quarta-feira, 3 de junho de 2009

EUA e commodities azedam ânimo e Bovespa despenca 3,5%

SÃO PAULO (Reuters) - A perda de fôlego das commodities e dados econômicos abaixo das expectativas nos Estados Unidos precipitaram um movimento mais forte de realização de lucros na Bovespa, que teve nesta quarta-feira seu pior dia em 3 meses.

Pressionado por perdas de 60 das 65 ações que compõem a carteira, o Ibovespa retrocedeu 3,54 por cento, para 52.086 pontos. A virada no humor do mercado não teve impacto no apetite por negócios e o giro financeiro foi de 6,49 bilhões de reais, acima da média diária em 2009.

Os EUA jogaram água fria no entusiasmo dos investidores que vinham enxergando recuperação econômica ao anunciaram pela manhã que as encomendas à indústria do país subiram 0,7 por cento em abril, abaixo da alta de 0,9 esperada por analistas. Além disso, o número do mês anterior foi revisado acentuadamente para baixo.

Ao mesmo tempo, a atividade do setor de serviços na região subiu para 44 em maio, ante 43,7 em abril, ainda indicando contração no setor. Economistas previam 45. No mesmo mês, o setor privado no país cortou 532 mil empregos, ante previsão mediana do mercado de 520 mil.

Em Wall Street, o índice Dow Jones recuou 0,75 por cento, também sob peso de perdas das petrolíferas, depois que o aumento dos estoques de petróleo no país fizeram a cotação do barril da commodity despencar 3,5 por cento.

"Como aqui tinha mais gordura do que nos mercados globais, a realização foi mais forte", disse Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora. Ele citou a valorização do Ibovespa, que chegou ao pico de 45 por cento no ano na segunda-feira, enquanto os principais índices de Wall Street apenas zeraram perdas.

Assim, a ação preferencial da Petrobras, que já acumulava valorização superior a 50 por cento em 2009, tombou 4,1 por cento, para 33,15 reais.

Como se não bastasse o pano de fundo negativo, casas de investimentos encharcaram o mercado com relatórios sugerindo a seus clientes vender ações que já tinham subido muito nos últimos meses. O maior alvo foram companhias ligadas a metais.

A corretora Itaú reduziu a recomendação para as ações da CSN e da Gerdau para abaixo da média do mercado, considerando que esses papéis perderam a atratividade depois de forte valorização. Pelas mesmas razões, a corretora Bradesco tomou a mesma atitude em relação aos papéis da Usiminas.

Resultado: CSNA despencou 6,1 por cento, para 47,43 reais, o papel preferencial da Usiminas cedeu 4,4 por cento, para 39,35 reais, enquanto Gerdau teve baixa de 2,9 por cento, a 21,60 reais.

A preferencial da Vale fechou o dia depreciada em 3,8 por cento, a 31,70 reais.

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