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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Compras da CSN deixam investidores curiosos

Os anúncios da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de compra de participações minoritárias em outras empresas têm surpreendido os investidores e suscitam dúvidas sobre qual seria a estratégia da companhia.
Com um caixa de R$ 11,5 bilhões, a empresa está mais que pronta para uma aquisição estratégica. Nos últimos anos, fez duas tentativas, Corus e Wheeling-Pittsburgh, que não se concretizaram. E o mercado se pergunta também por que, em vez de investimentos financeiros, ela não distribui parte do caixa aos acionistas. Não há respostas por enquanto.
Primeiro, a CSN informou que tem 5,03% das ações ordinárias de Usiminas. E acrescentou que está "avaliando alternativas estratégicas" e pode continuar comprando ações da empresa na bolsa e ultrapassar 10% de participação. Esta semana, elevou para 19,9% sua fatia na mineradora australiana Riversdale.
Valor apurou que a intenção da CSN é ter um membro no conselho de administração da Usiminas. Reportagem da "Bloomberg" ontem informa que, no mercado australiano, o comentário é que a CSN quer um assento no conselho da Riversdale.
Se continuar anunciando participações em outras empresas, a CSN corre o risco de ser vista como uma holding. Se tiver assentos nos conselhos, pode ser confundida como um fundo de investimento em participações.
A CSN não concedeu entrevista.
O professor do Insper Ricardo José de Almeida afirma que o mercado não vê com bons olhos uma empresa ter participação relevante, com assento no conselho de outra, porque acaba interferindo na decisão do gestor.
"O gestor pode querer investir em CSN, mas não em Usiminas, e acaba sendo obrigado. Ou, ainda, quer ficar comprado em uma e vendido em outra", diz.
Ele lembra ainda que o mercado prefere aquisições de controle porque, assim, é possível gerar sinergias que criam valor.
"Quando se tem um mero assento no conselho, não há sinergias", afirma Almeida, ponderando que a estratégia da CSN também pode ser a de, no futuro, chegar ao controle.
Com relação ao caixa, o professor do Insper diz que ele pode ser considerado conservador. Ele faz uma conta, utilizando o dados da empresa até setembro de 2010, os últimos divulgados. Relaciona o caixa, de R$ 11,5 bilhões, com a diferença entre a receita líquida e o lucro operacional antes de juros, depreciação e amortização, cujo resultado é R$ 5,5 bilhões e que representam os custos e despesas que a empresa teve no período.
Relacionando os dois números, explica, é possível avaliar que, na hipótese de acontecer um fato muito grave e a empresa não tiver receita nenhuma, pode, por 18 meses, se sustentar utilizando apenas o seu caixa, que é o dobro de seus custos e despesas.
"Parece um pessimismo ou um conforto muito grande", diz, embora ressaltando que a companhia procura aquisições.
A CSN também planeja investir em siderúrgicas na Espanha e, no mercado doméstico, comenta-se que está comprando ações ordinárias da Vale, embora aqui, pelo tamanho da empresa, avaliada em R$ 280 bilhões, ninguém acredita que ela pretenda alcançar uma posição relevante.
No último dia 3, a CSN instigou ainda mais os investidores ao contratar uma operação de crédito com a Caixa Econômica Federal (CEF) de R$ 2 bilhões.
"Acho que isso confirma o compromisso de manter o caixa para aquisições", diz Daniella Maia, analista da Ativa Corretora. "A administração da empresa é de qualidade e vai esperar o melhor momento e oportunidade."
Fonte: Valor

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Silvio Santos cobre rombo de R$ 2,5 bi no Panamericano

A fiscalização do Banco Central descobriu uma série de erros contábeis nos balanços do Banco PanAmericano, controlado pelo Grupo Silvio Santos. O banco vendeu grande volume de carteiras de crédito a outras instituições e fundos nos últimos anos sem dar baixa em seu ativo, inflando os resultados. As irregularidades foram descobertas menos de um ano depois de a Caixa Econômica Federal comprar 36,6% do capital total do banco, por R$ 739 milhões. O Banco Central vai abrir investigação para apurar se houve fraude dos administradores.
O Grupo Silvio Santos negociou com o BC uma injeção de R$ 2,5 bilhões para fechar o buraco nas contas do banco, conforme fato relevante divulgado ontem. O dinheiro virá de um empréstimo que a holding Silvio Santos Participações tomará do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O único acionista da holding é o próprio empresário, que teve de dar parte de seu patrimônio em garantia. Ativos da Jequiti - unidade fabril e centro de distribuição na Rodovia Anhanguera - e o hotel Jequitimar estão entre os bens que entraram no acordo, segundo executivo do grupo.
Toda a diretoria do PanAmericano foi destituída e novos executivos foram nomeados, com a participação do FGC, que passou a ter forte influência na gestão do banco. Encabeçam o time os executivos Celso Antunes da Costa e Ivan Dumont Silva, que foram do Banco Real.
O empresário Silvio Santos cobrirá sozinho todo o rombo e, pelo acordo, nem a Caixa nem os demais acionistas serão diluídos por um aumento de capital. O acordo com a Caixa permanece em vigor. Além da Caixa, são acionistas relevantes do banco a Banca Privada D'Andorra (4,4%), Legg Mason (3,2%) e Capital Research (2,6%). Outros 15,6% estão no mercado. O Grupo Silvio Santos detém 37,7%.
O Panamericano tem US$ 1,33 bilhão em títulos de dívida no mercado externo, dos quais US$ 625 milhões são papéis de dívida subordinada, que entram como capital no balanço da instituição. Somente neste ano, o banco captou US$ 800 milhões, segundo o Valor Data. Alguns fundos de ações e multimercados sofrerão os impactos da perda de valor das ações e da repercussão do caso sobre bancos médios e pequenos.
Fonte: Valor

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Caixa compra 35,5% do PanAmericano por R$ 739 mi

SÃO PAULO (Reuters) - A Caixa Econômica Federal comprou 49 por cento do capital votante do Banco PanAmericano por 739,2 milhões de reais, informaram as instituições num comunicado conjunto nesta terça-feira.

O valor inclui também a compra de 20,69 por cento das ações preferenciais do PanAmericano.

Considerando ações ordinárias e preferenciais, a Caixa está assumindo 35,54 por cento do capital total da instituição financeira de médio porte, que segue controlada pelo Grupo Silvio Santos.

A aquisição foi feita por meio da CaixaPar, braço de participações do banco federal.

"Com a negociação, a CaixaPar passa a ter participação na governança do PanAmericano, indicando igual número de membros para o Conselho de Administração. A presidência do Conselho será alternada anualmente com indicação da CaixaPar e da holding Silvio Santos", segundo trecho de comunicado distribuído à imprensa.

Fonte: Portal Exame