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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ações estão mais baratas que títulos e é um erro não comprá-las, diz Buffett


São Paulo - Conhecido como "guru dos investimentos", e dono de uma multidão de seguidores fiéis à sua capacidade de identificar boas empresas para aplicar seu dinheiro,  Warren Buffett não costuma dar orientações diretas ao grande público. Mas foi bastante claro na última conferência da revista Fortune:  as pessoas estão cometendo um erro comprando títulos da dívida pública.
"É bastante claro que as ações são mais baratas do que títulos. Eu não consigo imaginar alguém ter títulos em sua carteira quando eles podem possuir ações", disse Buffett.  O megainvestidor de 80 anos deu o alerta na conferência de Mulheres Mais Poderosas do Mundo, da revista Fortune, realizada na terça-feira (5).
Buffett, que possui grandes participações acionárias nos bancos Wells Fargo e Goldman Sachs, ainda lançou uma crítica à regulamentação em Wall Street. "Um dos problemas que ainda temos são os incentivos desequilibrados para os gestores de grandes instituições financeiras.  Wall Street virou este cassino. É como uma igreja executando sorteios no final de semana", criticou.
Também passou pela mira de Buffett a  redução de impostos aos contribuintes mais ricos feita pelo ex-presidente George W. Bush. "Serão necessários cerca de 20% do PIB para financiar tudo o que acreditamos ter direito de ter nesse país, e ninguém vai nos dar esse dinheiro", declarou Buffett. "Pago, proporcionalmente, uma taxa mais baixa que uma empregada doméstica. O sistema não deveria funcionar assim", completou o  presidente executivo do grupo de investimentos Berkshire Hathaway.
Warren Buffett é o segundo homem mais rico dos Estados Unidos, segundo ranking da Forbes, com uma fortuna estimada de 45 bilhões de dólares.

Leia crítica de Buffett aos impostos americanos

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Bilhões de motivos para investir

Conhecido como o "Buffett canadense", o presidente do grupo Brookfield conseguiu reforçar o caixa durante a crise mundial. Agora chegou a hora de gastar, e o alvo é o Brasil.

Embora seja um completo desconhecido dos brasileiros, o executivo na foto ao lado mantém uma antiga relação com o Brasil. Desde 2002, quando assumiu o comando mundial da Brookfield Asset Management (ex-Brascan), o canadense Bruce Flatt esteve no país pelo menos 40 vezes, segundo suas contas. Para conhecer de perto os projetos da empresa no país, já circulou por canteiros de obras no Rio de Janeiro, vistoriou plantações de cana-de-açúcar em São Paulo e sobrevoou hidrelétricas em Minas Gerais. Em sua última visita, Flatt viveu uma experiência inédita. Pouco antes da meia-noite de 10 de novembro, foi surpreendido em São Paulo pelo apagão que atingiu 18 estados enquanto tentava realizar uma teleconferência com seus executivos no Canadá. Horas antes, diante da falta de luz no restaurante onde conversava com a reportagem de EXAME, Flatt reagiu com uma piadinha: "Isso não é luz da Brookfield!" A empresa tem 34 hidrelétricas no Brasil e pretende construir mais cinco a partir do ano que vem. As novas usinas são parte do plano de Flatt para o Brasil. Dos 90 bilhões de dólares que a Brookfield administra em 15 países, hoje 9 bilhões estão no Brasil. Trata-se de um investimento que, segundo Flatt, deve ser multiplicado por três nos próximos dez anos. "De todos os países do Bric, o Brasil foi onde escolhemos investir", diz.

O projeto de Flatt só é possível graças ao bom momento vivido pela Brookfield. Aos 44 anos de idade, conhecido em seu país como o "Warren Buffett canadense" por investir basicamente no longo prazo, ter um bom histórico de resultados concretos e por não aderir a modismos do mercado financeiro, Flatt fez jus à comparação ao desenhar sua reação à crise. Em meados de 2007, ao enxergar indícios de que estava se formando uma bolha, decidiu suspender as grandes aquisições e começou a vender negócios. Desde então, já passou adiante florestas nos Estados Unidos, edifícios comerciais no Canadá e linhas de transmissão de energia no Brasil, reforçando o caixa enquanto concorrentes, como os fundos americanos Blackstone e GGP, sangravam. Uma das exceções a essa regra ocorreu justamente no Brasil, onde aplicou 200 milhões de dólares na compra da incorporadora paulista Company e na capitalização da nova empresa. Nos últimos meses, Flatt voltou a pensar em grandes aquisições. Em outubro, já com 3,8 bilhões de dólares em caixa, a Brookfield concluiu a compra, por 1,1 bilhão de dólares, de parte da Babcock & Brown Infrastructure, gigante australiana de infraestrutura que faliu em março. Os investidores premiaram sua estratégia aplicando 12 bilhões de dólares em novos fundos da empresa. "A crise foi uma das melhores coisas que nos aconteceu", diz Flatt. "Ele foi um dos poucos executivos que conseguiram se preparar para a crise, e saiu dela mais forte do que os concorrentes", afirma a analista Rossa O'Reilly, do CBIC Capital Markets, um dos maiores bancos de investimento do Canadá.

Como o Brasil foi um dos que menos sofreram com a turbulência internacional, o "Buffett canadense" sabe que, no país, as chances de comprar negócios combalidos a preços atraentes são menores. Mas sua aposta aqui é de outra natureza. "O momento é de investir em infraestrutura, algo que sabemos fazer bem. Além disso, os nossos maiores clientes estão muito interessados no Brasil", afirma Flatt. Nos próximos três anos, o grupo vai aplicar pelo menos 1,6 bilhão de reais em hidrelétricas. Outros 2 bilhões de reais devem ser captados lá fora para investir em linhas de transmissão de energia, portos e rodovias. O movimento deve ser acompanhado de muito perto por Flatt, que, em mais uma de suas semelhanças com Warren Buffett, não abre mão de conhecer em detalhes o funcionamento dos negócios. Em 2007, durante uma reunião do grupo em São Paulo, ele surpreendeu os executivos ao relatar a visita que havia feito sozinho ao Raposo Shopping, na rodovia Raposo Tavares, que liga a capital ao oeste do estado. O shopping center havia sido comprado meses antes. "Interessante o shopping, mas o banheiro é inaceitável. Temos de melhorar", disse. Em sua última vinda ao Brasil, entre reuniões internas e conversas com banqueiros, vistoriou pessoalmente as obras de expansão de outro shopping, o Itaú Power, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. A cada visita sua, a agenda fica mais concorrida, e falta tempo para praticar seu hobby, a corrida. Mas Flatt não reclama. "As oportunidades aqui são impressionantes. Há muitas coisas a serem feitas." Bilhões de coisas.

Fonte: Portal Exame

terça-feira, 21 de abril de 2009

Quer adotar estratégia de Buffett? Seja um growth investor, indica Motley Fool

Por: Giulia Santos Camillo
21/04/09 - 17h08
InfoMoney

SÃO PAULO - O histórico de sucesso de Warren Buffett é conhecido no mundo inteiro. Seus movimentos de aquisição e venda de ações, sempre que tornadas públicas, são amplamente divulgadas e acompanhadas por investidores interessados em ganhar ao menos uma fatia do retorno obtido por Buffett.

Porém, aos que se inspiram nas estratégias adotadas pelo megainvestidor, as declarações de Matt Koppenheffer no portal de finanças The Motley Fool são, no mínimo, controversas. Tomando como base um estudo publicado por Gerald Martin e John Puthenpurackal, Koppenheffer coloca em outra perspectiva as ações de Buffett no mercado acionário.

"Além de concluírem que os retornos superiores de Buffett desde 1976 eram mais do que apenas sorte - como se nós não soubéssemos disso ainda - Martin e Puthenpurackal concluíram que Buffett é um 'growth investor'", conta Koppenheffer.

A surpresa nesta descoberta é o fato de que o mercado e o próprio Warren Buffett não o classificam como um "growth investor". Ao contrário, a definição mais comum de sua estratégia é de "value investor".

Growth investor X Value Investor
Pode-se definir o growth investor como aquele que investe com foco no crescimento potencial da companhia. Tipicamente, o crescimento esperado dos ganhos dessa companhia (chamada de growth stock) supera a taxa média de avanço da indústria ou do mercado em geral. Para eles, múltiplos altos não são tão relevantes.

Por outro lado, há os value investors, que são investidores que compram ações focados em seus descontos em relação ao valor intrínseco da companhia - ou, resumindo, são investidores que procuram papéis com múltiplos baixos. Segundo essa estratégia, os movimentos das cotações se devem mais à reação do mercado ao fluxo de notícias do que aos fundamentos de longo prazo das empresas.

Com isso em mente, o resultado do estudo de Martin e Puthenpurackal indicou que as growth stocks contaram por mais de 40% dosinvestimentos da Berkshire Hathaway, empresa de Buffett, enquanto as escolhas baseadas no valor real contaram por menos de 20% das compras.

"O que esse estudo sugere é que se nós estamos procurando por ações 'Buffettescas', nossa melhor aposta é procurar por companhias de alta qualidade ao invés de remexer através do baú da pechincha", conclui Koppenheffer.

Vale: exemplo de growth stock
Em seu comentário, Koppenheffer cita cinco empresas que se encaixam no perfil de compras de Buffett, sendo uma delas a Vale. Conforme informações da Capital IQ (uma divisão da Standard & Poor's), o retorno dos últimos 12 meses dos ADRs (American Depositary Receipts) da mineradora chega perto dos 28%, enquanto o múltiplo dos preços em relação ao book value fica em 1,7 vezes.

"Apesar da Vale estar tomando medidas defensivas como o fechamento de unidades de custo mais alto e estar cortando custos administrativos, a diretoria ainda vê esta como uma época de investir em crescimento", afirma Koppenheffer.

Ele acrescenta que "enquanto outras cortam seus gastos, a Vale espera usar seu forte balanço - que tem cerca de US$ 13 bilhões em caixa - para fazer aquisições e desenvolver projetos que estarão prontos para a próxima retomada".

Vale lembrar que a comunidade de recomendações do Fool, chamada Caps, classifica a Vale com cinco estrelas (o máximo).

Fonte: Infomoney