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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Banco de oportunidades

Beneficiadas tanto por um cenário de expansão econômica quanto de aperto monetário, as ações do setor de bancos se mostram uma alternativa interessante neste ano. Por não terem subido tanto em 2010, seriam, por exemplo, uma opção para o investidor ficar exposto ao aquecimento do consumo local mesmo após as fortes altas de alguns papéis voltados ao mercado interno no ano passado, como os das empresas de consumo.
A perspectiva é favorável para o setor em 2011, afirma João Augusto Sales, economista da consultoria independente Lopes Filho & Associados. Isso apesar da expectativa de menor expansão do crédito neste ano por conta das medidas do Banco Central (BC) de aumentar os depósitos compulsórios e o requerimento de capital próprio para operações de crédito a pessoas físicas com prazos superiores a 24 meses. A elevação dos juros e, consequentemente, o encarecimento dos empréstimos também pesam contra.
Um ritmo de crescimento menor dos empréstimos não é bom, admite Sales. Mas os bancos vão repassar o custo para o consumidor na forma de elevação do spread bancário - diferença entre o que a instituição paga para captar e o juro cobrado do cliente -, acredita o economista.
Já a expectativa de um aumento de juros é favorável. Nos grandes bancos, os ganhos com as operações de crédito e aquelas com títulos e valores mobiliários normalmente são equivalentes. "Com a elevação dos juros, as instituições terão ganhos com esses títulos", afirma o analista da Lopes Filho. Outro fator que deve beneficiar os bancos é o aumento da bancarização da população, dado a expansão da renda. "Mesmo que as instituições não emprestem R$ 1, elas terão avanço na receita de serviços", diz Sales.
Os bancos brasileiros são muito ágeis em se adaptar aos cenários, sendo um segmento muito flexível, que se ajusta rapidamente, avalia Julio Hegedus, economista-chefe da corretora Interbolsa do Brasil. Para ele, a alta competitividade é algo que continuará neste ano, com os bancos brigando por segmentos com maior potencial, como o imobiliário, de cartões e de seguros. "Com a melhora da renda e aumento do emprego, há uma migração de classes e maior bancarização, e as instituições vão disputar esses segmentos que oferecem melhor rentabilidade", diz.
Além disso, o setor é bom pagador de dividendos, com distribuição de parte dos lucros mensalmente ou trimestralmente, ressalta Hegedus. O Itaú Unibanco, por exemplo, distribui 39,5% do lucro e o Bradesco, 34%. Banco do Brasil e Santander distribuem 40% e 85,6%, respectivamente. O mínimo exigido pela legislação é de 25%.
No ano passado, o crescimento estimado do crédito foi de 22% e, em 2011, a expansão deve ser de 15% a 17%, avalia Sales, da Lopes Filho. "Os bancos vão buscar preservar sua rentabilidade, as margens financeiras em crédito registradas em 2010, por isso, acredito que o impacto sobre os resultados terá efeito nulo."
Segundo os analistas, as medidas regulatórias do BC para reduzir o ritmo dos empréstimos afetam mais os bancos menores, que atuam fortemente em crédito para a aquisição de veículos e consignado. Por isso, a preferência do mercado recai sobre os grandes bancos. Na liderança entre as recomendações dos analistas aparecem as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) do Bradesco e do Itaú.
A visão para o setor bancário é, de forma geral, positiva, avalia Luciana Leocadio, analista-chefe da Ativa Corretora. Em dezembro, o setor acabou apanhando um pouco após as medidas para conter a expansão de crédito. "Mas isso não muda o potencial de crescimento para o setor", avalia Luciana. "Para 2011, pode haver algum impacto (das medidas), mas ainda assim limitado."
Pesa a favor dos bancos a inadimplência mais baixa, lembra Luciana. Em novembro, ela foi de 4,7%, segundo o BC. Para se ter ideia, em novembro de 2009, os atrasos superiores a 90 dias somavam 5,8%. As estimativas apontam para um calote médio neste ano entre 4,7% a 5%.
Mas por que as ações dos bancos não andaram tanto no ano passado como as de consumo? A crise na Europa e o aumento da volatilidade no mercado puniram muitos papéis, inclusive os do segmento bancário.
É bem verdade que a maioria das ações do setor superou, com folga, a modesta alta do Ibovespa no ano passado, de 1,04%. Mas o desempenho ficou bem aquém de vários papéis de consumo - alguns chegaram a subir mais de 50%. "As ações de bancos deveriam ter acompanhado as voltadas ao mercado interno; deveriam ter subido na faixa de 25%", afirma Sales, da Lopes Filho.
Em 2010, as preferenciais (PN, sem direito a voto) do Bradesco, por exemplo, subiram 12,13%, enquanto as do Itaú, 5,47%. As ordinárias (ON, com voto) do Banco do Brasil se valorizaram 12,71%. Já as units (recibo de ações) do Santander Brasil tiveram queda de 1,35%.
Fonte: Valor

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Agora, Belda caça empresas

O fundo de private equity americano Warburg Pincus chega ao país pelas mãos do ex-presidente mundial da Alcoa Alain Belda e aumenta a lista dos recém-chegados ao mercado brasileiro -- um dos que mais crescem no mundo.
O ano de 2009 estava marcado na agenda do executivo Alain Belda, de 66 anos, como o da chegada da aposentadoria e da volta ao Brasil. Após 40 anos de trabalho na fabricante de alumínio americana Alcoa -- 14 deles vivendo nos Estados Unidos e sete como presidente mundial da empresa --, Belda havia programado dividir seu tempo entre a casa que construiu no bairro Jardim Europa, área nobre de São Paulo, e os compromissos no exterior como conselheiro do Citigroup, da IBM, da Renault e da própria Alcoa. Em janeiro, porém, a gestora de private equity americana Warburg Pincus, a nona maior do mundo, o convidou para liderar sua operação no Brasil. Em meados do ano, Belda já havia se desligado das atividades executivas da Alcoa para assumir, de um novo escritório em São Paulo, os investimentos da Pincus na América Latina. "Só adiaria a aposentadoria por um projeto como este: montar um negócio do zero com gente jovem e motivada", diz. Por enquanto, ele dedica boa parte de seu tempo à procura de um endereço e à montagem da equipe -- mas a caça por empresas já começou.

Esta será a segunda investida do fundo no mercado brasileiro. Nos anos 90, sem uma base local, a Pincus investiu em companhias de mídia e tecnologia que naufragaram -- e foi embora. Agora, com um time local, pretende aplicar cerca de 1,5 bilhão de reais no Brasil e nos países vizinhos num prazo de cinco anos. Nas suas quatro décadas de Alcoa, Belda acumulou uma vasta experiência na compra de empresas -- participou de cerca de 20 aquisições. "A diferença é o objetivo do investimento. Quando uma empresa compra outra, a união tende a ser permanente. No caso de um private equity, é preciso pensar em prazos curtos, de cerca de cinco anos", diz. Apesar de estar há anos fora do país, Belda transita bem no ambiente empresarial brasileiro. Entre os seus melhores amigos estão Elie Horn, dono da construtora e incorporadora Cyrela, e Carlos Jereissati, fundador da Iguatemi Empresa de Shopping Centers, uma das maiores da América Latina. "Acho que tenho uma boa reputação. Para quem vai receber um fundo de investimento como sócio, confiança é fundamental", diz Belda.

A chegada do Warburg Pincus ao país faz parte de um movimento maior. O setor de private equity, especializado em comprar participação de companhias promissoras para revendê-las por um preço maior no futuro, vive um momento de renovação no Brasil. Diversas instituições nacionais e internacionais estão, neste momento, lançando fundos por aqui. O Kohlberg Kravis Roberts (KKR), quarto maior fundo do mundo, analisa o mercado brasileiro desde o começo do ano passado. "Gostaríamos de investir no Brasil ainda em 2009 ou, no máximo, em 2010", diz John Pfeffer, um dos sócios do fundo baseados em Londres. Ele visita o Brasil a cada dois meses e está aprendendo português há cerca de um ano. Hoje, a única ligação do KKR com o mercado local é indireta -- o fundo tem uma participação no grupo americano de educação Laureate, que no Brasil controla a Universidade Anhembi Morumbi, entre outras. "Normalmente, aplicamos entre 250 milhões e 750 milhões de dólares em cada negócio. Mas estamos considerando investimentos um pouco menores no Brasil", diz Pfeffer. Se tudo correr como o planejado, em breve KKR e Warburg Pincus deverão constar do primeiro pelotão do mercado brasileiro -- hoje, os maiores fundos de private equity do país são o americano Advent e os brasileiros Gávea, GP Investimentos e Pátria.

Esse movimento de atração de gigantes do mercado internacional está intimamente ligado à conjuntura macroeconômica brasileira. A queda da taxa de juro, a ascensão da baixa renda e o aumento no grau de formalização das empresas tornaram o ambiente econômico muito mais atrativo -- e abriram espaço para a expansão e o surgimento de empresas nos mais diversos segmentos. Não faltam, portanto, oportunidades para gestores que queiram aportar dinheiro e gestão em companhias emergentes. Dados da Fundação Getulio Vargas mostram que o setor de private equity no Brasil vem crescendo à média de 53% ao ano desde 2004 -- uma das maiores taxas de expansão do mundo, em parte explicada pelo modestíssimo ponto de partida, em parte pela expectativa positiva em relação ao futuro. "Os investidores perceberam que o Brasil está vivendo mudanças seculares que vieram para ficar", diz Fernando Oliveira, sócio responsável pela América Latina do americano General Atlantic, um dos que chegaram há pouco tempo. A vinda em peso dos fundos para o Brasil é mais significativa por ocorrer num momento em que não faltam oportunidades também em outros mercados. Nos Estados Unidos, apesar do clima de cautela ainda reinante, há muitos negócios de vulto sendo fechados. Em outubro, o fundo Blackstone pagou 2,7 bilhões de dólares pelos parques temáticos da cervejaria ABInBev, que incluem os três SeaWorld, a maior operação de private equity no mundo neste ano.

Na comparação com outros países emergentes, o setor ainda engatinha no Brasil. Por aqui, a captação anual de recursos para novos investimentos é apenas um décimo da chinesa e um terço da indiana. A presença dos grandes fundos internacionais também é limitada -- dos dez maiores gestores mundiais, apenas o Carlyle já estava no país e, mesmo assim, ainda não fez nenhum grande negócio. Com os anúncios do Warburg Pincus e do KKR, a expectativa agora é que aumente o número de grandes fundos e que o setor ganhe novas nuances. O americano Burrill & Company, um recém-chegado que montou um escritório no Rio de Janeiro, acredita na especialização. Está captando recursos para aplicar exclusivamente em empresas de biotecnologia. "Na nossa maneira de ver, é difícil trabalhar sem ter os conhecimentos específicos", diz Steven Burrill, presidente mundial da Burrill & Company. Na equipe brasileira, haverá cientistas especializados em áreas como o estudo de células-tronco. A ideia é que eles possam avaliar tecnicamente a qualidade das empresas potencialmente interessantes.

Na cadeia alimentar do private equity, o processo começa quando um fundo compra uma participação ou o controle de uma empresa. Em seguida, com a injeção de capital e, em alguns casos, também com a intervenção na gestão, o fundo acelera o processo de crescimento do negócio e, anos depois, procura sair com lucro. As principais vias de saída são a venda de sua parte ou do controle para um concorrente, um novo investidor estrangeiro ou via bolsa de valores. Os gestores do fundo 2bCapital, formado em agosto pelo Bradesco e pelo Banco Espírito Santo, querem acrescentar um novo estágio a essa cadeia alimentar. Pretendem vender participações para outros fundos semelhantes. São sinais de um mercado que amadurece rapidamente. No que depender do cenário atual do private equity brasileiro, a volta de Belda a São Paulo vai ser bem mais movimentada do que o planejado.

Fonte: Portal Exame

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Giro médio diário da Bovespa cai 29% em novembro

LUCIA KASSAI

O giro financeiro médio diário na Bovespa no mês de novembro ficou em R$ 3,773 bilhões, o que representou uma queda de 29,2% em comparação ao mês anterior, quando foi de R$ 5,327 bilhões. O volume é o menor desde março de 2007, quando a média atingiu R$ 3,493 bilhões. O encolhimento reflete a aversão ao risco dos investidores e a saída de capital estrangeiro da Bolsa brasileira.

Em número de negócios, novembro registrou em média 291.890 negócios por dia, uma queda de 13,5% em relação ao mês de outubro.

O valor de mercado das 393 companhias cotadas na Bolsa caiu 1,6% na comparação com outubro, para R$ 1,354 trilhão, o menor valor do ano.

As ações mais negociadas do Ibovespa, principal índice, no mês de novembro foram Petrobras PN, com 21,9% do volume de negócios, Vale PNA (14,5%), Itaú PN (4,6%), Bradesco PN (4,2%) e Vale ON (3,6%).

Entre janeiro e novembro, as ações que mais subiram do Ibovespa foram Nossa Caixa ON (+179,56%), Transmissão Paulista ON (+36,41%), Natura ON (+28,03%), Brasil Telecom Participações ON (+23,37%) e Cemig PN (+20,51%). Já as que mais caíram do índice foram Rossi Residencial ON (-84,71%), Aracruz PNB (-84,70%), Gol PN (-79,94%), BM&FBovespa ON (76,74%) e VCP PN (-76,09%).

Publicado em: 01 de dezembro de 2008, 17h58

Fonte: AE Investimentos