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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Para Bernanke, política dos EUA precisa atuar com vigor

01 de Dezembro de 2008 | 17:33
Ele afirmou que mais cortes nas taxas de juro, do atual patamar de 1 por cento, são "certamente factíveis", mas sugeriu que o Fed também usa outras medidas não convencionais para ajudar no crescimento.

"Apesar de a política convencional de taxa de juro estar limitada ao fato de as taxas nominais não poderem cair abaixo de zero, a segunda ferramenta do Federal Reserve --a provisão de liquidez-- continua efetiva", acrescentou.

Bernanke afirmou que o Fed pode adquirir diretamente títulos de longo prazo do Tesouro de forma a influenciar os retornos e estimular a demanda.

"Além disso, o Federal Reserve pode dar suporte à liquidez não somente para instituições financeiras mas também diretamente nos mercados financeiros, assim como fizemos recentemente com o mercado de commercial paper."

A expectativa é de que o Fed corte a taxa de juro em 0,50 ponto percentual na próxima reunião, marcada para 15 e 16 de dezembro, e adote outras medidas para impulsionar a liquidez dos mercados financeiros e limitar a fraqueza econômica.

"A duração da turbulência financeira é díficil de julgar, e então a incerteza ao redor das perspectivas econômicas é notávelmente grande. Mesmo que o funcionamento dos mercados financeiros continue melhorando, as condições econômicas irão provavelmente continuar fracas por um tempo", avaliou.

Fonte: Portal Exame

Para Bernanke, política dos EUA precisa atuar com vigor

01 de Dezembro de 2008 | 17:33
Ele afirmou que mais cortes nas taxas de juro, do atual patamar de 1 por cento, são "certamente factíveis", mas sugeriu que o Fed também usa outras medidas não convencionais para ajudar no crescimento.

"Apesar de a política convencional de taxa de juro estar limitada ao fato de as taxas nominais não poderem cair abaixo de zero, a segunda ferramenta do Federal Reserve --a provisão de liquidez-- continua efetiva", acrescentou.

Bernanke afirmou que o Fed pode adquirir diretamente títulos de longo prazo do Tesouro de forma a influenciar os retornos e estimular a demanda.

"Além disso, o Federal Reserve pode dar suporte à liquidez não somente para instituições financeiras mas também diretamente nos mercados financeiros, assim como fizemos recentemente com o mercado de commercial paper."

A expectativa é de que o Fed corte a taxa de juro em 0,50 ponto percentual na próxima reunião, marcada para 15 e 16 de dezembro, e adote outras medidas para impulsionar a liquidez dos mercados financeiros e limitar a fraqueza econômica.

"A duração da turbulência financeira é díficil de julgar, e então a incerteza ao redor das perspectivas econômicas é notávelmente grande. Mesmo que o funcionamento dos mercados financeiros continue melhorando, as condições econômicas irão provavelmente continuar fracas por um tempo", avaliou.

Fonte: Portal Exame

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Paulson e Bernanke falam da eficiência do TARP, prevendo estratégia focada em capital

Por: Giulia Santos Camillo
18/11/08 - 14h05
InfoMoney

SÃO PAULO - Os aguardados discursos de Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA, e Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve, nesta terça-feira (18), trouxeram um balanço dos acontecimentos dos últimos meses, muito mais do que novidades sobre medidas futuras no combate à crise.

Os dois se apresentaram diante do Congresso dos Estados Unidos, para falar sobre o TARP (Troubled Asset Relief Program), comemorando o sucesso das medidas já tomadas para a estabilização da economia e prevenção de uma crise ainda maior nos EUA e nos demais países desenvolvidos.

Como era esperado, Paulson discutiu novamente a decisão de não utilizar os recursos do plano de resgate de US$ 700 bilhões na compra de ativos podres de instituições financeiras. Segundo ele, na época em que o programa foi proposto, isso teria impactos significativos, situação que mudou com a maior deterioração do cenário.

Preservar o capital
À época em que anunciou as mudanças no objetivo do TARP, o secretário do Tesouro dos EUA afirmou que utilizaria os recursos para investimentos diretos em instituições, como foi feito com bancos problemáticos.

Conforme explicado por Paulson, já foram utilizados US$ 148 bilhões dos US$ 250 bilhões destinados ao programa de compra de capital em instituições financeiras, sendo que outras aplicações estão sendo avaliadas.

Porém, o discurso sobre o objetivo do programa mudou. Se antes o investimento direto era a saída apresentada, agora Paulson fala sobre reservar a capacidade do TARP e manter a flexibilidade para a próxima administração, de Barack Obama. Além disso, ele afirma que investir uma parte desses recursos em facilidades de liquidez do Fed também seria algo benéfico.

"Embora não estejamos planejando iniciar nenhum outro programa de capital além dos já anunciados, uma ênfase em capital nos parece ser a melhor estratégia futura", declarou o secretário, listando as vantagens de uma maior capitalização dos bancos, como maior capacidade de empréstimo e redução das pressões de desalavancagem.

As perguntas que não calam
Paulson também aproveitou a oportunidade para responder duas perguntas que, segundo ele, têm sido feitas freqüentemente, levando em consideração que, depois da aprovação do plano pelo Congresso, a situação piorou. Dessa forma, a primeira questão é: o que deu errado e por que as autoridades não utilizam o programa para outras indústrias?

"O objetivo da legislação de resgate financeiro era estabilizar o sistema financeiro e fortalecê-lo. Não é uma panacéia para todas as nossas dificuldades econômicas. A crise no sistema financeiro já havia se espalhado na nossa economia e a debilitado. Levará algum tempo até conseguir restaurar o crédito e o nosso sistema financeiro, o que é essencial para uma recuperação econômica", responde Paulson.

A segunda pergunta é por que o programa não está dirigido para o setor imobiliário, já que tanto o secretário do Tesouro quanto o presidente do Federal Reserve sempre falaram que essa era a raiz do problema econômico?

A essa questão, Paulson respondeu que "a coisa mais importante que podemos fazer para reduzir a correção no mercado imobiliário e reduzir o número de execuções hipotecárias é aumentar o acesso a financiamento hipotecário a custos mais baixos. As ações que tomamos para estabilizar e fortalecer Fannie Mae e Freddie Mac, e através delas aumentar o fluxo de crédito hipotecário, somada ao nosso programa de capital para bancos, são ações poderosas para promover esse financiamento".

Commercial papers
Com um discurso mais breve, Ben Bernanke também ressaltou as medidas já tomadas e suas conseqüências benéficas para a economia norte-americana. Porém, dentre os principais destaques de suas declaração está a próxima medida do programa relativo aos CP (Commercial Papers).

Além da compra desses ativos e a permissão para fundos mútuos venderem títulos lastreados em commercial papers para organizações bancárias, uma terceira medida deve entrar em vigor na próxima semana, de forma a fornecer liquidez diretamente a fundos mútuos.

"Esta facilidade tem a intenção de fornecer confiança aos fundos para que eles estendam significativamente o vencimento de seus investimentos e reduzam gradativamente a dependência de emissores em vendas para o veículo de compra de commercial papers do Fed", explicou o presidente do banco.

Com lições da crise de 1929, Bernanke usa todas as armas no combate à crise

Por: Vitor Silveira Lima Oliveira
18/11/08 - 12h13
InfoMoney

SÃO PAULO - Cercado de questionamentos, o Federal Reserve tem promovido ações de política monetária fortemente expansionista, em sua busca incessante para conter a crise financeira.

Comparando o atual momento com as ações adotadas pela mesma instituição durante a crise de 1929, analistas do banco francês Société Générale elogiaram as medidas, mas ressaltaram: tão logo a normalidade volte, o Fed também deve mudar.

Durante a elaboração de seu relatório, os estudiosos tiveram em mente a situação incomum em que a economia dos Estados Unidos se encontra, evidenciada pela naturalidade com que se compara o momento atual à dramática depressão da década de 30.

Para se ter uma idéia da magnitude com que o Fed intervém no mercado monetário, o passivo da autoridade monetária norte-americana cresceu cerca de US$ 1,3 trilhão desde o início de setembro, sobre uma base inferior a US$ 1 trilhão. A fim de capitalizar as instituições financeiras, o Banco Central dos EUA também decidiu pagar juros sobre os depósitos compulsórios.

Uma análise comparada
Como o Fed conseguirá o dinheiro para arcar com tantas obrigações? "Imprimindo!", é a resposta da equipe do Société Générale. Em uma situação comum, a brutal injeção de dólares na economia norte-americana poderia causar arrepios nos falcões do Fed, ardorosos defensores do combate à inflação - Mas não. Desta vez, a luta é oposta.

"Para entendermos plenamente a motivação de Bernanke ao adotar medidas tão extremas, precisamos voltar cerca de 80 anos na história". Os analistas do Société Générale referem-se ao grande declínio dos preços vivenciado entre 1931 e 1933 - com deflação anual na casa de 10%.

"Os economistas concordam, em termos gerais, que a grande depressão foi produto de erros da política monetária", ressaltam. Prato cheio para Bernanke, presidente atual do Federal Reserve, considerado um dos maiores estudiosos das causas da crise de 1929. 

Segundo os analistas do Société Générale, a grande depressão foi disparada pelo estouro de bolha no preço dos ativos, mas boa parte da responsabilidade cai sobre as reações Fed. Dois erros básicos, em sua visão: "manteve a política monetária inapropriadamente rígida e não fez nada para prevenir corridas e falências bancárias".

Constrangimentos
É preciso, contudo, levar em consideração algumas restrições enfrentadas pela autoridade monetária à época, pois vigorava o padrão-ouro. Isto limitava a quantidade de moeda no mercado à manutenção de correspondente lastro em metal precioso pelo emissor.

Ademais, as cotações fixas das moedas deixavam o dólar muito suscetível a ataques especulativos - algo que de fato ocorreu em 1931 e foi enfrentado com um maior aperto monetário pelo Fed. À época, também se acreditava que a quebra de forças especulativas e de instituições frágeis serviria para fortalecer os mercados e o sistema financeiro. Tudo isto contribuiu para exacerbar o movimento de retração nos mercados.

Reação rápida
Deste modo, a meta atual do Federal Reserve é evitar a deflação e suprir a redução da oferta de moeda causada pela quebra dos agentes intermediários do sistema financeiro - ao emprestar parte dos recursos depositados em seus cofres, os bancos multiplicam o estoque de moedas emitido pela autoridade monetária.

Todavia, os analistas ressaltam que a situação é anormal. Em 1933, tão logo o padrão-ouro foi em parte deixado de lado e o Fed estabilizou o sistema bancário, a economia real recuperou-se e a deflação foi encerrada. "Se os incrementos massivos da base monetária não forem revertidos rapidamente, tão logo os mercados de crédito se recuperem, [a ação do Fed] poderá conduzir a outra onda de sérias pressões inflacionárias entre 2010 e 2011."