Revista EXAME -Se serviu para alguma coisa, a crise de 2008 acabou por comprovar que falta às empresas a competência para navegar no turbulento oceano das finanças, repleto de derivativos tóxicos e outros venenos. Os casos de Sadia, Aracruz e Votorantimsão suficientes para demonstrar que mexer com finanças sofisticadas é coisa para financistas - ou, pode-se dizer, nem mesmo para eles. Diante disso, um caso chama a atenção justamente por ser uma incrível exceção. Em setembro, a mesa de operações financeiras do JBS-Friboi, maior frigorífico do mundo, espantou o mercado ao anunciar que obtivera um lucro de 722 milhões de dólares em suas operações de câmbio. Isso na mesma semana em que Sadia e Aracruz, demitiram os executivos apontados como responsáveis por afundá-las em prejuízos oriundos de apostas desastradas na variação do dólar. Claro, apostas são apostas, e a do Friboi poderia ser apenas um lance de sorte. Esse, porém, não parece ser o caso. Parte do ganho se refere a ajustes diários de operações com derivativos dos recursos disponíveis para aquisições no exterior. Segundo EXAME apurou, o time de dez profissionais da mesa de operações do Friboi será responsável por aproximadamente 20% do lucro total do grupo em 2008. Os outros 54 990 funcionários responderão pelos 80% restantes.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
O boi é só um detalhe
Revista EXAME -Se serviu para alguma coisa, a crise de 2008 acabou por comprovar que falta às empresas a competência para navegar no turbulento oceano das finanças, repleto de derivativos tóxicos e outros venenos. Os casos de Sadia, Aracruz e Votorantimsão suficientes para demonstrar que mexer com finanças sofisticadas é coisa para financistas - ou, pode-se dizer, nem mesmo para eles. Diante disso, um caso chama a atenção justamente por ser uma incrível exceção. Em setembro, a mesa de operações financeiras do JBS-Friboi, maior frigorífico do mundo, espantou o mercado ao anunciar que obtivera um lucro de 722 milhões de dólares em suas operações de câmbio. Isso na mesma semana em que Sadia e Aracruz, demitiram os executivos apontados como responsáveis por afundá-las em prejuízos oriundos de apostas desastradas na variação do dólar. Claro, apostas são apostas, e a do Friboi poderia ser apenas um lance de sorte. Esse, porém, não parece ser o caso. Parte do ganho se refere a ajustes diários de operações com derivativos dos recursos disponíveis para aquisições no exterior. Segundo EXAME apurou, o time de dez profissionais da mesa de operações do Friboi será responsável por aproximadamente 20% do lucro total do grupo em 2008. Os outros 54 990 funcionários responderão pelos 80% restantes.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Ibovespa abre a semana com queda de 0,98%, na esteira das perdas externas
09/03/09 - 17h40
InfoMoney
Warren Buffett vê a economia norte-americana "cair de um penhasco" e aposta em problema inflacionário após os esforços do governo. O economista Nouriel Roubini projetou o índice Standard & Poor's 500, atualmente na casa de 680 pontos, em 600 pontos ainda este ano. Previu também mais 36 meses de recessão. Não bastassem palavras, o noticiário corporativo veio carregado de ação.
De lá veio uma série de novidades que apontam consolidação. Destaque maior para a aquisição da Schering-Plough pela Merck, por US$ 41 bilhões. A compradora caiu 7,7% em resposta. Paralelamente, rumores apontam que a Roche fechou a aquisição dos 44% restantes da Genentech, por algo em torno de US$ 46,7 bilhões. A Dow Chemical irá concluir a aquisição da Rohm & Haas, por US$ 15,3 bilhões.
Fora aquisições, a União de Trabalhadores aceitou um programa de cortes de custos operacionais da Ford. Entre tantas referências, o petróleo marcou alta de mais de 3% em Nova York, na expectativa por novos cortes na produção da Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo).
Destaques internos
A Petrobras esboçou valorização com a alta de preço do barril, mas sofreu pressão de seus resultados operacionais, recebidos com resistência pelos analistas. O recuo dos metais básicos e temor de abrandamento da recessão derrubaram metais básicos, o que colocou siderúrgicas e Vale entre os destaque negativos do dia.
O setor de papel e celulose também penalizou o Ibovespa. VCP e Aracruz voltaram a cair forte com o anúncio recente de aquisição da fatia da família Safra na segunda e aumento de capital de cerca de R$ 4,2 bilhões pela primeira, através de emissão de novas ações.
Ibovespa perde 0,98%
Com perdas externas e pressão de Vale e siderúrgicas, o Ibovespa abriu a semana com desvalorização de 0,98%, que o levou a 36.741 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 2,7 bilhões.
A maior queda do Ibovespa foi da ação da VCP, que despencou com os desdobramentos da aquisição da Aracruz, segunda maior baixa do dia. Vindas de oito quedas consecutivas, as ações da Braskem se recuperaram e lideraram os ganhos do índice.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Votorantim prepara nova oferta à família Lorentzen pela Aracruz
| Grupo Votorantim deve pedir desconto nos R$ 2,7 bilhões oferecidos em agosto para a compra de 28% da Aracruz |
O grupo Votorantim deve fazer em breve uma nova oferta para comprar a participação de 28% da família Lorentzen e seus sócios na Arapar. Executivos ligados à Arapar dizem que uma proposta pode ser encaminhada até o dia 19. Pessoas ligadas ao Votorantim asseguram que o grupo mantém o interesse e fará nova oferta, mas só depois de renegociado o pagamento da dívida de US$ 2,1 bilhões da Aracruz causada pelas perdas com derivativos de câmbio. O Votorantim quer um desconto no valor de R$ 2,7 bilhões oferecido no início de agosto. Os sócios na Arapar têm sinalizado mais disposição para aceitar um alongamento no prazo de pagamento. Na sexta-feira, os conselheiros que representavam a Arapar na Aracruz renunciaram. Fonte: ValorOnline
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Representantes do grupo Lorentzen deixam conselho da Aracruz
Pouco mais de um mês após anunciar uma perda bilionária com derivativos de câmbio, a Aracruz anunciou na sexta-feira três baixas em seu conselho de administração, todos ligados ao grupo Lorentzen, que controla o fabricante de celulose junto com os grupos Votorantim e Safra.
Em comunicado ao mercado, a empresa informou que Haakon Lorentzen, membro titular do conselho desde 1991, Eliezer Batista, desde 1996, e Luiz Aranha Corrêa do Lago, desde 2004, renunciaram às suas cadeiras.
Nas últimas reuniões do conselho de administração, os representantes do Lorentzen vinham se abstendo de votar, com a justificativa de que o grupo assinou um contrato de venda de suas ações à Votorantim e que, portanto, deveriam evitar que as suas decisões pudessem vir a ser contestadas por falta de legitimidade.
Pouco antes das perdas virem à tona, a família Lorentzen estava prestes a fechar a venda de sua fatia, de 28% do capital votante da Aracruz, ao Grupo Votorantim, que também detém 28% das ações ordinárias, por R$ 2,7 bilhões.
Também saíram os suplentes Alex Harry Haegler, Mauro Agonilha e Carlos Jürgen Temke, sendo que os dois últimos ocupavam postos nos comitês de auditoria e estratégico, respectivamente.
Desde que anunciou as perdas, que atualizadas somam uma dívida de US$ 2,1 bilhões, a Aracruz viu o valor de suas ações preferenciais caírem 75,7%, para os R$ 2,04 registrados no fechamento do pregão de sexta-feira. Os papéis ordinários perderam 56,6% de seu valor, para R$ 3,65.
Na semana passada, os acionistas do grupo decidiram, em assembléia, que vão entrar com uma ação judicial para tentar responsabilizar o ex-diretor financeiro e de relações com Investidores da empresa Isac Zagury pelo prejuízo nas operações com derivativos.
Em entrevista ao Valor, Zagury afirmou que não violou as normas de política financeira da Aracruz e que o comitê de finanças - formado por um representante de cada acionista controlador - sabia das operações.
Paralelamente, investidores internacionais da companhia entraram na semana passada com uma ação por supostos danos causados pela empresa, que teria violado as leis americanas de mercado de capitais por conta da realização de operações com os derivativos cambiais.
