto com profundidade de 20 metros - o que permite o tráfego de navios bastante carregados. A expectativa é de que o porto movimente a produção da minas da MMX, empresa também controlada pelo grupo EBX, e de outros produtores de minério da região do quadrilátero ferrífero de Mina Gerais.

Para o diretor presidente da LLX, Ricardo Antunes, o projeto será uma excelente alternativa para as empresas mineradores do quadrilátero ferrífero que não possuem ainda uma solução portuária integrada.

A LLX anunciou nas últimas semanas uma série de movimentos que devem ajudar o projeto do porto Sudeste a deslanchar. A empresa primeiro conseguiu uma injeção de capital do BNDESPar.

Depois o BNDES aceitou estudar a liberação de até 75% do total de 1,7 bilhão de reais necessários para a construção do porto. Além disso, a LLX também contratou um assessor financeiro para encontrar um possível comprador para o projeto.

Às 11h10, as ações da LLX (LLXL3) subiam 0,47%, para 2,14 reais.

Fonte: Portal Exame

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Petrobras tem condições de bancar investimentos, afirma Gabrielli | 26.01.2009 | 20h22

Para a diretoria da estatal, críticas ao plano para os próximos cinco anos são "míopes"
 
PORTAL EXAME  Em uma teleconferência com analistas que tomou praticamente toda a tarde desta segunda-feira (26/1), a diretoria da Petrobras procurou desfazer a má recepção do mercado ao plano de investimentos para o período de 2009 a 2013, que prevê 174,4 bilhões de dólares - cifra 55% maior que a do plano anterior, elaborado para o período de 2008 a 2012. Os primeiros relatórios de corretoras e bancos afirmaram que o plano é "agressivo" demais, no atual cenário de crise econômica. Os analistas também se preocupam com o aumento do nível de endividamento da companhia, já que o fluxo de caixa não deve bastar para cumprir os projetos. Para a empresa, o plano é exeqüível. "Dadas as circunstâncias de custos altos e preços baixos, vamos buscar condições de financiar os projetos sem afetar o investment grade", afirmou o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli.

Segundo Gabrielli, há muita margem de manobra para a estatal cumprir seus objetivos sem comprometer sua saúde financeira. Primeiro, porque a empresa elaborou o plano de investimento tomando os custos dos projetos pelo maior valor que alcançaram nos últimos anos - isto é, os vigentes no terceiro trimestre de 2008. Depois, porque a empresa considerou um fluxo de caixa conservador, baseado nas menores projeções para o preço do petróleo para os próximos anos. Nesse caso, a empresa projeta um preço médio de 58 dólares por barril neste ano, subindo gradualmente para 74 dólares em 2012, e voltando a um patamar de 60 dólares em 2014. Quando se cruza as expectativas de cotação com as projeções de vendas da Petrobras para esse período, a companhia seria capaz de contar com um fluxo de caixa de 148,6 bilhões de dólares.

Para completar os recursos e atingir os 174,4 bilhões de dólares previstos no plano, a empresa teria de recorrer ao mercado. Isso elevaria sua alavancagem (o percentual de dívida sobre recursos próprios) para 35% no ponto máximo do período, segundo o diretor financeiro, Almir Guilherme Barbassa. No plano anterior, de 2008 a 2012, a alavancagem era de 20%. Para o executivo, o aumento das dívidas não deve preocupar. Ele cita outro indicador para mostrar que a estatal tem condições de se endividar: a relação dívida líquida sobre ebitda (geração de caixa), que encerrou o terceiro trimestre de 2008 em 0,71. "Isso significa que precisamos de menos de um ano de caixa para pagar todas as dívidas", disse.

Pressão sobre os fornecedores

Outra medida que deve colaborar para o cumprimento das metas é a maior pressão sobre os fornecedores. Segundo Gabrielli, como os custos foram projetados pela máxima dos últimos trimestre - quando o petróleo ainda não havia sentido completamente o impacto da crise mundial, e o mercado petrolífero estava aquecido -, há muita margem para negociar. "Queremos trazer os custos para a nova realidade, e vamos usar nossa condição de grande cliente mundial", disse. Ele observou que, atualmente, a Petrobras é responsável por 23% da produção mundial de petróleo em águas profundas - o que a coloca como líder dessa tecnologia.

Gabrielli afirmou, ainda, que 35% dos projetos previstos para os próximos cinco anos encontram-se nas fases iniciais de elaboração, como estudos de viabilidade e projetos conceituais. Segundo o executivo, as equipes serão orientadas a racionalizar ao máximo esses projetos, a fim de gerar economias para as fases posteriores. Para os investimentos que se encontram em fases mais adiantadas - como a de obra -, ele afirma que ainda pode renegociar alguns contratos.

A Petrobras já assegurou a maioria dos recursos necessários para 2009 e 2010. Neste ano, a estatal deve investir 18,10 bilhões de dólares. O BNDES garantiu 12,5 bilhões para a empresa. Outros 2,5 bilhões virão de linhas de pré-financiamento aprovadas em 2008. Restarão 5 bilhões de dólares, que devem ser captados no mercado por meio da emissão de debêntures. Em 2010, a companhia pretende investir 18,9 bilhões, dos quais já conta com 10 bilhões oriundos do BNDES. "Não é a indústria do petróleo que está com problemas; são os bancos. Por isso, temos de assegurar o financiamento nestes dois anos", disse Gabrielli.

As ações da Petrobras operaram em queda durante toda a manhã desta segunda. Após o almoço, inverteram a direção e fecharam em alta. As ações preferenciais (PETR4, sem direito a voto) subiram 0,46%, a 23,70 reais. Já as ordinárias (PETR3, com direito a voto) avançaram 0,24%, para 28,31 reais. O desempenho, porém, ficou abaixo do Ibovespa, que terminou o dia em 38.509 pontos, uma alta de 0,99%.

Ações da Petrobras sobem depois do anúncio de plano

O plano estratégico da Petrobras prevendo investimentos de US$ 174,4 bilhões até 2013 foi recebido com espanto por analistas do mercado financeiro. Os valores foram mais audaciosos do que as expectativas mais otimistas. Contrariando a maioria das previsões, as ações ordinárias (ON, com direito a voto) da empresa subiram 0,89%, para R$ 23,80, enquanto as preferenciais (PN, sem voto) tiveram alta de 1,24%, cotadas a R$ 28,59.  
Uma das mais críticas, Paula Korvasky, do Itaú, avalia que o plano estratégico é "um exercício acadêmico" que poderá ser mudado dependendo do cenário até o fim do ano. Já o Goldman Sachs admitiu uma certa dúvida sobre a reação do mercado ontem. Os analistas, no entanto, afirmam que o plano pode tornar a Petrobras a companhia "mais bem posicionada entre as maiores produtores de petróleo do mundo para o próximo ciclo de alta de preços".  
O plano prevê financiamentos de US$ 11,9 bilhões do BNDES em 2009 e de US$ 10 bilhões em 2010 a serem pagos em 30 anos. A empresa vai captar US$ 5 bilhões junto a bancos, tendo compromisso de emitir bônus equivalentes em um prazo de dois anos, informou o diretor financeiro, Almir Barbassa. 
Além de manter os projetos das quatro grandes refinarias em Pernambuco, Maranhão e Ceará, a Petrobras vai construir uma planta de fertilizantes no país e estuda mais dois terminais de Gás Natural Liquefeito (GNL). Um desses terminais é investimento garantido, informou a diretora da área de Gás e Energia, Maria das Graças Foster.  
Dos US$ 174 bilhões programados para os próximos cinco anos, US$ 28,6 bilhões serão investidos nesse ano, o equivalente a R$ 60 bilhões. A própria companhia admite que o plano é agressivo, mas entende que ele é viável. 

Segundo a Reuters, os papéis de empresas de serviços do setor de petróleo subiam ontem. As ações da italiana Saipem, maior grupo de serviços do setor de petróleo da Europa, subiram 2,16%, enquanto as da francesa Technip tiveram alta de 2,6%. Já as ações da Wellstream, fabricante de oleodutos com fábrica em Niterói (RJ) e grande fornecedora da Petrobras, subiram 12,62%. As ações da norueguesa Acergy, especializada em serviços e equipamentos submarinos, se valorizaram 3,78%.  
A Reuters informou ainda que um operador relatou rumores de que o Goldman Sachs teria elevado a meta para demanda de sondas em águas profundas entre 15% e 20%, e acrescentou a suíça Transocean à sua lista de "compras" diante do anúncio da Petrobras. 
Relatório do banco UBS Pactual assinado pelo analista Gustavo Gattass, avalia que o orçamento de investimentos é impraticável se os preços permanecerem baixos. O UBS também questiona a previsão de geração de caixa da companhia, que pode exigir mais financiamentos, algo em torno de US$ 70 bilhões. Considerando-se o atual valor de mercado, de US$ 90 bilhões, ele acredita que os números não são realistas a não ser que a empresa faça aumento de capital.  
Emerson Leite, do Credit Suisse, ponderou que para executar investimentos de US$ 174,4 bilhões tendo 35% de dívida, a Petrobras precisa que o barril de petróleo fique na média de US$ 78. A companhia informou que trabalhou com o preço médio de US$ 37 para o barril do petróleo em 2009 para chegar a uma necessidade de financiamento de US$ 18 bilhões. Para 2010, se o petróleo estiver a US$ 40, serão necessários financiamentos de US$ 18 bilhões a US$ 19 bilhões.  
O Goldman Sachs fez um dos relatórios mais otimistas sobre a Petrobras. "Acreditamos que o investidor está melhor com a Petrobras tendo que construir refinarias no Brasil em troca de receber uma posição dominante no pré-sal", diz relatório assinado por Arjun Murti. Para o banco, o Brasil é uma das regiões mais atraentes para a produção de petróleo fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, admitiu que, se os preços usados como parâmetro não se realizarem, a companhia irá rever seus planos.