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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Bolsa lançará recibo de ações de empresas estrangeiras

BDR Nível I Não Patrocinado é um certificado representativo de valores mobiliários de emissão de companhia aberta ou assemelhada, com sede no exterior
Agência Estado  
SÃO PAULO - A BM&FBovespa passará a oferecer, em 5 de outubro, recibos de ações estrangeiras - os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) Nível I Não Patrocinados. Esse primeiro lote envolve BDRs de dez empresas: Apple, Google, Bank of America Corporation, Arcelor Mittal, Goldman Sachs Group, Avon, Wal Mart, Exxon Mobil Corporation, McDonald's e Pfizer, todas listadas em bolsas norte-americanas. O Deutsche Bank é a instituição financeira responsável pela emissão dos recibos.
O BDR Nível I Não Patrocinado é um certificado representativo de valores mobiliários de emissão de companhia aberta ou assemelhada, com sede no exterior. Desta forma, é considerado investimento no exterior. Sua emissão e seu registro são de responsabilidade de uma instituição depositária no Brasil, sem qualquer participação das companhias.
O novo produto poderá ser negociado por instituições financeiras e fundos de investimento, além de administradores de carteira e consultores de valores mobiliários autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) - estes dois últimos somente utilizando recursos próprios. Os investidores pessoas físicas poderão participar da nova modalidade de investimento apenas por meio de fundos. A negociação ocorrerá no mercado de balcão organizado do segmento Bovespa.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Fusões e aquisições movimentam setor de TI


    Ryan Flinn, Serena Saitto e Tim Mullaney, Bloomberg, de San Francisco e Nova York
    05/04/2010
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Divulgação
Foto Destaque
Mitchell, da Scale Venture Partners: bom momento para companhias iniciantes
As companhias do Vale do Silício com intenção de botar seu dinheiro para trabalhar poderão liderar uma onda de fusões este ano, segundo andam afirmando banqueiros e capitalistas de risco.
As empresas estão ansiosas por fazer aquisições porque muitas delas reduziram seus orçamentos de pesquisa e desenvolvimento, afirma Robert Ackerman, fundador e diretor da Allegis Capital de Palo Alto, Califórnia. Isso significa que as companhias não estão conseguindo recorrer à própria criatividade para alimentar o crescimento. Mais empresas estão dependendo das aquisições para encontrarem seus próximos produtos ou serviços, diz ele.
"O estoque de produtos está limitado, mas o mercado continua crescendo", disse Ackerman. "Em todo lugar que se vê uma arrancada de inovação pela frente, há um déficit de produtos para as companhias, e elas vão tentar preencher isso."
O Google, baseado em Mountain View, na Califórnia, é no momento uma das companhias maior apetite por aquisições, tendo comprado pelo menos cinco empresas em 2010. A companhia fechou no mês passado a compra da Picnik, que trabalha com ferramentas de edição de fotografias. A aquisição da DocVerse proporcionou a ela sistemas que permitem às pessoas compartilhar documentos pela internet. O valor desses negócios não foi revelado.
O maior negócio individual realizado na Califórnia este ano foi a compra pela Shiseidoda Bare Escentuals de San Francisco por cerca de US$ 1,7 bilhão.
O volume de negócios realizados na Califórnia caiu depois de 2007, quando mais de 2.670 transações no total de US$ 254 bilhões foram efetuadas. Neste ano, houve até agora cerca de 530 negócios avaliados em US$ 16,7 bilhões. É num número maior que o dos três primeiros meses do ano passado, embora o valor tenha sido maior em 2009, cerca de US$ 30 bilhões.
Os alvos locais de aquisição incluem a McAfee, de Santa Clara, a Tibco Software, de Palo Alto, e a ArcSight, de Cupertino, segundo afirma Brent Thill, analista do UBS em San Francisco. A McAfee e a ArcSight, que criam programas para a proteção de dados, poderiam envolver as maiores somas por causa do aumento das ameaças à segurança na internet. Os sistemas da Tibco ajudam programas de todos os tipos a compartilharem informações.
Goldman Sachs também cita a Salesforce.com, de San Francisco, e a VMware, de Palo Alto, como possibilidades - embora essas companhias não estejam entre os alvos mais prováveis, segundo o Goldman. A Salesforce.com fabrica softwares de relacionamento on-line com clientes, enquanto a VMware vende os chamados programas de virtualização, que ajudam os computadores a rodarem mais de um sistema operacional. Representantes de todos os possíveis alvos mencionados recusaram-se a comentar o assunto.
No norte da Califórnia, houve 45 negócios envolvendo companhias iniciantes apoiadas por capital de risco nos primeiros três meses de 2010, segundo a National Venture Capital Association. Este foi o maior número trimestral registrado em pelo menos cinco anos. Mais de 50 companhias da Califórnia possuem pelo menos US$ 1 bilhão em caixa e equivalentes, que elas poderiam usar para aquisições. Segundo dados da Bloomberg, elas são lideradas por um trio da área da Baía de San Francisco: o banco Wells Fargo & Co., de San Francisco, com US$ 68 bilhões; A Cisco Systems, de San Jose, com US$ 39,6 bilhões; e a Apple, de Cupertino, com US$ 24,8 bilhões.
"Há muito caixa nos balanços, de modo que eu acho que o momento é excelente para as companhias iniciantes", diz Kate Mitchell, diretora de operações da Scale Venture Partners, de Foster City, na Califórnia.
O valor dos negócios na Califórnia superou os US$ 378,1 bilhões em 2000, durante a bolha da internet, quando houve mais de 2,2 mil transações. Foi preciso cinco anos para que o número de negócios superasse esse pico anterior, e o volume em dólar nunca chegou perto de repetir o momento de glória da era pontocom.
A última recessão foi a pior desde a Grande Depressão, mas na verdade ela não foi tão devastadora para os negócios na Califórnia quanto o colapso da bolha pontocom. Depois do acesso fácil ao capital de risco e aos recursos obtidos com aberturas de capital, no fim dos anos 90 e 2000, o dinheiro secou. A indústria das fusões e aquisições atingiu o fundo do poço em 2000, quando apenas 1.505 transações, no valor de US$ 95,3 bilhões, foram realizadas.
Os negócios melhoraram aos poucos nos quatro anos seguintes, voltando a atingir um pico em 2006 e começo de 2007. No primeiro trimestre de 2007, foram realizados 665 negócios ao valor de US$ 59,8 bilhões. Isso é mais que o triplo do número de negócios realizados no trimestre passado.
Tor Braham, diretor de fusões e aquisições do Deutsche Bank para o setor de tecnologia em San Francisco, diz que as fusões deverão aumentar novamente por dois motivos. "As firmas de 'private equity' levantaram muito dinheiro antes da crise financeira e há pressões para que elas gastem esse dinheiro antes do vencimento dos compromissos", diz ele. Além disso, "os vendedores querem fazer negócio este ano, antes do esperado aumento dos impostos sobre ganhos de capital".
As firmas de private equity captaram US$ 538 bilhões em 2006 e US$ 587 bilhões em 2007, pouco antes da recessão, segundo o Private Equity Council de Washington. Enquanto isso, os impostos sobre ganhos de capital poderão passar dos 20% para pessoas que ganham mais de US$ 250 mil, sob as propostas orçamentárias apresentadas ao Congresso americano.
No primeiro trimestre, o Deutsche Bank aconselhou a Techwell na aquisição da IntersilCorp. por US$ 370 milhões. O banco também trabalhou com a Nimsoft em sua aquisição pela CA por US$ 350 milhões, e com a Francisco Partners na venda da Numonyx para aMicro Technology por cerca de US$ 1,3 bilhão.
Mesmo com a retomada das fusões, os níveis registrados em 2007 não deverão ser alcançados antes do ano que vem, afirma Braham. "A atividade de fusões e aquisições no setor de tecnologia esteve muito pacata no primeiro trimestre", diz ele.
Matt Murphy, sócio da Kleiner Perkins Caulfield & Byers, de Menlo Park, está mais otimista. O número de aquisições deste ano deverá ficar próximo do nível de 2005, aposta ele. "Parece que há uma demanda reprimida."
A área de tecnologia móvel é uma em que as grandes empresas querem crescer, o que levará a mais aquisições, afirma Murphy. "Definitivamente as fusões e aquisições estão reagindo", diz ele. "Será um ano excelente." (Tradução de Mário Zamarian)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Teoria da conspiração? Tese de fraude do petróleo aponta roubo de US$ 2 trilhões/mês

Por: Valter Outeiro da Silveira
26/11/09 - 13h24
InfoMoney

SÃO PAULO - Bernard Madoff entrou para a história como ninguém deseja, ao ser o mentor do esquema Ponzi que resultou em um prejuízo total de US$ 50 bilhões, segunda maior fraude da história dos EUA, atrás apenas do escândalo da Enron em 2001, com perdas de US$ 63,4 bilhões.

Imagine se existisse uma fraude 50 vezes superior à de Madoff, com cerca de US$ 2,5 trilhões em perdas. Além do montante expressivo, idealize uma periodicidade mensal para tal prejuízo. Do impossível para a realidade subliminar, esse é o provável montante que os traders e bancos roubam da renda real do mundo através do petróleo.

Em artigo publicado no website Seeking Alpha, Philip Davis desnuda a possibilidade da maior fraude existente na história, ao revelar como aproximadamente 99% dos negócios nos mercados futuros de petróleo não passam de meras especulações, em um esquema envolvendo bancos, petrolíferas e até a própria imprensa.

Fantasma de mão dupla
"US$ 2,5 trilhões é menos do que o preço excedente que a população é manipulada todo mês para pagar por um barril de petróleo", afirma Davis, ao ressaltar que tais roubos ocorrem na ICE (Intercontinental Exchange).

Criada em 2001, a ICE possui como fundadoras as petrolíferas BP (British Petroleum), Royal Dutch Shell e Total, além dos bancos Morgan Stanley, Goldman Sachs, Deutsche Bank e Société Générale. A bolsa é sediada em Altanta, nos EUA, mas a regulação norte-americana passa longe das negociações.

Tamanha falta de regulação gera as chamadas dark pools of liquidity, ATS (Alternative Trading Systems) usados por traders que procuram movimentar grandes quantias sem revelar as operações no mercado aberto. Como decorrência, a especulação toma forma, e explica como o barril de petróleo saltou de US$ 40,00 para US$ 80,00 somente este ano, em meio à fraca demanda física pela commodity.

Á procura da verdade, Davis mostra que investigação do Congresso dos EUA datada de 2003 descobriu como a ICE é usada para facilitar negociações "round trip" (viagens de ida e de volta), nas quais uma firma "A" vende energia para uma empresa "B", que vende novamente o mesmo montante de volta para a firma "A": o resultado real é nulo, mas o sinal ascendente para os preços do petróleo não.

Preços disparam e ignoram demanda real
Na época em que a DMS Energy foi investigada pelo governo norte-americano, a empresa de energia assumiu que nada menos de 80% das negociações em 2001 eram fantasmas. Em movimento semelhante, a Duke Energy revelou que negociou US$ 1,1 bilhão através das round trips, sendo dois terços comercializados na ICE.

"Você pode enxergar o dano causado pelo Goldman Sachs e por sua gangue de ladrões quando olhar a diferença de preços antes da criação da ICE e depois da criação da ICE", afirma Davis, ao ressaltar que, em apenas cinco anos após a criação (de 2001 a 2006), os preços das commodities triplicou - contraparte impossível na demanda.

Para Chris Cook, ex-diretor da International Petroleum Exchange, os laços entre bancos e petrolíferas são bem mais antigos do que se pensa. "Parece-me claro que o Goldman Sachs e a BP vêm trabalhando em cooperação - ao menos em um nível estratégico - por pelo menos 15 anos", diz Cook.

A ponte mais do que estreita entre bancos e petrolíferas lembra a tese de Vladimir Lenin no texto "Imperialismo, fase superior do capitalismo", no qual explicita a junção entre capital industrial e capital bancário, resultando apenas em um tipo de capital: o financeiro.

Petróleo: causa da recessão?
Antes da existência da ICE, as famílias norte-americanas gastavam, em média, 7% de sua renda em alimentos e combustíveis. No último ano, a proporção saltou para 20%. "Isso é 13% da renda de todo norte-americano, o que dá mais de US$ 1 trilhão por ano, roubados através da manipulação do mercado", completa Davis, citando que, em uma escala global, US$ 4 trilhões são roubados por ano - 80 vezes o tamanho da fraude de Madoff.

Nesse sentido, Jeff Rubin, economista-chefe do CIBC (Canadian Imperial Bank of Commerce), sugere que a recessão corrente foi causada pelos altos preços do petróleo, ao afirmar que as hipotecas não pagas nos EUA são apenas um sintoma da doença causada pelo óleo bruto. Talvez explique porque o Japão e algumas economias na Zona do Euro entraram em recessão antes mesmo da bolha norte-americana estourar.

Além disso, os elevados preços do petróleo foram responsáveis por quatro das últimas cinco recessões do mundo, podendo ter começado também a atual, caso confirmada a tese. "Os choques do petróleo criam recessões, ao transferirem bilhões de dólares de economias em que os consumidores gastam cada centavo que possuem para países com alta taxa de poupança. Enquanto esses petrodólares podem ser reciclados de volta para fundos soberanos de investimento, eles não são reciclados para a demanda real", completa Rubin.

Parabéns, você construiu Dubai
Embora sem provas concretas, dada à falta de regulação na ICE - reguladores seriam subornados? -, a teoria da manipulação pode ser verdadeira, em um mercado cansado de especulação. Ou seria o próprio mercado a personificação da especulação?

Entre tantas questões, sempre lembre: quanto será da minha renda que está indo para a construção de um palácio de ouro no Oriente Médio, ou para algum trader do Goldman Sachs?

Fonte: Infomoney

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ações da Petrobras sobem depois do anúncio de plano

O plano estratégico da Petrobras prevendo investimentos de US$ 174,4 bilhões até 2013 foi recebido com espanto por analistas do mercado financeiro. Os valores foram mais audaciosos do que as expectativas mais otimistas. Contrariando a maioria das previsões, as ações ordinárias (ON, com direito a voto) da empresa subiram 0,89%, para R$ 23,80, enquanto as preferenciais (PN, sem voto) tiveram alta de 1,24%, cotadas a R$ 28,59.  
Uma das mais críticas, Paula Korvasky, do Itaú, avalia que o plano estratégico é "um exercício acadêmico" que poderá ser mudado dependendo do cenário até o fim do ano. Já o Goldman Sachs admitiu uma certa dúvida sobre a reação do mercado ontem. Os analistas, no entanto, afirmam que o plano pode tornar a Petrobras a companhia "mais bem posicionada entre as maiores produtores de petróleo do mundo para o próximo ciclo de alta de preços".  
O plano prevê financiamentos de US$ 11,9 bilhões do BNDES em 2009 e de US$ 10 bilhões em 2010 a serem pagos em 30 anos. A empresa vai captar US$ 5 bilhões junto a bancos, tendo compromisso de emitir bônus equivalentes em um prazo de dois anos, informou o diretor financeiro, Almir Barbassa. 
Além de manter os projetos das quatro grandes refinarias em Pernambuco, Maranhão e Ceará, a Petrobras vai construir uma planta de fertilizantes no país e estuda mais dois terminais de Gás Natural Liquefeito (GNL). Um desses terminais é investimento garantido, informou a diretora da área de Gás e Energia, Maria das Graças Foster.  
Dos US$ 174 bilhões programados para os próximos cinco anos, US$ 28,6 bilhões serão investidos nesse ano, o equivalente a R$ 60 bilhões. A própria companhia admite que o plano é agressivo, mas entende que ele é viável. 

Segundo a Reuters, os papéis de empresas de serviços do setor de petróleo subiam ontem. As ações da italiana Saipem, maior grupo de serviços do setor de petróleo da Europa, subiram 2,16%, enquanto as da francesa Technip tiveram alta de 2,6%. Já as ações da Wellstream, fabricante de oleodutos com fábrica em Niterói (RJ) e grande fornecedora da Petrobras, subiram 12,62%. As ações da norueguesa Acergy, especializada em serviços e equipamentos submarinos, se valorizaram 3,78%.  
A Reuters informou ainda que um operador relatou rumores de que o Goldman Sachs teria elevado a meta para demanda de sondas em águas profundas entre 15% e 20%, e acrescentou a suíça Transocean à sua lista de "compras" diante do anúncio da Petrobras. 
Relatório do banco UBS Pactual assinado pelo analista Gustavo Gattass, avalia que o orçamento de investimentos é impraticável se os preços permanecerem baixos. O UBS também questiona a previsão de geração de caixa da companhia, que pode exigir mais financiamentos, algo em torno de US$ 70 bilhões. Considerando-se o atual valor de mercado, de US$ 90 bilhões, ele acredita que os números não são realistas a não ser que a empresa faça aumento de capital.  
Emerson Leite, do Credit Suisse, ponderou que para executar investimentos de US$ 174,4 bilhões tendo 35% de dívida, a Petrobras precisa que o barril de petróleo fique na média de US$ 78. A companhia informou que trabalhou com o preço médio de US$ 37 para o barril do petróleo em 2009 para chegar a uma necessidade de financiamento de US$ 18 bilhões. Para 2010, se o petróleo estiver a US$ 40, serão necessários financiamentos de US$ 18 bilhões a US$ 19 bilhões.  
O Goldman Sachs fez um dos relatórios mais otimistas sobre a Petrobras. "Acreditamos que o investidor está melhor com a Petrobras tendo que construir refinarias no Brasil em troca de receber uma posição dominante no pré-sal", diz relatório assinado por Arjun Murti. Para o banco, o Brasil é uma das regiões mais atraentes para a produção de petróleo fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, admitiu que, se os preços usados como parâmetro não se realizarem, a companhia irá rever seus planos.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Para Goldman Sachs, Bolsas estão perto da virada

Para o economista do banco Jim O'Neill, as ações já estão muito baratas e podem voltar a atrair compradores.
Enquanto a maioria dos analistas afirma que só Deus sabe onde está o fundo do poço para as bolsas de todo o mundo, o economista americano Jim O'Neill acredita que a virada pode estar próxima. Chefe do Departamento de Pesquisas Econômicas do banco Goldman Sachs e criador da famosa sigla Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), ele afirma que o preço das ações já caiu muito, o que fatalmente atrairá de volta os compradores. Veja abaixo os principais trechos da entrevista de O'Neill, que respondeu a EXAME durante uma pausa do trekking que faz pelo Himalaia: 

EXAME - Desde a queda do Lehman Brothers, os mercados emergentes sofrem fortes solavancos. As quedas nas bolsas chegam a superar as de países desenvolvidos. O que houve? 

Jim O'Neill - O colapso do Lehman Brothers não trouxe muitas dúvidas - trouxe grandes dúvidas. Gerou a preocupação de que nenhum banco estava realmente seguro. O resultado foi que a crise de crédito se intensificou dramaticamente, e ela atingiu a economia real dos países desenvolvidos e dos Estados Unidos. Isso derrubou o preço das commodities, e é aqui que o Brasil foi pego pela crise. Mas o descolamento das economias emergentes não terminou completamente. Basta ver que as vendas do varejo, na China, cresceram 23% em setembro. 

EXAME - O que justifica as bolsas emergentes caírem mais que as dos países ricos, que estão no centro da crise? 

O'Neill - A principal razão é que era moda investir nos mercados emergentes em 2007. Por isso, muito capital especulativo chegou tarde à festa, e ao primeiro sinal de problemas, desapareceu. 

EXAME - Por que os investidores estão deixando o Brasil, se os analistas afirmam que as perspectivas econômicas são positivas? 

O'Neill - A saída não tem nada a ver com o Brasil. Ela tem tudo a ver com a profunda falta de crédito. Olhando para o desempenho do real e para os números da economia, o Brasil ainda parece muito bom para mim. 

EXAME - O que pode ser feito para reverter a tendência de queda das bolsas? 

O'Neill - Eu penso que podemos estar próximos da virada em todo o mercado de capitais. Os ativos estão, certamente, muito baratos. Talvez fosse bom para o Brasil, se os investidores locais participassem mais da bolsa, em vez de investir tanto em títulos públicos. Isso a tornaria menos dependente do capital estrangeiro, que às vezes é muito volátil.

Por Márcio Juliboni