segunda-feira, 4 de maio de 2009

Disparada de incorporadoras comprova sensibilidade do setor no Ibovespa

Por: Conrado Mazzoni Cruz
04/05/09 - 20h52
InfoMoney

SÃO PAULO - "Os últimos serão os primeiros". O antigo ditado popular ganharia credibilidade se utilizado para ilustrar o comportamento dos papéis do setor imobiliário na BM&F Bovespa. Como se não bastasse a valorização expressiva do mês passado, as ações de incorporadoras de imóveis iniciaram o mês de maio ocupando posição de destaque no Ibovespa, com variações de dois dígitos.

A mais bem colocada foi a ação da Cyrela Realty (CYRE3), que disparou 13,97% nesta segunda-feira (4). Já a da Gafisa (GFSA3) encerrou mostrando alta de 11,29%. E, depois de subirem 104% em abril, os ativos da Rossi Residencial (RSID3) fecharam com valorização de 10,10%. No acumulado de 2009, os papéis lideram o índice paulista, registrando elevações de 66,30%, 101,37% e 119,91%, respectivamente.

De acordo com analistas, há dois fatores predominantes por trás de tal desempenho: o pacote habitacional, lançado pelo Governo Federal ao final de março e que fomenta expectativas positivas sobre vendas, sobretudo na baixa renda; e a recuperação natural do setor, notadamente um dos mais sensíveis aos movimentos do Ibovespa, conforme simbolizado pela derrocada das ações em 2008. Na primeira sessão de maio, o Índice Bovespa ultrapassou os 50 mil pontos pela primeira vez em sete meses.

Sensibilidade da construção
Para se ter uma ideia, na época de derretimento geral das cotações na BM&F Bovespa, houve empresa do segmento de construção que perdeu quase 80% do valor. Conforme explica a equipe de pesquisa da Planner Corretora, o ramo imobiliário é mais sensível tanto na subida quanto na realização de lucros.

"Temos o indicador técnico beta. O setor tem um beta muito próximo a 2, então quando o índice sobe com força, acima de 2%, 3%, sempre notamos que o setor sobe acima de 4%, 5%; e quando o índice cai, o setor também vem com uma realização bem mais intensa", constatam os analistas a respeito da volatilidade.

O próprio time da Planner reconhece não existirem dados para fundamentar o movimento das incorporadoras. "As prévias operacionais de algumas empresas ainda não evidenciaram uma retomada de vendas". Um dos motivos para explicar a maior sensibilidade desta indústria é o fato dela ainda ser considerada nova, sem muito histórico.

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