domingo, 19 de abril de 2009

China muda foco de investimentos no exterior e prioriza ativos estratégicos ao seu crescimento

Necessidade de garantir recursos naturais indispensáveis à manutenção do crescimento da economia chinesa e agravamento da crise financeira internacional redirecionaram o foco de investimentos da China no exterior, em 2009, para commodities. Pequenas e médias empresas, que em 2008 destinaram maior parcela de seu capital no estrangeiro a negócios relacionados à aquisição de ativos de empresas que exploram matéria prima, terão processo de investimento direto no exterior facilitado, conforme anúncio do governo chinês em março. A atenção especial da China a recursos naturais também pode ser ilustrada pela priorização desses produtos pelo China Investment Corporation (CIC, na sigla em inglês), após acumular prejuízos em suas aquisições de 2008.

A partir de 1º de maio de 2009, investimentos de empresas chinesas no exterior de valor inferior a US$ 100 milhões não necessitarão de aprovação do governo central, passando ao controle de autoridades locais. A medida objetiva simplificar aquisição de ativos estratégicos no exterior por pequenas e médias empresas domésticas. Em 2008, investimentos em valores inferiores a US$ 100 milhões responderam por 85% dos US$ 52,15 bilhões investidos fora do país e, desse montante, apenas US$ 11,5 bilhões foram destinados a ativos financeiros, enquanto cerca de 78% restantes tiveram outros setores como alvo.

Já o CIC declarou que em 2009 irá focar seus investimentos em ativos energéticos e commodities em seu portfólio de investimentos em detrimento de investimentos em instituições financeiras. A mudança reflete enormes perdas decorrentes de investimentos no grupo de private equity Blackstone e no banco Morgan Stanley, assim como incerteza sobre solvência de múltiplas instituições financeiras. O avanço no processo de aquisições no exterior por estatais chinesas no setor de mineração pode ser comprovado pela oferta da Chinalco de US$ 19,5 bilhões para expandir participação acionária e adquirir ativos estratégicos na anglo-australiana Rio Tinto.

As novas políticas adotadas pelo governo chinês encaixam-se em planejamento maior de estimular investimentos da China no exterior e abastecimento a crescente demanda por recursos naturais. A expectativa é de que em 2009, pela primeira vez na história, o volume de investimentos diretos chineses fora do país supere entrada de investimentos diretos estrangeiros na China. A necessidade de assegurar recursos estratégicos ao seu crescimento, aliada às novas condições do cenário internacional deverão ser cruciais para determinar padrão de investimento no exterior do país asiático. | Carta da Chia/CEBC.

Fonte: Portal Fator Brasil

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