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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

São Paulo vai vender ações para reforçar investimentos

O governador de São Paulo, José Serra, vai promover um verdadeiro saldão das ações que o governo estadual possui, direta e indiretamente, em cerca de duas dezenas de empresas privadas. O valor de mercado destas participações alcança cerca de R$ 800 milhões, segundo dados do fechamento do pregão de ontem da Bolsa de Valores. Todos os recursos levantados com a operação paulista vão ser usados para investimentos do governo estadual no próximo ano, que estão orçados em R$ 20 bilhões.

Os R$ 800 milhões correspondem a 0,9% da receita tributária do governo estadual no acumulado de 12 meses encerrados em outubro. Os recursos ajudam a reforçar o caixa do governo estadual, que sofreu com a queda de arrecadação neste ano. Segundo dados da Secretaria da Fazenda, entre janeiro e outubro deste ano a arrecadação estadual caiu 4,2%, o equivalente a R$ 3,1 bilhões.

O secretário-adjunto da Fazenda do Estado, George Tormim, diz que será contratada, por meio de licitação, uma instituição financeira que vai avaliar se esse é o momento de vender os papéis. Por enquanto, estão na lista as ações que pertencem à Fazenda estadual e à Companhia do Metropolitano de São Paulo. "Mas já informamos às outras empresas estatais sobre a operação e elas poderão também alienar ações que possuem em portfólio", explica Tormim.

O maior volume de recursos deve ser captado com a venda da participação na Companhia de Transmissão Paulista (Cteep). A secretaria e o Metrô possuem juntos 7,69% da empresa. Se esse percentual tivesse sido vendido no pregão de ontem da bolsa, o governo teria arrecadado só com esse negócio R$ 600 milhões.

A Secretaria da Fazenda possui ainda ações de uma série de empresas de telefonia, mas em volume de ações e valor de mercado elas são ínfimas, se comparadas à participação na Cteep. O Metrô tem basicamente em seu portfólio ações do setor elétrico -a maior parte é resquício da privatização da antiga Cesp. A companhia foi totalmente fatiada e desse desmembramento surgiram a CPFL Energia, a Bandeirante (EDP Energias do Brasil), a Tietê e Eletropaulo (AES) e a própria Cteep e a Geração Paranapanema (Duke Energy).

As ações foram cedidas pelo governo do Estado para serem dadas como garantia em empréstimos do BNDES concedidos ao Metrô. Para alienar as ações, o governo terá que negociar com o BNDES a troca destas garantias. Juntos, os papéis do Metrô valiam ontem R$ 326,73 milhões. Deste total, R$ 112 milhões correspondem às ações que possui na Cteep. As ações da AES Tietê que pertencem à companhia valem R$ 93 milhões. Em percentual, a participação mais relevante está na Duke Energy Geração Paranapanema, onde possui 2,2% das ações preferenciais, que correspondem a aproximadamente R$ 44 milhões.

O edital de licitação para a contratação de instituição financeira foi publicado ontem e o pregão eletrônico foi marcado para o dia 18 de dezembro. A expectativa é que no início do próximo ano seja fechada a contratação e então o governo paulista poderá avaliar a venda ou não das participações.

No ano passado, o governo estadual teve frustrada sua tentativa de vender a Cesp. O leilão da companhia de geração elétrica estava marcado para março de 2008, mas fracassou depois que nenhum interessado depositou as garantias necessárias. O principal empecilho à venda foi a falta de definição quanto à renovação das concessões das usinas de Jupiá e Ilha Solteira, que vencem em 2015, e cuja renovação depende de modelo a ser definido pela União.

Ainda em 2008, porém, o governo paulista teve êxito na venda das ações da Nossa Caixa. Em contrato assinado em dezembro do ano passado, 71,25% do capital da Nossa Caixa, de propriedade do Estado de São Paulo, foi vendido ao Banco do Brasil por R$ 5,386 bilhões. O valor passou a ser pago a partir de março, em 18 parcelas mensais.

Para Amir Khair, especialista em contas públicas e ex-secretário de Finanças do município de São Paulo na gestão de Luiza Erundina, então do PT, o governo estadual está aplicando uma política de venda de patrimônio, o que lhe permite acumular recursos. "É possível que essas alienações tenham justificativa técnica", diz. Talvez a manutenção dos ativos, explica, não gere resultados ou não haja razões estratégicas para o governo estadual continuar com as participações das empresas.

"De qualquer forma, as alienações irão gerar um caixa adicional para o atual governo e provavelmente no mandato seguinte esse instrumento não poderá ser mais tão utilizado", avalia Khair. (Colaborou Marta Watanabe, de São Paulo)

Fonte: Valor Online

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Com rumor de conclusão de venda ao BB, Nossa Caixa lidera altas do Ibovespa

SÃO PAULO - Mesmo com as perdas generalizadas deste pregão, as ações ordinárias da Nossa Caixa (BNCA3) registraram fortes ganhos, impulsionadas pelos rumores de que já foi acertada sua compra pelo Banco do Brasil (BBAS3). Seus ativos subiram 13,07%, a maior alta do Ibovespa no pregão.

Segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo, a transação foi acordada pela quantia de R$ 6,4 bilhões.

Na véspera, o governador José Serra, que negocia a venda da Nossa Caixa, afirmou que a medida provisória que autoriza Caixa e Banco do Brasil a comprarem outras instituições financeiras poderia agilizar o negócio.

Se confirmado, o acordo será a segunda grande transação no setor bancário do País em menos de um mês, já que na segunda-feira (3) Itaú e Unibanco anunciaram a fusão de suas operações, criando o maior banco do hemisfério Sul.

Ações da Cesp sobem, em resposta
Impulsionadas indiretamente pela possível transação entre os bancos, as ações da Cesp (CESP6) também tiveram forte alta de 7,38%, segundo melhor desempenho do Índice Bovespa da sessão. A venda do banco estadual poderia destravar o processo de privatização da geradora de energia também controlada pelo governo paulista.

Conforme publicado pelo Estado de São Paulo ao final de maio, Serra articula a retomada do leilão da Cesp, em uma operação casada com o governo federal.

Nossa Caixa é destaque de alta
As ações ordinárias da Nossa Caixa são o principal destaque de alta dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa nesta quinta-feira (6), subindo 13,07% para R$ 45,00.

Com esta alta, os ativos registram valorização acumulada de 98,11% em 2008, frente a uma queda de 43,08% do Índice Bovespa no mesmo período.

Por: Equipe InfoMoney
06/11/08 - 20h30
InfoMoney