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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Na era do iPad, Quanta luta para lucrar

A boa notícia para Barry Lam: sua empresa Quanta Computer, sediada em Taiwan, é a maior fabricante terceirizada de laptops. Ela produz aparelhos para Hewlett-Packard, Lenovo, Sony e outras grandes marcas. A má notícia: ele ainda depende da área dos laptops. O problema, em poucas palavras, são os tablets. O sucesso estrondoso do iPad da Apple desencadeou o aparecimento de uma grande quantidade de aparelhos concorrentes que corroeram as vendas dos PCs, segundo a empresa de pesquisa IDC. Lam, que fundou a Quanta em 1988, desqualifica a maioria dos tablets, que considera imitações do iPad. "Nós só trabalhamos com clientes que têm um modelo de negócios exclusivo", diz ele.
A grande aposta de Lam no mercado de tablets é o Kindle Fire, da Amazon.com, que foi lançado na segunda-feira, por US$ 199. A Quanta está fabricando o aparelho e deverá entregar ao menos 5 milhões deles no último trimestre de 2011, segundo o analista Steven Tseng, da Samsung Securities. Lam não quis comentar sobre seu relacionamento com a Amazon devido a acordos de confidencialidade. "Pelo que você leu sobre o Kindle Fire na imprensa", diz ele, "o modelo de negócios é muito eficiente". A Quanta também fabrica o PlayBook para a Research In Motion (RIM), diz Tseng.
A fabricação de tablets poderá se revelar um negócio de maiores margens para a Quanta do que a de laptops. Nesse setor, onde há muito pouco que diferencie um laptop da HP de um da Dell ou da Lenovo, os clientes da Quanta se concentraram ao máximo em extrair as menores frações de lucros das empresas que lhes prestam serviços. Essa pressão sobre as margens tornou decisivo para a Quanta produzir o maior volume possível de aparelhos. "Tudo girava em torno dos volumes", diz Tseng. "No passado, não havia problema em ser espremido, porque os volumes cresciam. Mas não crescem mais."
Gigante na produção de computadores portáteis, Quanta aposta nos tablets que custarão US$ 199
A Amazon não está tentando ganhar muito dinheiro com o aparelho. Seu principal executivo, Jeff Bezos, calcula que seu tablet, que tem uma tela de 7 polegadas, será um aparelho de compras de mão que estimulará os consumidores a comprar mais música, blusões e tudo o mais da Amazon. A visão de Bezos tira parte da pressão dos ombros da Quanta, diz Alberto Moel, analista-sênior de Hong Kong da Sanford C. Bernstein. Se você é Barry Lam, "os caras dos PCs vêm para cima de você como um enxame", diz ele. "Cada dólar que extraem da Quanta é um dólar a mais nos seus lucros. No caso da Amazon, o estímulo para obter o preço mais enxuto não é tão alto porque ela pode ganhar seu dinheiro de outras maneiras." Moel estima que a Quanta tenha uma margem de lucros bruta de 4,6% sobre o Kindle Fire, comparada a 3,2% com laptops. "Isso pode ser um bom impulsionador dos lucros para a Quanta", diz Moel. A Bernstein prevê que os lucros crescerão 21% este ano, para US$ 765 milhões, sobre US$ 37 bilhões em vendas.
Há limites aos benefícios que o novo tablet da Amazon pode trazer para a Quanta, no entanto. A Amazon já está se preparando para mais um modelo do Kindle Fire, desta vez com uma tela de 10 polegadas, mas esse negócio será destinado à Foxconn, concorrente da Quanta, segundo a Samsung Securities e a Bernstein. Para a Quanta, a receita anual gerada pelo tablet da Amazon poderá alcançar até US$ 2 bilhões até 2015, segundo Moel, da Bernstein. Isso não representará, no entanto, mais do que 8% da receita da Quanta.
Daí a necessidade, para Lam, de estudar suas alternativas. Ele fala entusiasmado da computação na nuvem e se apressou, mais do que outras fabricantes de Taiwan, em atender à crescente demanda por servidores e aparelhos de armazenagem de clientes como Amazon, Facebook e Google. No passado, as empresas compravam seus servidores de marcas de maior destaque, como a Dell ou a HP, mas Lam argumenta que elas podem ter o mesmo resultado ao adquirir servidores de preço mais baixo da Quanta. Esses clientes "não se importam com a marca, não precisam da assistência técnica pós-venda e não querem despesa com equipe de vendas", diz Lam. Com os servidores, a Quanta contabiliza margens brutas de mais de 10%.
Mesmo assim, a empresa provavelmente não fabricará enormes volumes de tablets ou de servidores sem marca como no caso de laptops. Isso está empurrando Lam de volta para os braços de seu primeiro amor. Ele tem esperanças de que os ultrabooks - uma nova categoria de laptops superdelgados, que visam se assemelhar ao fino MacBook Air da Apple - terão grande sucesso junto aos consumidores. Grandes fabricantes de PCs, como a Acer, lançarão no mercado seus primeiros ultrabooks este ano e pretendem estrear muitos mais no ano que vem. Apesar da ascensão do iPad e de suas muitas imitações, Lam recusa insinuações de que a era do laptop tenha acabado. "Não, não. Ainda temos uma demanda muito sólida", afirma ele. "O laptop é um instrumento de trabalho. O tablet nada mais é do que uma tela para exibição de conteúdo." (Tradução de Rachel Warszawski)
Fonte: Valor

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A difícil tarefa de substituir Steve Jobs


Tim Cook, que substitui Steve Jobs no comando da Apple pela terceira vez em sete anos, vai enfrentar o desafio de manter o ritmo do desenvolvimento de produtos da companhia e de preparar a fabricante do iPhone e do iPad para competir com o Google.
Cook, um guru operacional de 50 anos de idade, assumiu o posto na segunda-feira, depois de Jobs - que já passou por um tratamento de câncer e um transplante de fígado - anunciar outra licença médica. Em um e-mail aos funcionários, Jobs disse que permanece como executivo-chefe e que continuará envolvido nas principais decisões estratégicas, embora não tenha dito quando poderá voltar.
Como principal executivo operacional, Cook comanda o dia a dia dos negócios. Em 2009, quando assumiu o comando da Apple por quase seis meses, durante o transplante de Jobs, as ações da Apple aumentaram quase 70%. Enquanto Jobs, de 55 anos, orienta a visão criativa dos produtos da Apple, Cook supervisiona as áreas de vendas, manufatura e distribuição. Ele pode assumir o comando de maneira hábil novamente, diz Peter Misek, um analista do banco de investimento Jefferies & Co.
"Ele é uma estrela, apenas um tipo de estrela diferente de Steve", afirma Misek. "Comprovadamente, é um dos melhores administradores de cadeia de suprimentos do mundo, se você observar a administração do capital de giro, do fluxo de caixa e dos ciclos de conversão de caixa - todos grandes indicadores."
A saúde de Jobs deteriorou-se nas últimas semanas e ele tem ido ao escritório poucas vezes por semana, de acordo com uma pessoa que conhece o fundador da Apple e não quis se identificar porque o assunto é particular.
A capacidade de Cook para dirigir os negócios não é questionada, mas há dúvidas se ele poderá se tornar um visionário
As ações da companhia caíram 2,25% ontem, para US$ 340,65, na bolsa eletrônica Nasdaq. Mas, no mês a valorização foi de 5,61%.
Embora a Apple não tenha publicamente nomeado Cook como sucessor de Jobs, o executivo é o herdeiro legítimo, diz Avi Greengart, diretor de pesquisa de dispositivos de consumo da Current Analysis, uma empresa de pesquisa de mercado. Ele afirma que a Apple continuará a ser bem-sucedida em seus mercados atuais, mas questiona como a companhia vai se sair, sem Jobs, na tarefa de encontrar novas direções.
"Jobs tem uma habilidade quase mágica para identificar mercados que sejam pequenos e segmentados, e entender o que é preciso fazer para torná-los grandes negócios", diz Greengart. "Só há um Steve Jobs."
Cook está assumindo uma companhia cujo valor de mercado mais que duplicou, para US$ 321 bilhões, desde que ele substituiu Jobs pela última vez. A expansão foi impulsionada pelo iPhone, cujas vendas quase dobraram no ano fiscal encerrado em setembro, e pelo computador tablet iPad, que começou a ser vendido em abril nos Estados Unidos.
"Tim Cook pode, obviamente, conduzir [a empresa]", diz Michael Yoshikami, estrategista-chefe de investimento da YCMNet Advisors, empresa de administração de recursos. "A questão é: ele pode ser um visionário? Disso não temos certeza ainda."
A Apple enfrenta um adversário formidável - os smartphones baseados no sistema operacional Android, do Google. O sistema tornou-se o mais vendido nos Estados Unidos, de acordo com a empresa de pesquisa comScore, somando uma participação de 26% do mercado em novembro, frente aos 25% do iPhone.
A companhia está tentando alcançar o Google na área de publicidade móvel. A estimativa é de que a Apple tenha encerrado o ano passado com 59% do mercado americano de anúncios móveis, enquanto a Apple teria terminado o período com menos de 10%, informou a consultoria IDC , no mês passado. As duas empresas também disputam o mercado de softwares capazes de colocar conteúdo da internet na TV.
Jobs é meticuloso não só no cuidado com o desenho e o desenvolvimento dos produtos, mas também na maneira como os novos aparelhos são lançados e vendidos. Ele ensaia suas apresentações de cinco a dez vezes antes de fazê-las ao público, segundo uma pessoa que trabalhou com Jobs. Cook ainda tem de provar sua habilidade de revelar novos equipamentos com o mesmo sucesso, diz essa pessoa, que pediu para não ser identificada porque não está autorizada a falar pela Apple.
Cook, que consome barras energéticas para suportar maratonas de reuniões que podem durar a noite toda, é um mestre no método socrático, inquirindo executivos que se reportam a ele e expondo-os quando eles estão despreparados, disse Mike Janes, que trabalhou com ele por cinco anos na loja on-line da Apple, em uma entrevista em 2009.
Nascido em Mobile, no Alabama, Cook é solteiro e formou-se em engenharia pela Auburn University, em seu Estado natal. Ele tem mestrado em administração de negócios pela Duke University, da Carolina do Norte. Em 1998, foi contratado pela Apple para alcançar a eficiência de rivais como Dell e Hewlett-Packard (HP).
No ano fiscal 2010, Cook recebeu US$ 59,1 milhões da Apple, incluindo um bônus especial de US$ 5 milhões e US$ 52,3 milhões em ações, que ganhou em reconhecimento ao "seu excelente desempenho" no período, segundo a Apple.
Fonte: Valor

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Bolsas da Ásia avançam e setor de tecnologia tem rali


As bolsas de valores da Ásia registraram alta nesta terça-feira (18/1), com rali no setor de tecnologia diante da expectativa de recuperação nos preços de chips de memória.
A notícia de que o presidente-executivo da Apple, Steve Jobs, está em licença médica pela terceira vez desde 2004 também incentivou avaliações de que rivais asiáticas da companhia poderão atingir o sucesso galopante da produtora do iPhone e iPad. Apesar disso, os investidores preferiram esperar para ver a reação de Wall Street mais tarde nesta terça-feira.
O valor de mercado da Apple é tão alto quanto o valor combinado das 11 maiores empresas de tecnologia do Japão e o impacto da notícia pode ter um resultado sem direção definida sobre as rivais asiáticas da companhia.
Algumas poderão se beneficiar de uma eventual desaceleração do sucesso da Apple, o que impulsionaria a popularidade de seus produtos, mas outras empresas estão na cadeia de suprimentos de componentes de produtos da empresa americana.
A bolsa de Tóquio encerrou em alta de 0,15%, a 10.518 pontos. O índice de empresas de tecnologia MSCI Asian IT avançou 1,45%.
Já o indicador que reúne bolsas da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão exibia valorização de 0,67%, a 482,24 pontos, às 8h (horário de Brasília).
As ações da Samsung Electronics, uma rival da Apple em alguns segmentos e maior fabricante de chips de memória do mundo, subiram até 3,3% para níveis recordes depois de informação publicada em jornal que afirma que a japonesa Elpidia planeja aumentar preços de chips em cerca de 10%.
A bolsa de Xangai teve valorização ligeira de 0,09% depois de recuar no dia anterior em reação à decisão da China na sexta-feira de aumentar o compulsório dos bancos.
Em Hong Kong, o mercado encerrou praticamente estável, com oscilação negativa de 0,01%. A bolsa de Seul teve desvalorização de 0,16%, Taiwan subiu 0,7% e Sydney apurou alta de 0,8%. Cingapura fechou com ganho de 0,34%.
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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Bolsa lançará recibo de ações de empresas estrangeiras

BDR Nível I Não Patrocinado é um certificado representativo de valores mobiliários de emissão de companhia aberta ou assemelhada, com sede no exterior
Agência Estado  
SÃO PAULO - A BM&FBovespa passará a oferecer, em 5 de outubro, recibos de ações estrangeiras - os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) Nível I Não Patrocinados. Esse primeiro lote envolve BDRs de dez empresas: Apple, Google, Bank of America Corporation, Arcelor Mittal, Goldman Sachs Group, Avon, Wal Mart, Exxon Mobil Corporation, McDonald's e Pfizer, todas listadas em bolsas norte-americanas. O Deutsche Bank é a instituição financeira responsável pela emissão dos recibos.
O BDR Nível I Não Patrocinado é um certificado representativo de valores mobiliários de emissão de companhia aberta ou assemelhada, com sede no exterior. Desta forma, é considerado investimento no exterior. Sua emissão e seu registro são de responsabilidade de uma instituição depositária no Brasil, sem qualquer participação das companhias.
O novo produto poderá ser negociado por instituições financeiras e fundos de investimento, além de administradores de carteira e consultores de valores mobiliários autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) - estes dois últimos somente utilizando recursos próprios. Os investidores pessoas físicas poderão participar da nova modalidade de investimento apenas por meio de fundos. A negociação ocorrerá no mercado de balcão organizado do segmento Bovespa.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Nokia detém metade do mercado de publicidade móvel, diz pesquisa


O sistema operacional para celulares da Nokia detém quase 50% do mercado global de publicidade móvel, mais que sua fatia do mercado de celulares e mais que a popular Apple, segundo nova pesquisa divulgada na segunda-feira (20).
A InMobi, maior rede de publicidade móvel do mundo, informou que 48% de seus anúncios em julho foram para celulares da marca finlandesa, apesar da companhia ser considerada fraca no setor de smartphones, mais apropriados para esse mercado.
Segundo a pesquisa, o iPhone da Apple, considerado ideal para assistir a conteúdo e comerciais, contava com apenas 8% do mercado em julho.
Em termos de participação total de mercado, a Nokia detém, através de seu sistema operacional Symbian, cerca de 40% do mercado de smartphones, mas vem perdendo a liderança no setor nos últimos anos para o iPhone e o BlackBerry, da RIM.
De acordo com analistas da Gartner, o sistema operacional da Apple, iOS, conta com 14% do mercado geral de sistemas operacionais móveis. Já o Android, do Google, tem apenas 3% dos anúncios da InMobi, apesar de deter 17% do mercado de sistemas operacionais.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ex-aliadas, Apple e Google se enfrentam


Em 5 de janeiro, o Google fez algo bem no estilo Apple. Em apresentação no Googleplex, em Moutain View, na Califórnia, a gigante das buscas on-line, criada há 11 anos, lançou o Nexus One, um refinado telefone inteligente, com tela sensível ao toque, que roda o sistema operacional Android, do próprio Google, é vendido no site de varejo operado pelo Google, e saúda o mercado com uma propaganda tão simples e otimista ("a web encontra o telefone") como a usada pela Apple em 2007, para apresentar o iPhone ("a internet em seu bolso").
No mesmo dia, a Apple fez algo bem no estilo do Google. Steve Jobs, o rei dos lançamentos espalhafatosos de produtos e do desenvolvimento interno, anunciou uma aquisição estratégica. Por US$ 275 milhões, a Apple comprou a Quattro Wireless, uma empresa iniciante de publicidade que envia anúncios aos usuários de telefones celulares com base no comportamento deles.
Quando empresas começam a se imitar, ou se trata de um caso extremo de adulação ou de uma guerra. No caso do Google e da Apple, são as duas coisas. Separadas por pouco mais de 15 quilômetros no Vale do Silício, as duas vêm se relacionando em bons termos há quase dez anos. Jobs e o executivo-chefe do Google, Eric Schmidt, ambos com 54 anos, passaram anos em batalhas separadas contra a Microsoft, enquanto Schmidt estava na Sun Microsystems e na Novell. Ao longo do tempo, avançaram de aliados "espirituais" para estratégicos. Quando a Apple ficou com um assento aberto em seu conselho de administração, em 2006, Jobs chamou Schmidt. "Eric, obviamente, está fazendo um ótimo trabalho como executivo-chefe do Google", disse Jobs na ocasião. Schmidt, por sua vez, chamou a Apple de "uma das companhias que mais admiro no mundo".
As tensões nessa relação especial começaram a emergir no fim de 2007, quando o Google anunciou planos para desenvolver o sistema Android, para telefones celulares. A Apple havia lançado seu iPhone em janeiro daquele ano e ficou claro que as duas companhias iriam se enfrentar no mercado de telefones inteligentes. Ainda assim, ambas eram empresas que atuavam em segmentos específicos e nomes como Nokia,Samsung Research in Motion (RIM) eram os rivais mais importantes. Apenas depois de os programadores de software começarem a desenvolver milhares de aplicativos para aparelhos sem fio e de ficar claro que os telefones se tornariam os computadores do futuro é que o conflito começou a ficar sério.
No verão passado no hemisfério Norte, a Apple recusou-se a aprovar dois aplicativos do Google para a venda a usuários do iPhone, levantando questões sobre até que ponto a Apple permitiria a presença do Google em seus aparelhos. Em agosto, Schmidt abriu mão de seu assento na diretoria. "Infelizmente, à medida que o Google entrar no negócio principal da Apple", disse Jobs na ocasião, "a efetividade de Eric como membro do conselho da Apple ficará diminuída significativamente, uma vez que ele terá de recusar-se a participar de uma parte maior de nossas reuniões".
Agora, as companhias entraram em uma nova fase, mais antagônica. Com o Nexus One, o Google, que vinha se contentando em alimentar os aparelhos de vários fabricantes com o Android, entra no campo de jogo dos telefones celulares, tornando-se uma ameaça direta ao iPhone. Com a compra da Quattro, a Apple pretende criar anúncios para telefones completamente novos, segundo três fontes a par dos planos da empresa. A meta não é tanto concorrer com o Google em buscas, mas tornar a busca em telefones celulares algo obsoleto. "Ambas, Google e Apple querem mais", diz Chris Cunningham, fundador da Appssavvy, uma empresa nova-iorquina de anúncios em celulares. "Elas estão se preparando para a luta definitiva."
Katie Cotton, porta-voz da Apple, não quis comentar os planos de publicidade nem a relação da empresa com o Google. Katie Watson, porta-voz do site de buscas, afirmou que a companhia não colocaria executivos à disposição para este artigo. Ela, contudo, enviou uma declaração, atribuída ao vice-presidente de engenharia do Google, Vic Gundotra. "A Apple é uma parceira valiosa e continuamos a trabalhar de perto com eles para ajudar a levar adiante todo o ecossistema sem fio."
A indústria de tecnologia já teve sua dose de rivalidades lendárias: IBM versus Digital Equipment , Microsoft versus Netscape e America Online versus Yahoo, entre outras. Apple versus Google pode fazer com que todas pareçam coisa pequena. As duas empresas são reverenciadas pelos consumidores com uma paixão normalmente reservada a estrelas de filmes e atletas profissionais. Possuem cofres multibilionários, fundadores visionários e ambições nas áreas de telefones inteligentes, navegadores de internet, música e dos computadores chamados de "tablet", o que as coloca em rota de colisão.
O campo de batalha crucial no curto prazo é a computação móvel. Analistas que antes vibravam ao falar da internet, voltam a ter a mesma sensação com o potencial do mundo sem fio. Mary Meeker, do banco Morgan Stanley, prevê que dentro de cinco anos haverá mais usuários acessando a internet por meio dos aparelhos móveis do que pelos computadores de mesa. Foi o acesso à rede via PCs que levou à ascensão do Google, do eBay e do Yahoo. Os grandes vencedores do mundo sem fio ainda estão por surgir. "Agora é a hora de começar", diz o analista Doug Clinton, da corretora e banco de investimento Piper Jaffray. "Trata-se de vencer a batalha hoje e não de entrar em uma disputa amanhã."
O dinheiro na publicidade em aparelhos móveis é pouco - cerca de US$ 2 bilhões em 2009, segundo a empresa de pesquisas de mercado Gartner - em comparação com os US$ 60 bilhões de toda a internet. Mas descobrir como tornar a publicidade sem fio mais rentável é muito mais importante do que simplesmente lucrar, já que a curva começa a subir. Uma empresa capaz de assegurar anúncios sem fio e de compartilhar a riqueza com a crescente legião de programadores - os desenvolvedores independentes que criam aplicativos para celulares - poderia extrair o melhor deles. Criar o ecossistema mais poderoso de aplicativos e aparelhos pode deixar os rivais sem fôlego para acompanhar o ritmo. "Vence a plataforma móvel que criar o maior número de maneiras de ganhar dinheiro", diz David Hyman, executivo-chefe da MOG, um serviço de música on-line que cria aplicativos para celulares.
A Apple abriu uma vantagem considerável no estabelecimento desse ecossistema. Programadores criaram mais de 125 mil aplicativos para os aparelhos sem fio da Apple - sete vezes mais do que para o Android - e a diversidade interminável de programas ajudou o iPhone a rapidamente arrebanhar um participação de 14% no segmento de telefones inteligentes, frente aos 3,5% dos telefones que rodam o Android, de acordo a consultoria IDC.
Nos últimos meses, contudo, um número crescente de programadores começou a reclamar de que não consegue ganhar dinheiro com seu trabalho. Os aplicativos gratuitos viraram norma e são bem poucos os que conseguem ser vendidos a mais de US$ 0,99. Alguns programadores puderam lucrar agregando anúncios em seu software, mas os pagamentos costumam ser insignificantes, já que os anúncios são menores e menos eficientes do que suas versões tradicionais de internet. Segundo uma fonte próxima a Jobs, o executivo reconheceu que os "anúncios sem fio são uma droga" e que melhorar essa situação tornará a Apple ainda mais difícil de superar.
Com seus auxiliares, Jobs vem discutindo formas de reformular a publicidade sem fio, segundo duas fontes próximas à companhia. Essas pessoas não revelaram planos, mas disseram que há muitas abordagens possíveis. A Apple poderia usar sua tecnologia de dados e de geolocalização para tornar os anúncios mais relevantes, de forma que um usuário navegando no celular durante a hora do almoço pudesse receber um anúncio com as ofertas do dia de um restaurante próximo.
Para concretizar algo assim, a Apple percebeu que precisava de uma rede de anunciantes e da tecnologia para direcionar os anúncios de acordo com o comportamento dos clientes. No outono de 2009 no hemisfério Norte, a Apple entrou na disputa pela AdMob, líder do setor embrionário de anúncios em aparelhos sem fio. Era um alvo que fazia toda a lógica; mais da metade dos anúncios da AdMob para telefones inteligentes acabava parando nos iPhones ou iPods Touch. Antes que a Apple pudesse concretizar o acordo, porém, o Google interveio, anunciando em 8 de novembro que pagaria incríveis US$ 750 milhões pela empresa.
Superada em sua primeira escolha, a Apple rapidamente voltou-se para a Quattro Wireless, de Waltham, Massachusetts, maior rival da AdMob. De forma reveladora, quando a Apple anunciou o acordo, Jobs deu ao executivo-chefe da Quattro, Andrew Miller, o título de vice-presidente de publicidade em aparelhos sem fio. Vice-presidente é um cargo raro na Apple e Miller é o primeiro "VP" já nomeado pela empresa para a área de publicidade on-line.
Para quase qualquer empresa, levantar-se contra o Google no setor de publicidade em buscas de internet seria tolice. O Google domina as buscas tradicionais, com mais de 65% do mercado, e sua fatia nas buscas em telefones móveis é ainda mais dominante. Mais de um milhão de empresas disputam palavras-chave para aparecer ao longo dos resultados de busca e a maioria dos especialistas presume que haverá uma migração para os aparelhos sem fio à medida que mais pessoas começarem a usá-los com funções de computação.
As buscas em aparelhos móveis ainda não decolaram. O Gartner estima que foram gastos US$ 924 milhões em publicidade sem fio em todo o mundo no ano passado, menos de 2% da publicidade total na internet. O problema é que não há consistência no comportamento dos usuários quando estão em computadores de mesa ou em celulares. Muitas pessoas evitam abrir barras de busca minúsculas em seus telefones e digitar buscas em teclados apertados.
A Apple tem dados valiosos que podem ajudar a direcionar o negócio de anúncios. A empresa sabe com precisão que aplicativos, "podcasts", vídeos e músicas as pessoas baixam da [loja virtual] iTunes; em muitos casos, possui informações detalhadas dos clientes, como números dos cartões de crédito e endereços residenciais. Isso dá a ela a chance de combinar publicidade e comércio eletrônico de novas maneiras, particularmente após a aquisição da Quattro. A empresa iniciante já trabalha com anunciantes como FordNetflix Procter & Gamble para ajudá-los a descobrir quando e onde colocar anúncios em sites como Sports Illustrated e CBS News. Ao atrelar a tecnologia de anúncios da Quattro à sua própria, a Apple terá condições de dizer aos anunciantes com que frequência e sob quais circunstâncias uma pessoa clicou em determinado anúncio.
Ao lançar o Android, em 2007, o Google informou que se concentraria em desenvolver o sistema operacional e deixaria a produção dos aparelhos para os fabricantes de celulares, como Motorola HTC. A estratégia foi similar à da Microsoft com os computadores pessoais. "Um ou dois aparelhos não importam", afirmou Andy Rubin, chefe das operações do Android no Google, depois do evento do Nexus One. "Vinte ou trinta ou cem aparelhos todos rodando o mesmo software - é isso que importa."
No entanto, a chegada do Nexus One sugere que o Google está preocupado com o fato de o Android não estar ganhando participação de mercado com a rapidez suficiente. "O volume, qualidade e variedade dos telefones Android no mercado, hoje, superou nossas expectativas mais otimistas", disse o vice-presidente de gestão de produtos do Google, Mario Queiroz, no anúncio em janeiro. "Mas queremos mais." O mercado sem fio é tão importante que o Google não pode se dar ao luxo de depender de outras empresas; a ofensiva com o Nexus One, espera o Google, estabelecerá uma base no segmento de telefones inteligentes para que a companhia possa controlar seu próprio destino.
O Nexus One não está livre de riscos. Os fabricantes de celulares que usam o Android poderiam hesitar ao ter de concorrer com seu suposto parceiro. "Se o Nexus One for bom, por que você compraria outra coisa?", diz Edward J. Zander, ex-executivo-chefe da Motorola, que ficou surpreso pelo fato de o Google ir tão longe e entrar no campo de batalha dos equipamentos. "Pelo menos, a Microsoft nunca construiu PCs."
Enquanto isso, o Google tem consciência de sua vulnerabilidade na publicidade sem fio e pressiona para obter avanços. Schmidt acredita que os anúncios sem fio algum dia serão mais importantes que os vistos em PCs. Embora o Google tenha se recusado a falar para esta reportagem, Schmidt aventou a ideia de que alguns telefones celulares poderiam acabar sendo gratuitos, com a publicidade pagando as contas. "Se o Google conseguir fazer isso, eles serão intocáveis", diz o consultor de tecnologia John Metcalfe, que trabalhou com o Google em projetos sem fio. "A Apple não teria condições de dar uma resposta a isso."
É claro, Apple e Google poderiam, ambas, acabar prosperando à medida que a computação fica cada vez mais móvel. Mas haverá perdedores. A Microsoft vem encolhendo rapidamente nos telefones inteligentes, com os fabricantes deixando de prestar atenção ao Windows Mobile. A Nokia, maior fabricante mundial de telefones sem fio, também enfrenta dificuldades; sua loja on-line Ovi trabalha de maneira quase anônima em comparação com a iTunes, da Apple. Até a Samsung e a LG Electronics, há muito aplaudidas por sua tecnologia avançada, estão perdendo terreno. "As fabricantes de celulares mais antigas nunca tiveram que lidar com aplicativos ou programadores", diz Shaw Wu, analista da Kaufman Bros. "Simplesmente não está em seu DNA. [Mas] o mundo se move nessa direção."
Alguns analistas acreditam que a batalha entre Apple e Google deverá ficar muito mais dura nos próximos meses. Jonathan Yarmis, da consultoria Ovum, acredita que a Apple pode, em breve, substituir o Google como ferramenta de busca padrão em seus aparelhos. Jobs poderia chegar a um acordo - pasmem! - com a Microsoft, para colocar o Bing como ferramenta de busca, ou até lançar sua própria ferramenta.
Seja o que for que aconteça, está claro que a Apple e o Google encaminham-se para mais conflitos. O Android é uma ameaça para os negócios do iPhone, que em pouco tempo passou a ser responsável por mais de 30% das vendas da Apple. Enquanto isso, quase todo o crescimento nas buscas deverá vir dos aparelhos móveis. A Piper Jaffray prevê que chegarão a 23,5% do total de buscas, em 2016, frente aos menos de 5% atuais. Isso prepara o palco para algum novo grande acontecimento no setor de tecnologia. "Essa rivalidade vai acelerar a inovação", diz Andreas Bechtolsheim, cofundador da Sun Microsystems e um dos primeiros acionistas do Google. "A Apple vai muito rápido, mas ter alguém em seu encalço sempre faz você ir mais rápido. Isso será bom para os consumidores."
Porém, em uma batalha pelo futuro da computação, a amizade quase certamente será uma vítima do progresso. "Simplesmente dá para sentir a tensão aumentando", diz o analista Gene Munster, da Piper Jaffray. "Até o Nexus One, a competição era algo distante. Mas o iPhone é o queridinho da Apple. Agora é pessoal". (Tradução de Sabino Ahumada)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Bovespa sobe 2,03%, retoma os 45 mil pontos e fica no azul na semana

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu 2,03% nesta quinta-feira, aos 45.801,17 pontos, completando o segundo dia consecutivo de alta. Com a pontuação de hoje, o mercado de ações brasileiro voltou a ficar positivo na semana, com leve alta de 0,05%. No mês, a valorização é de 11,91%.

A cotação do dólar comercial subiu 0,82% e fechou em R$ 2,219, depois de ter caído 1,96% no pregão anterior. Na semana, a moeda americana acumula alta de 1,19%; no mês,ainda tem queda de 4,31%.

O dia foi de instabilidade para as Bolsas no mundo e a Bovespa se manteve alheia ao movimento externo e sustentou a alta até o final da sessão. De um lado, alguns balanços de empresas nos Estados Unidos ajudaram no otimismo do investidor. Mas a divulgação de indicadores preocupantes manteve o alerta entre investidores.


Apple anunciou um crescimento de 15% no lucro do primeiro trimestre, para US$ 1,21 bilhão, ou US$ 1,33 por ação, em função das maiores vendas de iPod e iPhone. O resultado superou a expectativa do mercado, que projetava ganhos de US$ 1,09 por papel.

O banco Credit Suisse lucrou US$ 1,71 bilhão no primeiro trimestre, duas vezes acima do esperado por analistas. 

Já os dados de emprego nos EUA desanimaram. Os novos pedidos de auxílio-desemprego no país voltaram a subir na semana passada, em 27 mil, ainda que pouco acima do previsto. O número de pessoas que estão recebendo o benefício subiu em 93 mil, para 6,137 milhões, no maior nível desde 1967.

No Brasil, o volume de concessão de crédito subiu em março pela primeira vez desde dezembro, com alta de 26,1% sobre fevereiro. E o juro docheque especial avançou 2,4 pontos percentuais em março, para 169,1% ao ano, o único a subir no período.

A crise nas montadoras continua se aprofundando. A General Motors vai fechar temporariamente 13 instalações de montagem na América do Norte, o que permitirá reduzir a produção em cerca de 190 mil veículos.

Após registrar o primeiro prejuízo em quatro anos, a Fiat vai demitir até 15% dos funcionários de sua filial nos EUA, que hoje emprega cerca de 31 mil pessoas. A unidade é especializada na fabricação de máquinas para uso no agronegócio e na construção civil.

(Com informações da Reuters)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Petróleo barato impulsiona varejo e ações em Wall Street



Por Chuck Mikolajczak

NOVA YORK (Reuters) - As bolsas de valores dos Estados Unidos fecharam a sexta-feira com fortes ganhos, revertendo a tendência negativa de grande parte do dia, com os investidores apostando que o amplo declínio dos preços do petróleo impulsionará o gasto do consumidor.

O movimento animou as ações do varejo e contrabalançou a demissão de mais de meio milhão de pessoas no país em novembro.

O índice Dow Jones avançou 3,09 por cento, a 8.635 pontos. O Standard & Poor's 500 subiu 3,65 por cento, a 876 pontos. O Nasdaq saltou 4,41 por cento, a 1.509 pontos.

Na semana, o Dow caiu 2,2 por cento, o S&P declinou 2,3 por cento e o Nasdaq perdeu 1,7 por cento.

Os papéis do Wal-Mart subiram 5,6 por cento, sendo o destaque no Dow Jones. O índice varejista do S&P subiu 4,4 por cento. A Apple ajudou a levantar o Nasdaq, com suas ações subindo quase 3 por cento, para 94 dólares.

"Isto significa mais gastos para os consumidores, que estão começando a se sentir um pouco melhores pois não terão que gastar 100 dólares toda vez que forem encher o tanque de gasolina", afirmou Angel Mata, diretora gerente de operações da Stifel Nicolaus.

"Tudo isso está começando a se encaixar. É isto que está contando para esta alta e para esta valorização que tivémos nesta semana".

Um relatório do governo mostrou que os empregadores norte-americanos cortaram 533 mil vagas em novembro, o pior desempenho em 34 anos, enquanto que a taxa de desemprego subiu para 6,7 por cento, a maior desde 1993.

Fonte: UOL Economia