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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Ação da Droga Raia sai a R$ 24 e IPO gira até R$ 654 mi

SÃO PAULO - Com uma forte demanda, a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Droga Raia movimentou até R$ 654,697 milhões. O preço por ação foi definido em R$ 24, no teto da faixa indicativa - que variava de R$ 19 a R$ 24 por ação. A última abertura de capital do ano provocou grande euforia no mercado. Até ontem, a procura pelos papéis da companhia já superava a oferta em seis vezes, conforme apurou a Agência Estado. Na semana passada, apenas os pedidos de investidores institucionais locais, como fundos de investimento e de pensão, já garantiam a operação.
A Droga Raia é a quinta maior rede de drogarias do País em faturamento e a terceira em número de lojas, de acordo com ranking da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma). O principal chamariz para o IPO foi o desconto relativo dos papéis na comparação com os da concorrente Drogasil, já listada em bolsa. Pelos cálculos de uma fonte, os papéis da Raia estreariam na bolsa valendo até 30% menos que o da concorrente. O desempenho recente de Drogasil no mercado, com alta acumulada de quase 8% no mês, apenas aumenta a atratividade do IPO.
A oferta da Raia era de inicialmente 23,7 milhões de ações. Além do lote principal, foram registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 3,558 milhões de papéis do suplementar, que se não for exercido em até 30 dias reduzirá o valor do IPO para R$ 569,302 milhões. Já o lote adicional, colocado quando há excesso de demanda, não foi registrado, um indício de que a demanda pelas ações estaria mais concentrada nas faixas mais baixas de preço, segundo uma fonte de mercado.
A rede de drogarias já havia tentado abrir o capital em 2008, mas acabou adiando os planos em meio ao agravamento da crise financeira. No mesmo ano, recebeu um aporte de capital da Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, e da Pragma Patrimônio por uma participação de 30% na companhia. O fundo da Gávea e membros da família Pipponzi, que controlam a Raia, venderão parte das ações que possuem no IPO e devem embolsar R$ 142 milhões.
Com a captação da Raia, as ofertas de ações no mercado brasileiro este ano atingem R$ 150,3 bilhões, puxadas pela megacapitalização de R$ 120 bilhões da Petrobras. Considerando apenas as aberturas de capital, foram R$ 11,9 bilhões captados em 11 operações, ainda segundo dados da CVM.
A estreia das ações da Droga Raia está prevista para a próxima segunda-feira, dia 20 de dezembro, sob o código "RAIA3". O coordenador líder do IPO é o Itaú BBA. O banco atua na operação ao lado do Credit Suisse e BB Banco de Investimento. 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Lições de um investidor



LIRIO PARISOTTO TINHA 1,6 BILHÃO DE REAIS APLICADOS NA BOLSA BRASILEIRA QUANDO A CRISE FINANCEIRA INTERNACIONAL ABALOU O MERCADO. PERDEU 1 BILHÃO, MAS DOBROU A APOSTA - E SE DEU MUITO BEM



Por Eduardo Salgado | 05.02.2010 | 09h24
O gaúcho Lirio Parisotto - dono de um patrimônio de 2,1 bilhões de reais em ações - percorreu um longo caminho até se tornar um dos maiores investidores da bolsa de valores. Em 1971, com 18 anos, o filho de agricultores pobres tirou o primeiro lugar em um concurso de monografias organizado pelo Ministério do Exército, com um texto sobre o serviço militar obrigatório. Estudante do ensino secundário, recebeu como prêmio uma quantia equivalente a  um Fusca, o que parecia ser a solução ideal para quem dependia da carona dos amigos e do transporte público para se locomover. Animado pela alta da  bolsa, Parisotto decidiu investir tudo em ações. Em pouco tempo, o que tinha sido "o di nheiro do Fusca" não dava para comprar uma bicicleta. Desanimado  com o estouro da bolha, ele vendeu todas as ações. "Meu erro foi a ganância: sonhei ter dois Fuscas em seis meses e fiquei sem nenhum."
Quinze anos mais tarde, já como um bem-sucedido dono de loja de eletrodomésticos na Serra Gaúcha, Parisotto voltou à carga. O valor era outro - 500 000  dólares -, mas o desenlace foi o mesmo. Investiu no pico do Ibovespa, teve um prejuízo de 200 000 dólares e saiu da bolsa. "Cometi o segundo pecado de aplicar dinheiro que eu iria precisar no curto prazo." No início dos anos 90, o então perdedor serial quis virar o jogo. Aplicou o equivalente a 2  milhões de dólares. O Ibovespa estava em baixa e daquela vez ele seguiu a cartilha do mercado: fixou uma meta de ganho, mas sem prazo definido para  alcançá- la. Cerca de um ano depois, saiu com 8 milhões de dólares. Com o dinheiro, completou o que faltava para comprar a participação de 40% de seu sócio na Videolar, hoje líder no mercado brasileiro de DVDs, videocassetes e Blu-ray. "Sou um autodidata no mercado de ações", diz Parisotto.
A experiência acumulada em duas décadas de perdas e muita observação fez o empresário estabelecer regras. Parisotto procura não mudar a carteira a toda  hora. "Investidor que se mexe muito vira vinagre rapidinho", diz. Outro mandamento é dar preferência a ações de empresas lucrativas - e que distribuam dividendos. "Empresa que dá lucro não quebra", ensina. Quando decidiu recomeçar a aplicar na bolsa, em 1998,
Parisotto já tinha claro o que queria. Caso vendesse alguma ação, rea plicaria o valor. O mesmo destino teriam os dividendos distribuídos pelas empresas. E, sempre que possível, colocaria dinheiro novo para aumentar seu portfólio na bolsa. Quando veio a grande crise financeira de 2008, seu patrimônio em ações já tinha alcançado a marca de 1,6 bilhão de reais - não há estatísticas oficiais, mas especialistas são unânimes em dizer que se trata de um dos maiores valores individuais na bolsa. No segundo semestre daquele ano, no entanto, o mercado bateu no fundo do poço e arrastou Parisotto. Em cinco meses, o investidor viu quase 1 bilhão de reais de seu patrimônio evaporar. "Mas nem no auge da crise ele perdeu o bom humor", diz o amigo Julio Cardozo, ex-presidente da consultoria Ernst & Young. Parisotto se manteve fiel à sua crença de que não se deve investir em ações, mas sim em empresas - ou seja, mais importante do que o momento do mercado é o balanço da companhia. Com isso em mente, enxergou várias oportunidades nos piores meses da bolsa. Não tirou um centavo e aproveitou a queda para comprar. No período de cinco meses, entre outubro de 2008 e março de 2009, aplicou 300 milhões de reais - sua grande aposta foram os bancos brasileiros que, segundo sua avaliação, tinham sido injustamente castigados pela baixa do setor em  todo o mundo. Menos de um ano após o outubro negro, já tinha recuperado o 1 bilhão de reais e, nos meses seguintes, seguiu aumentando o patrimônio.  Hoje, após o fim de um período de grandes pechinchas na bolsa, Parisotto se prepara para tentar ganhar num cenário de crescimento econômico. A estratégia é aplicar em papéis de companhias dos setores de siderurgia e mineração, bancos e elétricas.


Uma ausência bastante visível em seu portfólio é a Petrobras, companhia que passou a ser mundialmente incensada após as descobertas do pré-sal. Parisotto vendeu seus últimos papéis da empresa em 2007, mas diz que todo dia acorda se perguntando por que não volta atrás. "Saí porque essa companhia é muito complicada, tem muita interferência política", diz. "Mas não dá para esquecer aquela máxima: o melhor negócio do mundo é uma empresa petrolífera bem gerida e o segundo melhor é uma mal gerida." Ele é um crítico dos planos de aumento de capital da Petrobras, previsto para este ano. Ainda assim, não riscou a ação da lista de possíveis investimentos.
Apesar de alguns gestores franzirem a testa diante da posição de Parisotto sobre a Petrobras, ninguém ousa dizer que ele não sabe escolher os papéis de  sua carteira. Após ter passado com louvor pela crise, o investidor, que não tem planos de sair da bolsa, aumentou a expectativa do mercado em relação a  seu futuro como aplicador. Diz o amigo e vizinho Albino Bacchi, fundador da Artefacto, uma rede de lojas de móveis: "O Lirio vai ser nosso Warren  Buffett". Para quem já teve como meta comprar dois Fuscas, dá para dizer que o sarrafo à frente de Parisotto ficou bem mais alto.
A CARTEIRA DE PARISOTTO
Para o investidor, siderurgia e mineração serão os setores que mais vão se beneficiar do crescimento econômico. Outros setores promissores são o  bancário e o elétrico. Confira como seus 2,1 bilhões de reais são investidos na bolsa.
Depois de ver 961 milhões de reais em ações virar pó em 2008, Lirio Parisotto aumentou suas aplicações e ganhou, principalmente, com a alta dos papéis dos bancos. Mesmo com a crise financeira mundial, seu patrimônio na bolsa de valores cresceu 50% desde outubro de 2007 (em reais)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Recorde mundial. E agora?

O espanhol Santander promove o maior lançamento de ações do mundo neste ano e mostra que o Brasil virou um dos principais palcos da competição entre bancos no mercado global.
Há exatamente um ano, Fabio Barbosa, presidente da operação brasileira do Santander, estava acuado. Seu chefe, o espanhol Emilio Botín, controlador do Santander, não escondia sua irritação. Em uma coletiva de imprensa organizada no hotel Grand Hyatt, na zona sul de São Paulo, em outubro de 2008, Botín declarou, com toda a pompa, que seu objetivo era transformar o Santander no "maior banco privado do Brasil". Numa daquelas coincidências históricas cheias de ironia, três dias depois o Itaú e o Unibanco anunciavam a maior fusão bancária do sistema financeiro brasileiro, tomavam a dianteira e se isolavam na liderança. Extremamente contrariado, Botín deixou claro aos membros do alto escalão do Santander no Brasil que eles deveriam ter descoberto a negociação a tempo de evitar o fiasco da coletiva -- no mercado, o anúncio no Grand Hyatt virou piada. Mas, no dia 7, a oferta inicial de ações da operação brasileira do Santander, feita simultaneamente na Bovespa e na bolsa de Nova York, lembrou que é prudente não zombar do banco espanhol. Após captar 14,1 bilhões de reais, a maior oferta inicial de ações de todos os tempos na Bovespa e a maior do mundo neste ano, o Santander mostrou que está fortalecido para brigar por espaço no mercado brasileiro.

Mesmo que o antigo plano de ocupar o primeiro lugar no ranking dos bancos privados pareça por ora quase impossível -- o líder Itaú Unibanco tem quase o dobro de ativos --, o Santander tem hoje tamanho, presença geográfica e dinheiro para, pelo menos, incomodar os três que estão à sua frente: Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco.

Passada a abertura na bolsa, Barbosa, um paulistano de 54 anos, enfrenta agora a pressão de milhares de acionistas, ávidos por saber como o Santander investirá seus 14,1 bilhões de reais e como os transformará numa riqueza ainda maior. Nas semanas que antecederam o lançamento dos papéis, Barbosa participou de uma maratona de encontros com investidores no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa. Deixou claro que sua meta é ganhar, em cinco anos, pelo menos 2 pontos percentuais de fatia de mercado nos principais segmentos em que atua -- entre eles estão o de crédito imobiliário e o de pequenas e médias empresas. A mensagem era que o banco não quer apenas se beneficiar do crescimento esperado do país. Ele promete fazer isso e, ao mesmo tempo, tirar clientes da concorrência. Também ficou claro que o Santander não estava vendendo suas ações com base no desempenho passado -- o histórico de rentabilidade do banco no Brasil, cerca de metade dos rivais em 2008, não impressiona. O preço de suas ações reflete as promessas de crescimento. Agora Barbosa e sua equipe têm o compromisso de entregar.

Mesmo em um setor povoado por egos mastodônticos, parte da concorrência reconhece em Barbosa um profissional de rara habilidade -- ele foi alçado ao comando do Santander mesmo depois de o banco que presidia, o ABN Amro Real, ter sido comprado pelos espanhóis, algo raro em qualquer mercado. Hoje comanda a segunda maior operação do Santander no mundo. Mas os adversários também dizem que seu maior teste está apenas no início. A competição para valer começa agora. Nos últimos tempos, os principais bancos brasileiros adotaram à risca a lei do mais forte -- em poucas palavras, os grandes engoliram os mais fracos. O Banco do Brasil, por exemplo, é resultado do acréscimo do Votorantim e da Nossa Caixa. O Itaú Unibanco, além dos dois bancos que o compõem, soma os antigos BankBoston, BBA e Nacional. E assim por diante. O resultado foi uma concentração sem precedentes na história do sistema financeiro. Atualmente, os dez maiores bancos do país respondem por 94% das agências bancárias. Há dez anos, essa participação era de 76%. A soma dos ativos dos quatro primeiros bancos do ranking quase dobrou desde 2007 -- em meio, é bom lembrar, à maior crise bancária internacional em sete décadas. Até 2007, não havia nenhum brasileiro na lista dos 20 primeiros do mundo por valor de mercado. No início de outubro, o Itaú Unibanco era o 11o e o Bradesco 17o. "As grandes instituições financeiras estão olhando para a frente e se preparando para o Brasil que virá", diz Aldemir Bendini, presidente do Banco do Brasil, que nos últimos meses empreendeu uma maratona expansionista. Embalados pela política anticíclica do governo e com uma agressividade incomum, os bancos públicos aumentaram sua fatia de mercado de 34% para 40% nos últimos 12 meses. "Todo mundo quer manter o que tem e conquistar novos espaços."

Leia a matéria completa no Portal Exame


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ganhar no mercado atual pode passar apenas por uma mudança de estratégia

SÃO PAULO - A forte volatilidade dos últimos meses e as duras quedas sofridas pelos principais índices acionários globais têm tornado difícil o sucesso até mesmo de estratégias alternativas para se ganhar com a bolsa. Com as opções se esgotando, vale prestar atenção na tática dos (poucos) investidores que conseguem ganhar neste mercado.

O primeiro exemplo é o fundo Forester Value, citado pelo portal Fool como o único de todos os fundos de ações dos EUA no universo de cobertura da Morningstar a registrar desempenho positivo neste ano. A alta de 2% pode parecer insignificante perto dos ganhos exagerados nas bolsas nos últimos anos, mas é na comparação com a performance do índice S&P 500, de aproximadamente -30% no mesmo período, que surge a admiração.

Como eles ganham?
A pergunta que fica é o que o Forester Value Fund fez para conseguir se destacar tanto, já que não basta apenas sorte para ganhar neste mercado. Avaliando as estratégias do fundo, algumas lições ficam claras: investir em empresas sólidas e estáveis, mudar de estratégia de acordo com as tendências e aproveitar as oportunidades do mercado, além, é claro, de tomar providências para se proteger.

Dois movimentos do gestor do Forester Value Fund, Thomas Forester, podem esclarecer melhor essas lições. Em 2007, quando os fundos começaram a sofrer com a exposição ao declinante setor financeiro, o Forester Value realizou perdas, mudou de estratégia e procurou outros setores.

O outro exemplo, mais recente, mostra uma estratégia mais agressiva, de forma a aproveitar as novas oportunidades: nesse exemplo, vale a velha máxima de que "tempos extraordinários pedem medidas extraordinárias". Em julho, o Forester Value comprou papéis do Bank of America e os vendeu semanas depois, com um lucro de 80%.

Olhando o longo prazo
"Se você espera ser um poupador líquido durante os próximos cinco anos, você deveria esperar por bolsa mais alta ou mais baixa durante esse período?". A pergunta foi feita em uma carta enviada aos acionistas da empresa Berkshire Hathaway, do megainvestidor Warren Buffet. Embora date de 1997, o texto é bem atual.

Para os que têm a resposta na ponta da língua, a continuação da carta pode ser uma surpresa e um ensinamento. Ao afirmar que muitos investidores entendem essa questão de forma errada, a carta traz a seguinte justificativa: "apenas aqueles que serão vendedores de ações no curto prazo devem ficar felizes em ver as ações subirem. Compradores em perspectiva devem preferir preços em queda".

Para os investidores de longo prazo, o conselho de Buffet (em 1997 e agora) é comprar e apostar na recuperação de alguns papéis, observando, é claro, os bons fundamentos das empresas. A oportunidade também é destacada pela Fator Corretora: "Isso não quer dizer que as bolsas não possam cair mais, mas que para os próximos três, quatro, cinco anos, boas escolhas na bolsa deverão ter desempenho superior a qualquer outro investimento".

Tendências do mercado
Para os que optarem por modificar as estratégias e se espelhar em ganhadores, atenção para alguns pontos. O primeiro é conhecer o mercado e suas oportunidades: múltiplos baratos não significam necessariamente recuperação imediata. "Uma estatística apenas não significa que as bolsas não possam cair mais", alerta Lika Takahashi, estrategista chefe da área de análise da Fator.

Outro ponto a ser levado em consideração é que apenas sabemos do sucesso das pessoas após elas terem ganhado: portanto deve-se tomar cuidado para não seguir estratégias tendo em vista eventos passados. Espelhar-se em vencedores não significa realizar os mesmos movimentos e sim estudar as estratégias.

Dessa forma, para os próximos meses, as táticas de investimento devem levar em consideração alguns fatores que podem influenciar papéis e setores: a desaceleração do crescimento chinês, que pressiona principalmente empresas ligadas a commodities; preços dos imóveis (tanto nos EUA quanto em outros países); condições dos mercados de crédito, que podem influenciar companhias e setores que necessitam de grande capital de giro para financiar operações, como setor de construção civil.

Por fim, a Fator pede atenção também ao setor de cartões: "a inadimplência no setor de cartão de crédito pode se tornar o novo problema na crise de crédito", com previsão de que a taxa de inadimplência cresça dos atuais 5,5% para os 8% vistos na época do estouro da bolha de tecnologia.

Por: Giulia Santos Camillo
06/11/08 - 10h00
InfoMoney