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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O fim do superávit chinês

O superávit em conta corrente da China - combinação de seu superávit comercial e lucro líquido com investimentos no exterior - é o maior do mundo. Com um superávit comercial de US$ 190 bilhões e a renda proveniente de sua carteira de ativos estrangeiros de quase US$ 3 trilhões, o superávit externo da China é de US$ 316 bilhões, o equivalente a 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB) anual.
Como o superávit em conta corrente é denominado em moeda estrangeira, a China precisa usar esses fundos para investir no exterior, especialmente comprando bônus governamentais lançados pelos Estados Unidos e países europeus. Como resultado, as taxas de juros desses países estão mais baixas do que estariam sem essas compras.
Tudo isso pode estar para mudar. As políticas que a China adotará como parte de seu novo plano de cinco anos encolherão seus superávits comercial e em conta corrente. É possível que, antes do fim da década, o superávit em conta corrente da China se transforme em déficit, com o país importando mais do que exportando; e gastando a renda de seus investimentos externos em importações e não em papéis estrangeiros. Se isso ocorrer, a China não será mais um comprador líquido de bônus dos EUA e de outros governos, o que pressionará as taxas de juros desses países para cima.
É possível que, antes do fim da década, a China passe a ter déficit em conta corrente, com o país importando mais do que exportando; e gastando a renda de seus investimentos externos em importações e não em papéis estrangeiros
Embora atualmente esse cenário possa parecer implausível, na verdade é bem possível. Afinal, as políticas que a China adotará nos próximos anos têm como alvo o enorme índice de poupança do país - a causa de seu grande superávit em conta corrente.
Em qualquer país, o balanço em conta corrente é a diferença entre a poupança doméstica e o investimento nacional em fábricas, equipamentos, residências e estoques. Esse fato fundamental não é uma questão de teoria econômica ou algo historicamente periódico. É uma identidade contábil fundamental da renda nacional que vale para todos os países, todos os anos. Portanto, qualquer país que reduza sua poupança doméstica, sem cortar o investimento, verá um declínio em seu superávit em conta corrente.
O índice de poupança doméstica da China - incluindo a poupança das pessoas físicas e das empresas - está agora em cerca de 45% do PIB, a maior no mundo. Mais à frente, no entanto, o plano quinquenal reduzirá o índice de poupança, uma vez que a China busca aumentar o consumo doméstico e, dessa forma, o padrão de vida média dos chineses.
O plano almeja maiores salários reais, de forma que a renda familiar, enquanto participação do Produto Interno Bruto (PIB), aumentará. Além disso, as empresas estatais terão de distribuir uma maior parte de seus lucros na forma de dividendos. E o governo aumentará seus gastos em serviços como assistência médica, educação e habitação.
Essas políticas são motivadas por considerações domésticas, uma vez que o governo chinês tenta elevar o padrão de vida em ritmo superior ao do PIB, que está se desacelerando. Seu impacto líquido será elevar o consumo como porcentagem do PIB e reduzir o índice de poupança nacional. E, com essa queda na poupança, virá uma queda no superávit em conta corrente.
Como o superávit em conta corrente da China gira atualmente em torno dos 6% do PIB, se o índice de poupança cair dos atuais 45% para menos de 39% - ainda maior do que o de qualquer outro país - o superávit se tornará déficit.
Essas perspectivas para o balanço em conta corrente não dependem do que vier a ocorrer com a taxa de câmbio do yuan em relação às demais moedas. O desequilíbrio poupança/investimento é fundamental e, sozinho, determina a posição externa do país.
A queda na poupança doméstica, contudo, provavelmente levará o governo chinês a permitir uma maior valorização do yuan. Do contrário, o aumento no consumo doméstico criaria pressões inflacionárias. Permitir a valorização da moeda ajudará o país a compensar essas pressões e restringir o crescimento dos preços.
Um yuan mais forte reduziria a conta com as importações, incluindo os preços pagos pelo petróleo e outros insumos, e tornaria os bens chineses mais caros para os compradores estrangeiros, além de deixar os produtos externos mais atraentes para os consumidores chineses. Isso reorientaria a produção voltada às exportações para o mercado interno e reduziria, portanto, o superávit comercial, além de restringir a inflação.
O superávit comercial chinês e a taxa de câmbio do yuan estavam no topo da lista dos assuntos discutidos pelos presidentes da China, Hu Jintao, e dos Estados Unidos, Barack Obama, quando o primeiro foi a Washington neste mês. Os americanos estão ansiosos para que a China reduza seu superávit e permita uma maior valorização do yuan. Mas deveriam ter cuidado com o que desejam, porque um superávit menor e um yuan mais forte sugerem que, algum dia, a China não será mais compradora líquida de bônus do governo americano. Os EUA deveriam começar a planejar-se para esse dia.
Martin Feldstein é professor de economia em Harvard, foi presidente do Conselho de Assessores Econômicos do ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan e foi presidente do National Bureau for Economic Research.
Fonte: Valor

terça-feira, 21 de setembro de 2010

BC prevê rombo recorde de US$ 60 bilhões nas contas externas em 2011


O Banco Central divulgou nesta terça-feira (21), pela primeira vez, as suas estimativas para o comportamento das contas externas em 2011. De acordo com a autoridade monetária, o déficit em transações correntes, um dos principais indicadores do setor externo brasileiro, deverá somar US$ 60 bilhões no próximo ano, o equivalente a 2,78% do Produto Interno Bruto (PIB).
Caso o valor seja confirmado, este será o maior déficit desde 1947 para um ano fechado. Até o momento, o maior déficit em conta corrente foi registrado em 1998 (US$ 33,4 bilhões), de acordo com o BC.
Para 2010, a estimativa do Banco Central de déficit em transações correntes foi mantido estável em US$ 49 bilhões, ou 2,49% do PIB.
Apesar do rombo recorde em dólares, o resultado estimado pelo BC para 2010, e para 2011, ainda ficará abaixo de períodos anteriores de crise, mas somente quando a comparação é feita com a proporção do PIB. Em 1982, por exemplo, o rombo chegou a 6% do PIB e, em 1999, período da maxidesvalorização cambial, somou 4,32% do PIB.
Resultado do crescimento econômico
A expectativa de deterioração das contas externas está relacionada com o crescimento da economia brasileira, que eleva a expectativa de importações e piora o resultado comercial. A previsão de superávit da balança, que subiu de US$ 13 bilhões para US$ 15 bilhões em 2010, recuou para US$ 10 bilhões em 2011, informou o BC.
Crescimento da economia brasileira eleva expectativa de importações e piora o resultado comercial
O BC também estima uma elevação no volume de remessas de lucros e dividendos das empresas ao exterior - também em consequência do crescimento da economia brasileira. Com as empresas lucrando mais, há expectativa de que as remessas de lucros ao exterior subam. Para este ano, a previsão do BC de remessas de lucros foi mantida em US$ 32 bilhões. Mas para 2011, a previsão do BC subiu para US$ 36 bilhões.
Outro efeito da expansão da economia é o aumento dos gastos de turistas brasileiros no exterior, fator que também piora as contas externas. A previsão do BC de resultado negativo neste segmento (gastos no exterior menos despesas de estrangeiros no Brasil) subiu de US$ 8 bilhões para US$ 10 bilhões neste ano e, para 2011, a estimativa avançou mais ainda: para US$ 11,5 bilhões de resultado negativo.
Piora nas condições de financiamento
Ao mesmo tempo em que prevê déficits progressivos nas contas externas, o BC informa que os investimentos estrangeiros diretos não devem ser suficientes para cobrir o rombo neste ano e, também, em 2011.
BC informa que investimentos estrangeiros diretos não devem ser suficientes para cobrir o rombo neste ano
Para 2010, quando é previsto um déficit em transações correntes de US$ 49 bilhões, a estimativa do BC de ingresso de investimentos estrangeiros diretos caiu de US$ 38 bilhões para US$ 30 bilhões.
Para o próximo ano, quando há expectativa do "rombo" histórico de US$ 60 bilhões nas contas externas, a previsão de entrada de investimentos estrangeiros diretos da autoridade monetária é de US$ 45 bilhões - volume também insuficiente para cobrir o resultado negativo.
Isso quer dizer que o país precisará se apoiar mais na entrada de capitais para aplicações financeiras (renda fixa e bolsa de valores), considerados mais instáveis, pois podem sair a qualquer momento, ou pegar empréstimos no exterior, para fechar a conta.
Janeiro a agosto
Dados do BC mostram que, de janeiro a agosto deste ano, as contas externas registraram um déficit de US$ 31,2 bilhões, ao mesmo tempo em que o ingresso de investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira totalizou US$ 17,13 bilhões.
No mesmo período, as remessas de lucros e dividendos ao exterior somaram US$ 19,28 bilhões.
Fonte: G1.Globo

segunda-feira, 15 de março de 2010

Mercado volta a elevar inflação prevista para 2010


São Paulo - O mercado financeiro voltou a elevar a projeção para a inflação em 2010. De acordo com a pesquisa Focus, divulgada hoje pelo Banco Central (BC), a expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano passou de 4,99% para 5,03%. Com isso, a inflação prevista se distanciou ainda mais do centro da meta do governo para este ano, que é de 4,50%.
Na mesma pesquisa, a estimativa para o IPCA em 2011 subiu de 4,50% para 4,60%. Já a estimativa para a inflação de março subiu de 0,36% para 0,40% e, para a taxa de abril, de 0,35% para 0,38%. O dado do IPCA de março deve ser divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 8 de abril.
A pesquisa Focus também manteve a previsão de que a taxa básica de juros (Selic) deve terminar 2010 em 11,25% ao ano. Para o fim de 2011, a projeção caiu de 11,23% para 11% ao ano. O mercado financeiro manteve a previsão de que a Selic continuará em 8,75% ao ano na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Permanece a previsão de que o início do ciclo de alta dos juros ocorra em abril, com aumento de 0,50 ponto porcentual da Selic.
PIB
A estimativa para o desempenho da economia brasileira em 2010 apresentou piora na pesquisa semanal Focus. No levantamento realizado junto a instituições financeiras, a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano passou de avanço de 5,50% para crescimento de 5,45%. Para 2011, a previsão para o PIB foi mantida em um crescimento de 4,50%. No mesmo levantamento, a estimativa para a produção industrial em 2010 subiu de 8,71% para 8,74%. Para 2011, a projeção para o desempenho da indústria seguiu em 5%.
Câmbio e contas externas
Analistas mantiveram a previsão para o patamar do dólar no fim do ano. O nível da moeda norte-americana no fim de 2010 ficou em R$ 1,81. Para o fim de 2011, foi mantida a expectativa de que a cotação da moeda norte-americana fique em R$ 1,85. A previsão de câmbio médio no decorrer de 2010 manteve-se em R$ 1,83.
O mercado financeiro também alterou as previsões para o déficit nas contas externas em 2010. A previsão para o déficit em conta corrente neste ano caiu de US$ 52 bilhões para US$ 51 bilhões. Para 2011, a previsão de déficit em conta corrente do balanço de pagamentos permaneceu em US$ 60 bilhões.
Já a previsão de superávit comercial em 2010 seguiu em US$ 10 bilhões. Para 2011, a estimativa para o saldo da balança comercial caiu de US$ 3 bilhões para US$ 2,50 bilhões.
Analistas mantiveram a estimativa de ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2010 em US$ 38 bilhões. Para 2011, a estimativa para o IED permaneceu em US$ 40 bilhões.
Copyright © Agência Estado. Nenhuma das informações contidas neste servidor pode ser reproduzida, seja a que título for, sem o acordo prévio da Agência Estado.
Fonte: Veja

sexta-feira, 12 de março de 2010

Produção industrial na zona do euro sobe mais de 1%

SÃO PAULO - A produção industrial cresceu 1,7% na zona do euro entre dezembro do ano passado e janeiro de 2010, com ajuste sazonal. Na União Europeia, houve expansão de 1,8%, apontou a agência de estatísticas Eurostat em nota divulgada nesta manhã.

No último mês de 2009, a atividade fabril registrou acréscimo de 0,6% na região da moeda comum e teve elevação de 0,3% no bloco europeu.

Ainda no confronto mensal, a produção de energia subiu 2,6% na zona do euro e 2,2% na União Europeia. Bens de consumo duráveis aumentaram 2% e 1,7%, respectivamente.

Bens intermediários verificaram alta de 1,4% na área do euro e de 0,3% no bloco europeu em janeiro, contra dezembro de 2009. Bens de capital tiveram baixa de 0,3% na primeira região, mas verificaram ampliação de 0,4% na segunda. Mesmo comportamento foi observado em bens de consumo não duráveis (-0,3% na zona do euro e +0,5% na União Europeia).

Perante o início de 2009, a indústria na zona do euro cresceu 1,4% em janeiro deste calendário. No bloco europeu, a expansão foi de 1,5%.

Leia mais: http://www.valoronline.com.br/?online/internacional/13/6154433/producao-industrial-na-zona-do-euro-sobe-mais-de-1%#ixzz0hxvDXJE1

quinta-feira, 11 de março de 2010

Fique esperto: Roubini faz nova previsão sobre economia

O economista Nouriel Roubini, que previu a crise de hipotecas sub-prime na economia norte-americana, alertou para uma possível queda no PIB dos Estados Unidos e na Europa ocasionando um evento chamado de duplo mergulho, quando a atividade de um país tem uma contração, consegue se recuperar rapidamente, mas não sustenta a alta. Para o economista a demanda interna nos dois mercados está muito fraca, pressionada pela alta taxa de desemprego. No Brasil diversos analistas estão mais confiantes com o cenário de 2010, apesar de o PIB brasileiro provavelmente apresentar queda no acumulado de 2009.
Fonte: ADVFN

sexta-feira, 5 de março de 2010

Rapidinhas do mercado

Alguns políticos alemães sugeriram jocosamente à Grécia vender algumas de suas ilhas para quitar parte da dívida pública...

Em janeiro as encomendas às fábricas nos EUA subiram 1,7% em linha com as estimativas...

Os contratos de vendas de imóveis assustaram com a queda de 7,6% em janeiro nos EUA, enquanto se esperava alta de 1%...

Em contra partida os pedidos de seguro desemprego caíram para 469 mil pedidos na semana nos Estados Unidos...

A produção industrial brasileira subiu impressionantes 16% em janeiro deste ano, em comparação ao mesmo mês do ano passado...
Fonte: ADVFN

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Brasil está entre as dez maiores economias

BRASÍLIA (Reuters) - A economia brasileira ganhou importância nos últimos anos com o maior ritmo de crescimento em décadas, conquistando posição no chamado grupo dos Brics de países emergentes, junto de Rússia, Índia e China.

Veja a seguir alguns dos fatos principais sobre a economia brasileira, a maior na América Latina.

* Em 2008, o Produto Interno Bruto (PIB) foi de 2 trilhões de dólares, baseado na paridade de poder de compra, colocando o país entre as 10 maiores economias do mundo.

* Após crescer 5,1 por cento em 2008, a economia deve sofrer contração de 0,7 por cento este ano, de acordo com a última pesquisa do Banco Central realizada com instituições financeiras.

* Com uma população de 190 milhões de habitantes, o Brasil é a quarta maior democracia do mundo.

* Potência agrícola, o país é líder mundial em exportações de café, açúcar, suco de laranja, carne bovina e de frango. É ainda o segundo maior exportador de soja, atrás dos Estados Unidos.

* Pioneiro no uso de biocombustíveis, o Brasil é o maior exportador de etanol. Cerca de 90 por cento dos novos carros no país são equipados com motores flex, que rodam tanto com etanol quanto com gasolina.

* Descobertas recentes de grandes reservas submarinas de petróleo na costa sudeste devem dobrar a produção de petróleo do Brasil para 4 milhões de barris por dia até 2020, o que colocaria o país entre os dez maiores exportadores de petróleo do mundo.

* A dívida pública é equivalente a 38 por cento do PIB, ante 50 por cento em 2003. O Brasil quitou a dívida junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2005 e conquistou o tão aguardado grau de investimento em 2008.

* As exportações brasileiras totalizaram 198 bilhões de dólares em 2008, superando as importações de 178 bilhões de dólares.

* Os principais parceiros comerciais são União Europeia,China, Estados Unidos e Argentina.

* O Brasil é o único país entre os Brics que não possui armas nucleares, embora tenha habilidade para enriquecer urânio.

(Reportagem de Raymond Colitt e Natuza Nery; Edição de Carmen Munari)

Fonte: O Globo.com

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Bovespa sobe de novo e ganha mais de 5% em três dias

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou esta sexta-feira em alta pelo terceiro pregão consecutivo. No dia, o Ibovespa (principal índice da Bolsa paulista) encerrou com elevação de 2,12%, aos 46.771,79 pontos. Em três dias, a Bolsa subiu 5,26%. O ganho acumulado no mês é de 14,28%. Segundo analistas, os investidores estão arriscando mais.

cotação do dólar comercial caiu 1,26% nesta sexta-feira e fechou em R$ 2,191 na venda, acumulando uma leve queda de 0,09% na semana. No mês, a moeda americana está em baixa de 5,52%; no ano, de 6,09%.


Nos Estados Unidos, a Ford anunciou perda líquida de US$ 1,4 bilhão no primeiro trimestre. 

Segundo a edição de hoje do jornal "The New York Times", o Tesouro dos Estados Unidos quer que a Chryslerse declare em concordata. De acordo com a publicação, já foi feito um acordo com o maior sindicato da indústria automotiva para garantir as pensões e os planos de saúde dos empregados aposentados da empresa.

Os indicadores vindos da Europa não são animadores. O número de desempregados na Espanha superou os 4 milhões no primeiro trimestre deste ano e já alcança 17,36% da população ativa. 

No Reino Unido, o PIB (Produto Interno Bruto) caiu 1,9% no primeiro trimestre, o maior recuo dos últimos 30 anos. E a produção de veículosno país despencou 51,3% em março.

Apesar das medidas que já foram tomadas no país para aliviar as pressões da crise financeira, o desemprego no Brasil subiu para 9% em março, o maior patamar desde setembro de 2007. 

Prévia da inflação oficial, o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) subiu 0,36% em abril, puxado pelo aumento nos custos ligados a empregados, gás, remédios e cigarros.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Resultado do PIB pode trazer corte de juros superior a 1 p.p., dizem economistas

A divulgação do IBGE deve determinar o tamanho da queda da Selic, que já é unanimidade no mercado

por Lilian Sobral
Que os juros brasileiros vão ser reduzidos esta semana, o mercado já concordou. A dúvida fica sobre quão grande deve ser esta queda, caso o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro mostre uma contração muito grande. 

“A decisão [de reduzir a Selic] não está tão difícil, porque a expectativa de inflação está melhor, o que abre espaço para o corte”, diz Silvio Campos, economista-chefe do Banco Schain. Para ele, o câmbio era outro fator que impedia a redução da Selic, mas já não há uma preocupação tão grande com as oscilações da moeda norte-americana. “Claro que o BC vai continuar monitorando, mas o tempo já mostrou que o câmbio não causou tanto impacto na inflação”, diz. 

Antes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística) divulgar o PIB brasileiro no quarto trimestre, o boletim Focus mais recente, divulgado nesta segunda-feira (09/03) pelo Banco Central, mostra expectativas de um corte de 1 ponto percentual na taxa Selic, que passaria de 12,75% para 11,75% ao ano. Economistas acreditam que este corte pode se mostrar maior, dependendo dos dados da economia brasileira. 

Para Luiz Otávio de Souza Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil, se a queda do PIB for de 3% em relação ao terceiro trimestre, o corte na Selic será mais profundo. “Neste caso, uma redução de 1,5 ponto percentual é piso”, diz. Segundo ele, o dado do IBGE pode mostrar uma fragilidade do Brasil maior do que a esperada. “Isto significa que a reconstrução da economia do país vai sair mais cara”, diz. 

Roberto Luis Troster, sócio da Integral Trust, espera um corte de 1,25 ponto percentual. Para ele, outro fator que deve influenciar o Copom (Comitê de Política Monetária) é o IPCA (Índice de preços ao consumidor amplo) de fevereiro, que será divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira. Pelo Focus, a inflação deve ser de 0,52%, e Troster projeta uma alta de 0,50%. “O governo corre o risco de ter PIB negativo e inflação abaixo da meta, por isto é necessário ser menos parcimonioso”, diz. 

Segundo Troster, quando a economia voltar a aquecer e a inflação começar a ficar muito baixa, pode ser a hora de retornar ao ciclo de cortes. Enquanto isto, a expectativa é de que a Selic chegue ao final do ano abaixo dos 10%. 

O Copom inicia sua segunda reunião do ano nesta terça-feira (10/03). A nova taxa básica de juros será conhecida na quarta-feira (11/03), após o encerramento do pregão na Bovespa. Já o PIB será divulgado pelo IBGE nesta terça-feira, às 9 horas.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Revisão de crescimento chinês dá fôlego às bolsas

Por que os mercados emergentes, em especial a China, têm apresentado melhor performance do que as bolsas das economias desenvolvidas? Depois de os fãs e cinéfilos desvendarem os mistérios de um homem que nasce velho e morre bebê em "O Curioso Caso de Benjamin Button", protagonizado por Brad Pitt, no relatório "O curioso Caso dos Mercados Emergentes", os analistas Michael Hartnett e Michael Penn, do time de estratégia do Bank of America Merrill Lynch, enumeram os fatores que têm proporcionado o relativo descolamento desse grupo de países, embora não o vejam como movimento duradouro.  

O posicionamento dos investidores globais em ativos emergentes em níveis historicamente baixos, o fato de os bancos dessas economias continuarem a ter bom desempenho, o afrouxamento das políticas monetárias, além da sensível melhora em relação às expectativas de crescimento da economia chinesa explicam o movimento. Só que a espiral de debacle financeira nos Estados Unidos representa uma ameaça pujante que pode levar os preços a revisitarem as baixas de 2008.  
A despeito do colapso macroeconômico global e dos mercados, as ações dos emergentes têm superado em larga escala as bolsas das economias desenvolvidas: nos últimos três meses, a diferença atingiu 12 pontos percentuais. Uma primeira razão para isso é o fato de a exposição tanto em ações quanto moedas e títulos de dívida ter ficado muito abaixo dos níveis observados antes de o mundo chacoalhar com a quebra do Lehman Brothers, em setembro. Com menos ativos tóxicos em seus balanços e uma menor alavancagem, os papéis dos bancos de emergentes continuaram a ter performance melhor do que seus pares localizados em mercados desenvolvidos. O setor financeiro é de longe o que tem maior peso, com 21%, no MSCI Index. 

Indicadores chineses que proporcionaram a revisão das expectativas de crescimento para o país e demais emergentes também forçaram os "ursos" ("vendidos", que apostam na baixa) a "tirarem o pé da garganta" da maioria dos países desse grupo, com exceção de Rússia e Leste Europeu. Além disso, no agregado dos emergentes, os ciclos de relaxamento monetário fizeram com que o juro médio caísse abaixo de 7% ao ano pela primeira vez na década. Taxas baixas e queda nos preços das commodities podem ser alavancas para demanda doméstica ao baratear insumos e estimular alguns setores relacionados a bens de consumo.  
Só que na visão de Hartnett e Penn, não há dúvidas de que a debilidade financeira americana levará os emergentes a novas baixas. Esse movimento pode se estender até os investidores se depararem com um mercado de dívida pública dramaticamente líquido nos Estados Unidos, em antecipação a uma solução com consequências inflacionária para os setores imobiliário e financeiro. "Isso ainda não aconteceu", escrevem. Conforme explicam, os recentes suportes das taxas dos "treasuries" refletem um pequeno salto nas expectativas de inflação.  
Na China, cujo índice acionário já subiu 24% neste ano, apesar do enfraquecimento da economia, o excesso de liquidez é a explicação mais confiável. O piso no mercado de Xangai foi observado em 9 de novembro, dias antes de o governo anunciar um ambicioso plano de estímulo fiscal da ordem de US$ 600 bilhões. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Mercados não definem tendência na expectativa sobre PIB dos EUA

Por: Equipe InfoMoney
30/01/09 - 09h15
InfoMoney

SÃO PAULO - Depois das perdas amargadas na véspera, os principais mercados globais não operam em tendência uniforme nesta sexta-feira (30). Enquanto os índices futuros indicam ganhosem Nova York, na Europa as bolsas vivem um pregão de intenso sobe-e-desce. No Japão, a tendência foi negativa.

Além de mais uma rodada de divulgação de resultados corporativos, os investidores aguardam a publicação do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano no quarto trimestre. A expectativa é de recuo de 5,5% - o que seria o pior resultado trimestral em mais de 26 anos.

Por outro lado, a apresentação dos resultados operacionais da Amazon.com agrada o mercado. Os dados superaram as projeções dos analistas, ignorando o período nebuloso ao consumo nos EUA. Houve crescimento de 9% no lucro líquido, que atingiu US$ 225 milhões.

Em Tóquio, o índice Nikkei encerrou com forte desvalorização. A produção industrial do Japão encolheu 9,6% em dezembro, a maior contração da história, segundo dados divulgados. No mês anterior, a taxa registrada também foi negativa, sendo apurada queda de 8,5%.

Agenda
A semana termina com agenda repleta de indicadores relevantes para o cenário macroeconômico, com destaque para a publicação do PIB dos EUA no quarto trimestre de 2008 (11h30).

O deflator norte-americano e o custo de mão-de-obra do mesmo período também serão bastante observados no país, dividindo atenção com medição do nível da atividade industrial e confiança dos consumidores na economia.

Completando a cena, a temporada de resultados traz mais variáveis aos investidores, com ExxonMobil e Honda divulgando seus números operacionais referentes ao último trimestre do ano passado.

No Brasil
No Brasil, a FGV divulgou a Sondagem Industrial referente ao mês de janeiro, que reúne informações sobre a evolução da atividade da indústria nacional. O estudo mostra que a atividade fabril deve ter voltado a crescer no começo de 2009.

Vale destacar que a agência de classificação de risco Moody's afirmou estar confortável com a nota Ba1 atribuída ao débito soberano brasileiro, mas ressaltou que realizará estudo na metade deste ano para verificar os efeitos da crise.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Corte da Selic e mercados externos favorecem abertura doméstica

Por: Vitor Silveira Lima Oliveira
22/01/09 - 09h15
InfoMoney

SÃO PAULO - Os mercados globais operam no campo positivo nesta quinta-feira (22), posicionando os negócios em âmbito doméstico para uma abertura positiva. A sessão marca avaliação de corte na taxa Selic, volta de indicadores externos e resultados corporativos.

Ganham destaque no exterior o desempenho acima das expectativas da Apple durante o quarto trimestre, assim como a previsão de relevante prejuízo da Sony. Também serão acompanhados os dados sobre o setor imobiliário e pedidos de seguro desemprego nos EUA.

Investidores também levam em conta a forte desaceleração do PIB (Produto Interno Bruto) chinês no último trimestre de 2008, bem como a manutenção do juro básico pelo BoJ (Banco do Japão). Internamente, ganha destaque a avaliação dos mercados em relação ao corte maior que o esperado do juro básico pelo Banco Central, divulgada na última quarta-feira.

"Como a redução [da Selic] foi maior do que a esperada, tende a ocorrer um avanço no curto prazo, quanto mais se os agentes vislumbrarem que na próxima decisão, no dia 11 de março de 2009, a baixa poderá ser maior", revela o analista Hamilton Moreira Alves, da BB Investimentos.

Noticiário corporativo
O setor de tecnologia continua trazendo boas surpresas a Wall Street. Após a IBM, foi a vez da Apple revelar resultados trimestrais no topo das projeções de analistas, com aumento de 1,5% de seu lucro líquido, para US$ 1,6 bilhão.

Com a notícia, os papéis da companhia disparam nas negociações de pré-market em Nova York, com alta de 9,3%. Nos últimos pregões, os papéis sofreram com temores em relação ao afastamento de seu CEO Steve Jobs por problemas de saúde.

Já a japonesa Sony revelou ao mercado nesta sessão que deverá registrar perdas operacionais de US$ 2,9 bilhões durante o ano de 2008, em função da rápida deterioração da economia global. A empresa realizará grande reestruturação, com o fechamento de fábricas e demissões.

Perspectivas
Os mercados futuros norte-americanos operam timidamente no campo positivo, esperando pela divulgação de indicadores sobre a construção de novas casas e permissões para construção, ao passo em que as principais bolsas europeias registram significativas altas, favorecendo a abertura interna.

No último pregão, o Ibovespa registrou elevação de 3,41%, para 38.543 pontos. Menos otimistas, os analistas do Danske Bank afirmaram que "temores em relação à oferta e inflação de longo prazo, em função da política fiscal amplamente expansionista dos EUA e os temores em relação a instituições financeiras tem sido o foco recente dos mercados de ações. Isto poderá facilmente ser novamente o foco nesta sessão"

Fonte: InfoMoney

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

PIB do Brasil surpreende e cresce 6,8% no terceiro trimestre sobre um ano antes
Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 6,8% no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. 

Na comparação com o segundo trimestre, a expansão foi de 1,8%. No intervalo de 12 meses entre outubro de 2007 e setembro deste ano, o PIB cresceu 6,3%.
Os números foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira .

O desempenho da economia brasileira surpreendeu muitos analistas. A expectativa era de uma alta em torno de 6% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado e pouco mais de 1% em relação ao período de julho a setembro deste ano.

Entre os setores da economia, o destaque foi a indústria, que registrou um crescimento de 7,1% sobre o terceiro trimestre do ano passado. A atividade agropecuária expandiu-se 6,4%, e os serviços, 5,9%. 


A construção civil continuou sendo o destaque do setor industrial, com crescimento de 11,7%. A produção de minério de ferro aumentou 10,6%; a de petróleo e gás, 6,2%.

Na área agrícola, destacaram-se o trigo, o café e a cana-de-açúcar, produtos que têm safra relevante no terceiro trimestre. Entre os serviços, os carros-chefes foram as informações (expansão de 10%), o comércio (9,8%) e o ramo de intermediação financeira e seguros (8,8%), sempre na comparação com o terceiro trimestre do ano passado. 

Investimento cresce 19,7%
Os dados do IBGE mostram que os investimentos das empresas (a chamada "formação bruta de capital fixo") aumentaram 19,7% na comparação com o terceiro trimestre de 2007. 

O motivo, segundo o IBGE, foi o aumento da produção interna e da importação de máquinas e equipamentos. 

O consumo das famílias aumentou 7,3%, no 20º crescimento consecutivo quando se compara um trimestre com o seu equivalente do ano anterior. Essa evolução é explicada pelo crescimento de 10,6% da massa salarial (total de salários pagos no país), na avaliação do IBGE.

As despesas da administração pública aumentaram 6,4% em relação ao terceiro trimestre de 2007.

No setor externo, as exportações de bens e serviços subiram 2%, bem menos que as importações (22,8%). Desde o primeiro trimestre de 2006, segundo o IBGE, a taxa de crescimento das importações supera a das exportações.

Mundo
O Brasil foi um dos poucos países que apresentou crescimento econômico no terceiro trimestre. Com o agravamento da crise financeira, a recessão, que é caracterizada pelos economistas por dois trimestres consecutivos de contração no PIB, começou a surgir.

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