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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Google entra em turismo on-line para diversificar receita


O Google acaba de lançar no mercado americano serviços voltados para a área de turismo, como parte da sua estratégia para reduzir a sua dependência em relação à publicidade on-line. Em visita ao Brasil, Alex Diaz, gerente global de produtos do Google, reúne-se hoje com empresários brasileiros em busca de parceiros para desenvolver a versão local das ferramentas (serviços) "o mais rápido possível".
"Não são ferramentas que dependem exclusivamente da tecnologia de que dispomos, mas de parceiros", afirma Diaz. Antes dessa apresentação em grande escala, o Google já havia fechado parceria com os sites Decolar.com e Submarino Viagens, com a empresa de turismo CVC e o grupo hoteleiro Marriott.
Os sistemas de busca de hotéis (Google Hostel Finder) e de voos (Google Flights) foram desenvolvidos com tecnologia da americana ITA Software, comprada pelo Google adquiriu há cinco meses, por US$ 700 milhões. A ITA tinha um software de algoritmo para pesquisa de passagens aéreas por data, faixa de preço e trechos, entre outras opções.
"Combinamos os algoritmos com a interface mais amigável do Google e nossa capacidade de pesquisa rápida", afirma o executivo. A ferramenta de busca de voos possibilita ao usuário interessado em viajar várias opções para pesquisa de passagens. E também oferece uma opção de reserva de voo no próprio site do Google, no caso das companhias aéreas que fecharam parceria com a gigante de internet. Essas companhias pagam uma taxa por voo reservado. No caso das demais empresas, fica disponível o link de acesso para suas respectivas páginas.
O sistema de busca de hotéis foi desenvolvido seguindo os mesmos padrões do serviço de busca de voos. Thiago Machado, diretor de negócios para turismo do Google no Brasil, aponta como diferencial a visualização dos resultados em uma só página. De acordo com pesquisas baseadas nas buscas de usuários feitas no Google, os viajantes acessam, em média, 20 sites diferentes para tomar suas decisões de viagem. "A ideia é tornar mais fácil a vida do internauta comum e de pequenas agências de turismo", afirma.
O Google não informa a previsão de receita com o serviço de turismo. Diaz observa que o turismo movimenta US$ 150 bilhões ao ano no mundo e cresce a uma taxa média de 8%. A companhia já se beneficiava desse mercado, com a venda de links patrocinados. Entre 2005 e 2010, o volume de anúncios turísticos cresceu 18 vezes, diz Machado.
Mas, competir na oferta de serviços como o de reservas de passagens será um pouco mais complicado do que oferecer links patrocinados - segmento que o Google lidera com segurança. A companhia vai enfrentar competidores já consolidados no mercado, como Kayak, TripAdvisor, Bing Travel, Expedia e Orbitz.
Diaz, no entanto, está confiante de que o Google pode atingir uma participação significativa de mercado, sobretudo com o lançamento de outros serviços já em desenvolvimento. Entre eles estão estudos sobre tendências de consumo para agências de turismo e aplicativos para smartphones.
A empreitada pode ajudar o Google a reduzir sua dependência de anúncios. No primeiro semestre fiscal, 97% da receita da companhia veio da publicidade, ante 96% no mesmo intervalo de 2010. O restante foi obtido com serviços relacionados à publicidade, licenciamento de produtos, serviços de pesquisa e outras tecnologias - como oferta de sistemas operacionais e de softwares para uso empresarial na nuvem.
Dos US$ 17,022 bilhões de receita obtidos no semestre, US$ 12,111 bilhões vieram da publicidade nos sites do Google. Outros US$ 4,911 bilhões foram obtidos com a venda de espaço publicitário em sites da rede do Google (como Orkut e YouTube) e o restante - US$ 580 milhões - foi alcançado com os demais produtos e serviços.
Fonte: Valor

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A difícil tarefa de substituir Steve Jobs


Tim Cook, que substitui Steve Jobs no comando da Apple pela terceira vez em sete anos, vai enfrentar o desafio de manter o ritmo do desenvolvimento de produtos da companhia e de preparar a fabricante do iPhone e do iPad para competir com o Google.
Cook, um guru operacional de 50 anos de idade, assumiu o posto na segunda-feira, depois de Jobs - que já passou por um tratamento de câncer e um transplante de fígado - anunciar outra licença médica. Em um e-mail aos funcionários, Jobs disse que permanece como executivo-chefe e que continuará envolvido nas principais decisões estratégicas, embora não tenha dito quando poderá voltar.
Como principal executivo operacional, Cook comanda o dia a dia dos negócios. Em 2009, quando assumiu o comando da Apple por quase seis meses, durante o transplante de Jobs, as ações da Apple aumentaram quase 70%. Enquanto Jobs, de 55 anos, orienta a visão criativa dos produtos da Apple, Cook supervisiona as áreas de vendas, manufatura e distribuição. Ele pode assumir o comando de maneira hábil novamente, diz Peter Misek, um analista do banco de investimento Jefferies & Co.
"Ele é uma estrela, apenas um tipo de estrela diferente de Steve", afirma Misek. "Comprovadamente, é um dos melhores administradores de cadeia de suprimentos do mundo, se você observar a administração do capital de giro, do fluxo de caixa e dos ciclos de conversão de caixa - todos grandes indicadores."
A saúde de Jobs deteriorou-se nas últimas semanas e ele tem ido ao escritório poucas vezes por semana, de acordo com uma pessoa que conhece o fundador da Apple e não quis se identificar porque o assunto é particular.
A capacidade de Cook para dirigir os negócios não é questionada, mas há dúvidas se ele poderá se tornar um visionário
As ações da companhia caíram 2,25% ontem, para US$ 340,65, na bolsa eletrônica Nasdaq. Mas, no mês a valorização foi de 5,61%.
Embora a Apple não tenha publicamente nomeado Cook como sucessor de Jobs, o executivo é o herdeiro legítimo, diz Avi Greengart, diretor de pesquisa de dispositivos de consumo da Current Analysis, uma empresa de pesquisa de mercado. Ele afirma que a Apple continuará a ser bem-sucedida em seus mercados atuais, mas questiona como a companhia vai se sair, sem Jobs, na tarefa de encontrar novas direções.
"Jobs tem uma habilidade quase mágica para identificar mercados que sejam pequenos e segmentados, e entender o que é preciso fazer para torná-los grandes negócios", diz Greengart. "Só há um Steve Jobs."
Cook está assumindo uma companhia cujo valor de mercado mais que duplicou, para US$ 321 bilhões, desde que ele substituiu Jobs pela última vez. A expansão foi impulsionada pelo iPhone, cujas vendas quase dobraram no ano fiscal encerrado em setembro, e pelo computador tablet iPad, que começou a ser vendido em abril nos Estados Unidos.
"Tim Cook pode, obviamente, conduzir [a empresa]", diz Michael Yoshikami, estrategista-chefe de investimento da YCMNet Advisors, empresa de administração de recursos. "A questão é: ele pode ser um visionário? Disso não temos certeza ainda."
A Apple enfrenta um adversário formidável - os smartphones baseados no sistema operacional Android, do Google. O sistema tornou-se o mais vendido nos Estados Unidos, de acordo com a empresa de pesquisa comScore, somando uma participação de 26% do mercado em novembro, frente aos 25% do iPhone.
A companhia está tentando alcançar o Google na área de publicidade móvel. A estimativa é de que a Apple tenha encerrado o ano passado com 59% do mercado americano de anúncios móveis, enquanto a Apple teria terminado o período com menos de 10%, informou a consultoria IDC , no mês passado. As duas empresas também disputam o mercado de softwares capazes de colocar conteúdo da internet na TV.
Jobs é meticuloso não só no cuidado com o desenho e o desenvolvimento dos produtos, mas também na maneira como os novos aparelhos são lançados e vendidos. Ele ensaia suas apresentações de cinco a dez vezes antes de fazê-las ao público, segundo uma pessoa que trabalhou com Jobs. Cook ainda tem de provar sua habilidade de revelar novos equipamentos com o mesmo sucesso, diz essa pessoa, que pediu para não ser identificada porque não está autorizada a falar pela Apple.
Cook, que consome barras energéticas para suportar maratonas de reuniões que podem durar a noite toda, é um mestre no método socrático, inquirindo executivos que se reportam a ele e expondo-os quando eles estão despreparados, disse Mike Janes, que trabalhou com ele por cinco anos na loja on-line da Apple, em uma entrevista em 2009.
Nascido em Mobile, no Alabama, Cook é solteiro e formou-se em engenharia pela Auburn University, em seu Estado natal. Ele tem mestrado em administração de negócios pela Duke University, da Carolina do Norte. Em 1998, foi contratado pela Apple para alcançar a eficiência de rivais como Dell e Hewlett-Packard (HP).
No ano fiscal 2010, Cook recebeu US$ 59,1 milhões da Apple, incluindo um bônus especial de US$ 5 milhões e US$ 52,3 milhões em ações, que ganhou em reconhecimento ao "seu excelente desempenho" no período, segundo a Apple.
Fonte: Valor

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Sazonalidade na internet é comparável à da televisão

Segundo a cultura chinesa, a vida humana, assim como a natureza, é feita de ciclos. A internet, 'construída' por pessoas, também está sujeita às sazonalidades na audiência. A procura sazonal por conteúdos está diretamente ligada a eventos que mudam o cotidiano por determinado período. E, embora as redes sociais tenham se tornado o principal interesse dos brasileiros, os assuntos e o comportamento seguem rotina semelhante à das emissoras de TV.
Em janeiro, por exemplo, ganham mais audiência as notícias de clima, os sites de automóveis e de finanças pessoais, segundo dados do Ibope Nielsen Online. Em maio, o espaço é para as mensagens e cartões de Dia das Mães. "Julho, por conta das férias escolares, é de longe o mês com a maior média de audiência", afirma o analista de mídia do Ibope Nielsen Online, José Calazans. Nesse caso, as páginas mais acessadas são as de jogos, vídeos e, claro, as redes sociais. No fim do ano, ganham destaque as compras on-line, informações sobre vestibulares, as mensagens de boas festas e, nos últimos dois anos, Mega Sena da Virada.
Semelhante à Copa do Mundo e às eleições, o "reality show" "Big Brother Brasil" está entre os eventos de maior procura sazonal na web, entre janeiro e março. Segundo dados da Globo, o site do BBB11 registrou no primeiro dia do programa 1,3 milhão de acessos, 48% mais que no primeiro dia da edição passada. O número de páginas vistas foi de 8,4 milhões, ante 3,1 milhões do BBB10.
O programa também ficou entre quatro dos dez termos mais buscados pelo Google na semana passada. Nas redes sociais, o programa rendeu mais de 510 mil mensagens até o dia 11. "Eventos que geram uma comoção social, como novelas e "reality shows", catalisam a audiência", afirma o diretor de desenvolvimento editorial do iG, Caíque Severo. O portal é o quarto em audiência, com 23,2 milhões de visitantes ao mês, depois de Google (33,6 milhões), MSN (32 milhões) e UOL (26,8 milhões).
Segundo Severo, a internet funciona como um canal de conversa paralela à mídia convencional. Com a chegada de novos usuários da classe C, que assistem mais TV que as classes A e B, a tendência é que a programação das grandes emissoras motive mais audiência nos portais e redes sociais.
No portal Terra, que conta com uma audiência de 22,1 milhões de visitantes por mês, a situação é semelhante, afirma o diretor de inteligência de mercado do portal Terra e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Coutinho. "A sazonalidade de conteúdo na internet tende a se tornar cada vez mais semelhante à de outras mídias, por conta da popularização do acesso à web", diz. No portal Terra, como no iG, os temas que despertam mais interesse dos usuários são os sites de celebridades, informações sobre esportes e noticiário mundial e nacional.
O diretor de audiência do Yahoo Brasil, Fabio Boucinhas, observa que além do "reality show", também têm uma procura maior neste mês as notícias sobre clima, condições de trânsito e até sites sobre dieta. "Muita gente resolve trocar de carro ou emagrecer para cumprir a promessa de Ano Novo e isso também influencia a audiência", afirma. Para janeiro, a expectativa é de que haja um aumento na audiência de 10% a 15%, em função das férias escolares e do BBB, diz Boucinhas. O portal não divulga projeção para o ano, mas para o executivo, em um ano sem Copa do Mundo e nem eleições, a preparação para a Olimpíada no Brasil e o primeiro ano de governo Dilma Rousseff devem garantir boa parte da audiência na internet. O portal tem uma média de 21,5 milhões de visitantes únicos por mês.
O diretor-executivo da consultoria ComScore, Alexander Banks, confirma que há mudanças na procura por conteúdo ao longo do ano. E, de modo geral, há incremento no acesso nas principais categorias. Até novembro de 2010, o acesso à internet nos domicílios e empresas no Brasil, considerando o público com mais de 15 anos de idade, havia crescido 19,7%, alcançando 39,3 milhões de usuários.
O tempo médio de acesso por mês não mudou muito. Em média, cada internauta ficou 26 horas e 54 minutos por mês na web, 12 minutos a mais do que no ano anterior.
Fonte: Valor

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Oferta do Facebook é a mais esperada desde Google

A estreia mais esperada do mercado acionário americano desde o Google começou a tomar movimento nesta semana, com o Facebook preparando o terreno para uma possível listagem de suas ações daqui a pouco mais de um ano.
O site de relacionamentos sociais já havia chamado a atenção dos investidores por conta do plano para levantar até US$ 2 bilhões em capital adicional, o que deverá conferir um valor de US$ 50 bilhões para a jovem empresa e colocar em evidência o mercado privado cada vez maior para ações de companhias relacionadas à internet.
Facebook e GoldmanSachs, o banco que encabeçou a nova rodada de financiamento, não quiseram comentar o acordo, nem mesmo o provável avanço em direção a uma oferta pública inicial de ações.
O banco de Wall Street entrou com US$ 375 milhões em recursos próprios, juntamente com outros US$ 125 milhões da firma russa de investimentos em internet DST. O Goldman também convidou seus próprios clientes institucionais para investir no Facebook, com o que arrecadou mais US$ 1,5 bilhão.
A nova rodada de financiamento confere um valor ao Facebook cinco vezes maior do que aquele calculado em maio de 2009, quando o primeiro investimento da DST avaliou a empresa em US$ 10 bilhões — quantia considerada exorbitante na época.
A natureza sigilosa da transação e o fato de ter sido limitada a alguns poucos privilegiados atraíram críticas em algumas partes do Vale do Silício, onde foi vista como uma tentativa do fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, de evitar a fiscalização pública integral de seus números que seria necessária no caso de abertura de capital.
A operação privada para levantar os US$ 2 bilhões contrasta com o caminho escolhido pelo Google em 2004, quando levantou US$ 1,2 bilhão em sua abertura de capital. Em vez de recorrer a Wall Street para obter o financiamento, o site de buscas praticamente deixou-a de fora do acordo ao escolher um formato incomum — leilão, elaborado para permitir que o maior número possível de pessoas pudesse se registrar para comprar as ações.
As críticas chegaram aos executivos do Facebook.
Os defensores da empresa argumentam que a companhia já imaginava que estava em um caminho que lhe exigiria ser bem mais aberta quanto a suas finanças em um futuro próximo e que o acordo com o Goldman Sachs não faz diferença alguma em relação a isso.
Com as vendas das ações de alguns funcionários que deixaram a empresa para diversos outros investidores, o número de acionistas externos do Facebook já caminhava a superar o limite de 500 antes do final deste ano, marca a partir da qual as empresas nos Estados Unidos precisam divulgar integralmente seus dados financeiros, segundo uma fonte a par da situação.
Menos do que a vontade própria, as características da base acionária do site de relacionamentos, portanto, fizeram iniciar a contagem regressiva para uma provável oferta pública inicial de ações. Outras empresas que ultrapassaram esse limite no passado, como o Google, aproveitaram, inclusive, para buscar uma listagem total das ações.
Fonte: Valor

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Bolsa lançará recibo de ações de empresas estrangeiras

BDR Nível I Não Patrocinado é um certificado representativo de valores mobiliários de emissão de companhia aberta ou assemelhada, com sede no exterior
Agência Estado  
SÃO PAULO - A BM&FBovespa passará a oferecer, em 5 de outubro, recibos de ações estrangeiras - os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) Nível I Não Patrocinados. Esse primeiro lote envolve BDRs de dez empresas: Apple, Google, Bank of America Corporation, Arcelor Mittal, Goldman Sachs Group, Avon, Wal Mart, Exxon Mobil Corporation, McDonald's e Pfizer, todas listadas em bolsas norte-americanas. O Deutsche Bank é a instituição financeira responsável pela emissão dos recibos.
O BDR Nível I Não Patrocinado é um certificado representativo de valores mobiliários de emissão de companhia aberta ou assemelhada, com sede no exterior. Desta forma, é considerado investimento no exterior. Sua emissão e seu registro são de responsabilidade de uma instituição depositária no Brasil, sem qualquer participação das companhias.
O novo produto poderá ser negociado por instituições financeiras e fundos de investimento, além de administradores de carteira e consultores de valores mobiliários autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) - estes dois últimos somente utilizando recursos próprios. Os investidores pessoas físicas poderão participar da nova modalidade de investimento apenas por meio de fundos. A negociação ocorrerá no mercado de balcão organizado do segmento Bovespa.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Nokia detém metade do mercado de publicidade móvel, diz pesquisa


O sistema operacional para celulares da Nokia detém quase 50% do mercado global de publicidade móvel, mais que sua fatia do mercado de celulares e mais que a popular Apple, segundo nova pesquisa divulgada na segunda-feira (20).
A InMobi, maior rede de publicidade móvel do mundo, informou que 48% de seus anúncios em julho foram para celulares da marca finlandesa, apesar da companhia ser considerada fraca no setor de smartphones, mais apropriados para esse mercado.
Segundo a pesquisa, o iPhone da Apple, considerado ideal para assistir a conteúdo e comerciais, contava com apenas 8% do mercado em julho.
Em termos de participação total de mercado, a Nokia detém, através de seu sistema operacional Symbian, cerca de 40% do mercado de smartphones, mas vem perdendo a liderança no setor nos últimos anos para o iPhone e o BlackBerry, da RIM.
De acordo com analistas da Gartner, o sistema operacional da Apple, iOS, conta com 14% do mercado geral de sistemas operacionais móveis. Já o Android, do Google, tem apenas 3% dos anúncios da InMobi, apesar de deter 17% do mercado de sistemas operacionais.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Fusões e aquisições movimentam setor de TI


    Ryan Flinn, Serena Saitto e Tim Mullaney, Bloomberg, de San Francisco e Nova York
    05/04/2010
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Divulgação
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Mitchell, da Scale Venture Partners: bom momento para companhias iniciantes
As companhias do Vale do Silício com intenção de botar seu dinheiro para trabalhar poderão liderar uma onda de fusões este ano, segundo andam afirmando banqueiros e capitalistas de risco.
As empresas estão ansiosas por fazer aquisições porque muitas delas reduziram seus orçamentos de pesquisa e desenvolvimento, afirma Robert Ackerman, fundador e diretor da Allegis Capital de Palo Alto, Califórnia. Isso significa que as companhias não estão conseguindo recorrer à própria criatividade para alimentar o crescimento. Mais empresas estão dependendo das aquisições para encontrarem seus próximos produtos ou serviços, diz ele.
"O estoque de produtos está limitado, mas o mercado continua crescendo", disse Ackerman. "Em todo lugar que se vê uma arrancada de inovação pela frente, há um déficit de produtos para as companhias, e elas vão tentar preencher isso."
O Google, baseado em Mountain View, na Califórnia, é no momento uma das companhias maior apetite por aquisições, tendo comprado pelo menos cinco empresas em 2010. A companhia fechou no mês passado a compra da Picnik, que trabalha com ferramentas de edição de fotografias. A aquisição da DocVerse proporcionou a ela sistemas que permitem às pessoas compartilhar documentos pela internet. O valor desses negócios não foi revelado.
O maior negócio individual realizado na Califórnia este ano foi a compra pela Shiseidoda Bare Escentuals de San Francisco por cerca de US$ 1,7 bilhão.
O volume de negócios realizados na Califórnia caiu depois de 2007, quando mais de 2.670 transações no total de US$ 254 bilhões foram efetuadas. Neste ano, houve até agora cerca de 530 negócios avaliados em US$ 16,7 bilhões. É num número maior que o dos três primeiros meses do ano passado, embora o valor tenha sido maior em 2009, cerca de US$ 30 bilhões.
Os alvos locais de aquisição incluem a McAfee, de Santa Clara, a Tibco Software, de Palo Alto, e a ArcSight, de Cupertino, segundo afirma Brent Thill, analista do UBS em San Francisco. A McAfee e a ArcSight, que criam programas para a proteção de dados, poderiam envolver as maiores somas por causa do aumento das ameaças à segurança na internet. Os sistemas da Tibco ajudam programas de todos os tipos a compartilharem informações.
Goldman Sachs também cita a Salesforce.com, de San Francisco, e a VMware, de Palo Alto, como possibilidades - embora essas companhias não estejam entre os alvos mais prováveis, segundo o Goldman. A Salesforce.com fabrica softwares de relacionamento on-line com clientes, enquanto a VMware vende os chamados programas de virtualização, que ajudam os computadores a rodarem mais de um sistema operacional. Representantes de todos os possíveis alvos mencionados recusaram-se a comentar o assunto.
No norte da Califórnia, houve 45 negócios envolvendo companhias iniciantes apoiadas por capital de risco nos primeiros três meses de 2010, segundo a National Venture Capital Association. Este foi o maior número trimestral registrado em pelo menos cinco anos. Mais de 50 companhias da Califórnia possuem pelo menos US$ 1 bilhão em caixa e equivalentes, que elas poderiam usar para aquisições. Segundo dados da Bloomberg, elas são lideradas por um trio da área da Baía de San Francisco: o banco Wells Fargo & Co., de San Francisco, com US$ 68 bilhões; A Cisco Systems, de San Jose, com US$ 39,6 bilhões; e a Apple, de Cupertino, com US$ 24,8 bilhões.
"Há muito caixa nos balanços, de modo que eu acho que o momento é excelente para as companhias iniciantes", diz Kate Mitchell, diretora de operações da Scale Venture Partners, de Foster City, na Califórnia.
O valor dos negócios na Califórnia superou os US$ 378,1 bilhões em 2000, durante a bolha da internet, quando houve mais de 2,2 mil transações. Foi preciso cinco anos para que o número de negócios superasse esse pico anterior, e o volume em dólar nunca chegou perto de repetir o momento de glória da era pontocom.
A última recessão foi a pior desde a Grande Depressão, mas na verdade ela não foi tão devastadora para os negócios na Califórnia quanto o colapso da bolha pontocom. Depois do acesso fácil ao capital de risco e aos recursos obtidos com aberturas de capital, no fim dos anos 90 e 2000, o dinheiro secou. A indústria das fusões e aquisições atingiu o fundo do poço em 2000, quando apenas 1.505 transações, no valor de US$ 95,3 bilhões, foram realizadas.
Os negócios melhoraram aos poucos nos quatro anos seguintes, voltando a atingir um pico em 2006 e começo de 2007. No primeiro trimestre de 2007, foram realizados 665 negócios ao valor de US$ 59,8 bilhões. Isso é mais que o triplo do número de negócios realizados no trimestre passado.
Tor Braham, diretor de fusões e aquisições do Deutsche Bank para o setor de tecnologia em San Francisco, diz que as fusões deverão aumentar novamente por dois motivos. "As firmas de 'private equity' levantaram muito dinheiro antes da crise financeira e há pressões para que elas gastem esse dinheiro antes do vencimento dos compromissos", diz ele. Além disso, "os vendedores querem fazer negócio este ano, antes do esperado aumento dos impostos sobre ganhos de capital".
As firmas de private equity captaram US$ 538 bilhões em 2006 e US$ 587 bilhões em 2007, pouco antes da recessão, segundo o Private Equity Council de Washington. Enquanto isso, os impostos sobre ganhos de capital poderão passar dos 20% para pessoas que ganham mais de US$ 250 mil, sob as propostas orçamentárias apresentadas ao Congresso americano.
No primeiro trimestre, o Deutsche Bank aconselhou a Techwell na aquisição da IntersilCorp. por US$ 370 milhões. O banco também trabalhou com a Nimsoft em sua aquisição pela CA por US$ 350 milhões, e com a Francisco Partners na venda da Numonyx para aMicro Technology por cerca de US$ 1,3 bilhão.
Mesmo com a retomada das fusões, os níveis registrados em 2007 não deverão ser alcançados antes do ano que vem, afirma Braham. "A atividade de fusões e aquisições no setor de tecnologia esteve muito pacata no primeiro trimestre", diz ele.
Matt Murphy, sócio da Kleiner Perkins Caulfield & Byers, de Menlo Park, está mais otimista. O número de aquisições deste ano deverá ficar próximo do nível de 2005, aposta ele. "Parece que há uma demanda reprimida."
A área de tecnologia móvel é uma em que as grandes empresas querem crescer, o que levará a mais aquisições, afirma Murphy. "Definitivamente as fusões e aquisições estão reagindo", diz ele. "Será um ano excelente." (Tradução de Mário Zamarian)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ex-aliadas, Apple e Google se enfrentam


Em 5 de janeiro, o Google fez algo bem no estilo Apple. Em apresentação no Googleplex, em Moutain View, na Califórnia, a gigante das buscas on-line, criada há 11 anos, lançou o Nexus One, um refinado telefone inteligente, com tela sensível ao toque, que roda o sistema operacional Android, do próprio Google, é vendido no site de varejo operado pelo Google, e saúda o mercado com uma propaganda tão simples e otimista ("a web encontra o telefone") como a usada pela Apple em 2007, para apresentar o iPhone ("a internet em seu bolso").
No mesmo dia, a Apple fez algo bem no estilo do Google. Steve Jobs, o rei dos lançamentos espalhafatosos de produtos e do desenvolvimento interno, anunciou uma aquisição estratégica. Por US$ 275 milhões, a Apple comprou a Quattro Wireless, uma empresa iniciante de publicidade que envia anúncios aos usuários de telefones celulares com base no comportamento deles.
Quando empresas começam a se imitar, ou se trata de um caso extremo de adulação ou de uma guerra. No caso do Google e da Apple, são as duas coisas. Separadas por pouco mais de 15 quilômetros no Vale do Silício, as duas vêm se relacionando em bons termos há quase dez anos. Jobs e o executivo-chefe do Google, Eric Schmidt, ambos com 54 anos, passaram anos em batalhas separadas contra a Microsoft, enquanto Schmidt estava na Sun Microsystems e na Novell. Ao longo do tempo, avançaram de aliados "espirituais" para estratégicos. Quando a Apple ficou com um assento aberto em seu conselho de administração, em 2006, Jobs chamou Schmidt. "Eric, obviamente, está fazendo um ótimo trabalho como executivo-chefe do Google", disse Jobs na ocasião. Schmidt, por sua vez, chamou a Apple de "uma das companhias que mais admiro no mundo".
As tensões nessa relação especial começaram a emergir no fim de 2007, quando o Google anunciou planos para desenvolver o sistema Android, para telefones celulares. A Apple havia lançado seu iPhone em janeiro daquele ano e ficou claro que as duas companhias iriam se enfrentar no mercado de telefones inteligentes. Ainda assim, ambas eram empresas que atuavam em segmentos específicos e nomes como Nokia,Samsung Research in Motion (RIM) eram os rivais mais importantes. Apenas depois de os programadores de software começarem a desenvolver milhares de aplicativos para aparelhos sem fio e de ficar claro que os telefones se tornariam os computadores do futuro é que o conflito começou a ficar sério.
No verão passado no hemisfério Norte, a Apple recusou-se a aprovar dois aplicativos do Google para a venda a usuários do iPhone, levantando questões sobre até que ponto a Apple permitiria a presença do Google em seus aparelhos. Em agosto, Schmidt abriu mão de seu assento na diretoria. "Infelizmente, à medida que o Google entrar no negócio principal da Apple", disse Jobs na ocasião, "a efetividade de Eric como membro do conselho da Apple ficará diminuída significativamente, uma vez que ele terá de recusar-se a participar de uma parte maior de nossas reuniões".
Agora, as companhias entraram em uma nova fase, mais antagônica. Com o Nexus One, o Google, que vinha se contentando em alimentar os aparelhos de vários fabricantes com o Android, entra no campo de jogo dos telefones celulares, tornando-se uma ameaça direta ao iPhone. Com a compra da Quattro, a Apple pretende criar anúncios para telefones completamente novos, segundo três fontes a par dos planos da empresa. A meta não é tanto concorrer com o Google em buscas, mas tornar a busca em telefones celulares algo obsoleto. "Ambas, Google e Apple querem mais", diz Chris Cunningham, fundador da Appssavvy, uma empresa nova-iorquina de anúncios em celulares. "Elas estão se preparando para a luta definitiva."
Katie Cotton, porta-voz da Apple, não quis comentar os planos de publicidade nem a relação da empresa com o Google. Katie Watson, porta-voz do site de buscas, afirmou que a companhia não colocaria executivos à disposição para este artigo. Ela, contudo, enviou uma declaração, atribuída ao vice-presidente de engenharia do Google, Vic Gundotra. "A Apple é uma parceira valiosa e continuamos a trabalhar de perto com eles para ajudar a levar adiante todo o ecossistema sem fio."
A indústria de tecnologia já teve sua dose de rivalidades lendárias: IBM versus Digital Equipment , Microsoft versus Netscape e America Online versus Yahoo, entre outras. Apple versus Google pode fazer com que todas pareçam coisa pequena. As duas empresas são reverenciadas pelos consumidores com uma paixão normalmente reservada a estrelas de filmes e atletas profissionais. Possuem cofres multibilionários, fundadores visionários e ambições nas áreas de telefones inteligentes, navegadores de internet, música e dos computadores chamados de "tablet", o que as coloca em rota de colisão.
O campo de batalha crucial no curto prazo é a computação móvel. Analistas que antes vibravam ao falar da internet, voltam a ter a mesma sensação com o potencial do mundo sem fio. Mary Meeker, do banco Morgan Stanley, prevê que dentro de cinco anos haverá mais usuários acessando a internet por meio dos aparelhos móveis do que pelos computadores de mesa. Foi o acesso à rede via PCs que levou à ascensão do Google, do eBay e do Yahoo. Os grandes vencedores do mundo sem fio ainda estão por surgir. "Agora é a hora de começar", diz o analista Doug Clinton, da corretora e banco de investimento Piper Jaffray. "Trata-se de vencer a batalha hoje e não de entrar em uma disputa amanhã."
O dinheiro na publicidade em aparelhos móveis é pouco - cerca de US$ 2 bilhões em 2009, segundo a empresa de pesquisas de mercado Gartner - em comparação com os US$ 60 bilhões de toda a internet. Mas descobrir como tornar a publicidade sem fio mais rentável é muito mais importante do que simplesmente lucrar, já que a curva começa a subir. Uma empresa capaz de assegurar anúncios sem fio e de compartilhar a riqueza com a crescente legião de programadores - os desenvolvedores independentes que criam aplicativos para celulares - poderia extrair o melhor deles. Criar o ecossistema mais poderoso de aplicativos e aparelhos pode deixar os rivais sem fôlego para acompanhar o ritmo. "Vence a plataforma móvel que criar o maior número de maneiras de ganhar dinheiro", diz David Hyman, executivo-chefe da MOG, um serviço de música on-line que cria aplicativos para celulares.
A Apple abriu uma vantagem considerável no estabelecimento desse ecossistema. Programadores criaram mais de 125 mil aplicativos para os aparelhos sem fio da Apple - sete vezes mais do que para o Android - e a diversidade interminável de programas ajudou o iPhone a rapidamente arrebanhar um participação de 14% no segmento de telefones inteligentes, frente aos 3,5% dos telefones que rodam o Android, de acordo a consultoria IDC.
Nos últimos meses, contudo, um número crescente de programadores começou a reclamar de que não consegue ganhar dinheiro com seu trabalho. Os aplicativos gratuitos viraram norma e são bem poucos os que conseguem ser vendidos a mais de US$ 0,99. Alguns programadores puderam lucrar agregando anúncios em seu software, mas os pagamentos costumam ser insignificantes, já que os anúncios são menores e menos eficientes do que suas versões tradicionais de internet. Segundo uma fonte próxima a Jobs, o executivo reconheceu que os "anúncios sem fio são uma droga" e que melhorar essa situação tornará a Apple ainda mais difícil de superar.
Com seus auxiliares, Jobs vem discutindo formas de reformular a publicidade sem fio, segundo duas fontes próximas à companhia. Essas pessoas não revelaram planos, mas disseram que há muitas abordagens possíveis. A Apple poderia usar sua tecnologia de dados e de geolocalização para tornar os anúncios mais relevantes, de forma que um usuário navegando no celular durante a hora do almoço pudesse receber um anúncio com as ofertas do dia de um restaurante próximo.
Para concretizar algo assim, a Apple percebeu que precisava de uma rede de anunciantes e da tecnologia para direcionar os anúncios de acordo com o comportamento dos clientes. No outono de 2009 no hemisfério Norte, a Apple entrou na disputa pela AdMob, líder do setor embrionário de anúncios em aparelhos sem fio. Era um alvo que fazia toda a lógica; mais da metade dos anúncios da AdMob para telefones inteligentes acabava parando nos iPhones ou iPods Touch. Antes que a Apple pudesse concretizar o acordo, porém, o Google interveio, anunciando em 8 de novembro que pagaria incríveis US$ 750 milhões pela empresa.
Superada em sua primeira escolha, a Apple rapidamente voltou-se para a Quattro Wireless, de Waltham, Massachusetts, maior rival da AdMob. De forma reveladora, quando a Apple anunciou o acordo, Jobs deu ao executivo-chefe da Quattro, Andrew Miller, o título de vice-presidente de publicidade em aparelhos sem fio. Vice-presidente é um cargo raro na Apple e Miller é o primeiro "VP" já nomeado pela empresa para a área de publicidade on-line.
Para quase qualquer empresa, levantar-se contra o Google no setor de publicidade em buscas de internet seria tolice. O Google domina as buscas tradicionais, com mais de 65% do mercado, e sua fatia nas buscas em telefones móveis é ainda mais dominante. Mais de um milhão de empresas disputam palavras-chave para aparecer ao longo dos resultados de busca e a maioria dos especialistas presume que haverá uma migração para os aparelhos sem fio à medida que mais pessoas começarem a usá-los com funções de computação.
As buscas em aparelhos móveis ainda não decolaram. O Gartner estima que foram gastos US$ 924 milhões em publicidade sem fio em todo o mundo no ano passado, menos de 2% da publicidade total na internet. O problema é que não há consistência no comportamento dos usuários quando estão em computadores de mesa ou em celulares. Muitas pessoas evitam abrir barras de busca minúsculas em seus telefones e digitar buscas em teclados apertados.
A Apple tem dados valiosos que podem ajudar a direcionar o negócio de anúncios. A empresa sabe com precisão que aplicativos, "podcasts", vídeos e músicas as pessoas baixam da [loja virtual] iTunes; em muitos casos, possui informações detalhadas dos clientes, como números dos cartões de crédito e endereços residenciais. Isso dá a ela a chance de combinar publicidade e comércio eletrônico de novas maneiras, particularmente após a aquisição da Quattro. A empresa iniciante já trabalha com anunciantes como FordNetflix Procter & Gamble para ajudá-los a descobrir quando e onde colocar anúncios em sites como Sports Illustrated e CBS News. Ao atrelar a tecnologia de anúncios da Quattro à sua própria, a Apple terá condições de dizer aos anunciantes com que frequência e sob quais circunstâncias uma pessoa clicou em determinado anúncio.
Ao lançar o Android, em 2007, o Google informou que se concentraria em desenvolver o sistema operacional e deixaria a produção dos aparelhos para os fabricantes de celulares, como Motorola HTC. A estratégia foi similar à da Microsoft com os computadores pessoais. "Um ou dois aparelhos não importam", afirmou Andy Rubin, chefe das operações do Android no Google, depois do evento do Nexus One. "Vinte ou trinta ou cem aparelhos todos rodando o mesmo software - é isso que importa."
No entanto, a chegada do Nexus One sugere que o Google está preocupado com o fato de o Android não estar ganhando participação de mercado com a rapidez suficiente. "O volume, qualidade e variedade dos telefones Android no mercado, hoje, superou nossas expectativas mais otimistas", disse o vice-presidente de gestão de produtos do Google, Mario Queiroz, no anúncio em janeiro. "Mas queremos mais." O mercado sem fio é tão importante que o Google não pode se dar ao luxo de depender de outras empresas; a ofensiva com o Nexus One, espera o Google, estabelecerá uma base no segmento de telefones inteligentes para que a companhia possa controlar seu próprio destino.
O Nexus One não está livre de riscos. Os fabricantes de celulares que usam o Android poderiam hesitar ao ter de concorrer com seu suposto parceiro. "Se o Nexus One for bom, por que você compraria outra coisa?", diz Edward J. Zander, ex-executivo-chefe da Motorola, que ficou surpreso pelo fato de o Google ir tão longe e entrar no campo de batalha dos equipamentos. "Pelo menos, a Microsoft nunca construiu PCs."
Enquanto isso, o Google tem consciência de sua vulnerabilidade na publicidade sem fio e pressiona para obter avanços. Schmidt acredita que os anúncios sem fio algum dia serão mais importantes que os vistos em PCs. Embora o Google tenha se recusado a falar para esta reportagem, Schmidt aventou a ideia de que alguns telefones celulares poderiam acabar sendo gratuitos, com a publicidade pagando as contas. "Se o Google conseguir fazer isso, eles serão intocáveis", diz o consultor de tecnologia John Metcalfe, que trabalhou com o Google em projetos sem fio. "A Apple não teria condições de dar uma resposta a isso."
É claro, Apple e Google poderiam, ambas, acabar prosperando à medida que a computação fica cada vez mais móvel. Mas haverá perdedores. A Microsoft vem encolhendo rapidamente nos telefones inteligentes, com os fabricantes deixando de prestar atenção ao Windows Mobile. A Nokia, maior fabricante mundial de telefones sem fio, também enfrenta dificuldades; sua loja on-line Ovi trabalha de maneira quase anônima em comparação com a iTunes, da Apple. Até a Samsung e a LG Electronics, há muito aplaudidas por sua tecnologia avançada, estão perdendo terreno. "As fabricantes de celulares mais antigas nunca tiveram que lidar com aplicativos ou programadores", diz Shaw Wu, analista da Kaufman Bros. "Simplesmente não está em seu DNA. [Mas] o mundo se move nessa direção."
Alguns analistas acreditam que a batalha entre Apple e Google deverá ficar muito mais dura nos próximos meses. Jonathan Yarmis, da consultoria Ovum, acredita que a Apple pode, em breve, substituir o Google como ferramenta de busca padrão em seus aparelhos. Jobs poderia chegar a um acordo - pasmem! - com a Microsoft, para colocar o Bing como ferramenta de busca, ou até lançar sua própria ferramenta.
Seja o que for que aconteça, está claro que a Apple e o Google encaminham-se para mais conflitos. O Android é uma ameaça para os negócios do iPhone, que em pouco tempo passou a ser responsável por mais de 30% das vendas da Apple. Enquanto isso, quase todo o crescimento nas buscas deverá vir dos aparelhos móveis. A Piper Jaffray prevê que chegarão a 23,5% do total de buscas, em 2016, frente aos menos de 5% atuais. Isso prepara o palco para algum novo grande acontecimento no setor de tecnologia. "Essa rivalidade vai acelerar a inovação", diz Andreas Bechtolsheim, cofundador da Sun Microsystems e um dos primeiros acionistas do Google. "A Apple vai muito rápido, mas ter alguém em seu encalço sempre faz você ir mais rápido. Isso será bom para os consumidores."
Porém, em uma batalha pelo futuro da computação, a amizade quase certamente será uma vítima do progresso. "Simplesmente dá para sentir a tensão aumentando", diz o analista Gene Munster, da Piper Jaffray. "Até o Nexus One, a competição era algo distante. Mas o iPhone é o queridinho da Apple. Agora é pessoal". (Tradução de Sabino Ahumada)